24 de dezembro de 2010

JOBIM E CABRAL OFICIALIZAM FORÇA DO EXÉRCITO NO ALEMÃO


Exército no Alemão mostra que segurança não é incompatível com direitos humanos, diz Jobim

Força de Pacificação é oficializada em convênio entre o governo do Rio e o Ministério da Justiça

Cecília Ritto
O governador Sergio Cabral, o ministro da Justiça, Nelson Jobim, e o comandante geral do Exército, general Enzo Peri
O governador Sergio Cabral, o ministro da Justiça, Nelson Jobim, e o comandante geral do Exército, general Enzo Peri(Marcia Foletto/Agência O Globo)
“O que muda nesta nova fase é a garantia à população do Complexo do Alemão e da Penha de que as forças de segurança não sairão nunca mais”, diz Sergio Cabral
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o governador do Rio, Sérgio Cabral, assinaram nesta quinta-feira o acordo para organização e emprego da Força de Pacificaçãono estado. O objetivo do ato foiera encarregada apenas da segurança dos acessos às favelas. A Força de Pacificação é composta por 2.200 homens, sendo a maioria da brigada paraquedista do Exército. Apenas do Alemão, cerca de 700 militares integram a força-tarefa. Há outra montada no Complexo da Penha, e uma terceira no entorno, que só atuará ocasionalmente, para fiscalização.
Ao Exército, caberá fazer o patrulhamento, revistas e prisões em flagrante. Os mandados judiciais serão cumpridos pela Polícia Civil. A especificação das funções tem como finalidade evitar que se repita no Rio o que aconteceu em 1994, quando militares invadiram o Alemão, e foram acusados de cometer abusos. Até hoje, homens do Exército que participaram da ação respondem na Justiça. “Conheci bem a operação que houve no Rio. E os equívocos que aconteceram em 1994 não vão se repetir este ano”, afirmou Jobim. Para isso, segundo ele, foram definidos os espaços e as áreas de atuação da instituição.
“Esta ação quebra o discurso de incompatibilidade entre direitos humanos e segurança, uma confusão que criou imensa dificuldade para orientar o policial. Nenhum de nós falava o que ele deveria fazer, não havia compromisso político", disse o ministro para, depois, acrescentar: “Hoje, o soldado operacional tem compromisso comigo e com o governador. Se alguém errar, a responsabilidade será nossa (dele e de Sérgio Cabral)”.
O governador Sérgio Cabral informou que a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) será instalada na região no próximo ano. Até lá, a área ficará sob responsabilidade da Força de Pacificação. “O que muda nesta nova fase é a garantia à população do Complexo do Alemão e da Penha de que as forças de segurança não sairão nunca mais”, afirmou. Cabral afirmou que os soldados estão preparados para este novo momento pelo qual passam as favelas.
“O comandante da Força de Pacificação, general Fernando Sardenberg e seus homens estão imbuídos do melhor. O general já é um cidadão no Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro”, disse Cabral, afirmando que a ação das Forças Armadas no Rio de Janeiro não tem paralelo com outro momento. “É uma novidade urbana”, resumiu.

"TRANSFORMER" EQUIPARÁ FORÇAS ARMADAS AMERICANAS

DARPA Humvee, um verdadeiro Transformer para as forças armadas

Eduardo Meireles
DARPA Humvee carcopter
DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency), organização responsável pelos projetos militares do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, apresentou uma inovação no seu conceito de veículo militar para o futuro, um protótipo que resulta de uma mistura de transporte aéreo e terrestre.
Certamente o projeto poderia estrelar a próxima edição do fantasiosoPálio Weekend Adventure filme Transformers. O veículo é uma mini SUV que se transforma em um helicóptero.
DARPA Humvee carcopter
O projeto conta com uma turbina traseira com profundor, um rotor retrátil no teto além de um par de asas. O SUVcóptero, ou seja lá como isso venha a ser chamado, levanta voo com 65 km/h e voa a até 150 km/h. O monstrinho é dotado de de metralhadoras e canhões e étotalmente blindado, como não poderia deixar de ser.

ENTREVISTA: GENERAL ELITO,NOVO CHEFE DO GSI

Futuro ministro apoia aplicação de plano do Haiti no RJ

Eliano Jorge
Confirmado como futuro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general José Elito Carvalho Siqueira volta ao Brasil na próxima semana para montar sua equipe. Ele viajou à China para conhecer uma neta de três meses e rever seu filho, que trabalha lá há três anos.
Atualmente, Siqueira é chefe de Preparo e Emprego do Ministério da Defesa, depois de ser secretário de Ensino, Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia. Entre janeiro de 2006 e janeiro de 2007, comandou a Missão de Paz da Organização das Nações Unidas no Haiti, onde ajudou a construir o Plano de Segurança Integrada que deve ser aplicado pelas forças policiais em favelas do Rio de Janeiro.
- Isso, de uma forma ou de outra, é o que está sendo feito. São dois ambientes diferentes. Mas a ideia geral é que você não pode resolver um problema em área crítica se não estiver dentro da área. Foi o que fizemos no Haiti, durante um ano, mais ou menos, e deu tudo certo. Fomos para dentro da área e não saímos mais. Ao mesmo tempo em que você procurava dar segurança na área, ajudava a área paralelamente, criando a presença do Estado. E, com isso, dia a dia, vai se adquirindo um ambiente favorável de credibilidade, de melhoria para a população. É um trabalho integrado, não é uma ação militar pura e simples - explica em entrevista a Terra Magazine, por telefone, diretamente de Xangai.
O general aprova o andamento da intervenção no Complexo do Alemão. "Está indo bem. Vamos torcer que continue assim", opina. Ele valoriza a presença brasileira no Caribe:
- O Haiti dá essa oportunidade àqueles militares de, durante seis meses, fazer um treinamento que, no Brasil, talvez levasse seis anos para chegar ao mesmo nível. Hoje temos mais de 10 mil homens no Exército, de soldado a general, que têm experiências em operações de longo prazo, de ajudar a população, de ficar longe da família. Então, são coisas que você não aprende nos bancos escolares.
O general José Elito Carvalho Siqueira será ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (foto: Redação do Terra)

Confira a entrevista.
Terra Magazine - O senhor terá uma das maiores responsabilidades no próximo governo... 
José Elito Carvalho Siqueira - É, todas as missões dos ministros são todas importantes, não tem dúvida. Estamos muito honrados, acima de tudo.

Sua pasta é bem ampla. Vai desde a segurança pessoal de todo o gabinete da Presidência da República até a estabilidade institucional do País.
É uma assessoria direta, ali de todos os assuntos. Isso é muito importante. Mas é muito bom. Vamos tentar ajudar da melhor forma a todos e ao País, que é o mais importante.

O senhor enfrentou os combates em Porto Príncipe, com furacão, tempestade e tudo. Será que o novo trabalho é tão penoso quanto aquele no Haiti?
(risos) Completamente diferente, né? Mas o mais importante é que o GSI tem uma equipe muito boa, profissionais muito bons, acho que vai dar tudo certo.

O senhor já definiu sua equipe?
Não, eu, quando chegar, na semana que vem, vou conversar com o atual chefe, o general (Jorge Armando) Felix, e com calma vamos ajustando. Certamente não vai precisar de grandes ajustes, a equipe tem excelentes profissionais. Então vamos ver. É uma área bastante ampla, precisa ter recursos humanos adequados, e tem. Vamos olhar com calma.

O que o senhor acha de ser aplicado no Rio de Janeiro o Plano de Segurança Integrada, que foi desenvolvido a partir da experiência do Exército Brasileiro no Haiti?
Isso, de uma forma ou de outra, é o que está sendo feito. São dois ambientes diferentes. Mas a ideia geral é que você não pode resolver um problema em área crítica se não estiver dentro da área. Foi o que fizemos no Haiti, durante um ano, mais ou menos, e deu tudo certo. Fomos para dentro da área e não saímos mais. Então, ao mesmo tempo em que você procurava dar segurança na área, você ajudava a área paralelamente, criando a presença do Estado. E, com isso, dia a dia, vai se adquirindo um ambiente favorável de credibilidade, de melhoria para a população. É um trabalho integrado, por isso Plano Integrado.
Não é uma ação militar pura e simples. Evita-se efeito colateral. Vamos torcer agora, nesta situação temporária no Rio de Janeiro, para que tudo também corra da melhor forma, está indo bem. Vamos torcer que continue assim.

Quando se estava desenvolvendo esta experiência no Haiti, já se previa que ela resultaria em contribuições para operações no Brasil?
Não, absolutamente. O Haiti é uma escola de vida, profissional e pessoal, para qualquer situação. Porque você não vai ser um bom aviador se não pilotar avião. Não vai ser um bom cirurgião se não fizer cirurgia. Um militar, quanto mais praticar, melhor ele vai ser, em todos os seus valores.
O Haiti dá essa oportunidade àqueles militares de, durante seis meses, fazer um treinamento que, no Brasil, talvez levasse seis anos para chegar ao mesmo nível. Hoje temos mais de 10 mil homens no Exército, de soldado a general, que têm experiências em operações de longo prazo, de ajudar a população, de ficar longe da família. Então, são coisas que você não aprende nos bancos escolares. Por isso, a importância do Haiti, além de, claro, ajudar aquele país tão pobre. Este é o foco: vai ser útil para qualquer coisa.

No início da missão no Haiti, se dizia que a experiência nas favelas do Rio de Janeiro é que ajudariam as operações do Exército Brasileiro lá.
Não, nós não tínhamos esta experiência a este nível. O Exército não tem esta missão condicional e não tinha uma experiência de rotina. O que valeu lá foi a capacitação moral de todos, identificação do problema, planejar, executar (o plano) e ter a sorte de dar certo. Tendo valores, você os aplica e se apta a eles. E foi o que o Brasil fez muito bem lá. Passa a ser uma escola para todos nós, seja dentro, seja fora do Brasil. Só traz benefícios.

SOLDADO DO EXÉRCITO É METRALHADO POR COLEGA EM BRASÍLIA

Um soldado do Batalhão de Polícia do Exército morreu após levar um tiro de metralhadora disparado por um colega de quartel. O fato aconteceu no Setor Militar Urbano, em Brasília.
O jovem de 18 anos estava de serviço na guarda do quartel quando foi atingido. Segundo o comandante da unidade, tenente-coronel Carlos Duarte Pontual, ainda não é possível afirmar se o disparo foi proposital ou não.
O militar ainda chegou a ser levado com vida para o Hospital das Forças Armadas, mas não resistiu ao ferimento. O Exército abriu um inquérito para investigar o caso.

EXÉRCITO SÓ REMENDA MURO DE BATALHÃO QUE ESTÁ POR CAIR

Exército apenas reboca muro de batalhão que está ameaçado de cair
Lucas Bólico
Aviso pintado no muro do Batalhão Laguna

O aviso pintado no muro que cerca o 44º Batalhão de Infantaria Motorizado, localizado na avenida Lavapés, no Bairro Goiabeiras, é o mais claro e taxativo possível: “Cuidado! O muro está caindo”. O recado está lá há pelo menos dois anos, e agora o batalhão começa a tapar os buracos - literalmente.
As obras da reforma, no entanto, são aparentemente paliativas. Os soldados estão restaurando o reboco que caiu por conta das chuvas, mas a estrutura, até então, não está sendo, e ao que parece não será, mexida. 
Após tampados os buracos que expunham o mosaico de tijolos da estrutura do muro, os soldados pintam o trecho consertado com tinta branca, mas não há uma recuperação mais incisiva.
Outro problema constatado por quem costuma circula pelo espaço está na pista de caminhada do batalhão, que no período noturno conta com pouca iluminação. Cerca de apenas três luminárias funcionam.
Por outro lado, o 44º inicia obras para um estacionamento, que atenderá o público que costuma fazer caminhadas na pista. 
A reportagem do Olhar Direto entrou em contato com o Batalhão Laguna para obter mais informações sobre a infraestrutura e as obras de restauração do local, mas não conseguiu a palavra do responsável e ainda aguarda retorno.

23 de dezembro de 2010

ALEMÃO: NOVA FASE DA PACIFICAÇÃO INICIA HOJE

O Exército inicia oficialmente nesta quinta-feira a segunda fase da ocupação dos complexos do Alemão e Penha. O governador Sérgio Cabral e o ministro Nelson Jobim assinarão, pela manhã, na quadra da Rua Canitá, no Morro da Fazendinha, o acordo para organização e emprego da Força de Pacificação no Rio de Janeiro.
Revistas e cumprimento de mandados de prisão - responsabilidades das polícias Militar e Civil - só poderão ser cumpridas na presença de um militar do Exército. Na manhã de ontem, soldados recuperavam ruas, tapando buracos onde antes havia barricadas, circulavam pelas comunidades para reconhecer a área. Um cenário que não parecia o que havia ocorrido 12 horas antes, quando houve tiros e uma prisão.
Por volta de 23h de terça-feira, pela primeira vez após a pacificação, dois tiroteios diferentes assustaram moradores. Na primeira ação, soldados da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército evitaram que um assaltante roubasse um ônibus na esquina da Avenida Itaoca com Estrada do Itararé, perto de um dos acessos ao Alemão. Foi quando balas traçantes vindas do alto do morro causaram apreensão. Tiros atingiram uma clínica e três casas na Av. Itaoca, sem ferir ninguém.

Ações quase simultâneas
Evandro Delfino Ataíde, 37 anos, que tentara roubar um ônibus com arma de brinquedo, correu para fugir dos militares, mas acabou baleado nas nádegas. Ele foi socorrido na base da Brigada Paraquedista, antes de ser levado para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha.
Logo depois, os soldados revidaram os tiros disparados por três homens dentro de um carro na mesma avenida. "Foi tudo muito rápido. Vi os soldados dando tiro para o alto e depois dispararam em direção ao cara, que caiu no chão. Depois veio um carro disparando tiros. Foi quase ao mesmo tempo. Não deu para ver direito porque procurei me abrigar para não levar uma bala perdida", contou um frentista.
O major Fabiano Lima de Carvalho, oficial de comunicação da brigada, garantiu que os dois episódios não têm ligação e não vão mudar o planejamento do Exército. "Não vivenciamos nada semelhante em quase um mês de ocupação, mas nada vai alterar nossas estratégias de ação até porque, aparentemente, foram dois eventos isolados", afirmou o major, que abriu Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os detalhes sobre os disparos.

Cavalos da PM viram atração
A Polícia Militar promoveu ontem uma série de atividades esportivas e recreativas nos complexos da Penha e do Alemão. A grande sensação foram os cavalos do Regimento de Cavalaria da PM. Guiadas por policias, crianças se divertiram dando voltas montadas nos animais
"Não fiquei com medo. Ele (o policial) te leva e você segura. É muito legal", contou Sara Bastos, de 6 anos, moradora da Nova Brasília. As crianças davam uma volta e corriam para o fim da fila para montar mais uma vez.
Com duas medalhas no peito, Ana Carolina Santana Santos, de 9 anos, se orgulhou de ter ganho as competições de basquete e taekwondo. "Eu nunca havia feito. Mas eles me ensinaram e eu fiz certinho. E já ganhei medalha. Mas o que eu quero mesmo e fazer balé e natação", contou a menina.
À tarde, houve ainda palestras, atendimento médico, peça de teatro e uma apresentação da Banda Sinfônica da Polícia Militar, com temas natalinos. Na festa das criançada, Papai Noel distribui 10 mil brinquedos
Às vésperas da ocupação do Exército e do Natal, o dia ontem foi de festa no Complexo do Alemão. Na Favela da Grota, um Papai Noel e seus ajudantes distribuíram para crianças 10 mil brinquedos. As doações foram arrecadadas numa em 200 agências do Banco Santander numa campanha feita numa parceria com o AfroReggae.
A pequena Evelyn, de 3 anos, empolgou-se ao receber um embrulho: "vou abrir na minha casa com a minha mamãe para mostrar para o meu pai. Sabe quem me deu esse presente? O Papai Noel!".
Moradores da Grota, Micheas Felipe, de 4 anos e Ana Clara Felipe, de 7, foram de carona na bicicleta do pai, José Teodoro. "Ganhei uma bola. Eu queria um presente. Estou feliz", disse o menino, complementado por seu pai: "Papai Noel chegou mais cedo este ano".
Em meio à bagunça promovida pelas crianças, uma senhora disse estar emocionada: "nunca pensei em viver para ver isso acontecer aqui. Fico até arrepiada. Obrigada, Deus!". Sem querer se identificar, ela afirmou ainda temer pela volta dos traficantes. "É uma felicidade. Estou com 68 anos e nunca havia visto essa paz. Essa tranquilidade. Mas não quero falar. Desculpa. A gente ainda não sabe se isso vai realmente vingar. Sabe como é, né?", ponderou.
Tamires, de 9 anos, aproveitou para tirar uma foto com o Bom Velhinho. "Sabia que era o meu pai que me dava presentes. Hoje foi o Papai Noel mesmo quem me deu", festejou.

ENTREVISTA: ALMIRANTE CAROLI, COMANDANTE DA FORÇA DE PAZ NO LÍBANO

Brasil deve mandar fragata para o Líbano

LUIS KAWAGUTI 
Envio deve ocorrer em 2011, diz contra-almirante Luiz Henrique Caroli, que comandará força de paz da ONU. 
Presença militar do país no Oriente Médio atende a estratégia do governo de uma maior inserção do Brasil no exterior. 

O Brasil planeja enviar no ano que vem navios militares para o Oriente Médio, uma das regiões mais tensas do planeta. Junto, embarcariam ao menos 200 militares. Este é o plano da Marinha, segundo revelou à Folha o contra-almirante Luiz Henrique Caroli, 52, indicado pelo Brasil para chefiar a força naval da Unifil, missão de paz da ONU no sul do Líbano cujo objetivo é evitar conflitos entre Israel e a milícia xiita do Hizbollah. A incursão será a mais importante missão militar do país no exterior depois do Haiti, onde o Brasil comanda a força de paz da ONU. É parte da estratégia do governo Lula de aumentar a projeção global do Brasil. O plano deve continuar no governo Dilma Rousseff. Para o envio da tropa e dos navios, é preciso aprovação do Congresso. A Marinha está confiante de que não haverá problemas, dada a maioria folgada que a presidente terá no Legislativo.

Veja os principais trechos de sua entrevista.

Folha - Quando o sr. assumirá o comando da força?
Luiz Henrique Caroli - Faltam um decreto presidencial e uma portaria do Ministério da Defesa. Eu imagino que isso vá acontecer em janeiro do ano que vem.

O que essa força faz?
Cada navio vai para uma área de patrulha e, quando vê uma embarcação, se identifica como navio da ONU, pergunta se está indo para águas libanesas, a carga, o rumo, a velocidade, de onde veio e orienta uma rota para o porto. Quando há suspeita de que ele carrega armas, a Marinha libanesa é acionada para fazer uma inspeção.

Como foi a recepção dos governos libanês e israelense à participação do Brasil?
Nosso país tem tradição de tolerância e convivência pacífica. Todos viram de forma positiva. A Indonésia se candidatou a assumir a força, mas Israel não quis porque era um país muçulmano. O Itamaraty consultou o governo israelense, que se posicionou favoravelmente, e o governo libanês também.

A missão aumenta o prestígio do Brasil no Oriente Médio?
Acredito que sim. O Brasil não usa missão de paz para sustentar as Forças Armadas, usa como instrumento de política. O país quer se sentar à mesa que vai criar as normas para os outros. Para isso, tem que participar. E uma forma positiva de participação são as operações de paz. Nós, militares, vemos tudo isso de forma positiva, porque permite termos a experiência real que enriquece as pessoas e a instituição.

Inicialmente o Ministério da Defesa não autorizou o envio de um navio brasileiro para a missão, mas essa possibilidade ainda existe?
Existe sim, a gente fez um estudo que foi aprovado pelo comandante em chefe da esquadra, onde a Marinha está estudando a possibilidade de enviar um navio para compor a força marítima.

Qual seria a embarcação enviada?
Uma fragata, por ser um navio com mais capacidade de permanência. O comandante da Marinha vai decidir e vai conversar com o Ministério da Defesa. Sob as condições colocadas inicialmente pela ONU, de um longo tempo [de permanência], a gente achou que não daria para sustentar um navio lá, pela logística complicada de manter um navio no Oriente Médio. Mas, com a proposta do navio ficar menos tempo, a gente visualizou a possibilidade disso ocorrer.

Quanto tempo ele ficaria?
Dois a três meses e aí teria que ser substituído.

Mandariam um navio de cada vez para treinamento e depois o substituiriam?
Exato. Isso passa, antes da Marinha e da Defesa, pela aprovação do Congresso.

Quando isso aconteceria?
Eu diria que para o final do primeiro semestre de 2011. É bem exequível.

O Brasil não ficaria desguarnecido?
Não. Os distritos navais têm meios para fazer a patrulha do litoral. Um navio [a menos] não traria prejuízo.
FOLHA DE SÃO PAULO/RESENHA DO EB/BLOG CURUPIRA

O POVO AMA OS MILITARES

*Aristóteles Drummond
Os recentes acontecimentos no Rio de Janeiro trouxeram à tona a realidade de que o brasileiro entende, respeita e prestigia seus militares. Todos os que lidam com esta classe, que é numerosa, sabem que a norma é o respeito, a dignidade e a vocação para servir. Amparados em valores fundamentais para que uma nação se faça respeitar: austeridade, dignidade e compostura. A começar pelos seus próprios, que, mesmo sem verbas, estão sempre pintados e limpos. Nos oficiais e funcionários civis, a vestimenta é sempre correta, assim como a apresentação pessoal.
Os militares desenvolvem um papel importante no atendimento às populações ribeirinhas na região amazônica, por exemplo, em que tudo depende da Marinha ou da Aeronáutica. As fronteiras terrestres entregues ao Exército, que poderia ser mais bem aproveitado no combate ao contrabando de drogas e às invasões de nosso território por criminosos de países vizinhos. Mesmo nos grandes centros, não foram poucas as vezes em que foram às ruas para a preservação da ordem e do respeito.
O presidente Lula entendeu o papel dos militares, os serviços prestados e, de certa maneira, os prestigiou ao longo de seus dois mandatos. Barrou manobras revanchistas que certamente desaguariam em crise desgastante.
Agora, vamos precisar dos militares mais uma vez. Já são muitas as frentes de obras confiadas a regimentos de engenharia do Exército, como a Cuiabá–Santarém, talvez a mais importante estrada em pavimentação no Brasil atualmente. E, para atender a Copa de 14, certamente deveremos ter tropas treinadas para ajudar as polícias estaduais durante o período do evento. A mais, vamos ter de aprovar na ONU o aumento de nossa plataforma continental, onde temos direito assegurado, antes que aventureiros venham pescar em nossas águas profundas o nosso petróleo. E a Marinha do Brasil é a autora dos estudos, assim como foi do presidente Emílio Médici a coragem de fixar as 200 milhas e não dar ouvidos aos protestos de grandes nações.
O governo concluirá que a questão dos aeroportos passa pela Aeronáutica, que sempre atuou com competência nesta área. As coisas degringolaram depois que a Infraero passou à esfera civil e o DAC virou agência reguladora. E tudo isso com amplo respaldo popular, mas com os protestos dos recalcados de sempre, gente deformada intelectualmente. O Brasil, entretanto, é maior do que eles.
O regime militar, que tantos criticam, merece reparo pelo excesso de zelo do Marechal Castelo Branco, que afastou os militares da carreira política, criando uma série de obstáculos. Até então, o Parlamento brasileiro sempre contou com a presença de ilustres militares. Nos anos 50, por exemplo, o Rio de Janeiro, capital federal, chegou a ter três senadores militares – os generais Gilberto Marinho, que presidiu o senado e exerceu dois mandatos, Napoleão de Alencastro Guimarães e Caiado de Castro. Grandes deputados, como José Costa Cavalcanti, de Pernambuco, Menezes Cortes, Mendes de Morais e Amauri Kruel, do Rio. No antigo estado do Rio, a figura maior foi o Almirante Amaral Peixoto, mas também tiveram governadores, como os generais Macedo Soares e Paulo Torres. Logo, militar é uma coisa; ressentimento de gente que no passado errou, e errou feio, é outra.
*Aristóteles Drummond é jornalista

SARGENTO DO EXÉRCITO RECEBE TÍTULO DE CIDADÃO HONORÁRIO



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A Câmara Municipal de Jacarezinho realizou sessão solene na última quarta-feira (15), para homenagear chefe de instrução do Tiro de Guerra 05/007, 1º sargento Isaac Espíndola Corrêa. A reunião contou com a presença de todos os vereadores, da prefeita de Jacarezinho Tina Toneti (PT) e autoridades militares. Amigos e familiares dos homenageados também acompanharam a solenidade realizada no Plenário da Câmara. O sargento esta sendo transferido de Jacarezinho após quatro anos no município para Juiz de Fora – MG e será substituído pelo 2º Tenente William José de Santana Aguiar.
A cerimônia começou com a composição da mesa oficial pela prefeita Valentina Helena de Andrade Toneti (Tina Toneti) e pelos Vereadores Edílson da Luz (PSDB) e José Izaías Gomes, o “Zola” (PT), co-autores do projeto, seguido do homenageado 1º sargento Isaac Espíndola Corrêa.Após a leitura dos decretos de concessão dos títulos e das justificativas para as honrarias, o homenageado recebeu a placa das mãos dos vereadores, co-autores do projeto de lei, vereadores Edilson da Luz e Zola.
O sargento Isaac, abriu seu discurso agradecendo a honraria recebida. “É verdadeiramente uma imensa honra pra mim, receber este título de cidadão honorário, título este concedido a pessoas tão importantes para o cenário do município de Jacarezinho. Sem dúvidas, é um dos momentos inesquecíveis de minha vida,” afirmou.
Em seguida o primeiro sargento agradeceu a Deus e se lembrou dos amigos. “Agradeço a Deus por estes quatro anos em Jacarezinho, tempo este que fiz amigos, que fiz verdadeiros irmãos”, afirmou.
Também fez os agradecimentos a sua família, citando em primeiro, sua esposa, que durante toda a leitura dos pronunciamentos, permaneceu sentada ao lado dos filhos e de mãos dadas com o sargento. “Agradeço a minha esposa Elaine e a meus filhos Gabriel e Rafael, pela compreensão que tiveram neste período, onde eu estava constantemente envolvido nas atividades profissionais”, lembrou Isaac.
Emocionado sargento se despediu. “Com o coração cheio de gratidão por essa cidade Me despeço. A todos, o meu obrigado de coração, por terem me proporcionado tamanha alegria. Peço a Deus que os abençoe, finalizou Isaac.

ALEMÃO: JOBIM E CABRAL FIRMAM ACORDO NESTA QUINTA

O Ministério da Defesa e o governo do Rio firmam na quinta-feira acordo para a organização e o emprego da força de pacificação do Exército nos complexos do Alemão e da Penha. O acordo será assinado pelo ministro Nelson Jobim, pelo comandante do Exército, general Enzo Peri, e pelo governador fluminense, Sergio Cabral.
A polícia do Rio e o Exército fazem operações no Complexo do Alemão desde o fim de novembro. Por enquanto, a atuação dos militares das Forças Armadas está restrita à ocupação dos acessos à favela e à revista de carros e suspeitos nesses locais.
A partir da assinatura do acordo, a força de pacificação, que será comandada pelo Exército e contará com o apoio das polícias Civil e Militar do Rio, poderá começar a atuar. Com a nova força constituída, o Exército passará a ocupar o interior dos complexos do Alemão e da Penha, com poder de revistar e prender suspeitos em flagrante.
A polícia ficará responsável pelo cumprimento de mandados de busca e apreensão dentro de residências suspeitas, no interior das duas comunidades. A objetivo é manter a força de pacificação até a instalação da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) nas comunidades, prevista para outubro de 2011.

MILITARES FEREM SUSPEITO EM TIROTEIO NO ALEMÃO

A assessoria de imprensa do Exército informou, por meio de nota, que por volta das 23h de terça-feira (21), militares que faziam patrulhamento a pé na rua Itaoca, no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, foram acionados por passageiros para um assalto a um ônibus na via. 
Ao chegarem ao local, o suspeito, que estava armado, tentou fugir. Segundo a assessoria de imprensa do Exército, os militares pediram para o homem parar e ele não obedeceu à ordem, mesmo após um disparo de advertência para o alto. 
Ainda de acordo com a nota, o suspeito, identificado como Evandro Delfino Ataíde, foi baleado porque teria apontado a arma para os militares. 
O médico do Exército que estava na Base da Força de Pacificação socorreu o suspeito e o levou para o hospital Getúlio Vargas, na Penha. A Secretaria Estadual de Saúde informou, às 11h33 desta quarta-feria, que ele sofreu uma fratura exposta no fêmur, realizou cirurgia e continua internado no pós operatório da unidade.
Ainda de acordo com o Exército, Evandro Delfino Ataíde já tinha passagem pela polícia. O caso foi registrado na Delegacia de Bonsucesso (21ª DP).

COMO SURGIU A CONTINÊNCIA MILITAR

O militarismo tem algumas peculiaridades e sem dúvidas, além do fascínio pelas armas e fardas, uma das coisas que mais chama a atenção é a maneira que os militares se cumprimentam. A famosa continência militar. Mas afinal, qual é a origem da continência militar?
Tudo começou na Idade Média quando os cavaleiros, antes de participarem de duelos ou irem para os confrontos trajando suas robustas armaduras, cumprimentavam o rei. Como eles utilizavam oElmo, uma espécie de capacete medieval, precisavam levantar a viseira para que a majestade olhasse seus rostos. Um sinal de respeito ao soberano. Além disso, esse movimento deveria ser feito com a mão direita, já que era a mão que empunhava a espada. De certa maneira, um gesto simbólico de paz, uma vez que a mão desarmada dificilmente seria utilizada para uma ação hostil. Com o tempo esse ato foi se tornando cada vez mais comum e não apenas praticado diante dos reis mas também entre os demais integrantes do exército.
Apesar dessa reverência ser comum entre as organizações militares de todo o mundo, algumas forças tem ou tiveram maneiras particulares de realizar a continência. A Alemanha nazista, por exemplo, era famosa pelo vibrante “Heil, Hitler”, proferido enquanto o braço direito era estendido para o alto. Na Polícia Militar – ao contrário do que muita gente imagina – prestamos (nunca “batemos”) continência erguendo a mão direita até a altura da têmpora e não à frente da testa.
A iniciativa de prestar continência deve vir sempre da patente inferior e obrigatoriamente respondida pelo superior hierárquico. Talvez por isso – como em tudo na humanidade – algumas pessoas confundam esse nobre gesto com afirmação de superioridade ou mesmo para ratificar a condução “inferior” de seus comandados, originando inclusive um causo que compartilho com vocês agora.
"O soldado desatento passou pelo capitão e não o cumprimentou da maneira correta. Imediatamente o oficial chamou a atenção aos berros do soldado e exigiu que ele lhe prestasse continência 50 vezes seguidas. Dessa maneira – acreditava o capitão – ele aprenderia a lição e não cometeria novamente esse ato de insubordinação.
E assim fez o soldado, seguidamente movimentado seu braço direito enquanto o capitão realizava a contagem.
Um pouco mais afastado, um coronel observava tranquilamente o desfecho cena. Ao final das 50 continências, é o coronel quem intervém:
- Capitão, vi que o soldado prestou 50 continências para o senhor. Pois bem, é seu dever retribuí-las."

22 de dezembro de 2010

FORÇA DE PAZ NAS FAVELAS DO RIO DE JANEIRO

Metade do contingente militar lotado no Complexo do Alemão já atuou na Minustah, no Haiti.
 Nelza Oliveira para Infosurhoy.com
Mais da metade dos 800 homens lotados no Complexo do Alemão serviram na Minustah no Haiti, onde o Brasil atua desde 2004. (Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)
Mais da metade dos 800 homens lotados no Complexo do Alemão serviram na Minustah no Haiti, onde o Brasil atua desde 2004. (Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)


RIO DE JANEIRO, Brasil – Foram 30 anos sob a guerra do tráfico.
Mas agora eles parecem viver em paz.

Moradores do Complexo do Alemão, conjunto de 15 favelas, e da Vila Cruzeiro, uma das dez favelas conhecidas como Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, não são mais vizinhos do narcotráfico.
Uma operação das Forças de Segurança do Rio de Janeiro, com o apoio das Forças Armadas, iniciada em 25 de novembro, expulsou os narcotraficantes das duas áreas. A operação foi uma resposta do governo à mais recente onda de violência promovida pelo tráfico, que resultou em quase uma centena de veículos incendiados no Rio de 21 a 25 de novembro.
Em 25 de novembro, as autoridades de segurança pública tomaram o controle da Vila Cruzeiro, onde estariam residindo os traficantes que fugiram das comunidades com Unidades de Polícia Pacifidora (UPPs), um sistema de ocupação permanente das favelas do Rio pelas autoridades de segurança pública.
Três dias depois, as forças de segurança entraram no vizinho Complexo do Alemão, para onde teriam ido os traficantes afugentados da Vila Cruzeiro.
“Já vi muitos tiroteios e tive que sair correndo”, afirma Aluisio Mendes da Silva, 49, morador do Complexo do Alemão há 15 anos. “Agora é outra coisa. Está tudo em paz. Essa história é coisa do passado.”
“Está tudo em paz. Essa história é coisa do passado”, disse o morador do Complexo do Alemão Aluisio Mendes da Silva, 49, cuja peixaria ainda exibe dezenas de marcas de perfurações de balas. (Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)
“Está tudo em paz. Essa história é coisa do passado”, disse o morador do Complexo do Alemão Aluisio Mendes da Silva, 49, cuja peixaria ainda exibe dezenas de marcas de perfurações de balas. (Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)

Nas paredes da pequena peixaria de Silva, seguem as marcas do passado turbulento da comunidade: dezenas de perfurações de balas.
O Complexo do Alemão e o Complexo da Penha somam 102.735 moradores, segundo dados do Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As duas áreas estão entre as mais violentas do Rio, por décadas dominadas pelo tráfico de drogas.
Em Silva, as marcas da violência ficaram nas paredes.
Mas na dona de casa Elisabeth da Silva, 25, estão no corpo.
O dedão do pé direito de Elisabeth segue muito inchado e roxo devido aos machucados com cabos de fuzil, resultantes da surra que levou há alguns meses de traficantes.
Por que Elisabeth apanhou?
Decisão do tribunal do tráfico – uma espécie de justiça informal promovida pelos criminosos na região. Elisabeth foi penalizada pelos executores da lei do morro por haver pedido que a cunhada lhe devolvesse a casa de seu irmão, morto alguns meses antes.

A cunhada reclamou ao tribunal, que então decidiu pela punição de Elisabeth.
“Fiquei muito machucada nas costas e no rosto”, contou. “Ninguém me socorreu. As pessoas não se metem para não arrumar confusão. Não podia ir para o hospital porque teria que dizer o que havia acontecido e registrar ocorrência na polícia. Eles poderiam me matar depois.”
Elisabeth falou ao Infosurhoy.com quando tentava tirar a segunda via da carteira de identidade no posto itinerante montado dentro de um ônibus no Complexo do Alemão. A iniciativa da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro oferece diversos serviços à comunidade desde 30 de novembro.
“É a primeira vez que vejo isso por aqui”, disse Elisabeth.


O número de soldados nas favelas do Rio vai passar de 800 
para 2.000 quando a operação for estendida para o Complexo da Penha, 
segundo o Major Fabiano Lima de Carvalho, Relações Públicas da Brigada de Infantaria de Paraquedistas do Exército. 
(Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)

Paz permite novos serviços públicos no Alemão
Quem também nunca tinha visto iniciativa similar na favela é Vera Lúcia de Carvalho, 32, que aguardava na fila para emitir a segunda via de sua certidão de nascimento.
“Só chegou até aqui porque agora e está tranquilo”, garantiu Vera Lúcia, mãe de nove.
“Só chegou até aqui [a iniciativa da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, de oferecer diversos serviços à comunidade do Complexo do Alemão] porque agora está tranquilo.” (Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)
“Só chegou até aqui [a iniciativa da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, de oferecer diversos serviços à comunidade do Complexo do Alemão] porque agora está tranquilo.” (Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)

A trégua vivida pelos moradores do Complexo do Alemão está sendo garantida pela presença permanente do Exército brasileiro na região. Desde 25 de dezembro, 800 homens da corporação estão lotados no cerco do Alemão e na revista de quem entra e quem sai da comunidade.
“O governo do estado do Rio solicitou que nós permanecêssemos por aqui por mais tempo para não perder o controle da região e garantir que as policias estaduais possam agir dentro da comunidade”, explica o Major Fabiano Lima de Carvalho, Relações Públicas da Brigada de Infantaria de Paraquedistas do Exército, de onde vem praticamente todo o efetivo empregado no Alemão.
A atuação atual do Exército nas favelas é uma transição entre a primeira fase de operações e a segunda.
“Na segunda fase, que está por começar, vamos assumir o comando da operação e fazer não só o patrulhamento do perímetro externo como também do interior da comunidade”, acrescenta o Major Carvalho.
Na primeira fase, a operação foi uma missão de cooperação e não havia um comando único. Na segunda, as polícias estaduais ficarão subordinadas ao Exército. O contingente passará para 2.000 homens porque a operação será estendida ao Complexo da Penha.
Ainda não foi definido o tempo de permanência dos militares nas favelas, mas a previsão é de pelo menos seis meses. A meta do governo do Rio é implantar uma UPP na região. Atualmente são 13 UPPs em operação na cidade.
Desde 25 de dezembro o contingente usa como base as instalações abandonadas de uma antiga fábrica no Complexo do Alemão. Os militares estão acampados em barracas.
“Acho que estou vivo até hoje porque não incomodo ninguém, ninguém me incomoda e vai se levando a vida”, disse Luiz Vale da Cunha, 68, que mora no Complexo do Alemão há 45 anos. (Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)
“Acho que estou vivo até hoje porque não incomodo ninguém, ninguém me incomoda e vai se levando a vida”, disse Luiz Vale da Cunha, 68, que mora no Complexo do Alemão há 45 anos. (Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)
Contêineres, onde estão montados um posto de saúde, uma cozinha e um espaço para higiene pessoal, foram distribuídos pela área. Os banheiros são químicos. A refeição diária vem pré-pronta, em pacotes lacrados.

“Aqui é muito povoado, não tem mais sombra”, explica o Major Carvalho, sob o calor de 30º Celsius do verão carioca. “O calor é altamente desgastante, fora o peso do colete. Com a permanência, serão escolhidos alguns locais dentro da própria comunidade para servirem como bases, o que irá melhorar a estrutura para os militares.”

Operação no Rio segue moldes da Minustah no Haiti
O Exército já havia participado de ocupações similares nos morros no Rio. Mas nenhuma com essa dimensão e tão longa duração prevista.
Também é a primeira vez que a missão segue os moldes de força de paz, como a vigente no Haiti.
Desde 2004, o Exército Brasileiro é responsável pela Missão de Estabilização das NaçõesUnidas no Haiti (Minustah), com cerca de 1.200 homens. Mais da metade do contingente agora lotado no Alemão já cumpriu missão no país caribenho.
O próprio general nomeado para coordenação das ações nas favelas – Fernando Sardenberg – foi um dos comandantes da Minustah.
“A primeira [missão de paz do Exército Brasileiro] foi na década de 60 no Canal de Suez”, recorda. “Atuamos na década de 90 na África, em Angola e Moçambique. Passamos um período enviando apenas observadores para missões de paz. Retomamos no Haiti com o envio de tropas.”
O Capitão Leonardo da Rocha Costa, 32, disse que sua passagem pelo Haiti, onde atuou na Minustah em 2005, preparou-o para o trabalho no Complexo do Alemão. (Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)
O Capitão Leonardo da Rocha Costa, 32, disse que sua passagem pelo Haiti, onde atuou na Minustah em 2005, preparou-o para o trabalho no Complexo do Alemão. (Renzo Gostoli/Austral Foto para Infosurhoy.com)
O Capitão Leonardo Costa da Rocha, 32, relembra a sua experiência no Haiti no segundo semestre de 2005.

“Tivemos que controlar os distúrbios e enfrentamos várias gangues armadas”, conta. “Participamos da pacificação do violento bairro de Bel Air para depois agir em toda Porto Príncipe (capital do Haiti). Eu tive várias experiências de risco de vida.”
Capitão Rocha diz que a passagem pelo Haiti contribui com seu trabalho no Complexo do Alemão.
“Apesar de não ser a missão típica do Exército, temos evoluído muito nessa parte de emprego em área urbana e favela.”
Enquanto a paz reina no Alemão, muitos moradores ainda preferem não comentar acontecimentos comuns antes da ocupação. Eles temem o retorno da ditadura do tráfico.
“Nunca tive problemas”, afirma Luiz vale da Cunha, 68, que é vendedor de um bar e mora há 45 anos no Alemão. “Vou da casa para o trabalho, do trabalho para casa. Acho que estou vivo até hoje porque não incomodo ninguém, ninguém me incomoda e vai se levando a vida.”

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