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17 de abril de 2015

Brasileiro fala de guerra pelos EUA e diz que conheceu 'sniper americano'

Militar com nacionalidade americana serviu às Forças Armadas por 20 anos.
Ele afirma que esteve em operações com Chris Kyle, que inspirou filme.


Daniel Corrá
Do G1 Vale do Paraíba e Região
Entre tantas tatuagens no braço direito do brasileiro Francesso Tessitore, duas chamam atenção: o nome "US Marine", que demonstra devoção a um dos ramos das Forças Armadas dos Estados Unidos, e um tributo ao maior franco-atirador da história do país, Chris Kyle, conhecido por deixar 160 inimigos mortos em operações de guerra.
A tatuagem de caveira no corpo do militar é símbolo da história de Kyle, retratada no filme "Sniper Americano" (2014). O brasileiro, inclusive, afirma ter conhecido o atirador em Fallujah, cidade palco de um dos conflitos mais sangrentos durante a Guerra do Iraque.
“Tive a oportunidade de conhecer Chris Kyle, porque ‘limpávamos’ [varredura em busca de inimigos e para proteção de civis] Fallujah e tínhamos que saber onde estavam os snipers. Nós tivemos uma reunião e conheci ele, de bater um papo mesmo. Foi bem no comecinho da carreira dele também”, afirma. A batalha em Fallujah foi a primeira do atirador americano e é uma das principais cenas do longa-metragem, vencedor do Oscar por melhor direção de som neste ano.
Segundo ele, a homenagem ao "sniper" foi motivada pela importância do trabalho dele para os militares americanos em campo de batalha. Kyle foi morto em 2013, pelas mãos de um fuzileiro naval, quando estava em processo de recuperação do período pós-guerra. “A morte dele nos afetou muito. Tivemos muitos amigos, às vezes até eu mesmo, que foram salvos por ele”, lembra o brasileiro.

Trajetória
Por sonho, brasileiro foi à guerras pelas Forças Armadas dos EUA  (Foto: Reprodução/ TV  Vanguarda)
Apesar de ter nascido em São Paulo, Tessitore passou a infância em São José e, desde pequeno, tinha o sonho de servir às Forças Armadas dos EUA. No início da década de 1990, ele deixou o Brasil para tentar se alistar no serviço militar americano. Mais de 20 anos depois, acumula combates no Iraque e no Afeganistão pelas tropas americanas. “Como você vai correr atrás dos seus sonhos sem recursos para isso? O Brasil não me oferecia nada disso. Meu sonho era ser Marine e ponto”, afirma.
Para ingressar no US Marine, entretanto, ele conta ter passado por um processo rigoroso. Vivendo nos Estados Unidos, Tessitore se casou com uma americana e se alistou na infantaria do país, quando a legislação era menos rigorosa para o ingresso de estrangeiros.
Seis anos anos depois, ele renunciou à cidadania brasileira e adquiriu de vez a cidadania americana, conseguindo assim, servir ao "US Marine". "Desde o ataque terrorista às Torres em 2001, mudou muita coisa para o ingresso nas Forças Armadas e as leis federais na área de imigração continuam mudando", explica.

Emocional
De acordo com Tessitore, os treinamentos intensos das Forças Armadas têm o objetivo de eliminar o inimigo durante a guerra. Para ele, qualquer tipo de hesitação em campo de batalha pode comprometer uma operação inteira. "Somos treinados para matar. Estamos lá pelos nossos companheiros, para salvar a vida de quem está do nosso lado. Depois nós fazemos a parte humanitária no local, mas o inimigo está ali e temos que repeli-lo”, diz o militar.
Após deixar os combates em 2013, o brasileiro enfrentou depressão, como muitos outros americanos que serviram ao país. "No pós-guerra, você volta para casa e fica desligado do mundo, não consegue sair para fazer uma compra porque fica com medo. Descobri com ajuda que o medo que eu sentia era porque essa realidade de vivenciar a guerra não era mais minha", afirma ele, que acabou se separando da esposa durante o período.
À esquerda, Chris Kyle em foto de 2012, e, à dir., Bradley Cooper em 'Sniper americano' (Foto: Paul Moseley/The Fort Worth Star-Telegram/AP e Divulgação)
Hoje, Tessitore conta que faz parte do setor de operações sigilosas das Forças Armadas nos Estados Unidos. Recentemente, voltou a São José dos Campos, onde se casou com uma brasileira que se mudará com ele para os EUA nos próximos meses.
Mesmo deixando os campos de batalha, as marcas da guerra seguem presentes no corpo forte do militar. Entre a caveira em homenagem ao sniper e o nome do "US Marine", está uma das mais significativas: o número 14 em algarismos romanos, em referência ao total de companheiros que Tessitore perdeu na guerra. Entre tantas batalhas vencidas, é justamente esta a derrota mais significativa de Tessitore com as tropas americanas.
G1/montedo.com

30 de agosto de 2012

Livro desmente versão do governo americano sobre morte de Bin-Laden

Livro de soldado americano põe em dúvida como Osama morreu
Discurso da Casa Branca é conflitante em relação à publicação de ex-militar

bin-laden
AP
Bin Laden já estaria morto antes da chegada de soldados, diz livro
O aguardado livro No Easy Day: The Firsthand Account Of The Mission That Killed Osama Bin Laden (Um dia nada fácil: o primeiro relato da missão que matou Osama Bin Laden, em tradução livre), do ex-soldado americano da Marinha Matt Bissonette (que usou o pseudônimo Mark Owen na publicação), ainda não foi lançado, mas já traz uma polêmica: como o terrorista Osama Bin Laden morreu? O relato do ex-militar já rende dúvidas acerca dos últimos momentos do homem mais procurado do mundo.
Segundo Owen, o grupo de elite da Marinha (conhecido como SEAL) que participou da operação encontrou Bin Laden desarmado e já morto, com uma bala na cabeça, quanto os soldados adentraram o quarto do terrorista na casa onde ele vivia em Abbottabad, no Paquistão.
A versão oficial do governo dos Estados Unidos, divulgada na época, em 2011, dá conta que Bin Laden estava armado e resistiu à prisão.
Leia também:
COMANDOS AMERICANOS MATAM OSAMA BIN-LADEN
Livro detalha a ação dos Seals que matou Bin Laden
Em trechos do livro, que será lançado no dia 4 de setembro nos EUA, o ex-soldado relata como o grupo esteve próximo de capturar o terrorista com vida, mas antes de ser pego Bin Laden teria optado por dar fim à própria vida.
- Estávamos a menos de cinco passos de chegar ao topo (da escada) quando ouvi tiros suprimidos , “Bop Bop". Eu não poderia dizer da posição onde estava se os tiros acertaram o alvo ou não. O homem desapareceu no quarto escuro.
A cena que os militares americanos viram a seguir foram a de mulheres sobre o corpo de Bin Laden, que usava uma camiseta sem mangas branca, calças soltas e uma túnica, de acordo com o livro. O ferimento que matou o terrorista não foi dado pelos soldados, insiste o autor, dando a entender que o desfecho real não condiz com o que foi divulgado pelo governo americano.
- Sangue e (pedaços de) cérebro se espalharam para fora do crânio. Ele ainda estava se contorcendo e tendo convulsões (quando chegamos).
Livro Bin Laden "No Easy Day" (Foto: AP Photo/Dutton)Owen revela ainda que ele e outro soldado miraram no peito de Bin Laden e dispararam várias vezes. As balas atravessaram o corpo, que ficou inerte no chão. O passo seguinte foi confirmar a identidade do terrorista, o que foi feito após o interrogatório das mulheres que estavam no quarto.
Esta versão contradiz também a missão dada aos soldados, já que um advogado do Pentágono teria alertado que tudo deveria ser feito para que tudo não parecesse um assassinato. A instrução, segundo Owen, era clara: “Não ensinarei a você como fazer seu trabalho. O que estamos dizendo é que se ele não for uma ameaça, você irá detê-lo”.
Havia armas no quarto de Bin Laden, mas nenhuma delas estava preparada para ser utilizada. O livro deixa claro que não houve nenhum tiroteio de 40 minutos, ou que o terrorista teria tido tempo de encarar os seus captores. A publicação pontua ainda o fato de que os soldados estavam certos de que o presidente Barack Obama iria tirar vantagem da morte de Bin Laden e seria reeleito.
Procurado, o porta-voz da Casa Branca Tommy Vietor preferiu não comentar os trechos divulgados do livro.
R7/montedo.com

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