20 de março de 2012

Sem vencidos e vencedores (editorial de O Globo)

Nas rupturas institucionais, a “verdade” é a dos vencedores. Em 1964, a aliança política responsável por abortar, pela força, o governo João Goulart, com os militares à frente, inscreveu suas regras na Constituição de 1967, aprovada por um Congresso subjugado pelo regime.
Este reforçaria ainda mais seu controle sobre a sociedade, em 1968, pelo Ato Institucional nº5, a expressão jurídica, em resumo, do golpe desferido pela linha dura contra o grupo de Castelo Branco, o primeiro general-presidente.
Naquele regime, autoritário, não havia espaço para esquerda de qualquer matiz. Inexistiam as liberdades democráticas mais corriqueiras.
Já o fim do regime ocorreu de forma diferente do que acontecera em 64. Não houve ruptura abrupta, mas um processo de descompressão e transferência do poder negociado entre generais e líderes da oposição.
Há peculiaridades no Brasil de 1964 a 1985, ano do fim da ditadura militar com a posse de um presidente civil (José Sarney, vice de Tancredo), ainda eleito pelo Congresso, sem voto direto.
Os militares trataram de manter, mesmo que só formalmente, ritos da democracia representativa: a ditadura cumpria mandatos, o presidente e vice, depois de indicados pelos quartéis, eram ungidos pelo Congresso, e havia eleições para as Casas Legislativas.
Prendia-se por motivos políticos, cassavam-se vereadores, deputados, senadores, ministros do Supremo, mas procurava-se manter um lustro de “democracia”.
O fim do regime também foi atípico. Ele desfaleceu, asfixiado pelo esgotamento do modelo econômico dependente de financiamento externo abundante, monitorado por uma junta de situacionistas e oposicionistas. Tanto que Sarney havia sido suporte do regime militar no Congresso.
A passagem do bastão do poder foi suave, apesar da violência verificada principalmente depois do AI-5, de 13 de dezembro de 68. Até Ernesto Geisel e Golbery vencerem a “tigrada” dos porões.
Em todo fim de ditadura há uma anistia das vítimas do regime. No Brasil, o perdão também passou pela mesa de negociações entre generais e políticos civis da oposição. Tanto que ela foi aprovada pelo Congresso em 1979, ainda num governo militar, o último, do general João Baptista Figueiredo, escolhido por Geisel para sucedê-lo.
E no eixo central da lei negociada foi fixado o perdão recíproco, de agentes públicos envolvidos na repressão e participantes da luta armada pela esquerda. Uma fieira de crimes foi cometida por ambos os lados naquela guerra suja e, muitas vezes, subterrânea.
Considerado este contexto, não se sustenta a campanha que volta a ganhar força, com a proximidade da indicação dos nomes da Comissão da Verdade, para a punição de militares, policiais, agentes de segurança em geral que atuaram nos porões da repressão.
A insustentabilidade legal já foi estabelecida pelo Supremo Tribunal, em 2010, por sete votos a dois, em julgamento de ação proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra o alcance da Lei de Anistia.
Tentativas de condenar agentes públicos em casos de desaparecimento de corpos, em que se configuram sequestros, não deverão prosperar na Justiça. Mesmo que haja o argumento do “crime continuado”, usado por membros do Ministério Público. E não há sentido político de se retomar esta campanha, com a tentativa de burlar a Lei de Anistia.
Saber o paradeiro de pessoas desaparecidas é outra história. A missão cabe e precisa ser cumprida pela Comissão da Verdade. Mas sem consequências punitivas, por ilegais. Do ponto de vista da Lei de Anistia, a verdade é que não houve vencidos nem vencedores.
O Globo/montedo.com

Porta-aviões São Paulo: MPM escala duas procuradoras para acompanhar investigações

LUPA NO CASO SÃO PAULO
Marco Aurélio Reis

A procuradora-geral de Justiça Militar, Cláudia Márcia Ramalho Moreira Luz, designou duas procuradoras do Rio para acompanhar o Inquérito Policial Militar aberto para investigar o incêndio ocorrido no porta-aviões São Paulo - quando um marinheiro morreu e outros dois saíram feridos. As representantes do Ministério Público Militar vão buscar esclarecimentos da Marinha sobre o incêndio e os demais ocorridos no porta-aviões nos últimos anos, conforme O DIA revelou em reportagem exclusiva.

Leia também:
Incêndio no porta-aviões São Paulo mata um e fere dois militares no RJ. E não foi por falta de aviso!

Heróis e traidores da pátria

Marcos Coimbra*
Em recente reunião, debatendo sobre a grave questão da demarcação de áreas indígenas, em especial sobre a denominada região Raposa/Serra do Sol, e seus desdobramentos sobre o futuro do país, enquanto Nação soberana, independente e autônoma, surgiu em paralelo uma lúcida discussão sobre quem figura e quem figuraria na História do Brasil, como herói e como traidor da Pátria. Houve unanimidade quanto aos heróis. Afinal, não há como negar o exemplo de coragem, brasilidade e desprendimento de vultos como Tiradentes, Duque de Caixas, Barão do Rio Branco, Tamandaré, Brigadeiro Eduardo Gomes, Santos Dumont, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias, o índio Felipe Camarão, do anônimo soldado da FEB que lutou na Itália e outros.
Porém, no relativo aos traidores da Pátria houve dissenso. O ilustre brasileiro Jornalista Barbosa Lima Sobrinho já definia, com muita clareza, que no Brasil só existiam dois partidos políticos. O dos heróis, representados por Tiradentes e o dos seguidores do traidor Joaquim Silvério dos Reis. Mas, um participante argumentou, com propriedade, que Silvério teria sido um traidor sob a ótica de nós, brasileiros, mas não para os portugueses, a quem servia, sendo natural da nossa então matriz. Também foi lembrado o eterno Calabar, quase com unanimidade, mas apenas houve consenso em Judas, como traidor universal.
Analisando friamente, se isto é possível, a iminente perda de mais da metade do território nacional, representada, de início, pela demarcação irresponsável de vastas áreas do Brasil para indígenas (agora já criaram também os “quilombolas”), por “coincidência” justamente onde já estão mapeadas e conhecidas vastas riquezas e recursos naturais, que, no decorrer do tempo serão arrancadas do nosso país, sob qualquer pretexto, algumas reflexões se fazem necessárias.
Qual o país do mundo que, por “vontade própria”, sem o disparo de um tiro sequer, abre mão de um milímetro do seu território sem resistência armada? Em que lugar se escondem as autoridades (ir)responsáveis, por omissão, covardia, cumplicidade, leniência ou por outro motivo qualquer, que não reagem contra o crime de lesa-pátria a ser perpetrado? Onde está o povo brasileiro que assiste passivamente, anestesiado, amorfo, sem protesto à perda de recursos naturais que podem transformar o país em uma das maiores potências do mundo, propiciando uma elevada qualidade de vida aos seus cidadãos? Imaginem isto acontecendo na Argentina, por exemplo. Os bravos “hermanos” já estariam nas ruas, protestando em greve geral e com um feroz “panelaço”. Será que o Brasil não fabrica mais Homens como no passado, quando tivemos Plácido de Castro, Marcílio Dias e tantos outros?
A maioria de nosso povo não sabe o que está acontecendo de fato. Pensa apenas em sobreviver, com as “bolsas-esmolas” ou com os empregos de baixa remuneração existentes, ou talvez ocupados com o samba, o futebol e o carnaval. Porém, existe uma parcela do povo conhecedora do que está em jogo. E é justamente esta que decide. Ela está principalmente nos três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. A disputa não é entre “arrozeiros” e índios desprotegidos da época de José de Alencar. Se o leitor quiser apurar o que está sendo escrito aqui, pode entrar nas páginas do Greenpeace, do WWF-Brasil, da FUNAI e outros menos votados. Vai encontrar uma perfeita sintonia, uma ação orquestrada entre eles, com o mesmo objetivo.
Não é por acaso que dirigentes de órgãos governamentais que decidem, ignorando o Congresso, os locais que devem ser ocupados nas demarcações foram, são ou serão integrantes das ONGs e assemelhados. Inclusive, alguns financiados por governos estrangeiros. O G-7 e até potências emergentes estão carentes de nióbio, petróleo, bauxita, urânio e outras riquezas encontradas em abundância exatamente nas áreas que estão sendo entregues. Por isto, eles querem a Serra da região Raposa/Serra do Sol. O argumento falacioso de que a propriedade da terra (solo e subsolo) é da União, possuindo os indígenas apenas o usufruto não se sustenta, quando observamos a prática nas regiões já demarcadas.
Não existem coincidências. Há planejamento e ação decorrente. Por que autoridades brasileiras assinaram na ONU a famigerada declaração universal dos direitos indígenas, ao contrário de EUA, Austrália, Nova Zelândia, etc.? Por que as Forças Armadas brasileiras estão sendo deliberadamente sucateadas, ao longo do tempo, retirando-lhes a capacidade de cumprir com sua destinação histórica e constitucional? Por que o cidadão brasileiro está sendo desarmado, através de campanhas financiadas do exterior, executadas por sicários estrategicamente posicionados, com ampla cobertura da mídia? Por que os órgãos de comunicação, com raras exceções, não divulgam a verdade sobre o assunto, ao invés de praticar o reducionismo de tentar iludir a opinião pública, desinformando por intermédio da falsa assertiva de que a luta é entre o fazendeiro branco mau e o índio desprotegido e nômade? Por que não esclarecem que estes índios falam inglês, usam celulares e PCs?
Por que a pressão externa intimidatória de organismos internacionais e governos estrangeiros que chegaram ao acinte de mandar um representante da ONU ao país, na véspera da decisão do STF? Por que permitir a “palhaçada” de índios com o diploma de advogado, de toga, pintados de guerra a exercer pressão psicológica dominante no plenário do STF? Por que se ater a tecnicidades jurídicas e figuras poéticas para tentar esconder a verdade? Por que ignorar que a maioria dos índios que defendem a posição do G-7 são orientados por órgãos estrangeiros, sendo movimentados de lugar, por ordem externa, de acordo com a existência de riquezas ou não nos territórios a serem ocupados? Por que ignorar os indígenas que são contra? Por que nossas autoridades não aprenderam com a dura lição da Iugoslávia, do Iraque, do Kosovo, da Ossétia do Sul, etc.? Por que atribuir a onze pessoas, nomeadas por indicação política, a incomensurável responsabilidade de decidir sobre o futuro do país?
Nossos descendentes reverenciarão quais novos heróis e desprezarão que novos traidores da Pátria?

*Conselheiro Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia, Autor do livro Brasil Soberano

19 de março de 2012

Traficante usam crianças para hostilizar Exército no Alemão

Crianças hostilizam homens do Exército no Complexo do Alemão
Traficantes usariam menores de idade para atrapalhar ações de combate ao tráfico
Filmagens feitas por militares do Exército mostram crianças provocando, ameaçando e agredindo soldados da força de pacificação do Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro. O serviço de inteligência do Exército descobriu que os traficantes passaram a usar menores de idade para atrapalhar as ações de combate ao tráfico.
Segundo o Exército, a tática começou a ser usada depois que a tropa mudou a forma de atuação na comunidade. Agora, além de atuar em pontos estratégicos, os soldados utilizam motos para reprimir o tráfico de drogas.
O major Virgolino Albuquerque afirma que a força de pacificação tem causado grande prejuízo ao tráfico.
- Algumas batidas, em apenas uma noite, resultaram um prejuízo para o tráfico de mais de R$ 70 mil.
Segundo os militares, a estratégia do tráfico é usada para criar um clima ruim entre a força de pacificação e a população, passando uma falsa ideia de que a tropa não seria bem vinda na comunidade. O major Daniel Moraes revela que os responsáveis pelas crianças serão investigados.
- Vamos procurar os pais para que sejam responsabilizados criminalmente pelos atos dos filhos. Também procuraremos o Conselho Tutelar para que recolham estas crianças das ruas, pois muitas delas ficam até as 5h na rua.

Exército investiga denúncias de abuso
O Exército afirma que abriu um inquérito para apurar as denúncias de abuso, após um rapaz ter acusado os militares de tortura na Vila Cruzeiro. De acordo com o delegado José Pedro da Costa Silva, titular da Delegacia da Penha (22ª DP), os militares que prestaram esclarecimento até o momento negaram participação em qualquer agressão.
R7/montedo.com

Soldado do Exército morre em incêndio no RJ

Incêndio mata soldado do Exército em São Gonçalo

O sonho do soldado Luiz Henrique Alves Barroso de Siqueira, de 20 anos, de se tornar sargento do Exército foi interrompido, na manhã de ontem, ao ser a única vítima fatal de um incêndio que destruiu completamente a sua casa, no bairro Venda da Cruz, em São Gonçalo.
De acordo com vizinhos da Rua Major Golim, onde ocorreu o acidente, o padrasto de Henrique, o motoboy Alex Sandro de Oliveira, de 39 anos, teria se deparado com a casa em chamas por volta das 7h30 da manhã e conseguiu socorrer a esposa e o filho de 4 anos. Alex Sandro sofreu queimaduras e foi encaminhado para o Hospital Azevedo Lima, no Fonseca.
O jovem aspirante a sargento estava dormindo em um colchonete, num dos quartos da residência, quando o incêndio começou. O guarda-roupa do cômodo teria caído por cima de Henrique, que chegou a gritar por socorro, mas acabou não resistindo.
A perícia esteve no local e acredita que um curto-circuito na tomada, que ficava atrás do móvel, teria provocado o incêndio.
Segundo a assessoria de imprensa do Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), Alex Sandro foi submetido a uma cirurgia para retirada de tecido queimado e até a tarde de ontem estava em observação.

Carreira militar
Luiz Henrique servia ao Exército há dois anos e estava finalizando a primeira fase do curso para sargento. O soldado estava lotado no 21º Grupo de Artilharia de Campanha (GAC), localizado nos fortes de Imbuí e Rio Branco, em Jurujuba, Niterói, e atualmente estava cedido para o 11º GAC, na Vila Militar, em Deodoro, para fazer as aulas.
Segundo os companheiros da unidade militar, Siqueira - como era chamado no Exército - era muito dedicado e um dos que mais se destacava no grupo e, por isso, foi indicado a fazer o curso.
Chocados com a tragédia, familiares e amigos não acreditavam no que havia acontecido. “Ele era a nossa paixão e muito querido por nós. Éramos muito apegados um ao outro, nos entendíamos muito bem”, contou, emocionada, Sheila Maria, tia do jovem, acrescentando que o jovem sonhava em comprar uma casa própria para a mãe.
Segundo familiares, o Exército tomará as devidas providências do enterro de Luiz Henrique.
O São Gonçalo/montedo.com

Dois cadetes são preso em SP por organizar baile funk com adolescentes e drogas

SP: cadetes são presos em baile funk com adolescentes e drogas

ROSE MARY DE SOUZA
Dois cadetes das Forças Armadas e outros dois homens foram presos acusados de corrupção de menores e associação ao tráfico ao serem flagrados, no sábado, em um baile funk em uma chácara no Jardim Santa Rosa, em Campinas. Os quatro foram apontados como os organizadores do encontro que reuniu cerca de 300 pessoas, sendo a grande maioria formada por adolescentes, pelo menos 80 deles consumindo drogas e bebidas alcoólicas. "Montamos uma operação para inibir a prática de qualquer delito", explicou o capitão da Polícia Militar Carlos Adriano dos Santos.
Segundo ele, a PM e a Vara da Infância e Juventude receberam a informação da festa alguns dias antes e sabiam que haveria um grande encontro de jovens. No local, foram apreendidos cigarros de maconha, tubetes com cocaína e tubos de lança-perfume, além de muita bebida destilada e cerveja. Pelo menos cinco motocicletas estacionadas em um quiosque não possuíam documentação e foram recolhidas sob suspeita de furto ou roubo.
Os adolescentes foram liberados mediante a presença dos responsáveis. Os cadetes foram encaminhados à Polícia do Exército, e os dois homens suspeitos de organizar a festa pagaram fiança de R$ 5 mil e foram liberados.
De acordo com o comissário da Vara da Infancia e Juventude, Arlei Rossi, algumas jovens estavam seminuas em uma piscina, e rapazes apresentavam estado de embriaguez. "Esse tipo de evento envolve drogas, sexo, e é uma perdição para os jovens", avaliou. Um caseiro disse que alugou a chácara para uma festa de aniversário de um grupo familiar e alegou desconhecer a reunião de centenas de jovens.
Essa foi a segunda vez no ano em que a polícia e a Vara da Infância invadem uma festa com crianças e adolescentes consumindo drogas e álcool em Campinas. Em fevereiro, a polícia surpreendeu 400 pessoas, sendo 70 adolescentes, em um depósito de bebidas nos fundos de um bar no Jardim Itatinga.
Terra/montedo.com

Flávia Alessandra e Fernanda Paes Leme passam a frequentar quartel no Rio

Flávio Ricco*


As informações sobre os personagens de “Salve Jorge”, nova novela de Glória Perez, não são inteiramente conhecidas, até porque ainda tem “Avenida Brasil” pela frente.
De qualquer forma, Flávia Alessandra e Fernanda Paes Leme iniciam em maio “laboratório” de suas personagens num quartel das Forças Armadas.
Quando de farda, elas serão sempre linha dura. Mas, no dia a dia, se comportarão como qualquer outra mulher.
* Colaboração de José Carlos Neri
UOL/montedo.com


Comento:
Cá pra nós, o salário tá 'mais curto que coice de porco' mas tem lá suas compensações, não é mesmo?

Oficiais expulsos em 1964 lançam manifesto contra nota dos clubes militares e "Alerta à Nação!"

Manifesto de militares critica colegas que atacaram ministras
Entre os signatários do documento, que presta solidariedade às vítimas de tortura na ditadura, está um herói da Segunda Guerra Mundial

Marcelo Godoy
Um grupo de militares da reserva lançou um manifesto contra o documento feito pelos colegas que criticaram as ministras Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Eleonora Menicucci (Mulheres), favoráveis à revogação da Lei da Anistia, e contra o ministro Celso Amorim (Defesa), que tentou enquadrar os Clubes Militares pelas censuras feitas à presidente Dilma Rousseff.
Articulado pelos capitães de mar e guerra Luiz Carlos de Souza e Fernando Santa Rosa, o documento obteve apoio de militares como o brigadeiro Rui Moreira Lima, que, aos 93 anos, tem uma história incomum. Herói da Segunda Guerra, é um dos dois únicos pilotos sobreviventes que participaram do 1.º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira (FAB). Na teatro de operações da Itália, cumpriu 94 missões de combate e recebeu a Cruz de Combate (Brasil), a Croix de Guerre avec Palmes (França) e a Distinguished Flying Cross (EUA) por heroísmo.
Lima evita críticas ao presidente de seu clube - o da Aeronáutica -, o brigadeiro Carlos Almeida Batista. "Ele é um companheiro nobre e só deve ter assinado em solidariedade aos demais". Mas diz apoiar a Comissão da Verdade. "Ela é necessária não para punir, mas para dar satisfação ao mundo e aos brasileiros sobre atos de pessoas que, pela prática da tortura, descumpriram normas e os mais altos valores militares", diz Lima.

Intervenção
Lima e outros militares não concordam com a intervenção do governo nos Clubes Militares. Dizem que a reserva tem direito de se manifestar, mas nenhum deles se sente à vontade em assinar um manifesto na companhia de torturadores. "Eles citam o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra", diz o professor da Unesp Paulo Cunha, pesquisador da caserna.
Segundo o professor, muitos oficiais da reserva - e, entre eles, generais - consideram que o governo foi inábil para resolver o caso dos manifestos dos Clubes Militares. "Esse novo manifesto mostra que o Clube Militar não é uma entidade monolítica, que há vozes discordantes."
No manifesto, os capitães dizem que seus colegas da reserva não falam pelos da ativa e por muitos dos que estão na reserva. Santa Rosa é duro com os colegas do "outro manifesto". Para ele, a força por trás do documento são "os fascistas, os saudosos da ditadura". Ele critica o que considera "comportamento desrespeitoso, inaceitável na vida militar", que configuraria "uma insubordinação, uma quebra de hierarquia".
Leia a integra do manifesto aqui.
O documento dos capitães diz que "o verdadeiro regime democrático é o que estamos vivendo e não aquele dos governos militares". "Torturadores (militares e civis), que não responderam a nenhum processo, encontram-se anistiados, permaneceram em suas carreiras sem nunca precisarem requerer, administrativa ou judicialmente, o reconhecimento dessa condição, diferentemente daqueles, suas vítimas, que até hoje estão demandando nos tribunais para terem os seus direitos reconhecidos", escrevem.
O documento lembra aos colegas de caserna o que "se acha inscrito nos estatutos militares: exercer com autoridade, eficiência e probidade as funções que lhes couberem em decorrência do cargo; respeitar a dignidade da pessoa humana; ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na apreciação do mérito dos subordinados". Por fim, citam frase do antropólogo Darcy Ribeiro: "Só há duas opções nessa vida: se resignar ou se indignar". E completam. "Eu não vou me resignar nunca".
O Estado de S.Paulo/montedo.com


Comentário do Coronel do Blog:

Manifesto liderado por militar expulso em 64, atual defensor de presos políticos, tenta contrapor o clamor da caserna
Um brigadeiro de 93 anos e um capitão cassado em 1964 por ser um quinta coluna. Procure no google quem é Fernando de Santa Rosa. Estes são os nomes que lideram um contra-manifesto contra o movimento militar que defende a Constituição e a Lei da Anistia.

Alemão: operação de guerra para garantir a paz

Tropas gaúchas fazem operação de guerra para garantir a paz em favelas do Rio de Janeiro
Cerca de 800 militares do RS trabalham para manter a tranquilidade de morros pacificados

Militares gaúchos fazem patrulhamento de dois dos maiores complexos de favelas da América Latina
Foto: Luís Eduardo Silva / Agencia RBS
LUÍS EDUARDO SILVA
luiseduardosilva@rbstv.com.br
Enquanto a maioria das pessoas que vai ao Rio busca sossego e cenários paradisíacos, os 1,6 mil militares – metade deles gaúchos – trabalham para garantir o sossego de moradores em cenários diferentes.
A operação em dois dos maiores complexos de favelas da América Latina é de guerra, mas o objetivo é garantir a paz.
Foram milhares de patrulhamentos desde a chegada dos militares, em 2010. Mas cada subida do morro é diferente e, por isso, orientações são repassadas todos os dias. Os militares estão organizados em duas bases, a da Coca-Cola, uma antiga fábrica de refrigerantes no morro do Alemão, e a base da Penha, onde funcionava um parque.
A formação das tropas varia muito, dependendo do trabalho. Por vezes, são quatro motocicletas, dois Marruás – tipo de caminhão usado para carregar militares e com força suficiente para encarar as ruas íngremes dos morros – e mais um carro blindado. Em outras, apenas os Marruás escoltados por motocicletas fazem o trabalho.
A subida do morro é tensa. Sob o olhar desconfiado dos moradores, os militares percorrem ruas estreitas, entre casebres, becos e ruelas. Muitas vezes, é preciso passar pela calçada. A rua não foi feita para receber carros, não há espaço para a viatura.
— Todo o planejamento é feito para garantir a paz para a população. Estamos na rua o tempo todo, fazemos patrulhamento dia e noite para manter a paz. Essa é nossa missão aqui — diz o general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, comandante da Força de Ocupação.
Os dois complexos estão pacificados, mas isso não significa que o tráfico tenha sido extinto do morro. Em uma das patrulhas, em um beco, os militares encontram embalagens plásticas com etiquetas coladas. Nelas, a inscrição com o nome da facção criminosa, o preço e o tipo de droga vendida.
— Sabemos que o tráfico permanece, mas não é aquela coisa ostensiva como antes. Você não vê mais o traficante na rua, vendendo. O comércio de drogas é para uso da própria comunidade. Gente de fora dificilmente vem buscar drogas aqui no morro — afirma o major Tiago Kanomata, que e costuma registrar as incursões nos morros com uma câmera acoplada ao capacete.
ZERO HORA/montedo.com

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