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29 de agosto de 2012

O 'Império' bate à porta: após trapalhadas no Mercosul, Brasil assiste aumento da presença militar ianque no Paraguai

Presença de militares dos EUA levanta suspeitas no Paraguai

Analistas geopolíticos da América do Sul estão apreensivos com a situação do Paraguai, principalmente pela relação do país latino com os Estados Unidos. A intensificação de atividades rotuladas como "humanitárias" e de "cooperação" da embaixada americana em Assunção, assim como a regularidade de visitas de militares ianques de alta patente ao país são dois dos principais motivos.
A adoção de posições antagônicas a acordos firmados e um clima de animosidade com países membros do Mercosul, bloco do qual o Paraguai está suspenso até a realização das eleições presidenciais em 2013, também entra nessa lista. Os analistas entendem que a maior aproximação do governo Frederico Franco com os americanos, após a destituição de Fernando Lugo do poder, tem como pressuposto a instalação de uma base militar dos Estados Unidos em território paraguaio.
A intenção seria a ocupação de um aeroporto internacional construído no vilarejo de Mariscal Estigarribia, de apenas três mil habitantes, na região do Chaco paraguaio. O local em questão está em uma área quase despovoada e conta com uma estrutura superdimensionada. A pista tem 3,5 km de extensão por 40 metros de largura e está dotada de radar, sistema de aterrisagem noturna, bombas de reabastecimento e hangares de grande porte.
Especialistas do setor, afirmam que o local está apto para pousos e decolagens de grandes aeronaves, existentes na frota americana, para transporte de tropas e de material militar. A força aérea paraguaia não teria aviões de envergadura para uso da pista.
De acordo o argentino Carlos Pereyra Mele, professor da Universidade Nacional da Patagônia e especialista em geopolítica da América do Sul, os Estados Unidos, primeiro país a reconhecer o novo governo do Paraguai após a queda Lugo, "têm interesse na manutenção de sua hegemonia na região, em detrimento de uma integração latino-americana". No entendimento do docente, o estabelecimento da suposta base permitira maior proximidade com os países sul-americanos e respostas imediatas na hipótese de confrontos, devido à localização geográfica estratégica.
Outras justificativas apresentadas por Mele seriam permitir o acesso americano ao Aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água potável do mundo, e facilitar as ações de órgãos de segurança dos Estados Unidos - como Departamento Federal de Investigação (FBI) e a Agência Central de Inteligência (CIA) - na área da tríplice fronteira, apontada como reduto de células terroristas do Hezbollah, Hamas e Al Qaeda, de acordo com relatórios de militares ianques.
Na mesma linha de Mele, a jornalista argentina e conferencista internacional, Stella Calloni, especializada em análise geopolítica, afirma, em artigo publicado em junho em jornais da América Latina, que militares do Comando Sul das forças armadas americanas estão estabelecendo pontos, em solo paraguaio, de observação na tríplice fronteira. Segundo ela, quartéis paraguaios instalados na região estão preparados com infraestrutura para receber tropas americanas.
Nos locais, alerta Stella, já foram perfurados poços artesianos para extração de água potável do Aquífero Guarani. A jornalista afirma que os poços foram abertos com a justificativa de um suposto atendimento a camponeses paraguaios, que não recebem a água. De acordo com ela, as perfurações estão localizadas em áreas despovoadas.
Stella vai mais além e sustenta que um grupo de cerca de 400 militares americanos se revezam em atividades no território paraguaio e possuem imunidade, aprovada pelo governo local em 2005 e revalidada automaticamente. A jornalista conhece bem a política paraguaia e mantém fontes entre militares e políticos desde a década de 70, sendo autora de vários livros sobre o assunto.
Um jornalista paraguaio, que realiza a cobertura diária do palácio presidencial, disse que após a queda Lugo, vários militares americanos desembarcaram em Assunção, sem muitas explicações sobre o motivo da presença deles no país. O jornalista, que preferiu não ser identificado, disse que os militares não ficaram na capital. Ele não soube informar o destino deles.
"a Bolívia está realizando uma corrida armamentista e [...]

o Paraguai precisa proteger essa área pouco povoada do país"
Desmentidos
A suposta pretensão americana e os motivos apontados pelos analistas não são novos e já são alardeados pela imprensa internacional há quase uma década, em alguns casos tratados como teorias de conspiração. A embaixada dos EUA em Assunção chegou a criar uma seção em sua página na internet sob o título "Rumores e Desinformação", desmentindo os supostos interesses.
O informe afirma que "os Estados Unidos não têm planos para uma base militar no Paraguai, não pediram ao governo paraguaio uma base na região, e não têm intenções de enviar soldados ao país". Os desmentidos da embaixada afirmam ainda que "os EUA não apoiam nenhum setor político do Paraguai e nem realizam doações disfarçadas a organizações não governamentais para apoiar objetivos políticos".
O texto também aborda o suposto interesse pelo controle do Aquífero Guarani e diz que "os Estados Unidos não têm nenhum interesse no aquífero", justificando que "existem abundantes recursos de água no país e que a ideia de transportar a água do local para a América do Norte é absurda". Oficialmente, a embaixada afirma que "o governo dos Estados Unidos não se intromete em assuntos internos do Paraguai e crê firmemente que são os paraguaios quem devem decidir sobre decisões e o rumo do país".
A embaixada desmente, ainda, a suposta imunidade para soldados americanos em território paraguaio, afirmando que "o congresso paraguaio estendeu aos militares uma categoria equivalente à concedida a funcionários administrativos e técnicos da embaixada". A medida, segundo a nota da embaixada, está de acordo com a Convenção de Viena. "Este acordo não outorga nenhuma imunidade nas jurisdições civil e administrativa do país anfitrião por atos cometidos fora do âmbito de seus deveres", diz o texto. O governo do Paraguai também nega a instalação da base. José Félix Fernández, ministro de Relações Exteriores do país, diz que "não existem planos oficiais neste sentido" e que "não existe nenhuma conversação a respeito". No Brasil, o ministro da Defesa, Celso Amorim, classificou como "esdrúxula" a hipótese, e afirmou que, caso se concretizasse a instalação, "resultaria no isolamento de longo prazo do Paraguai."
"Se a Bolívia pode receber apoio da Venezuela, porque 

os paraguaios não podem estar aliados com os americanos?"
Fatos
Apesar das negativas oficiais, analistas, jornalistas e militares do Brasil, Argentina e Paraguai ouvidos pelo Terraalertam para ocorrência de vários fatos, após a posse de Franco, que evidenciam, na opinião deles, que os alegados "rumores" e desmentidos podem conter informações verdadeiras.
No final de junho, o deputado José Gregorio López Chavez, presidente da comissão de Defesa da Câmara dos Deputados do Paraguai, informou que manteve conversas com generais dos Estados Unidos para negociar a instalação de uma base militar no Chaco, região ocidental do Paraguai. O encontro com os militares americanos teria ocorrido em Assunção.
Em entrevista ao Terra, Chaves disse que as conversas ocorreram "informalmente entre políticos e militares". Ele defende a presença americana no país vizinho ao Brasil, e diz que pretende mobilizar o congresso paraguaio para pedir ao presidente Franco a instalação da base.
O deputado acredita que os EUA podem contribuir com o Paraguai na luta contra a guerrilha e o narcotráfico. Em junho, quando revelou o diálogo com os americanos, o deputado alegou que "a Bolívia está realizando uma corrida armamentista e que o Paraguai precisa proteger essa área pouco povoada do país", referindo a ocupação do aeroporto Mariscal Estigarribia, localizado no Chaco paraguaio, a cerca de 200 km da Bolívia. O congressista sustenta que os paraguaios têm o direito de escolher seus aliados. "Se a Bolívia pode receber apoio da Venezuela, porque os paraguaios não podem estar aliados com os americanos?", perguntou.
A tese de Chaves é a mesma defendida pela ministra da Defesa do Paraguai, María Liz García de Arnold. Indagada pela imprensa local, na semana passada, sobre a possibilidade de uma aliança militar com os EUA, ela disse que "o Paraguai deve ter mobilidade suficiente para realizar alianças estratégicas com países que lhe dê as mãos que o façam sócio em igualde de condições e oportunidades". Ainda em junho, o embaixador americano no Paraguai, James Thessin, esteve em Ciudad Del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, para se encontrar com o governador de Alto Paraná, Nelson Aguinagalde. Após uma reunião fechada em um hotel da cidade, Aguinagalde disse a jornalistas que Thessin solicitou detalhes sobre a comunidade árabe local e informações sobre o tráfico de drogas na fronteira.
A presença de Thessin em Ciudad del Este surpreendeu autoridades locais. Antes de assumir a embaixada dos EUA no Paraguai, no final de 2011, Thessin atuou por três décadas no Departamento de Estado, onde desempenhou a função de conselheiro de Assuntos Políticos e Militares.
Na mesma época, Thessin esteve na região do Chaco paraguaio. Acompanhado de médicos e dentistas militares do exército americano, ele participou de uma campanha de vacinação e atendimento médico à população da área. De acordo com nota da embaixada, a ação alcançou os objetivos de "apoio à capacitação de militares paraguaios, facilitar a coordenação entre instituições do governo do Paraguai e colaborar com o governo para prover serviços onde estes sejam necessários". Na região visitada por Thessin está instalado o aeroporto internacional Dr. Luiz Maria Argana, uma estrutura superdimensionada para a realidade da força aérea paraguaia.
Em agosto, oficiais das forças armadas americanas teriam se deslocado até a fronteira, em companhia de militares paraguaios, para registrar a movimentação de tropas brasileiras na Operação Ágata 5. Um graduado militar brasileiro que participou da operação, encerrada nesta semana, relatou que os americanos teriam permanecido em solo paraguaio. A presença deles teria sido detectada nas regiões entre Foz do Iguaçu e Guaíra, no Oeste do Paraná. Em nota, o Ministério da Defesa informou que não houve comunicação oficial sobre o fato.
No entanto, assessores do órgão disseram que a suposta presença de americanos na região não representou qualquer risco ao Brasil. Não havia segredos militares que pudessem ser registrados e a presença americana teria ocorrido do lado paraguaio, não podendo ser caracterizada como espionagem.
No mesmo período, soldados paraguaios participaram de exercícios militares no Canal do Panamá, em uma operação liderada pelo Comando Sul das Forças Navais e pela 4ª Frota dos EUA. Denominado Panamax 2012, os exercícios são realizados anualmente e neste ano contou com representantes de Belize, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, República Dominicana, Equador, El Salvador, França, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, além dos EUA que patrocina a operação. O Paraguai esteve afastado do Panamax desde 2009, época em que Lugo presidiu o país.
Terra, via Fátima News/montedo.com

Comento:

Meter-se de pato a ganso dá nisso. Desde Lula, o Brasil inverteu a tradição diplomática do país, em busca do tal 'protagonismo internacional'. O aspone Marco Aurélio Top-top Garcia e Celso Amorim estão por trás de patacuadas que resultaram, por exemplo, na constrangedora ocupação de nossa embaixada em Honduras pelo chapeludo Manoel Zelaya e nos elogios de Lula ao ditador iraniano  Ahmadinejad, aquele que nega o holocausto e manda apedrejar mulheres até a morte.
No caso da deposição - constitucional, diga-se - de Lugo da presidência do Paraguai, Dilma assanhou-se e liderou a suspensão dos guaranis do Mercosul, pelo menos até a próxima eleição presidencial. Como apenas o aval do senado paraguaio impedia a entrada da Venezuela no bloco, o governo brasileiro apressou-se em viabilizar o ingresso do tiranete Chávez como membro do 'clube'.

Vendo os vizinhos bolivianos - com que o país mantém rusgas históricas - se atirarem nos braços do Chapolin de Caracas, o que fizeram os paraguaios? Saltaram para o colo do Tio Sam, é claro.
Finalmente, graças à peripécias diplomáticas que fariam o Barão do Rio Branco revolver-se na tumba, temos o império batendo à nossa porta.


23 de agosto de 2012

Afeganistão: dois mil militares americanos já morreram no conflito

Alta no número de mortes sinaliza mudança no conflito afegão
Sua guerra estava quase encerrada. Ou era isso que Marina Buckley imaginava quando seu filho, o cabo Gregory Buckley Jr., contou a ela que retornaria do sul do Afeganistão à sua base no Havaí com três meses de antecedência.
Mas em lugar disso Buckley se tornou o 1.990º militar norte-americano a morrer na guerra, em 10 de agosto, quando ele e dois outros fuzileiros navais foram mortos a tiros em sua base na província de Helmand por um homem que parece ter sido um integrante da unidade militar afegã que eles estavam treinando.
Uma semana depois, com a morte do especialista James Justice, do exército, em um hospital militar da Alemanha, as forças armadas norte-americanas registraram sua morte número 2.000 no conflito afegão iniciado há quase 11 anos, de acordo com análise do "New York Times" sobre dados do Departamento de Defesa. O cálculo do jornal inclui mortes não só no Afeganistão mas no Paquistão e outros países nos quais forças norte-americanas estão operando como parte do mesmo conflito.
Quase nove anos se passaram para que os Estados Unidos registrassem sua milésima morte na guerra afegã. O segundo milhar foi completado apenas 27 meses mais tarde, o que prova a intensidade dos combates gerados pela decisão do presidente Barack Obama de enviar um reforço de 33 mil soldados ao Afeganistão em 2010.
Buckley, que havia acabado de completar 21 anos quando morreu, é um exemplo típico dos soldados que caíram em combate nesse período de intensificação, de mais maneiras que sua família poderia imaginar. De acordo com a análise do "New York Times", três de cada quatro mortos eram brancos, 90% eram soldados de baixa patente, e 50% deles morreram nas províncias de Kandahar ou Helmand, no sul do Afeganistão, dominado pelo Taleban. A idade média dos soldados mortos era de 26 anos.
Os fuzileiros navais como Buckley respondem por número desproporcional das baixas fatais. Ainda que o exército tenha sofrido mais mortes na guerra, os fuzileiros navais, com um efetivo mais baixo, apresentam incidência de baixas superior. No auge do conflito, em 2010, 0,2% dos fuzileiros navais presentes no Afeganistão morreram em combate, um índice duas vezes superior ao do exército. Das cinco unidades de reforço mais atingidas durante esse período, três eram unidades dos fuzileiros navais.
O maior número de baixas coube ao 3º Batalhão do 5º Regimento de Fuzileiros Navais, cuja base é Camp Pendleton, na Califórnia. A unidades sofreu 25 baixas fatais e teve mais de 180 soldados feridos, muitos dos quais passaram por múltiplas amputações, durante um sangrento período de serviço de sete meses na província de Helmand, iniciado no final de 2010.
A análise também demonstra que as baixas do exército durante o período de combates intensificados se concentraram pesadamente em duas bases cujas tropas costumam ser utilizadas com frequência em serviço fora do país: Fort Campbell, no Kentucky, o quartel da 101ª Divisão Aeroterrestre, a unidade que mais registrou mortes no exército durante o período, e Fort Drum, em Nova York, o quartel da 10ª Divisão de Montanha.
O verão continua a ser a temporada de combate mais intensa, e o período de maior número de baixas para os Estados Unidos foi de julho a setembro de 2010, com pelo menos 143 soldados nortes. E como vem sendo o caso pelo menos desde 2008, dispositivos explosivos improvisados (IEDs) foram a principal causa de baixas ou ferimentos, seguidos por fogo de armas portáteis, de acordo com a análise.
Mas este ano emergiu uma nova ameaça: ataques por afegãos usando o uniforme das forças de segurança de seu país. Nas duas últimas semanas, pelo menos nove norte-americanos foram mortos em ataques como esses, e até agora este ano pelo menos 39 soldados não afegãos, a maioria dos quais norte-americanos, foram mortos por homens que vestiam o uniforme das forças afegãs de segurança - o maior número registrado desde o início da guerra.
Esses ataques por aliados reforçaram a preocupação quanto à capacidade da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) para transferir a responsabilidade pela segurança do país às forças afegãs até 2014, o prazo estipulado por Obama para a retirada das forças norte-americanas remanescentes; Para as famílias, as mortes despertam questões difíceis sobre os esforços do Pentágono para garantir a proteção das tropas norte-americanas contra seus aliados.
Ainda que a guerra do Afeganistão agora seja considerada a mais longa das guerras dos Estados Unidos, com 128 meses, o número de mortos é menos de metade do registrado na guerra do Iraque, que viu 4.480 vítimas fatais em oito anos. No ano passado, mais soldados ativos e de reserva se suicidaram, 278, do que morreram em combate no Afeganistão, 247.
Nada disso conforta as famílias dos mortos. Para os Buckley, de Oceanside, Nova York, a morte do filho tão perto do final de seu período de combate e tão perto do fim de uma longa guerra, e ainda mais por ele ter sido vítima de um suposto aliado, causou sofrimento intenso.
Marina Buckley estava falando sobre as coisas que seu filho amava - basquete, garotas, filmes, praia - e sua voz estava embargada de amargura.
"Nossas forças não deveriam estar lá", disse. "A guerra já deveria ter acabado. Já basta. Chega".

Uma unidade sob pesado ataque
O 3º Batalhão do 5º Regimento de Fuzileiros Navais, de Camp Pendleton, Califórnia, exemplifica bem as forças enviadas ao Afeganistão como parte do reforço determinado por Obama. Em 2010, o batalhão foi transferido a Sangin, o coração da produção de ópio afegã, para enfrentar um inimigo formidável e muito experiente no uso de IEDs, sofrendo a morte de 25 fuzileiros em um período de sete meses, o segundo maior número de baixas entre as unidades militares norte-americanas envolvidas na guerra, de acordo com a análise do "New York Times"
Mark Moyar, analista independente de segurança nacional que estudou as ações do batalhão, disse que os britânicos, que precederam os fuzileiros navais em Sangin, parte da província de Helmand, se concentravam em desenvolvimento econômico e em promover o contato com a população, para solapar a insurgência. Mas o Taleban operava com quase completa impunidade em certas porções do distrito, afirma.
Os fuzileiros navais adotaram abordagem diferente, penetrando as aldeias dominadas pelo Taleban. Os combates foram intensos, e civis muitas vezes se viram apanhados entre os inimigos; as baixas não demoraram a se acumular.
Em 8 de outubro, apenas duas semanas depois da chegada do batalhão, a unidade sofreu sua primeira baixa fatal, o cabo John Sparks. Cinco dias mais tarde, quatro fuzileiros navais do batalhão morreram quando o caminhão blindado que usavam foi destruído por uma poderosa bomba. Outros três morreram no dia seguinte, quando entraram em um campo minado durante uma patrulha a pé.
A sucessão de mortes rápidas fez com que Washington instruísse o batalhão a reduzir a intensidade de suas operações. Mas a liderança dos fuzileiros navais - a começar pelo comandante da unidade, o tenente-coronel Jason Morris - convenceu o secretário da Defesa, Robert Gates, a manter as operações.
"Todo mundo, eu incluído, ficou chocado por termos perdido tantos homens tão rápido", diz Morris. "Mas, honestamente, eu e a maioria dos meus comandados preferíamos voltar para casa mortos a permitir a vitória do Taleban".
Deanna Giles, mãe de um sargento do batalhão, recorda bem aqueles dias. Em meio aos constantes relatórios de baixas, ela começou a prestar atenção à presença de carros desconhecidos no seu bairro, em Kankakee, Illinois, temendo ser a próxima parente a receber notícias horríveis.
Ansiosa por informação e consolo, ela começou a percorrer as salas de chat da Internet e formou elos fortes com outras famílias do batalhão, pessoas a quem nunca havia encontrado em pessoa.
"Você começa a se preocupar com as pessoas de uma maneira que teria sido impossível antes da Internet", diz Giles.
Seu filho, o sargento Caleb Giles, voltou incólume. Mas o cabo Victor Dew, filho de Patty Schumacher, morreu em combate.
Schumacher havia implorado ao filho que adiasse seu alistamento até depois do final da guerra. Quando ele recusou, ela pediu que ele solicitasse um posto em uma unidade de segurança presidencial. Ele uma vez mais respondeu que não, afirmando que pretendia combater na infantaria e participar da guerra.
"Que desânimo aquilo me causou", ela relembra. "Mas também fiquei orgulhosa dele por seguir aquilo que acreditava. Como mãe, você precisa guardar suas emoções, respirar fundo e esperar que tudo corra bem".
No final de agosto de 2010, Drew pediu a namorada em casamento, e um mês depois foi enviado ao Afeganistão. Poucas semanas depois de chegar a Helmand, ele e três outros fuzileiros navais foram mortos por uma poderosa explosão de IED. Com 20 anos de idade, ele se tornou o 1.259º norte-americano a morrer na guerra.
A namorada colocou em seu caixão uma foto dela, usando seu vestido de noiva.
Schumacher tem uma página de Facebook para manter vivas as lembranças do filho, e ocasionalmente faz um brinde a ele no jantar. Ainda chora, também, ainda que seja difícil prever quando chegam as lágrimas, que podem ser causadas por imagens e sons passageiros que trazem à sua memória um sorriso, uma canção, uma piada do filho.
"Quando é que você melhora? Você não melhora", ela diz. "Só aprende a sofrer melhor. Sempre vai haver alguma coisa que deflagra o sofrimento. E você volta à montanha russa emocional".

Ataques por afegãos
O sargento Scott Dickinson voltaria para casa mais cedo. Deveria permanecer em Helmand até novembro de 2012, originalmente, mas o Pentágono havia acelerado o cronograma de retirada dos fuzileiros navais do Afeganistão, com o objetivo de tirar do país o contingente de reforço antes do final do ano, reduzindo a presença norte-americana a 70 mil soldados. Dickinson disse ao pai no começo do mês que estaria de volta ao Havaí dentro de uma ou duas semanas.
Pouco depois dessa conversa, John Dickinson, o pai do sargento, leu sobre um soldado que havia sido morto apenas uma semana antes do final de seu período de serviço. "E eu pensei que ele só estaria em segurança quando chegasse ao Havaí", relembra Dickinson, arquiteto em San Diego.
Ele tinha razão. Dickinson, 29, um especialista em suprimentos que se apresentou como voluntário para ajudar a treinar as forças afegãs, morreu no mesmo ataque que custou a vida de Buckley, em 10 de agosto. Estavam entre os seis fuzileiros navais mortos naquele dia em dois ataques, aparentemente executados por integrantes das forças de segurança afegãs.
O Pentágono afirma que a maior parte desses ataques resulta de desavenças pessoais, e contesta as alegações do Taleban de que seu pessoal está profundamente infiltrado nas forças de segurança.
Mas os ataques também despertaram novas preocupações quanto à integridade das forças afegãs que a Otan espera sejam capazes de proteger todo o país quando suas tropas forem retiradas, em 2014.
Mais fundamentalmente, as mortes continuadas, em um período no qual as forças norte-americanas vêm conduzindo menos missões de combate, levaram militares e seus familiares a imaginar se a década de presença dos Estados Unidos no Afeganistão fez alguma diferença.
Morris, o antigo comandante do 3º Batalhão do 5º Regimento de Fuzileiros Navais, não têm muita dúvida de que sim. Depois de meses de ferozes combates, ele via mudanças claras em Sangin, quando partiu, no começo de 2011. E as mudanças se mantiveram, com os moradores participando de eleições e indo à escola com menos medo da intimidação do Taleban - ainda que a intimidação continue.
"Todos os fuzileiros navais de meu batalhão viam o impacto que tivemos", ele diz. "Isso validou tudo aquilo pelo que se sacrificaram".
A despeito da morte do filho, Dickinson concorda. Marina Buckley não está tão certa.
"Ele era um ser humano adorável, muito sensível", diz ela sobre o filho. "Não sabia esconder seus sentimentos. Bonito, bonito, bonito".
Buckley queria se alistar nos fuzileiros navais desde o 11 de setembro, apesar das muitas tentativas maternas de dissuadi-lo. Na adolescência, ele tinha uma flâmula dos fuzileiros navais em seu quarto, e os esforços da família para que se matriculasse em uma universidade - ele foi aceito pela Adelphi, quando estava no último ano do colegial - não fizeram efeito.
"Eu perguntava por que ele queria servir nos fuzileiros navais", ela conta, e a resposta dele era sempre uma piada: "Dá pra arranjar muita mulher com aquele uniforme, ele dizia".
Mas suas ambições eram sérias. Ele queria servir e depois se tornar policial no condado de Suffolk. E apreciava o senso de irmandade dos fuzileiros navais, assim como sua primeira temporada de serviço, no Havaí. Mas ao ser transferido para o Afeganistão, as coisas mudaram. A solidão, o calor e as rações pré-preparadas logo começaram a pesar, diz Marina Buckley.
E ele jamais se sentiu seguro vivendo entre os afegãos, acrescentou.
"Se eles querem se matar entre eles, deveríamos deixar", ela afirma sobre o povo afegão. "Mas estão matando pessoas que não deveriam morrer, que têm vidas, famílias, irmãos e irmãs aqui".
Jornal Floripa/montedo.com

28 de julho de 2012

Rússia pretende instalar bases militares em Cuba e no Vietnã


A nova estratégia deve aumentar a tensão entre Moscou e Washington, dizem analistas

Nicholle Murmel
MOSCOU – O governo da Rússia pretende montar bases militares em Cuba e no Vietnã, dois aliados da época da Guerra Fria. O anúncio foi feito nesta sexta-feira, 27, pelo vice-marechal Viktor Chirkov. Para analistas, a nova estratégia militar deve aumentar a tensão entre Moscou e Washington, já esgarçada pela crise na Síria.
“Estamos trabalhando para montar bases navais fora da Rússia”, disse o militar à agência Ria-Novosti. “Pretendemos construí-las em Cuba, Vietnã e nas Ilhas Seychelles.”
O presidente russo, Vladimir Putin, pretende aumentar no ano que vem em 19% os gastos militares russos. O investimento total em defesa do país deve somar US$ 1,35 trilhão.
Em 2008, o general americano Norton Schawartz alertou a Rússia contra uma base de reabastecimento em Cuba. Em 1962, a Crise dos Mísseis quase levou os dois países a um confronto nuclear.
O Estado de S. Paulo, via Poder Aéreo/montedo.com

20 de setembro de 2011

SAINDO DO ARMÁRIO: OFICIAL DA MARINHA É PRIMEIRO MILITAR GAY AMERICANO A CASAR

Primeiro militar gay se casa nos EUA após fim de proibição
O tenente da Marinha americana Gary Ross (à direita) e o civil
Dan Swezy
se casaram em Vermont - Foto: AP
DUXBURY, Vermont (EUA) - Quando o tenente da Marinha Gary Ross, de 33 anos, e seu parceiro Dan Swezy, um civil de 49 anos, buscaram um lugar para se casar escolheram Vermont, em parte porque é um estado com o fuso horário do leste dos Estados Unidos.
Desta forma, os dois homens se casaram no primeiro minuto desta terça-feira, quando se anulou formalmente a chamada política do "Don't ask, don't tell" (Não pergunte, não diga), que proibia a participação de membros abertamente gays nas forças armadas. Logo após a meia-note, se casou o par que estava unido há 11 anos.
- Foi uma bonita cerimônia. As emoções realmente me chegaram... mas finalmente é oficial - disse Ross.
Horas antes da mudança entrar em vigor à meia-noite desta terça, os militares americanos também faziam os preparativos finais para esta história mudança de política.
O Pentágono anunciou que já aceitava solicitações de candidatos abertamente homossexuais, mas os funcionários disseram que esperariam um dia antes começar a revisá-las.
Ross e Dan Swezy viajaram do Arizona, onde vivem, para se casar em Vermont, o primeiro lugar que permitiu aos homossexuais formalizar uniões civis e um dos seis estados que legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Ross vestiu seu uniforme de gala para a cerimônia que começou às 23h45m de segunda-feira (horário local) em Moose Meadow Lodge, em uma cabana de madeira em Duxbury, em Vermont, montada sobre uma montanha a 24 quilômetros a noroeste de Montpelier.
O GLOBO

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