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28 de julho de 2016

Em reunião com Comandantes, Temer asssina promoção de 86 oficiais das Forças Armadas

Comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica levaram lista com nomes.
Cerimônia com a presença dos militares está prevista para a próxima semana.
Filipe Matoso
Do G1, em Brasília
O presidente da República em exercício, Michel Temer, assinou nesta quarta-feira (27) a promoção de 86 militares de Exército (42), Marinha (22) e Aeronáutica (22), em uma reunião fechada em seu gabinete no Palácio do Planalto.
Segundo a assessoria de Temer, a lista com os nomes dos militares foi levada ao presidente em exercício pelos comandantes das Forças Armadas: Eduardo Villas Bôas (Exército), Eduardo Leal Ferreira (Marinha) e Nivaldo Rossato (Aeronáutica).
Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Raul Jungmann (Defesa) e Sérgio Etchegoyen (Segurança Institucional) acompanharam a assinatura das promoções.
Conforme a Secretaria de Imprensa da Presidência, está prevista para o próximo dia 3 de agosto uma cerimônia, no Palácio do Planalto, na qual serão oficializadas as promoções assinadas por Temer nesta quarta. O evento será aberto aos militares, convidados e à imprensa.
Esse tipo de cerimônia costuma ocorrer uma vez por ano e, após o ato no Planalto, o presidente da República participa de um almoço em um dos clubes das Forças Armadas, em Brasília, onde faz breve discurso, acompanhado do anfitrião.

Acenos aos militares
Desde que assumiu como presidente em exercício, em maio, Temer tem feito acenos frequentes aos militares. No início deste mês, por exemplo, ele devolveu aos comandantes militares as competências administrativas retiradas durante o governo da presidente afastada, Dilma Rousseff.
Além disso, em junho, o peemedebista foi ao Clube Naval de Brasília, onde assistiu à cerimônia da "Parada após o Pôr do Sol", organizada em homenagem aos trabalhos da Marinha para o Brasil.
G1/montedo.com

18 de outubro de 2015

"O Exército pode ser chamado a intervir", adverte o general Villas Bôas

Nota do editor
A manchete acima é do Diário de Pernambuco e está - propositalmente? - fora do contexto, dando a entender que Villas Bôas se refere a um golpe de estado.  
A declaração do general é a seguinte:
"Estamos em crise econômica, política e ética. Se transformar em crise social, pode gerar problemas de segurança pública e o Exército pode ser chamado a intervir."
Entrevista
O general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, 63 anos, está no comando geral do Exército brasileiro desde fevereiro. Nesta semana, esteve pela primeira vez em Pernambuco depois de assumir a função. Ontem, concedeu entrevista aos jornais e falou sobre drogas, crise, transposição do Rio São Francisco, golpe militar e mulheres no Exército. O currículo de Villas Bôas inclui a função de adido militar na China, chefe da assessoria parlamentar do Exército e comandante militar da Amazônia. Além disso, em 2014, respondeu pelo comando de operações terrestres, com atuação na estratégia de defesa da Copa do Mundo.

Transposição
Ontem (anteontem) fomos a Paulo Afonso conhecer as obras da transposição do Rio São Francisco. É realmente de importância transcendental. Pela primeira vez se empreendeu projeto capaz de mudar a realidade do Nordeste. O Brasil entrou no século 20 e saiu do século 20 com a mesma realidade. Hoje sabemos que não sairemos do século 21 da mesma forma. São quinze anos de atraso, o que sacrifica uma geração, mas é um avanço incrível de qualquer forma.

Crise
O orçamento dos sete projetos estratégicos do Exército sofreu corte de 40%. O que considero mais importante para a sociedade é o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), iniciado em 2012 para melhorar o controle da fronteira e avaliado em R$ 12 bilhões em dez anos. A previsão era concluir em 2022, mas hoje, com o ritmo orçamentário que nós temos, ele não estará pronto antes de 2035. São tecnologias sensíveis, que correm o risco de ficar obsoletas até lá. A Polícia Federal estima que 80% da criminalidade urbana são ligadas ao tráfico de drogas. E tudo passa pela fronteira. Nos preocupa também o fato de as empresas contratadas serem obrigadas a interromper os serviços.

Descriminalização
É uma questão sensível. Preocupa bastante. As polícias se manifestam contra. Em um pronunciamento, o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria disse ser veementemente contra. Ele disse que as pessoas não imaginam a relação entre droga e suicídio. Isso nos afeta. Não posso admitir a discriminalização no Exército. Não posso admitir militar armado de serviço consumindo droga.

Golpe
As manifestações de rua que pedem a volta do regime militar são uma questão complexa. Nossa interpretação é que as pessoas não pedem a volta do governo militar, com algumas exceções. Estão reclamando dos valores. Estamos em crise econômica, política e ética. Se transformar em crise social, pode gerar problemas de segurança pública e o Exército pode ser chamado a intervir.

Mulheres
Hoje 5% do nosso efetivo são formados por mulheres, mas na área técnica, e não na operacional. Em 2016 faremos concurso para elas ingressarem em 2017 pela primeira vez na Academia Militar das Agulhas Negras. Teremos mulheres cadetes.
Diário de Pernambuco/montedo.com

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