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17 de julho de 2012

- Santa coerência, Batman! Tarso, o "Peremptório" cria Comissão da (in) Verdade Gaudéria

Comissão criada por Tarso vai apurar crimes da ditadura no Rio Grande do Sul
Além de esclarecer casos de tortura e morte, Piratini pretende propor punições a militares

Ao lançar hoje uma versão estadual da Comissão da Verdade, o governo Tarso Genro planeja complementar o trabalho desenvolvido pelo grupo instituído pelo governo federal para esclarecer crimes cometidos pela ditadura militar (1964-1985).
No Piratini, há expectativa de que a divulgação de casos de tortura e morte possa desencadear movimentos capazes de provocar a revogação da Lei da Anistia e a punição dos culpados.
— A comissão estadual não tem o papel de punir, mas o seu trabalho poderá nos levar ao patamar em que estão Uruguai e Argentina. A Suprema Corte argentina declarou a inconstitucionalidade da lei de anistia deles, que é semelhante a nossa. Se a comissão tiver sucesso, poderá ser reforçada a luta pela punição — afirma João Victor Domingues, secretário da Assessoria Superior do Governador.
O Piratini acredita que o trunfo será o relatório final da comissão. Com os relatos de atrocidades em território gaúcho, reforçados por provas documentais e depoimentos de vítimas, João Victor crê que poderá ser feita a sugestão de revisão da Lei da Anistia e de punição aos militares acusados de violação dos direitos humanos.
— Nada impede que, dependendo dos fatos revelados, se iniciem procedimentos de penalização. Isso não seria no âmbito da comissão, mas em outros organismos como o Ministério Público e o Judiciário — explica o secretário.

Governador ainda não definiu integrantes do colegiado
Apesar de a instalação da comissão ocorrer hoje, durante a Conferência Direitos Humanos, Desenvolvimento e Criminalidade Global, os seus cinco membros serão escolhidos por Tarso somente nos próximos dias. Eles não terão remuneração pela atividade.
Serão observados os critérios da reputação ilibada e histórico de defesa dos direitos humanos e da democracia. O grupo, concebido para dar suporte à Comissão da Verdade do governo federal, terá autonomia para definir o ritmo de trabalho. Outra consequência das investigações poderá ser a criação de um museu destinado a manter viva a memória dos tempos de ditadura, com a exposição de documentos, fotos, vídeos e outros itens da época.
Embora nasça como estrutura de suporte à comissão nacional, o grupo que investigará os crimes no Rio Grande do Sul se diferencia por haver a expectativa de punição aos militares, enquanto a presidente Dilma Rousseff descarta essa possibilidade na esfera federal.
Torturada pela ditadura, Dilma não demonstra empenho pela revogação da Lei da Anistia, legislação já referendada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O que deverá ser investigado:
Sequestro dos uruguaios
– Vítimas da Operação Condor, Lilian Celiberti e Universindo Diaz foram sequestrados em Porto Alegre em novembro de 1978. Os dois, uruguaios, acabaram condenados pela ditadura do seu país a cinco anos de prisão. O chefe brasileiro da Operação Condor, o delegado do Dops Pedro Seelig, 81 anos, vive em Porto Alegre.

Mãos amarradas
– Contestador do golpe militar, o sargento Manoel Raymundo Soares, então com 30 anos, foi morto pelo regime em 1966. Seu corpo foi encontrado boiando no Rio Jacuí com as mãos atadas. Como não havia censura à época — ela só veio com o AI-5, em 1968 —, os jornais deram destaque ao célebre caso.

Operação Condor
– Investigação e esclarecimento de outros crimes que ocorreram no Estado. A Operação Condor foi uma aliança entre regimes militares que atuavam na América do Sul para orquestrar a repressão aos opositores das ditaduras. Envolveu países como Brasil, Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Identificação de locais
– Busca por provas e indícios que apontem os locais onde ocorreu tortura no Estado durante a ditadura. Até então, sabe-se que violações aos direitos humanos ocorreram em um casarão da Rua Santo Antônio, onde funcionou o Dopinha, e no atual Palácio da Polícia, na Avenida Ipiranga, à época sede do Dops.
Zero Hora/montedo.com

Comento:
- O 'peremptório' governador Tarso Genro, travestido de intrépido defensor da verdade, é o mesmo que permitiu o asilo do notório assassino italiano Cesare Battisti e despachou rapidinho de volta pra Cuba os dois pugilistas que pediram asilo ao Brasil durante o Pan de 2007.
- Santa coerência, Batman!

Nota do editor:
No Rio Grande, Tarso recebeu a alcunha de '`peremptório' depois que desmentiu, peremptoriamente, a intenção de abandonar o cargo de prefeito de Porto Alegre para concorrer a governador do Estado. Dois anos depois, renunciou ao mandato para concorrer - e perder para Germano Rigotto - a eleição para o governo gaúcho.

7 de julho de 2012

A história do Brasil escrita pelos perdedores transfere para a turma da bolsa-ditadura a vitória da resistência democrática

Augusto Nunes
O presidente da República que não sabe escrever ─ e rabiscou em mais de 60 anos menos de cinco bilhetes de aluno de jardim da infância ─ assinou o tratado da reforma ortográfica. O ex-presidente que nunca leu um livro ─ e compara uma virada de páginas a exercício em esteira ─ virou colecionador de títulos de doutor honoris causa.
A presidente que não conseguiu administrar a lojinha em Porto Alegre foi promovida pelo padrinho a supergerente de país. A chefe de governo que nomeou um ministério infestado de corruptos é aplaudida por demissões feitas a contragosto pela única faxineira do mundo que gosta de lixo por perto. E as vítimas dos pitos da mulher rabugenta fazem de conta que estão ouvindo a voz que identifica a estadista enérgica.
O ex-ministro da Educação continua convencido de que está certo falar errado ─ “Nós pega os peixe”, por exemplo. O ministro da Fazenda acha que o Brasil fica melhor depois de cada crise econômica. O ministro da Pesca não sabe colocar minhoca em anzol. O ministro da Indústria apressou a falência de uma fábrica de tubaína com meia dúzia de conselhos. O ex-ministro da Justiça apadrinha terroristas italianos e, como atesta a portaria publicada na seção O País quer Saber, promove a anistiado político o assassino confesso de um companheiro.
No país anestesiado pela rotina do absurdo, é natural que uma Comissão da Verdade subscreva a História escrita pelos perdedores, confunda fato com fantasia e eternize mentiras. Entre tantas, uma das mais obscenas é a que atribui aos grupos que naufragaram na luta armada contra o regime dos generais uma relevância que jamais tiveram.
Essa visão deliberadamente distorcida permite enxergar mártires da liberdade onde só houve gente disposta a tudo para substituir a ditadura militar pela ditadura do proletariado. Quem não sofre de miopia malandra sabe que os marighelas, lamarcas, clementes e demais liberticidas só contribuíram para prolongar o período autoritário. A liberdade foi resgatada não pela turma da bolsa-ditadura, mas por milhões de brasileiros engajados na resistência democrática.
Como resume o título do post republicado na seção Vale Reprise, os democratas vitoriosos ao fim de 20 anos de luta garantiram a sobrevivência de centenas de devotos do partido único que erram a escolha na encruzilhada. Nós não lhes devemos nada. Eles nos devem tudo, a começar pela vida. E ainda assim afrontam seus salvadores com a tentativa de expropriação do triunfo do que foi, é e será para sempre dos democratas que resistiram.
Resistiram sem bravatas, sem rompantes juvenis. Resistiram com a tenacidade, a paciência e a bravura de quem aprendeu que duelos desse porte não são para moleques que mal aprenderam a manusear metralhadoras. É coisa a ser resolvida por combatentes adultos.
Veja.com/montedo.com

1 de julho de 2012

Reajuste salarial é tema secundário para os generais de pijama

Repasse para militares não resolve 'mal-estar' com governo
Além da renovação do equipamento, militares da ativa e da reserva querem também um reajuste salarial.

A liberação de R$ 1,5 bilhão para a compra de armas para as Forças Armadas ajudará a economia  país em meio à crise mundial, mas não deve acabar com o mal-estar causado no meio militar pelas indicações dos membros da Comissão da Verdade.
O repasse da verba, anunciado na última quarta-feira, será feito ao Ministério da Defesa por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Equipamentos. Apenas produtos fabricados pela indústria brasileira serão adquiridos.
O efeito principal da medida deve ser o anunciado pelo governo: o estímulo da economia nacional em meio à crise econômica mundial, segundo Hector Saint-Pierre, professor do pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (das universidades Unesp, Unicamp e PUC). Contudo, segundo ele, também é possível analisar o repasse como uma tentativa do governo de melhorar sua relação com os militares.
Em maio, a indicação pelo governo Dilma Rousseff de membros da Comissão da Verdade - criada para investigar abusos de direitos humanos durante o regime militar - criou um mal-estar com os militares, que interpretaram a ação como revanchismo, apesar de a comissão não ter poder punitivo.
"(A compra de equipamentos) pode melhorar o relacionamento até certo ponto. Mas isso (a sensação de revanchismo) acho difícil de reverter", afirmou Saint-Pierre.

Reajuste salarial
"Discutimos o assunto entre os clubes militares e chegamos ao consenso de que aparentemente não há relação direta (do repasse de verbas) com a Comissão da Verdade", disse o o vice-almirante Ricardo Antônio da Veiga Cabral, presidente do Clube Naval do Rio de Janeiro.
Segundo ele, a aquisição de armamentos em um contexto de defasagem de equipamentos nas três forças é um "reflexo positivo". Mas, afirmou, além da renovação do equipamento, militares da ativa e da reserva querem também um reajuste salarial.
O Ministério da Defesa afirmou que estuda conceder um reajuste e que está em negociação com o Ministério do Planejamento. Cabral afirmou ainda que, mesmo assim, o "mal-estar" só deve ser resolvido quando o governo começar a "ouvir os dois lados", em referência a investigar também as ações praticadas por guerrilheiros de esquerda.
Descontentes com a composição da Comissão da Verdade, oficiais reformados do Clube Naval formaram uma "comissão paralela" para rebater eventuais acusações do grupo oficial.

Veículos e artilharia
O valor de R$ 1,5 bilhão destinado à compra de armas para os militares é parte de um montante de R$ 6,6 bilhões do orçamento que estavam contingenciados. Eles devem agora ser liberados por medida provisória. Na lista de compras adicionais entraram 19 blindados Guarani (que se somarão aos 21 que já haviam sido encomendados pelo Exército para 2012).
Fabricados pela Iveco, eles devem custar R$ 342 milhões e substituir os blindados de transporte de tropas Urutu, em serviço há mais de 30 anos. Tabém serão compradas 30 unidades do Astros, um veículo lançador de mísseis de saturação fabricado pela Avibrás que integrará a artilharia do Exército a um custo de R$ 246 milhões. Os outros R$ 939 milhões serão destinados à compra de 4.170 caminhões de diversos tipos.
De acordo com Cabral, o investimento em blindados Guarani para o Exército é tão importante quanto a compra de caças (ainda em negociação) para a Força Aérea e de submarinos para a Marinha. De acordo com dados do instituto Sipri, em 2011 o Brasil ficou em 10º no ranking de países que mais fizeram gastos militares. Segundo a entidade, o país empregou US$ 35 bilhões (R$ 70 bilhões) no setor.

Estratégia
O professor Saint-Pierre afirmou equipamentos como blindados e lançadores de foguetes são armas poderiam ser usadas em um cenário (hipotético) de guerra contra um país ou uma coalisão de nações da América Latina.
Contudo, considerando que a relação entre os países da região é de cooperação, não haveria sentido em comprar armas desse tipo para dissuadir agressões regionais. Segundo ele, o ideal é que as nações sul-americanas trabalhem em uma estratégia conjunta de defesa que cumpra o papel de dissuadir agressões de potências mundiais.
Atualmente, a estratégia de defesa brasileira contra agressões externas contempla dois cenários principais: o primeiro prevê uma luta de exércitos regulares contra uma potência regional. O segundo é a adoção da estratégia de guerra irregular (guerrilha) em caso de invasão de uma superpotência.
Terra/montedo.com

Comento:
Perceberam que, na fala do almirante, o reajuste salarial aparece como um tema secundário?
Os objetos de preocupação - relevantes, é bom que se diga - dos altos coturnos de pijama são a Comissão da (in)Verdade e o reaparelhamento das Forças Armadas. O salário da tropa? Bom, esse não parece ser um tema que lhes tire o sono. 
Leia também:
Manifesto à Nação: coordenação retira nome de praças da relação. Ou: os profissionais de segunda classe.
Relembrando, estes são os mesmos senhores que retiraram o nome das praças do Manifesto à Nação. Com tanto descaso implícito - ou nem tanto - aos militares do andar debaixo, fica difícil falar em revanchismo, não é mesmo, Excelências?

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