16 de julho de 2017

Doenças cardiovasculares nas atividades militares

Academia MédicaRodrigo Rocha Correa*

Na última década a humanidade verificou um aumento estrondoso da incidência e prevalência de doenças cardiovasculares, principalmente as coronariopatias, as quais estão afetando uma faixa etária cada vez menor. Tal fato ocorre devido a alguns fatores de risco primordiais estarem presentes, principalmente o aumento da obesidade e sedentarismo, “os males do século”.
Doenças Cardiovasculares nas Atividades Militares
Apesar de ser um ambiente em que o estímulo à prática de atividades físicas se faz de maneira contínua, através do TFM (treinamento físico militar), o número de caso em militares está se elevando. Vários eventos relacionados na mídia expuseram de forma veemente a porcentagem de coronariopatias que afetam o ambiente militar. Pode-se afirmar que a obesidade, sedentarismo (mesmo com o espaço no expediente destinado ao TFM, alguns militares simplesmente não o fazem), tabagismo, hipertensão arterial sistêmica e dislipidemias são os fatores de risco principais. Alguns dos óbitos ocorrem de maneira drástica, caracterizando as mortes súbitas. De todas as causas de morte súbita no mundo, 90 % são de origem cardiovascular e , em sua maioria, evitáveis. No entanto, em indivíduos mais jovens, hígidos e sem fatores de risco aparentes (geralmente abaixo dos 35 anos de idade), algumas cardiopatias são praticamente imprevisíveis e, durante uma simples atividade, pode levar ao êxito letal. A principal causa de morte neste seleto grupo é a Miocardiopatia Hipertrófica, entidade em que há um aumento volumétrico e funcional dos miócitos de modo espontâneo (aventa-se a possibilidade de associação de mutações genéticas na gênese da doença), com conseqüente aumento do coração, levando na maioria das vezes a um déficit de relaxamento na fase de diástole, ocorrendo desta forma um menor volume sistólico efetivo. A demanda energética aumenta ao longo do tempo para fins de manutenção da massa muscular aumentada, predispondo desta forma a disfunções arritmogênicas e isquêmicas. Em pacientes predispostos e que fazem exercícios regulares, os exames de rastreio podem se mostrar ineficazes, visto que a hipertrofia fisiológica confunde-se com esta patologia. Basta observar nos últimos anos o número de atletas jovens que morreram de morte súbita.
Em posse de tais informações, as Forças Armadas preocuparam-se e tomaram algumas medidas no âmbito da Medicina Preventiva, a qual faz parte da Medicina Militar. No Exército Brasileiro três testes de aptidão física(TAF) são realizados anualmente, os quais consistem em corrida, flexão, barra fixa e abdominal, além de Pista de Pentatlo Militar em algumas unidades militares. São exercícios executados de maneira súbita e que demandam muita capacidade energética-muscular-respiratória. Geralmente aí que ocorrem os eventos negativos. Foi previsto em Manual de Treinamento Físico Militar no ano de 2015 a consecução de vários tipos de exames complementares de rastreio para este tipo de afecção, sempre realizados anteriormente ao primeiro TAF, com o intuito de diagnosticar alguma patologia cardíaca. Tais exames são solicitados baseando-se na faixa etária e nos diversos fatores de risco já mencionados.
Uma mudança considerável em relação ao último manual foi a mudança de faixa etária de 40 para 35 anos para a solicitação de exames, geralmente com os portadores dos fatores de risco. É visível, principalmente para mim que sou médico do Exército Brasileiro, o aumento de obesidade, diabetes mellitus tipo-2, tabagismo e hipertensão arterial sistêmica em fases cada vez mais precoces da vida, levando à elevação do potencial de anos de vida perdidos. Vale lembrar que os exames não têm custo para cada militar, sendo bancados pela Diretoria de Saúde do EB, pois são previstos em Manual específico. Ainda há a relutância de alguns militares, principalmente os de idade mais avançada, em seguir o orientado. No dia do primeiro TAF, a equipe de saúde faz um check-in com a relação de todos os militares que fizeram ou não os exames previstos. Quem não fez ou obteve alguma alteração nos exames, é proibido de realizar a atividade física. Concluindo, a anamnese, um bom exame clínico, o rastreio adequado e direcionado e , principalmente , orientação contínua e ativa, são fatores primordiais para o sucesso da prevenção das doenças cardiovasculares.

Abaixo, alguns links com matérias de morte súbita no ambiente militar:
http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,pm-morre-durante-atividade-fisica-em-quartel-de-sorocaba,1779754
http://www.oimparcial.com.br/_conteudo/2016/04/ultimas_noticias/urbano/189094-sargento-do-exercito-morre-realizando-teste-fisico.html
http://acreaovivo.com.br/noticia/morte-subita-general-morre-ao-voltar-para-o-brasil/5975
* Primeiro-tenente médico do Exército Brasileiro
ACADEMIA MÉDICA/montedo.com


18 comentários:

Anônimo disse...

....Fazem tudo isto de exames, só se for o exército americano, pois o tupiniquim não faz não....

Anônimo disse...

Onde estou é difícil fazer o FUSEX não tem recursos. Os de sangue até se consegue, mas os mais detalhados como do coração é complicado. Estamos na expectativa dizem que alguns Hospitais de Guarnição vão fechar em 2019 e ficar Posto Médico só com Dentistas. Isto vai gerar mais recursos do FUSEX e mais médicos e clinicas vão ter convênio. Uma cintilografia é muito difícil de fazer. Companheiros que estão em locais onde só tem Posto Médico são melhores atendidos do que aqueles que estão onde tem Hospitais de Guarnição. Em Hospitais de Guarnições a maioria é Médico recém formado sem especialidade (Aspira Of e 2º Ten) e muitas vezes a agente precisa de especialista. Especialista não fica nem faz concurso para o EB. Receber R$ 6.000,00 por mês sendo que isto ele tira na semana ou até em menos tempo no meio civil. A esperança é o fechamento dos Hospitais de Guarnição e aumento de convênios.

Anônimo disse...

Sim não tem custo. E no local que os médicos e clinicas não querem convênio? Tem militar que viaja 800km (ida e volta) para para realizar os exames do TAF.

Anônimo disse...

Enquanto as FFAA não se preocuparem com a qualidade da alimentação do seu contingente, os gastos com despesas médicas e o aumento das doenças cardiovasculares, diabetes, obsidade, hipertensão e outras serão constantes.

Anônimo disse...

o que leva o militar com essa faixa etária ter desenvolvido estas patologias esta ligado com o TAF que mudou em 2000 para um teste que exige mais e com isso com o passar dos anos muitos esquecem que existe a ergonomia e dentro dela o estudo do envelhecimento no trabalho e com isso o estudiosos da escola de educação física que ficam na beira da praia inventando manual rolha esquecem que existe a percurialidade regional que nem todo militar consegue fazer tfm nas condições climáticas adversas por exemplo no sul num dia faz tfm com 25º, no outro 38º e outro dia a temperatura vai a zero e ai a continuidade vai embora. fora os dia que está de serviço ou em campanha que não executa a atividade assim numa forma simples o TFM vira um Dente de serra, ou seja feito por espasmos de continuidade e aliado a exigência criadas para pontuação e lembrar que muitas unidade não possuem ginásio fechado e academia para que pudessem realizar estas atividades em um local adequado, eis o resultado mais uma vez muito teórico em brasília no mundo do BOB VB e resultado zero. sempre tem um ideudo dizendo que o militar não faz por que não quer, e a velha conversinha pede para sair, no mínimo nunca serviu na tropa é um incompetente puxa-saco que concorda contudo que os chefes fazem até estes absurdo para beneficiar seus peixes.

Anônimo disse...

Faltou mencionar o estresse provocado por perseguições e "pressões" (assédio moral) perpetradas pelos superiores.

Interessante, o médico, nesse artigo, culpa apenas as vítimas.

Anônimo disse...

Com o rancho "pesando" na comida, não tem quem aguente...

Anônimo disse...

O Dr do EB, esqueceu de investigar o stress como fator catalisador. Tds que faleceram nestas condições passaram por situações estressantes, que sejam, profissionais, pessoais e familiares. Geralmente o stress da caserna advém das ansiedades da carreira, insegurança de uma função/missão ou o produto dela, promoção, curso, transferência, concorrência para as benevolências funcionais entre os companheiros, ajuste ou desajuste da família com o novo local/guarnição que o militar se encontra, a incapacidade de gerir a família com os proventos, dívidas por conta da falta de educação financeira, etc. São tantos os fatores que mudaram o ambiente na caserna, que resultou em um efeito cascata negativo no aspecto biológico do militar. Tanto é, que as principais vítimas são aqueles que representam a ponte entre a máquina de escrever e o mimeógrafo para os atuais 300 sistemas em vigor no EB.

Anônimo disse...

É cada um que aparece.
Muito mais fácil colocar a culpa no rancho, no Fusex e no frio do que manter disciplina alimentar e física.
Fecha a boca e usa agasalho, reclamão.

Anônimo disse...

Fator custo do Fusex? Hahahahahahahahaha...Dr me diz onde isso acontece? Aqui no estado de Sp NÃO. ..no máximo os exames de sangue e olhe lá. ..

Victor Silveira disse...

Desculpe a ignorância, mas até hoje não entendi porque o militar tem que fazer o teste de 12 min. Esse TAF só é bom para os atletas. Militar tem que ter resistência e não explosão. A corrida deveria ser de 8 Km ou 10 Km com tabela de tempo para as menções.

Anônimo disse...

Faltou só o clássico "não gostou, pede para ir embora" kkkk...

Anônimo disse...

Opções não faltam.

Anônimo disse...

TAF absurdo. Qual lugar do mundo possui um parecido.. resposta nenhum.
Vai continuar matando.

Anônimo disse...

Existe OM que não faz TFM, e fez o TAF porque foi obrigada em Novembro. Foi Deus que nos protegeu, para não morrer ninguém. A comissão de promoção se trabalhasse de fato teria observado que nenhum militar que concorria a promoção tinha TAF, naquele ano.

Anônimo disse...

Com dinheiro curto,o militar parte para a sobrevivência: churrasquinho com farofa; frituras mil; coxinhas... . Quando sai o pagamento é uma festa e haja pizzas, mas só dura um dia.

Anônimo disse...

A mudança no exame pré TAF com a solicitação de exames para a faixa etária a partir dos 35 é um importante passo para a saúde dos militares. Entretanto cabe lembrar que muitos outros fatores estão associados ao surgimento de doenças, começando por uma alimentação desbalanceada carente em micro e macronutrientes essenciais ao organismo , com funções antioxidante, protetora e restauradora. Além disso, a prática de atividades físicas sem acompanhamento profissional, é tão ruim quanto o sedentarismo, e todos sabemos que o conhecimento técnico do Oficial calção preto ou o sargento calção preto ficam à mercê frente ao poder da antiguidade o RQuero. O método de avaliação utilizado no TAF pelo Exército Brasileiro é ultrapassado e ineficiente, primeiramente pelo fato de ser dividido pela idade, e também por ser um teste realizado em intervalo de tempo e não em uma distância percorrida. O TAF ideal seria o militar percorrer 5km sem tempo, isto mesmo, sem tempo! O indivíduo que corre o E em 12 minutos não teria problemas em executa-lo, entretanto o grande ganho seria no indivíduo que por diversos motivos ( missões, recuperação de lesões, reuniões, motoristas) não atingem os índices ou atingiram indo além dos limites. Por fim, não cabe ficar divagando sobre algo que dificilmente irá mudar, e alguém ainda pode me questionar como ficaria a avaliação. Até tenho a sugestão ( seria considerado o progresso de seus próprios resultados ao longo do ano), contudo o mais importante é que todos correriam os 5 km, seja homem ou mulher, obeso ou magro, de 18 ou 50.

Edison Martins disse...

Tenho válvula mitral mecânica On-x há um ano e 11 meses, fiz plastia da mitral no dia 30 de abril de 2014, entao com 43 anos, descobri por acaso em um exame para ser sócio de um clube, pois vim transferido para Natal vindo de São Pedro da Aldeia RJ, por ser da Marinha e para pedir atestado médico a medica cardilogista ouviu o sopro e pediu o eco e a esteira , fiz primeiro a esteira e não aguentei e quando o médico foi questionar sobre o eco, eu o reconheci como um piloto que trabalhei com ele em 92, era mecânico novato de helicóptero, então o papo rolou e disse que andava meio cansado e , quando ao realizar o eco a medica me perguntou como estava andando com o coração aumentado 8 milímetros e 40 ml de líquido sistolico , e com o folheto da valvula mitral aberto, expliquei a ela que fui ao médico na Base Aérea Naval e fazia tratamento de bronquite devido às tosses pós corrida ou natação. Resumindo a história o médico amigo me indicou a cirurgia no INCOR aqui de Natal, fiz plastia e aguentou um ano e três meses e optei pela mecânica.
Fui aviador Naval da Marinha por 23 anos e num total de 27 anos de serviço militar, 892 horas de vôo de helicóptero como mecânico de vôo e manutenção em avionica, sempre diagnóstico de bronquite asmática. Agradeço a Deus por ter descoberto por acaso , ter tido tempo e tbm pela chance de estar contando a história.

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