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31 de agosto de 2012

RJ: Traficantes tinham planos para assassinar general que comandou ocupação no Alemão

Traficantes do Alemão tinham plano para assassinar general que comandava ocupação

Antônio Werneck - O Globo
O general Adriano, que deixa hoje a chefia do CML, precisou ter a segurança reforçada
O general Adriano, que deixa hoje a chefia do CML, precisou ter a segurança reforçada Foto: Domingos Peixoto/14-3-2012
RIO - O general Adriano Pereira Júnior, comandante militar do Leste, revelou em entrevista exclusiva ao GLOBO que, em janeiro de 2011, cerca de um mês depois de o Exército tomar os complexos do Alemão e da Penha, foi descoberto um plano de traficantes para assassiná-lo. A descoberta foi possível graças à interceptação, pela inteligência militar, de uma conversa entre bandidos que dominavam as 23 comunidades da região. Desde então, o oficial passou a contar com segurança reforçada. O general Adriano está de malas prontas para uma nova missão, no comando central do Exército, em Brasília. A chefia do Comando Militar do Leste será passada hoje ao general Francisco Carlos Modesto.
— Eu não queria, mas a partir daquele mês fui obrigado a ter uma segurança pessoal nos meus deslocamentos. O serviço de inteligência descobriu que traficantes estariam pensando em alguma coisa, atribuindo ao general Adriano tudo de ruim que estava acontecendo com eles. Mas não deixei de correr e caminhar na orla de Botafogo e Flamengo — contou o general Adriano.
Ele deixa o posto após dois anos e quatro meses de gestão. A cerimônia acontece hoje à noite, no CML, no Rio. O substituto de Adriano, general Modesto, tem 60 anos, é casado e pai de dois filhos. Ele trabalhava no Ministério da Defesa, em Brasília, para onde segue agora o general Adriano, para coordenar o setor de logística no Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.
Para o Exército, missão no Alemão foi cumprida
O Exército tratou a ameaça a Adriano de forma reservada, como se fosse o último suspiro de uma organização criminosa que caminhava para a morte.
— Seria uma burrice dos criminosos (executar o plano), porque a tomada do Alemão ia continuar — disse o general.
A entrevista foi dada na terça-feira, na sede do CML, na presença do general Modesto.
— Minha passagem pelo Rio foi uma das mais ricas experiências da minha vida. Nesse período, a participação do Exército na vida da população foi muito forte — disse.
O Exército avalia que cumpriu sua missão nos complexos do Alemão e da Penha: durante a permanência dos militares na região, foram apreendidos 12 fuzis, 17 pistolas e revólveres, e 3.647 projéteis. Além disso, foram recolhidos cerca de 18 mil papelotes de cocaína, 1.200 pedras de crack, 54 quilos de maconha e 1.100 trouxinhas de haxixe. Os militares também apreenderam US$ 30 mil e quase R$ 90 mil. Cerca de 400 pessoas foram detidas e 226, presas.
— O maior desafio da minha carreira foi comandar o CML e trabalhar nos complexos do Alemão e da Penha, empregando a tropa na preservação da ordem pública — afirmou o general Adriano.
Ele disse que, depois dos cerca de 20 meses em que o Exército esteve na região, constatou as dificuldades do trabalho policial. Uma delas é a obrigação de se obter um mandado de busca e apreensão para entrar na casa de alguém. Como o mandado às vezes demora muito, permitindo ao bandido, por exemplo, escapar ou esconder armas e drogas, o oficial defendeu até que, em casos excepcionais, como no do Alemão, a exigência do documento seja abolida.
Extra/montedo.com

19 de agosto de 2012

Tráfico não foi o único inimigo durante ocupações do Exército nas favelas

Prestes estes a ser lançado, livro de relações-públicas do Exército conta detalhes da pacificação do complexo, como surtos que abateram soldados

CHRISTINA NASCIMENTO
Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia
Exército entra nos complexos | Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia
Rio - Por pouco a atuação do Exército nos complexos do Alemão e da Penha não sofreu um baque desastroso para uma missão de ‘guerra’ durante os primeiros meses de ocupação.
Dois surtos, um de hepatite A e outro de dengue, deixaram parte da tropa doente e foi preciso repensar a logística de higiene no alojamento e na rotina nas comunidades.
A história faz parte de bastidores que pela primeira vez são contados sobre a ocupação dos militares nos conjuntos de favelas considerados o entreposto do tráfico no Rio.
Por quatro meses, o assessor de imprensa do Comando Militar do Leste (CML), coronel Carlos Alberto de Lima, 62 anos, fez pesquisa, que reuniu relatos, leitura de correspondências trocadas entre governo do Estado e o Ministério da Defesa no momento de crise — quando a cidade vivia o inferno de ataques incendiários de traficantes — , e esmiuçou relatórios da inteligência da corporação.
O resultado é o livro ‘Os 583 dias da pacificação dos Complexos da Penha e do Alemão’, de 164 páginas.A obra reproduz os ofícios que vieram de Brasília e os que tinham os pedidos do governador Sérgio Cabral para a ajuda no Rio.
E traz uma cronologia que mostra que o cerco ao Alemão se fez 12 horas após o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizar a participação do Exército.
As estratégias dos militares, como fazer parceria com lideranças religiosas das comunidades para conseguir persuadir os eventos patrocinados por eles, aparecem no livro como ações que deram certo.
A percepção deles era tão minuciosa que traçaram o perfil dos moradores: enquanto no Alemão, as pessoas eram mais receptivas, dispostas a colaborar; os da Penha permaneciam retraídos, eram ríspidos e, em alguns casos, tinham admiração pelos bandidos.

- Detalhes
Ministro Jobim
No processo de elaboração dos documentos da Força de Pacificação, o então ministro Nelson Jobim sentou várias vezes na frente do computador para fazer, ele mesmo, modificações e sugestões necessárias, em virtude da urgência e pela sua experiência na área jurídica como ex-ministro do Superior Tribunal Militar.

Confusão em visita
Durante a visita do Príncipe Harry, membro da realeza britânica, os bandidos organizaram ações (tiros, garrafadas, pauladas, turbas, etc...) em seis pontos na Vila Cruzeiro. As confusões ocorreram num intervalo de 50 minutos.
Esse tipo de ocorrência no horário em questão não havia sido registrada durante a operação.

Lâmpadas do tráfico
Os ‘olheiros’ do tráfico faziam revezamento de 12 horas. Os militares conseguiram identificar gestos manuais que eles faziam para avisar sobre a presença da tropa em becos e vielas, por exemplo.
A iluminação pública também foi usada para dar o alerta aos marginais. Eles piscavam luzes ou apagavam. Conseguiam fazer isso porque havia ligação clandestina no sistema.

Malhação e religião
Para que a tropa ficasse motivada, foi montada academia de musculação na base, que ficou na antiga fábrica da Coca-Cola, para que pudessem malhar antes e depois do patrulhamento.
Outra estratégia foi oferecer equipe de assistência religiosa (com todos os segmentos) para conforto espiritual. Foi paga indenização para os militares que participaram da ocupação. O valor correspondia a 2% do soldo por dia trabalhado.

Óbito por leptospirose
Em 7 de fevereiro de 2011, soldado, do 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista (8° GAC Pqdt), morreu vítima de leptospirose. A principal suspeita é de que ele tenha sido contaminado nas favelas.

Tráfico e milícia
Levantamento dos militares estimou que haja cerca de 500 traficantes. Com a saída de vários bandidos da região, foram verificados indícios de disputa pelo domínio, por parte de milícias, de regiões antes ocupadas pelo tráfico.
“Aquilo lá era totalmente insalubre”
Carlos Alberto de Lima Assessor de imprensa do CM
Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Coronel Carlos Alberto de Lima dedicou quatro meses à pesquisa | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
1. O que mais chamou a atenção do senhor?
Foi o recebimento da ordem de cerco do Complexo do Alemão, no dia 26 de novembro de 2010. A Brigada Paraquedista, com a Força Tarefa, ocupou os entornos dos complexos da Penha e do Alemão em 12 horas, sem reconhecimento e sem preparo específico.

2. Quando começaram os ataques do tráfico, antes da tomada do Alemão, o Exército se precaveu com receio de ações contra a tropa. Como foi?
Dia 20, começaram os ataques, incêndios a carros e ônibus e o CML tinha que tomar precauções. Um: ficar preparado para se fosse chamado. Dois: proteger os nossos quartéis e a tropa.
Como tínhamos preparação para os 5º Jogos Mundiais Militares, e havia muito deslocamento na Av. Brasil, onde estavam acontecendo os ataques, o CML deixou a Brigada Paraquedista e 9ª Brigada de Infantaria de prontidão. Alguns trechos da Av. Brasil foram mobiliados com tropa para proteger as viaturas e os militares.
Quando o governo invadiu a Vila Cruzeiro e viu que a coisa era mais séria do que esperado, aí se pensou: vamos invadir o Complexo do Alemão, o que não estava previsto. Então, pediu ajuda ao Exército.

3.Em que situação, inicialmente, estava a base onde os militares ficaram alojados?
Aquilo lá era totalmente insalubre. O próprio Exército começou a trabalhar com material de engenharia e depois o governo entrou para fazer a base fixa da pacificação.

4. Quer dizer que havia baratas, ratos...?
Pela narrativa da pesquisa tinha de tudo... Muito lixo... O início da operação era um cenário de guerra: não havia instalações fixas nem água no local, a cozinha era totalmente improvisada.

5. O militar que morreu de leptospirose pode ter se contaminado lá?
Muito provável, porque o óbito veio depois que ele estava atuando.
O Dia Online/montedo.com

16 de agosto de 2012

Para Exército, ocupar Alemão é mais difícil que guerra e missão no Haiti

Ação no Rio foi maior a dentro do país; 'somos preparados para a guerra'.
Centro em SP prepara militares para segurança pública e greves policiais.

Tahiane Stochero
especial exército (Foto: Tahiane Stochero/G1)
Sargentos e oficiais recebem treinamento de uma semana para ação em favelas (Foto: Tahiane Stochero/G1)
Durante a ocupação do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, militares atuaram durante 19 meses como polícia dentro do próprio país. A necessidade de enfrentar um inimigo sem farda, de lidar com manifestações populares e de ser sensível aos problemas sociais da região fez o Exército perceber que é preciso investir na preparação da tropa.
Nos últimos anos, os militares têm sido cada vez mais empregados na Garantia da Lei e da Ordem (GLO), como a Constituição denomina a atuação das Forças Armadas em casos graves de segurança pública.
O G1 publica, ao longo da semana, uma série de reportagens sobre a situação do Exército brasileiro quatro anos após o lançamento da Estratégia Nacional de Defesa (END), decreto assinado pelo ex-presidente Lula que prevê o reequipamento das Forças Armadas. Foram ouvidos oficiais e praças das mais diversas patentes - da ativa e da reserva -, além de historiadores, professores e especialistas em segurança e defesa. O balanço mostra o que está previsto e o que já foi feito em relação a fronteiras, defesa cibernética, artilharia antiaérea, proteção da Amazônia, defesa de estruturas estratégicas, ações de segurança pública, desenvolvimento de mísseis, atuação em missões de paz, ações antiterrorismo, entre outros pontos considerados fundamentais pelos militares.
exercito_infografico_versao13agosto_300 (Foto: Editoria de Arte/G1)A formação dos soldados para esse tipo de ação - com técnicas, armas e doutrina bem diferentes do treinamento pesado que normalmente recebem para uma batalha - é um dos pontos-chave da Estratégia Nacional de Defesa.
“Somos Exército, treinados e preparados para a guerra. Precisamos atuar em operações de policiamento ostensivo e coisas do gênero quando convocados, é uma das nossas missões constitucionais. Mas, mesmo nestes momentos, não podemos perder a nossa característica intrínseca de Exército. Não somos polícia”, diz o coronel Vladimir Schubert Ferreira, que chefiou durante seis meses as tropas no Complexo do Alemão.
O coronel comanda o Centro de Instrução de Operações de GLO, localizado em Campinas (SP), que prepara combatentes para ações como a ocupação de morros no Rio de Janeiro ou durante greves das policiais Civil e Militar, uma atuação que vem cada vez mais aumentando.
Entre o final de 2011 e o início de 2012, o Exército foi convocado para manter a ordem em pelo menos seis Estados, devido a situações de caos na segurança e de greves nas polícias. Todos os aprendizados obtidos foram incorporados aos treinamentos, segundo o oficial.
O G1 acompanhou um treinamento em que militares simularam a invasão de uma casa para cumprir mandados de busca e apreensão de drogas e para prender criminosos em missão de segurança pública (veja vídeo acima).
Nos últimos dois anos, militares foram colocados nas ruas durante greve das polícias no Nordeste (Bahia, Rondônia, Tocantins, Ceará e Maranhão). Além disso, operações conjuntas com a Marinha e a Aeronáutica estão sendo feitas a cada mês em áreas de fronteiras.
No Rio de Janeiro, a “Operação Arcanjo”, como o Exército denominou o cerco no Alemão, empregou 1.800 soldados para ocupar uma área de 10 quilômetros quadrados, com cerca de 400 mil pessoas. Foi o maior emprego interno de força militar desde que a prática foi autorizada pela Constituição de 1988 e regulamentada por uma portaria ministerial em 2001. Em 7 de julho desse ano, o Exército entregou oficialmente a segurança da comunidade ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
A previsão é que o uso militar interno do Exército aumente: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que cinco Estados, entre os quais o Rio de Janeiro, já pediram apoio militar durante as eleições municipais de outubro deste ano.
Ao G1, militares admitiram terem enfrentado mais dificuldade para trabalhar dentro do país do que no Haiti, onde o Exército comanda uma missão de pacificação e manutenção da ordem a serviço da ONU desde 2004.
“Esta ação no Rio nos trouxe muito aprendizado, principalmente por lidar com o tráfico de drogas", diz o general Tomás Paiva, que comandou a Força de Pacificação no Alemão e na Penha, no Rio, e foi subcomandante do batalhão brasileiro na missão de paz no Haiti em 2007.
"Diferentemente do Haiti, onde esse fator não interfere na vida cotidiana das pessoas, nas favelas do Rio o tráfico pode manipular e usar a população para seus objetivos e contra nós. É uma atividade, um negócio lucrativo, que eles querem continuar”, acrescenta o general Tomás.
“A maior dificuldade que temos aqui é de atuar contra brasileiros. É diferente das outras operações militares típicas, onde temos um inimigo físico definido, de uniforme. No confronto urbano, nós não podemos ver o inimigo do outro lado. O traficante, o ladrão e os suspeitos estão no meio do povo”, explica o coronel Vladimir Schubert Ferreira.
“Os criminosos usam a população para impor medo. Aqui dentro, no nosso país, as regras de engajamento (espécie de manual com as regras das ações militares) são mais rígidas. Respondemos por qualquer disparo feito. Já no Haiti, as regra da ONU são mais flexíveis”, acrescenta o coronel.




Emprego militar dentro do país
O professor e historiador militar Geraldo Cavanhari, criador do centro de estudos estratégicos da Unicamp, critica o aumento do emprego militar no interior do país.
“O Exército não pode arcar com o compromisso que não lhe cabe, de ficar correndo atrás de bandido em morro. Ele pode e deve colaborar com os meios que possui, mas a diferença é muito grande. Militar tem uma visão diferente, de ordem e planejamento. Ninguém faz nada sem dar satisfação”, explica.
"No confronto urbano, nós não podemos ver o inimigo do outro lado. O traficante, o ladrão e os suspeitos estão no meio do povo”

Vladimir Schubert Ferreira,coronel que chefiou tropas no Alemão
Foi o coronel Mário Sérgio, na época comandante-geral da PM do Rio, que pediu a ajuda do Exército para manter a ordem no Alemão, devido à falta de policiais no estado para manter a ocupação. “A missão do Exército seguramente foi cumprida", defende.
“O Exército fez um trabalho importantíssimo para manter a tranquilidade pública lá. Penso que o benefício foi duplo. A população ganhou em poder ficar em paz e ainda gozar de convívio próximo com o seu Exército, enquanto que os militares agregaram conhecimentos novos”, acrescenta o ex-comandante. “Mesmo o Exército não tendo tido uma atuação na esfera policial ‘desmanteladora’ de esquemas sutis criminosos que existem lá, já que seu aparelhamento não é para isso, foi pleno de sucesso na manutenção da paz social”, afirma o oficial.

Diferenças de atuação e dificuldades
Há diferenças entre segurança pública e Garantia da Lei e da Ordem. A primeira é responsabilidade dos estados, através da atuação das polícias Civil e Militar. A segunda é determinada pelo presidente da República, que convoca as Forças Armadas em casos extraordinários, quando, por exemplo, há pedido de um estado que enfrenta problemas de violência. Os militares, nesse caso, recebem poder de polícia – para revistar e prender suspeitos – em um espaço e período previamente estipulados.
No Rio, os militares enfrentaram dificuldades. A população fez protestos contra abusos de autoridade, tortura e excessos de disparos e do uso de gás lacrimogêneo. Houve confrontos entre as tropas e os moradores, que reclamavam da imposição pelos militares de toques de recolher durante festas noturnas na comunidade. “Tivemos dificuldade em ações de controle da população”, diz o coronel Vladimir.
“Eu senti mais dificuldade de atuar no Rio de Janeiro do que no Haiti. Porém, a ação aqui foi mais gratificante, pois eu vi o resultado ali, no rosto da nossa população. Eu estava fazendo algo pelo meu país”, diz o capitão Leandro Leite. Ele esteve no Haiti em 2010, logo depois do terremoto que matou 300 mil pessoas, ainda como tenente, e comandou uma companhia de 100 homens no Alemão, no primeiro semestre de 2012.
“O militar tem um pouco de dificuldade para o policiamento. É um emprego diferente. Você pode usar esse tipo de recurso em situações esporádicas. A atitude de um policial é diferente da atitude de um soldado. Somos treinados para combater”, define.
O general Tomás Paiva aponta outra diferença: nas patrulhas, o soldado do Exército nunca fica sozinho – sempre há um sargento com experiência. “Os policiais têm o conhecimento do dia a dia, sabem identificar o bandido.”
exercito_seguranca_alemao_300 (Foto: Wilton Júnior/AE, Pablo Jacob/Agência O Globo e Reprodução/TV Globo)
Militares enfrentaram dificuldades durante ação em
favelas para combater o tráfico de drogas; imagem
aérea mostra a fuga de traficantes do Complexo do
Alemão, em 2010 (Foto: Wilton Júnior/AE, Pablo
Jacob/Agência O Globo e Reprodução/TV Globo)
No Alemão, segundo ele, criminosos usavam mulheres e crianças para transportar armas e drogas buscando burlar o monitoramento. “Passamos então a empregar soldados femininas no nosso grupo. Elas tinham facilidade para conversar com mulheres, idosos e crianças. Conseguiam boas informações”, relembra.
O Exército também cometeu erros no Rio. Em outubro de 2011, um cabo foi ferido por um tiro acidental na cabeça, disparado pela própria arma. Meses antes, em janeiro, outro soldado morreu em um posto de observação instalado em uma das estações do teleférico. Inquérito Policial Militar concluiu, um mês depois, que ele tinha sido atingido por um disparo acidental, feito por um colega de farda.
“Pode haver casos de excesso de uso da força, disparos acidentais, que são apurados. Mas o índice de acertos foi superior ao de erros. Há situações em que a população reclama. A PM também enfrenta isso”, diz o comandante do centro de instrução de GLO.


Centro prepara militares
Todos os sargentos e oficiais que trabalharam no Alemão e nas greves das polícias receberam treinamento de uma semana em Campinas (SP). De volta a suas unidades, eles passaram as instruções aos soldados. A preparação inclui instrução de lutas, uso de armas não letais (sprays, bombas de gás e luz, espingarda com bala de borracha), técnicas de patrulhamento, blitz, abordagem, revista e entrada em residências para cumprir mandados de busca e apreensão. “Temos condições de preparar a tropa para empregar em qualquer lugar e a qualquer hora, seja em uma ação em São Paulo ou em qualquer estado do país”, afirma o coronel Vladimir.

"Pode haver casos de excesso de uso da força, disparos acidentais, que são apurados. Mas o índice de acertos foi superior ao de erros"

Vladimir Schubert Ferreira, coronel que chefiou tropas no Alemão
“Uma das coisas que percebemos no Alemão é que, em muitas ocasiões, ao usarmos gás, ele acaba se dispersando e atingindo pessoas não envolvidas, entrando em casas e prejudicando a população", diz o coronel.
"Estamos trabalhando para desenvolver novos tipos de munição não letal, para podermos, eventualmente, atirar de uma distância menor, minimizando o impacto, adequando-se à atuação em favelas. A maior preocupação é respeitar a população e evitar os danos colaterais (como os militares chamam civis mortos ou feridos em operações)”, explica ele.
exercito_especial_seguranca_620 (Foto: Tahiane Stochero/G1)

Entre os aprendizados incorporados, segundo Vladimir, está a necessidade de trabalhar integrado com a comunidade através das mídias sociais. "Recebemos fotos e denúncias em tempo real sobre as chateações dos moradores e sobre reuniões dos criminosos", exemplifica.
Criado em 2005, o centro de GLO é pequeno: tem capacidade para 42 alunos e deve ser ampliado para a construção de uma cidade cenográfica no próximo ano. No local, as tropas simularão incursões em áreas urbanas e terão mais espaço para táticas de tiro. “O exército está entrando de corpo e alma nisso”, admite o comandante do centro.

G1/montedo.com

6 de agosto de 2012

General Adriano: 'Fizemos no Alemão o que não conseguiram fazer no Iraque'

'Fizemos no Alemão o que não conseguiram fazer no Iraque'
General Adriano Pereira Júnior revela como comandou uma tropa de 1,6 mil homens na área mais bem armada pelo tráfico do Rio

CHRISTINA NASCIMENTO
Foto: João Laet/ Agência O Dia
Rio - Há um ano e meio, o general Adriano Pereira Júnior, 64 anos, assumia a maior operação de risco da sua carreira: comandar uma tropa de 1,6 mil homens na área mais bem armada pelo tráfico do Rio. “A gente não sabia como iria funcionar direito”, confessa, sem cerimônia. Os motivos estavam atrelados a um histórico pesado: por anos, os complexos da Penha e do Alemão foram inacessíveis às forças policiais.
Os bastidores revelam que, em uma semana, o Exército rastreou um espaço praticamente desconhecido para a Segurança Pública: “Não tínhamos o mapa de onde eram as áreas problemas nem de quem ainda estava lá dentro...”. A atuação despertou a curiosidade dos exércitos dos EUA, Alemanha e Chile. No espaço conflagrado, a farda, em alguns momentos, virou uma espécie de divã: “Um pai me contou, chorando, que teve que entregar filha de 14 anos para traficante passar a noite”.

DIA: Tem alguma estratégia diferente que o senhor adotaria se ocupasse novamente o Complexo do Alemão?

GAL ADRIANO: Muito difícil te responder isso, porque o início da operação foi uma situação: nós chegamos e entramos. Muitas coisas foram alteradas à medida que foi evoluindo. Entramos com toda patrulha usando fuzil. Fomos gradativamente desescalando o armamento. Com o tempo, colocamos pistola e usamos arma não-letal, spray de pimenta e bala de borracha. Mas eu não mudaria isso, porque essas coisas tinham que ser feitas. Se eu voltasse para uma situação semelhante, não teria coragem de entrar em outra comunidade sem estar todo mundo com fuzil. E, ali (Complexo do Alemão), era o QG do mal. Estamos falando do pior local, onde os traficantes eram mais fortes.

A chegada da tropa, então, foi o momento mais tenso...
Tudo que acontecesse, o responsável seria eu. Não tinha outro. Fui eu que montei a operação, que orientei a tropa. Quando fomos para lá, foi o momento mais tenso, porque tinha muito armamento e muitos bandidos. E, aí, você começa uma operação colocando 1.600 homens (militares) armados, circulando naquela área de topografia difícil. Fazíamos patrulhamento em tudo. Ocorrer uma troca de tiro num beco era uma coisa que não tinha como se prever. O bandido aparece, atira e some. E se um soldado meu disparasse uma arma? E se o tiro entrasse num barraco e pegasse uma família, uma criança, uma pessoa que não tinha nada a ver com o tráfico? Eu tinha muitos questionamentos. Talvez, o momento mais tenso da minha vida tenha sido o primeiro mês de operação. Eu praticamente ia todos os dias lá. Tinha essa preocupação de que ocorresse algum problema.

Foi usada a mesma estratégia no Haiti. Era preciso fazer dessa forma?
Foi uma operação de alto risco pela quantidade de tropa que colocamos. E a gente não sabia como iria funcionar direito, como seria a reação do traficante à nossa presença. Poderia haver muitos incidentes, ou poucos ou nenhum. Mas ninguém sabia o que iria acontecer, porque a gente não tinha o mapa apontando onde eram as áreas problemáticas, ou indicando quem ainda estava lá dentro. Na Rocinha agora, há o Batalhão de Choque preparando e examinando o local para a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora. Já nós, entramos lá (Complexo do Alemão), sem nada.

Então, o Exército fez um rastreamento da área que jamais tinha sido feito?
Eu acho que nunca tinha sido feito, porque as polícias Militar e Civil tinham sérias dificuldades para entrar. Aquilo era um fortaleza. Quem invadiu de fato (o Complexo do Alemão) foi a polícia. Até então, a gente ficava fazendo cerco. Nós só entramos no interior do complexo no dia 23 de dezembro de 2010. Então, até ali, acho que ninguém nunca tinha feito rastreamento, percorrido tantas áreas. A Inteligência foi levantando pouco a pouco quais eram as áreas de maior risco, as mais tranquilas.

Moradores reclamaram da violência. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Nós tivemos um problema no dia 6 de setembro de 2011. Uma jovem morreu com um tiro na nuca. Cadê a tia que foi para frente das câmeras dizer que a sobrinha morreu com um tiro dado pelo Exército? Quem não estava lá dentro acha que o Exército fez uma violência, que houve troca de tiros e matou. É mentira, engodo. A maioria dos problemas que tivemos foi ou proporcionado por pessoas ligadas ao tráfico, incomodadas com a nossa presença, ou por pessoas que têm que ir para lá fazer o protesto, porque o traficante quer. No dia 4, houve um protesto contra a presença do Exército. Na segunda-feira, dia 5, tinha faixas caprichadas, muito bem feitas, arrumadas, com plástico e tudo. Participaram da manifestação menos de 60 pessoas, numa comunidade de 280 mil moradores. Até que ponto esse protesto era de moradores?
Teve um outro problema, mais recente, de um jovem que diz que foi torturado. O inquérito provou que não foi. Nenhum militar colocou a mão nele. Começou pelo reconhecimento, que foi conduzido pela Polícia Civil. Os dois militares que ele reconheceu (como agressores) estavam no Rio Grande do Sul de folga quando aconteceu o episódio.

Mas o jovem tinha marcas pelo corpo...
Sim. Ele estava com algema de metal, mas não tínhamos este tipo lá dentro. Se toda vez que acontecer alguma coisa, uma pessoa qualquer denunciar, sem ter averiguação, e eu publicar (na imprensa), eu estou desprestigiando o outro lado.

Não frustrava saber que o tráfico permanecia lá dentro ?
Mas em que lugar se conseguiu acabar com o tráfico? Nos países que têm as melhores policias existem traficantes. Lá, tinha e com muito consumidor interno. Não tinha mais o tráfico do camarada que vai do asfalto pegar, porque ele tinha receio de ser pego. Mas ali dentro, as boquinhas de fumo funcionavam, vendendo droga...Mostramos um vídeo para a imprensa.

Houve críticas da Cúpula de Segurança Pública por causa da liberação do vídeo?
Pelo contrário, recebi muito incentivo da população de lá, como das pessoas com quais eu me relaciono. Nosso trabalho foi motivo de interesse do Exército dos EUA, da Alemanha e do Chile. Os americanos vieram aqui, porque é uma operação considerada por eles muito difícil. Eu estava fazendo lá o que eles não conseguiam fazer no Iraque, que é você estar no meio de uma população, que você sabe que a maioria quer a paz, mas no meio deles, sem usar farda, tem alguém que quer te pegar.
A Alemanha faz parte da Otan. Então, ela participa de forças de paz, que atuam assim. Num conflito como do Iraque, eles vão ter que empregar a tropa fazendo isso. Era uma coisa nova e chamou atenção por isso. O Exército, nesta atuação, foi alvo de referências elogiosas no mundo inteiro. Porque não foi fácil conviver lá dentro e convencer o soldado jovem que ele está com um fuzil, mas não pode atirar, mesmo se ele receber tiro. Só poderia atirar se tivesse um alvo.

Algum militar que mora em favela pediu para deixar a operação?
No início, ocorreram algumas declarações de pessoas dizendo que as famílias de militares que estavam lá foram ameaçadas. Investigamos e nada foi confirmado. Tanto que não tiramos ninguém por causa disso. Neste problema que houve com a PM (ataque à UPP), saiu na imprensa que dois policiais tinham sido atacados na Pedra do Sapo. Você não via nunca dois soldados nossos andando sozinhos. Era sempre uma sargento, um cabo e quatro soldados.

As mulheres não fizeram patrulhamento...
O Exército ainda não usa o segmento feminino na área de combate. Ainda não chegamos lá. Tem muita gente que quer. Eu acho que não deve.

Por quê?
Vou te dar um exemplo. Aquela policial que morreu deu uma repercussão. Se fosse um policial, daria menos. Na nossa cultura, a mulher ainda não é para isso, não é para ser morta assim. A violência contra a mulher atinge mais a sociedade, fere mais do que contra o homem.

E por falar na policial da PM, o ataque à UPP o surpreendeu?
Não, porque aconteceu este e podem acontecer outros. Como aconteceram conosco. O camarada entra lá, faz um ataque contra a tropa e sai. O que eles querem? Manter a população mandriada. Eu acho que eles querem voltar. Se vão tentar, não sei. Ali é uma área estratégica.
O Dia Online/montedo.com

10 de julho de 2012

UPP: Exército sai e traficantes atacam PM no Alemão

Exército sai e traficantes atacam PM no Alemão

POR GUILHERME SANTOS
MARIA INEZ MAGALHAES
Rio - Ataques de traficantes a policiais militares marcaram o dia da saída do Exército dos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte. Horas depois de festa com a presença do governador Sérgio Cabral na passagem de comando de tropas, moradores reviveram momentos de terror.
De acordo com a assessoria da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), o primeiro ataque aos PMs aconteceu na localidade Central, próximo ao teleférico, quando bandidos passaram atirando. Os policiais não revidaram. Ninguém se feriu.
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Troca de tropas: sai Exército e entra a Polícia Militar no Alemão, que sofreu ataques na noite desta segunda | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
O segundo ataque ocorreu na localidade Pedra do Sapo. PMs faziam patrulhamento de rotina quando bando armado atirou. Desta vez, houve revide. Ninguém ficou ferido e as cápsulas das armas dos criminosos foram recolhidas. Militares das UPPs da Fazendinha e Nova Brasília foram ajudar no policiamento, que continua ostensivo até os bandidos serem encontrados.
Muitos moradores tuitaram sobre o pânico que sentiram.Com seis Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) — até o fim do mês mais duas serão inauguradas — os complexos do Alemão e da Penha vão entrar no currículo dos futuros PMs.
Nessas áreas eles farão estágio antes de saírem do Centro de Formação de Aperfeiçoamento de Praças para patrulharem as UPPs. A ideia é que a próxima turma a entrar no Cfap já vá para o Alemão.
Nesta segunda-feira, as sedes das UPPs Fazendinha e Nova Brasília, no Alemão, foram inauguradas. Elas funcionavam em contêineres. O governador disse que a transição é o início de novo capítulo da pacificação.
Os estagiários serão acompanhados no Alemão por um oficial. “Eles podem ficar por alguns dias. É uma região emblemática onde era impensável a polícia entrar. Faremos estudos de casos da área, que vai funcionar como grande laboratório para futuros policiais”, explicou o coordenador de Ensino e Pesquisa do CPP, major Eliezer de Oliveira.

Governador pede que comandante do CPP fiscalize atividades de perto
O major Eliezer de Oliveira disse que serão colocadas em prática uso de técnicas de menor letalidade, de mediação de conflitos, de Direitos Humanos, e outras. O CPP ficará na antiga base da Força de Pacificação.
“Vou estabelecer aqui treinamento para os policiais e pretendemos com isso ampliar nossa capacidade de diálogo e melhorar o serviço. A nossa vinda é para estarmos mais próximos da comunidade”, contou o comandante do CPP, coronel Rogério Seabra.
Em seu discurso, Cabral deu uma determinação ao comandante do CPP, coronel Rogério Seabra: “Não quero te ver aqui. Vamos colocar mais homens nas ruas. Quero o senhor andando por aí, sabendo da vida de cada soldado”.
A passagem de comando teve direito à desfile dos tanques do Exército. “Ela é singular e vem acompanhada da sensação de dever cumprido, mas é preciso apoio social permanente a moradores”, ressaltou o ministro da Defesa, Celso Amorim.
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, destacou o trabalho do Exército. “Nós não chegaríamos a essa área, que era a agência reguladora do crime, sem o Exército”, frisou.

Há 19 meses à frente da pacificação na área, general Adriano será substituído no CML
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
General Adriano deixará o cargo em setembro e vai para Brasília 
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
































Ao longo de 19 meses, a Força de Pacificação foi comandada por cinco generais. Alguns ocuparam o posto mais de uma vez, mas sempre sob o comando de apenas um oficial, que participou desde o início da implantação do projeto de pacificação dos complexos do Alemão e da Penha: general Adriano Pereira Júnior, comandante do Comando Militar do Leste (CML). Em setembro, o general deixa o CML e vai para Brasília exercer nova função.
Para seu posto foi nomeado o general de Divisão Francisco Carlos Modesto, que serve no Ministério da Defesa, em Brasília. A passagem de cargo deve acontecer em agosto. “Entrego o comando da área à Polícia Militar com a certeza da missão cumprida”, despediu-se o oficial. Mês passado, ele ainda atuou como coordenador de segurança da Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.

UPP Rocinha será instalada em agosto
A próxima UPP a ser inaugurada será na Rocinha em agosto, como O DIA noticiou mês passado. A unidade terá 750 PMs e deve começar a funcionar em meados do mês que vem, mas a área já está pacificada desde novembro, quando Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, chefão do tráfico na área, foi preso.
A Rocinha terá ainda seis bases de apoio na favela. Assim como as outras UPPs, ela também será inaugurada com base provisória e funcionará onde está o comando de policiamento da comunidade, no Parque Ecológico da Rocinha.
O terreno onde será a sede já foi escolhido, e o projeto está na Secretaria de Segurança Pública. Fica na Rua Divinéia. O antigo Posto de Policiamento Comunitário da comunidade também está sendo reformado e será transformado em alojamento para a UPP.
O Dia/montedo.com

21 de junho de 2012

Adeus ao Exército no Alemão

Para consolidar pacificação da área, Bope ocupará Vila Cruzeiro, pondo fim à atuação de militares no complexo

Ana Cláudia Costa
Durante a ocupação da Vila Cruzeiro, em 2010, bandidos fogem de forma desordenada pela Serra da Misericórdia até chegar à Favela da Grota: ocupação foi uma reação a uma série de ataques do tráfico
Durante a ocupação da Vila Cruzeiro, em 2010, bandidos fogem de forma desordenada pela Serra da Misericórdia até chegar à Favela da Grota: ocupação foi uma reação a uma série de ataques do tráfico Foto: Agência O Globo
Nas primeiras horas da manhã da próxima quinta-feira, dia 28, moradores da Vila Cruzeiro e de duas favelas vizinhas, na Penha, vão assistir a mais uma etapa do processo de pacificação do Complexo do Alemão, que já foi uma das regiões mais perigosas do estado, devido ao domínio territorial do tráfico armado. Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) assumirão o controle das comunidades em substituição a militares do Exército. A participação das Forças Armadas na pacificação da região se encerrará justamente onde começou há 19 meses (em novembro de 2010), quando tanques da Marinha, militares e policiais entraram na Vila Cruzeiro para pôr fim a uma onda de ataques incendiários na cidade. A ofensiva de guerra resultou numa imagem que marcou a retomada daquele território: a fuga de cerca de 200 traficantes pela Serra da Misericórdia em direção à Favela da Grota.
A troca de comando será formalmente concluída no dia 30 de junho, de acordo com um convênio firmado entre o Ministério da Defesa e o governo do estado. Após a invasão das favelas do complexo, o Exército ficou responsável pelo início do processo de pacificação. As comunidades ficaram ocupadas por, em média, 1.700 militares nesse período. A cada dois meses, uma unidade do Exército assumia o trabalho. Desde abril, já foram inauguradas quatro Unidade de Polícia Pacificadora (UPPs) no Alemão, todas em comunidades de Ramos e Inhaúma. No último dia 31, o Bope ocupou os morros da Fé, do Sereno, da Caixa D"Água e da Chatuba, que devem ganhar duas UPPs até a próxima quarta-feira. Por último, ficaram as favelas Vila Cruzeiro, Merendiba e Vila Proletária, que também devem receber duas unidades, 20 dias após serem ocupadas pelo Bope.
Serão, assim, oito UPPs no Complexo do Alemão, com dois mil PMs, e 25 em toda a cidade. Depois das comunidades da Penha, a próxima favela a receber uma UPP deve ser a Rocinha, ocupada pela PM desde novembro do ano passado.

Outras favelas também serão alvo de operações
A passagem de comando do Exército para a PM será marcada por uma solenidade a ser realizada, a princípio, em 7 de julho. O evento será na base da Força de Pacificação, na antiga fábrica da Coca-Cola, na Estrada do Itararé, em Ramos. O evento contará com a presença do chefe do Comando Militar do Leste, general Adriano Pereira Júnior, e de autoridades do estado. No local, com a saída do Exército, será instalado provisoriamente o Comando de Polícia Pacificadora (CPP). Lá também ficará o comando único das oito UPPs do Alemão.
Na próxima quinta-feira, o Bope repetirá o procedimento padrão que precede a instalação de qualquer UPP: os policiais vasculharão becos e vielas das favelas. De acordo com fontes da PM, o histórico de violência na Vila Cruzeiro, que por anos foi o quartel-general do tráfico de drogas na região, vai fazer com que o batalhão empregue um efetivo maior desta vez. Há estimativas de que, no mínimo, 300 homens do Bope, do Batalhão de Ações com Cães, do Batalhão de Choque e do Grupamento Aeromarítimo sejam escalados. Helicópteros sobrevoarão as comunidades enquanto blindados levarão os PMs para o interior delas. Como em outras ocupações, um ônibus do Bope, que ficará baseado num acesso às favelas, será usado como posto de comando.
A Serra da Misericórdia também será ocupada. Como já aconteceu em outros processos de pacificação, a PM vai desencadear ações simultâneas em favelas cujos traficantes pertencem à mesma facção criminosa da Vila Cruzeiro. A intenção é prender bandidos que fugirem da Penha em busca de abrigo em comunidades controladas por cúmplices.
Para o comandante da Força de Pacificação, general Carlos Maurício Barroso Sarmento, a experiência do Exército na região foi única. Ele disse que, além da sensação do dever cumprido, é uma satisfação ver os cidadãos livres dos traficantes que, antes, circulavam armados de fuzis pela área.
- É um orgulho ter participado desta etapa de pacificação no Rio de Janeiro. Hoje o morador de bem tem tranquilidade de ir e vir. Estamos orgulhosos de estar neste processo - comentou.
No dia 25 de novembro de 2010, seis blindados da Marinha invadiram a Vila Cruzeiro. Apesar da operação bem-sucedida, traficantes mantiveram os ataques pela cidade e, naquele dia, incendiaram 41 veículos. A ação militar recebeu amplo apoio popular, e a imagem da fuga dos bandidos repercutiu mundo afora. A TV Globo transmitiu a ocupação ao vivo por seis horas. Na ação, houve intenso tiroteio entre policiais e traficantes. Três dias depois, as forças de segurança subiram o outro lado do Complexo do Alemão. A operação foi comunicada com antecedência, e as autoridades deram um ultimato para que os bandidos se entregassem: alguns se renderam, mas muitos escaparam até mesmo pela rede de esgoto. Centenas de armas foram apreendidas. O terror que a quadrilha do Alemão tinha imposto à cidade chegava ao fim.
Extra/montedo.com

17 de junho de 2012

Promotor cobra explicações do General Enzo sobre uso de publicidade governamental em uniformes do Exército nas UPP

O Promotor da Justiça Militar Soel Arpini, de Santa Maria (RS), 'chamou na cincha' o Comandante do Exército, pelo uso indevido de propaganda governamental no gorro azul utilizado pelos militares que participam das UPP no Rio de Janeiro. Em ofício enviado ao General Enzo em 24 de abril, o Promotor salienta que "o gorro com pala azul azul utilizado pela Força de Pacificação não traz as armas da República Federativa do Brasil ou do Estado do Rio de Janeiro, que são símbolos constitucionalmente protegidos, sem vinculação política, mas marcas publicitárias dos governos, que se modificam frequentemente, conforme as democráticas alterações de poder".

Militar do Exército usando o gorro com as propagandas do governo federal e do RJ - Rafael Lemos (Veja)
Cópia do ofício encaminhado ao Comandante do Exército pelo Promotor Soel Arpini
Of 147 12 cmte exercito uniforme (1)
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Propaganda do Governo Dilma

Propaganda do Governo Sérgio Cabral



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