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23 de agosto de 2012

Pode isso, Arnaldo? Exército resgata índios perdidos na Amazônia

Comando de Fronteira Amapá e 34º Batalhão de Infantaria de Selva procuram por indígenas perdidos
Foto: Acervo CFAP-34ºBIS
No período de 6 a 12 de agosto de 2012, a Companhia Especial de Fronteira de Clevelândia do Norte integrou os esforços de busca, juntamente com membros da FUNAI, a fim de localizar 3 indigenas que estavam perdidos na selva, na ragião do Cabo Orange. Duas equipes compostas de um tenente, um sargento e sete soldados indígenas realizaram ações de vasculhamento e rastreamento, percorrendo dezenas de quilômetros através de igarapés e de trilhas no rastro dos índios perdidos. Indígenas da região também colaboraram nas buscas. Na manhã do dia 12 de agosto de 2012, os três índios, desidratados e fracos, foram encontrados com a ajuda do Exército Brasileiro, medicados por uma equipe de militares e foram conduzidos até a Aldeia do Kumenê, onde foram recebidos com grande festa.
Amapá Digital/montedo.com

18 de agosto de 2012

Rica, extensa e vulnerável, Amazônia é preocupação número 1 do Exército

Para generais, ONGs sem controle do Estado representam risco à região.
Acesso difícil deixa militares isolados e sem recurso em bases na fronteira.

Tahiane Stochero
exercito_infografico_versao13agosto_300 (Foto: Editoria de Arte/G1)
Com 11,2 mil quilômetros de fronteiras com sete países e área equivalente a 42% do território nacional, a Amazônia é a maior preocupação do Exército brasileiro. O medo, no entanto, não é de invasão estrangeira ou de guerra na área.

Para a alta cúpula militar, a maior ameaça está em organizações não governamentais (ONGs), que podem fomentar o separatismo, a venda ilegal de terras indígenas, a apropriação indevida de recursos da floresta por estrangeiros, além de impedir o desenvolvimento da região.
O G1 publica, ao longo da semana, uma série de reportagens sobre a situação do Exército brasileiro quatro anos após o lançamento da Estratégia Nacional de Defesa (END), decreto assinado pelo ex-presidente Lula que prevê o reequipamento das Forças Armadas. Foram ouvidos oficiais e praças das mais diversas patentes - da ativa e da reserva -, além de historiadores, professores e especialistas em segurança e defesa. O balanço mostra o que está previsto e o que já foi feito em relação a fronteiras, defesa cibernética, artilharia antiaérea, proteção da Amazônia, defesa de estruturas estratégicas, ações de segurança pública, desenvolvimento de mísseis, atuação em missões de paz, ações antiterrorismo, entre outros pontos considerados fundamentais pelos militares.
“Trabalhamos com riscos. Não necessariamente você precisa invadir a Amazônia para dominá-la. Há outras formas do Estado perder o controle. Consideramos que existem algumas ONGs dentro da Amazônia que são problemáticas; não temos o controle delas”, diz o general Walmir Almada Schneider Filho, do Estado-Maior do Exército.
“Se você precisa desenvolver a região e, de certa forma, alguém impede o seu acesso e a atuação de órgãos públicos nela, você está perdendo o controle. E há ainda a venda de grandes lotes de terras públicas a empresários de outros países. Já enfrentamos essas dificuldades”, exemplifica o general, que é responsável por monitorar situações que possam resultar em crises ou conflitos que atinjam o interesse nacional. Em 2008, cálculos da CPI das ONGs apontaram que mais de 350 grupos atuavam na região.
"Consideramos que existem algumas ONGs dentro da Amazônia que são problemáticas; não temos o controle delas"
General Walmir Almada Schneider Filho
Para o comandante das tropas na Amazônia, general Eduardo Villas-Boas, a ausência do Estado é a principal causa da região representar hoje a preocupação número 1 dos militares.
“Em pleno século 21, o país ainda tem quase metade do seu território não ocupado e não integrado à dinâmica nacional. Essa é uma tarefa histórica que temos ainda por terminar. A Amazônia abriga as respostas e soluções para os grandes problemas da humanidade: água potável, biodiversidade, recursos minerais. Ela não pode ser um grande vazio e nisso está a grande preocupação que temos em relação a ela”, afirma.
A Estratégia Nacional de Defesa (END), promulgada em 2008, colocou como ponto-chave para o país manter a soberania da floresta, relacionando o progresso com a manutenção do controle da Amazônia.
“O Brasil repudiará, pela prática de atos de desenvolvimento e de defesa, qualquer tentativa de tutela sobre as suas decisões a respeito de preservação, de desenvolvimento e de defesa da Amazônia. Não permitirá que organizações ou indivíduos sirvam de instrumentos para interesses estrangeiros - políticos ou econômicos - que queiram enfraquecer a soberania brasileira. Quem cuida da Amazônia brasileira, a serviço da humanidade e de si mesmo, é o Brasil”, diz o texto.
Nos anos 90, vários políticos estrangeiros defenderam que a mata deveria ser “internacionalizada". Em 1989, o então vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, afirmou que, “ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos nós”.
A mesma linha foi adotada pelos ex-líderes François Mitterrand, da França, e Mikail Gorbachev, da União Soviética, que afirmaram que o Brasil deveria aceitar uma “soberania relativa”.

Efetivo para defesa
O Exército divide o Brasil em sete grandes áreas. Apesar da Amazônia ser a maior em território (7 milhões de quilômetros quadrados), possui, proporcionalmente, o menor efetivo. Em 1950, eram apenas mil soldados. Hoje, são 27 mil homens responsáveis pela vigilância de um quinto das reservas de água doce e um terço das florestas do planeta. A biodiversidade da área vale mais de US$ 34 trilhões (R$ 70 trilhões) e compõe o maior banco genético da Terra, segundo documentos do Exército.
A divisa amazônica ainda é bastante permeável: são 21 pelotões especiais de fronteira (PEF) para defender 11,2 mil quilômetros ao longo de sete países vizinhos. Um grupo, com apenas 35 homens, é responsável por 1.385 quilômetros de divisa seca na tríplice fronteira com o Suriname e a Guiana Francesa. Um projeto pretende elevar o efetivo na região para 48 mil soldados e construir mais 28 bases até 2030.
Os gastos para a ampliação são altos. A construção de cada PEF custa entre R$ 20 milhões e R$ 34 milhões para garantir o principal – uma pista de pouso e algumas habitações para os militares.
Segundo o general Villas-Boas, a construção de novas bases está prevista no Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), um projeto revolucionário que pretende transmitir, em tempo real, tudo o que ocorre nas fronteiras. Para isso, serão usados radares, sensores infravermelhos, raio-x, som e luz, além de câmeras em aviões não tripulados,
O Sisfron ainda está em fase inicial. Em 2012, foi aberto processo licitatório. Os primeiros testes devem começar até o final do ano em Mato Grosso do Sul.
“Nós estamos onde o Estado não está. Onde erguemos um PEF, a população se aproxima, buscando energia, saúde, necessidades básicas”, diz o general Villas-Boas. “E essa capilaridade nos impõe responsabilidades”.
Nas bases afastadas, o Exército constrói um pavilhão que pode ser usado por outras organizações federais e estaduais que atuam com meio-ambiente, indígenas, saúde, policiamento. As construções, no entanto, ficam sempre abandonadas.
A falta de infraestrutura básica para a população faz os militares serem procurados pela população para solucionar quase todos os problemas.

“Eu vim falar com uma ginecologista. Não tem médico que cuida disso na cidade e nunca tive essa oportunidade antes”, diz a aposentada Raimunda Nonato, de 52 anos, enquanto pegava uma senha, em maio, durante uma ação social realizada por médicos do Exército em uma escola de Cleverlândia do Norte, no Oiapoque, fronteira do Amapá com a Guiana Francesa.

"Não permitirá que organizações ou indivíduos sirvam de instrumentos para interesses estrangeiros - políticos ou econômicos - que queiram enfraquecer a soberania brasileira.”
Trecho da Estratégia Nacional de Defesa
“Meu filho está doente, vomita há dias, não consegue comer. Trouxe para darem uma olhada. Se eu fosse para o SUS, teria que esperar dias para a consulta”, afirma a doméstica Ocileni Santos da Silva, de 20 anos, que carregava no colo o filho Ruani, que não parava de chorar.
Ao visitar um Pelotão Especial de Fronteira, em maio, o vice-presidente, Michel Temer, admitiu que a Amazônia é uma “casa abandonada”. “As fronteiras ficaram sem a presença do Estado ao longo do tempo. Vamos fazer reuniões para ocupá-las não só com militares, mas por meio das pessoas que já estão vivendo aqui e trazendo o Estado, com sua infraestrutura. Temos que estar presentes”, afirmou.

Perigos nas fronteiras
Além do vazio de poder e da instabilidade em países vizinhos, questões indígenas, ambientais e tráfico de drogas e armas estão entre as maiores preocupações do Exército. Na fronteira do Amazonas com Colômbia e Venezuela, por exemplo, a atuação de pelo menos três células das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) é monitorada, em uma região conhecida como Cabeça do Cachorro. Militares ouvidos pelo G1 apontam que esses grupos apresentam entre 13 e 22 combatentes, mas que não representam risco.
O último grande ataque das Farc ao Brasil ocorreu em fevereiro de 1991, quando 40 guerrilheiros invadiram um pelotão baseado às margens do Rio Traíra, no Amazonas, matando três brasileiros, deixando outros 29 feridos e roubando uma grande quantidade de fuzis, metralhadoras e munições. O então presidente Fernando Collor autorizou uma retaliação: na Operação Traíra, militares mataram 21 integrantes das Farc, capturaram outros e recuperam parte das armas. A ação virou lenda entre os soldados que atuam na Amazônia e, desde então, dizem eles, as Farc “não se aventuram mais por aqui”.
Não tem como impedir que guerrilheiros das Farc entrem no Brasil vestidos de civis. [...] Mas ataques nunca mais fizeram. Não querem briga conosco”

Oficial de alta patente
“Não tem como impedir que guerrilheiros das Farc entrem no Brasil vestidos de civis. Eles passam desapercebidos pela fronteira, como pessoas normais, e chegam nas comunidades para comprar alimentos, coisas que precisam. Mas ataques nunca mais fizeram. Não querem briga conosco”, diz um oficial de alta patente, na condição de anonimato.

Garimpos ilegais
Ao norte da região, os garimpos ilegais são motivo de preocupação. “Mais de 30 mil garimpeiros estão do lado de lá da divisa com Suriname e Guiana. Do lado de cá, o número é menor. Estamos sempre monitorando e reprimindo”, explica o general Franklinberg Freitas, chefe de operações do Comando Militar da Amazônia. O Suriname é apontado como porta de saída da droga produzida na Colômbia para a Europa.
A região de Tiriós, na tríplice fronteira com Guiana e Suriname, começou a ser ocupada em 1985, após o início de um movimento de guerrilheiros. Em 2003, foi instalado na área um PEF.
A Força 3, tropa especializada do Exército na Amazônia, descobriu em junho pistas de pouso clandestinas usadas por garimpeiros em terras indígenas no Pará e no Amapá. Os índios relatam que foram amaçados e obrigados a cavar. A Força Aérea bombardeou algumas bases ilegais, mas nem todas puderam ser destruídas.

“Temos feito grandes operações conjuntas para reprimir esses crimes. O Exército dá apoio a agências e todos os órgãos com logística, comunicações, inteligência. Estamos trabalhando em conjunto com o Ibama na fiscalização e apreensão de madeiras. Em áreas violentas, eles precisam de segurança para chegar lá”, afirma o general Villas-Boas.

Outro foco de atenção é o Parque Nacional de Tucumaque, uma unidade de conservação em área montanhosa e de difícil acesso, entre o Amapá e a Guiana Francesa, onde indígenas denunciaram a atuação de ONGs europeias, garimpos clandestinos e tráfico de animais em extinção.

Faltam aeronaves e barcos
amazonia_oracao_placa_300 (Foto: Tahiane Stochero/G1)
O comando militar da Amazônia foi criado em 1948, mas a busca por maior permeabilidade só começou a partir da década de 2000, quando duas brigadas – uma do Rio Grande do Sul e outra do Rio de Janeiro – foram transferidas, inteiras, para a selva.

Entre os novos pelotões especiais de fronteira que serão erguidos, três serão em Rondônia, cinco em Roraima (um deles na reserva Raposa Serra do Sol), quatro no Amapá, três no Acre, seis no Amazonas, dois no Amapá e três no Pará.
O objetivo é usar, na maioria deles, soldados indígenas que conheçam a região e saibam a língua e os costumes da população local.
As guerrilhas utilizam muito os rios da floresta para seus deslocamentos. Uma das tarefas dos novos pelotões, instalados próximos aos cursos, será o monitoramento de embarcações que podem ser utilizadas para o tráfico. Em 2006, a Polícia Federal apreendeu no Rio Negro um barco carregado de remédios e munições, que haviam sido desviados do Brasil e que tinham como destino as Farc. Em 2010, dois investigadores da PF morreram em um tiroteio com homens armados em barcos no Rio Solimões, quando investigavam o tráfico de drogas.
O G1 visitou quatro pelotões de fronteira em Roraima, Pará e Amapá e conversou com os militares sobre as dificuldades enfrentadas, como energia por apenas 9 horas diárias, embarcações antigas e desagastadas, racionamento de alimentos e doenças (veja reportagem sobre fronteiras).
Cada pelotão de fronteira tem entre 40 e 60 homens, comandados por um tenente. A ideia inicial é que, antes de criar novas bases, dois destacamentos isolados no Acre e outro na divisa do estado com o Amazonas, cada um deles com menos de 20 homens, sejam transformados em PEF.
A principal dificuldade é a falta de recursos para levar e manter tropas e equipamentos em regiões distantes. Todos os generais ouvidos pelo G1 afirmam que o problema da Amazônia não é a falta de pessoas, mas de meios. Nas bases não há aeronaves. Os equipamentos de comunicação apresentam falhas. As embarcações e as armas possuem mais de 40 anos.
"Falta tudo para a população: educação, saneamento, saúde. Se não houver um esforço da sociedade para isso, nosso projeto não vai conseguir"
General Walmir Almada Schneider Filho
Os novos PEF que o Exército pretende construir servirão como pequenas “células de vigilância”, com a missão de monitorar e reagir imediatamente a qualquer ameaça. A intenção é que a distância entre cada base seja de, no máximo, 250 quilômetros.
“Não adianta ter só o soldado no PEF. Ele, sozinho, pode fazer sua parte, mas, sem a presença do Estado inteiro lá, não vai resolver o problema. Falta tudo para a população: educação, saneamento, saúde. Se não houver um esforço da sociedade para isso, nosso projeto não vai conseguir", diz o general Schneider.
"Os primeiros homens que desbravaram a Amazônia, como o militar português Pedro Teixeira, em 1600, tiveram uma dificuldade enorme para colonizá-la. Desde então as Forças Armadas se preocuparam com a defesa desse território e, até hoje, a quantidade de soldados é insignificante para cobrir a região. É necessário estarmos atentos em tempos de paz para termos condições efetivas de enfrentar qualquer perigo", defende o historiador militar e professor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, Roberto Cavanhari.
exercito_amazonia_base_620 (Foto: Tahiane Stochero/G1)
G1/montedo.com

17 de agosto de 2012

Indígenas ajudam Exército a defender fronteira do Brasil

Pelotão Especial de Fronteira de São Joaquim é a base militar mais remota da Amazônia brasileira. Foto: Exército Brasileiro/BBC Brasil
Pelotão Especial de Fronteira de São Joaquim é a base militar mais remota da Amazônia brasileira
Foto: Exército Brasileiro/BBC Brasil
LUIS KAWAGUTI (BBC Brasil)

Situado na fronteira do Brasil com a Colômbia, o Pelotão Especial de Fronteira de São Joaquim é a base militar mais remota da Amazônia brasileira. Suas trincheiras e casas vermelhas de madeira ficam separadas de uma aldeia de índios Kuripaco por uma cerca e uma pista de pouso de 1.200 m, raramente usada pela Força Aérea.
Grande parte dos 100 militares que trabalham no pelotão é de origem indígena. Eles são o exemplo de uma tendência adotada pelo Exército brasileiro: contratar índios para defender e patrulhar a floresta amazônica.
Os indígenas atualmente representam cerca de 70% dos 1.400 militares da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, que agrupa sete bases avançadas nas fronteiras com a Colômbia e a Venezuela, além de um complexo militar na maior cidade do extremo norte do Amazonas: São Gabriel da Cachoeira, de 38 mil habitantes.
Eles são recrutados entre os cerca de 30 mil índios de 14 etnias que habitam a região do alto rio Negro. São Joaquim, uma dessas sete bases avançadas, está situada a 326 quilômetros de São Gabriel da Cachoeira e a 90 quilômetros do vilarejo colombiano de Mitú, ambos embrenhados na floresta equatorial.
Essas distâncias ficam ainda maiores quando se leva em conta que o deslocamento na região é feito majoritariamente pelos rios, pois não há estradas e não é possível andar longas distâncias pela selva fechada.
A viagem de barco dura em média quatro dias. Ela é realizada em pequenas embarcações equipadas com motores de 40hp conhecidas como "voadeiras" - que precisam ser carregadas nas costas nos sete trechos em que o rio forma cachoeiras maiores.
O pelotão foi instalado em 1988 para defender o rio Içana, que nasce na Colômbia e deságua no rio Negro, no Brasil, funcionando como uma via de ligação fluvial - não muito utilizada - entre os dois países.
Ele não passa de uma pequena vila militar com algumas fortificações e um posto de saúde atendido por um médico, um farmacêutico e um dentista. Não há telefone, apenas estações de rádio.

Dialetos
Apesar da existência de uma pista de pouso na localidade, os voos da Força Aérea que abastecem o pelotão com equipamentos e comida não são frequentes. Por vezes, o aeródromo fica mais de um mês sem receber voos.
Isso significa que quando o clima instável da região não permite o pouso do avião, os militares que moram na base ficam sem comida. Uma solução é fazer o trajeto de barco de quatro dias.
Mas, o mais comum é o recurso a um sistema de trocas de combustível por alimentos com os cerca de 8.000 índios das 46 aldeias Kuripaco e Baniwa situadas ao longo do rio Içana. Na hora de negociações como essa, a presença do militar indígena é fundamental, segundo o Exército.
"Às vezes a comunidade ajuda com o transporte dos materiais. Às vezes trocam coisas com o pelotão, como peixe e farinha (de mandioca) por gasolina para gerador e para as rabetas (motores de popa)", disse o soldado Edgar Alves Cardoso, de 24 anos, militar da etnia Pira-tapuya, que trabalha no pelotão e vive com a mulher, uma índia Kuripaco, na aldeia ao lado da base.
Segundo ele, em toda a região do alto rio Negro, cada aldeia fala um dialeto diferente, de acordo com a etnia de seus habitantes. Contudo, a maioria das populações ribeirinhas fala o "tukano", que funciona como uma espécie de língua comum. Os militares índios atuam então como tradutores e negociadores para seus oficiais.

Habilidades
Mas não é apenas a facilidade com os dialetos que torna os indígenas militares de alto valor para o Exército. "O militar de origem indígena tem muita facilidade para realizar as tarefas relacionadas à vida e ao combate no interior da selva, por estar completamente integrado nesse ambiente", afirmou o general Luiz Sérgio Goulart Duarte, comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva.
"São excelentes exploradores e guias; têm bastante experiência em pilotar embarcações, o que é uma característica essencial para quem navega no alto rio Negro, onde existem muitas corredeiras e bancos de areia", disse o general.
"Os indígenas conhecem os lugares por onde passar a voadeira nas cachoeiras. Sabem onde são as comunidades (indígenas), quantas pessoas moram lá, suas crenças. Têm conhecimento de plantas medicinais e podem dar amparo a qualquer ferimento que aconteça nas missões", disse o soldado Cardoso.
As técnicas indígenas de sobrevivência e combate na selva - herdadas de comunidades nativas da Amazônia e que incluem desde a obtenção de alimento a técnicas de acampamento, natação e localização- não são usadas apenas no dia-a-dia das bases militares de fronteira. Foram incorporadas pelo Exército e hoje são ensinadas nos cursos do CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva).
A unidade, sediada em Manaus, forma militares de elite do Exército e se tornou referência internacional em técnicas de combate em ambiente de floresta.
Terra/montedo.com

Prestígio e dinheiro atraem índios para a carreira militar

LUIS KAWAGUTI (BBC Brasil)
Foto: Ricardo Stuckert
O emprego do índio Edgar Alves Cardoso, de 24 anos, membro da etnia Pira-tapuya, é defender o rio Içana, um afluente do alto rio Negro, no extremo da fronteira de selva do Brasil com a Colômbia.
Ele nasceu em Yauaretê, vila próxima a São Gabriel da Cachoeira, a principal cidade do extremo norte do Estado do Amazonas, com 38 mil habitantes, e se alistou no Exército como soldado em 1º de março de 2008.
Hoje ele vive com a mulher, também indígena, da etnia Kuripaco, na aldeia da família dela em São Joaquim, a 326 quilômetros ao norte de sua terra natal.
Cardoso trabalha em uma base vizinha à aldeia, o Pelotão Especial de Fronteira de São Joaquim - a unidade militar brasileira mais isolada da selva amazônica. A pequena vila militar não tem telefone e fica a quatro dias de barco de São Gabriel da Cachoeira.
Sua história representa uma opção social bastante cobiçada por indígenas das 14 etnias que habitam a região do alto rio Negro, no Amazonas: entrar para o Exército.
O emprego militar não só é uma boa fonte de renda como dá um certo prestígio social ao indígena em sua comunidade. "É muito comum ao indígena, ao final do tempo de serviço militar, retornar como uma liderança natural em sua comunidade", disse o general Luiz Sérgio Goulart Duarte, comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva.
Hoje, dos cerca de 1.400 militares que defendem a fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela, 70% são indígenas, segundo Duarte. Os maiores centros de recrutamento são as cidades de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro.

Técnicas indígenas
No Pelotão Especial de Fronteira, a cultura e as habilidades de sobrevivência dos povos nativos do alto Rio Negro são um diferencial entre os "militares índios" e oficiais e praças nascidos em outras regiões do país.
Cardoso costuma até dar "aulas particulares" para oficiais recém chegados à região. O aluno mais recente foi um tenente interessado em aprender a nadar em rios da Amazônia.
"Nadar no rio é muito diferente de nadar em piscina. Ele nem sabia nadar, era igual a uma pedra. Ele combinava uns horários comigo e a gente treinava as técnicas. Natação, flutuação e nado submerso".
O nado dos indígenas - parecido com o nado de peito, mas sem afundar a cabeça na água - foi uma das técnicas incorporadas pelo Exército para operações de combate na selva.
"O tenente perguntou se podíamos treinar na chuva e a gente treinava na chuva. Ensinei a ele que, quando o rio estava cheio, ele podia se segurar nos galhos das árvores que estavam encostando na água", disse.
Cardoso se diz orgulhoso do "aluno". Após uma temporada em São Joaquim, ele conseguiu passar e se formar no curso do Centro de Instrução de Guerra na Selva - um dos mais duros treinamentos para formar militares de elite no país e também reconhecido internacionalmente.
Contudo, segundo Cardoso, o conhecimento indígena não fica apenas na teoria. Em um episódio recente, ele participava como operador de rádio em uma patrulha de reconhecimento de fronteira no rio Aiari. Seu grupo de militares não conseguiu retornar no prazo de oito dias à base e ficou sem comida.
"O suprimento (de alimentos) acabou e a gente teve que se virar. Veio à minha mente que tinha frutas na mata. Eu e um sargento fomos procurar. Algumas frutas não são comestíveis e eu ajudei o sargento a pegar as comestíveis", afirmou.

Carreira
Contudo, apesar da grande contribuição dos índios ao Exército, a maioria não consegue chegar ao oficialato e permanece em patentes mais baixas. Não há, por exemplo, oficiais generais puramente indígenas - embora alguns descendentes de índios tenham conseguido chegar a essa patente.
Segundo Duarte, a dificuldade de ascensão do índio na hierarquia do Exército está relacionada ao fato dos concursos públicos para oficiais e sargentos não fazerem distinção entre índios e não índios. Como grande parte dos indígenas ainda enfrenta deficiências na formação educacional tradicional, poucos têm acesso às escolas de formação militar.
Terra/montedo.com

4 de agosto de 2012

A geopolítica do "Grande Caribe": ameaça à Amazônia e à integração da América do Sul

Lorenzo Carrasco
O Brasil terá que mudar, com urgência, a sua política para a Amazônia, se quiser manter a sua soberanía sobre a região, a médio prazo. A silenciosa ocupação internacional da região, por intermédio da imposição de imensas reservas indígenas e florestais, como parte de uma política essencialmente controlada pelo aparato ambientalista-indigenista internacional, especialmente, nas áreas de frontera com a Colômbia, Venezuela e Guianas, pode passar rápidamente a ações de ocupação efetiva, com o propósito de controlar os recursos naturais da região - diretamente ou impedindo a sua exploração soberana pelos brasileiros.
Um motivo de preocupação deve ser o declínio estratégico anglo-americano, na Ásia e no Oriente Médio. Independentemente do desfecho da investida contra o regime de Bashar al-Assad na Síria, as virulentas pressões diplomáticas e a maldisfarçada participação de forças especiais e recursos militares anglo-americanos no conflito demonstra, em grande medida, uma perda de controle na região e uma insanidade crescente dos círculos mais belicistas do "Establishment".
Uma consequência desse declínio estratégico é uma reorientação do poder anglo-americano para o Hemisfério Ocidental, como temos assinalado em artigos recentes nesta Resenha. Evidências desta tendência são as articulações diplomáticas de Washington na América do Sul, visíveis na crise presidencial no Paraguai e no patrocínio à criação da Aliança do Pacífico, o novo bloco continental pactuado entre o Chile, Peru, Colômbia e México.
Essa guinada estratégica foi o tema central de um recente artigo dos jornalistas Robert D. Kaplan e Karen Hooper, publicado em 18 de julho na página da agência de inteligência privada Stratfor, intitulado "A fonte
do poder estadunidense". Afirmam os autores: "Historicamente, o poderio geopolítico estadunidense tem a sua origem, não na Europa ou na Ásia, mas no Grande Caribe." O Grande Caribe é o mundo que vai de Yorktown às Guianas, ou seja, dos estados mesoatlânticos às selvas do norte da América do Sul. O Hemisfério Ocidental, como o estrategista holandês-americano Nicholas J. Spykman explicou, em 1942, não se divide entre a América do Norte e a do Sul. Ele se divide entre as latitudes ao norte da grande barreira da selva Amazônica e as latitudes ao sul dela.
Em outras palavras, sob uma ótica geopolítica, a Venezuela não é, absolutamente, um país sul-americano, mas caribenho. A maior parte da sua população de 28,8 milhões vive no norte, ao longo do Mar do Caribe,
longe das selvas do sul.
Embora os cabeçalhos midiáticos de hoje falem do Oriente Médio e da Ásia, para muitos presidentes dos EUA, do início do século XIX ao início do XX, as crises de política externa se centraram no Grande Caribe. Foi um processo de 100 anos para que os jovens EUA, realmente, tomassem das potências europeias o controle do Grande Caribe. O Grande Caribe - o Golfo do México e o Caribe, propriamente dito - é de fato uma extensão territorial de águas azuis do território continental dos EUA.
A influência sobre ele se deve à construção do Canal do Panamá, no início do século XX.
Uma vez que os EUA puderam assegurar o controle do Grande Caribe, o país se tornou o hegemon do Hemisfério Ocidental, restando apenas o Ártico Canadense e o cone sul da América do Sul (inclusive as zonas de sombra da Bolívia, Equador e Peru), efetivamente, além do cinturão de segurança estabelecido pela marinha dos EUA nas Índias Ocidentais.
E, com o Hemisfério Ocidental sob a sua dominação, os EUA puderam, a partir daí, afetar o equilíbrio de poder no Hemisfério Oriental. As vitórias estadunidenses nas duas guerras mundiais e na Guerra Fria foram, originalmente, construídas sobre a geopolítica do Grande Caribe.
Porém, como as distâncias entraram em colapso, em um Mundo mais densamente povoado e crescentemente unido pela tecnologia, o Grande Caribe volta novamente ao palco. (...)
A menção a uma área "de Yorktown às Guianas", ou seja, da Virgínia à fronteira com o Brasil, provém de um velho conceito dos confederados estadunidenses mais radicais, como os Cavaleiros do Círculo Dourado, uma sociedade semi-secreta que, antes da Guerra Civil Norte-Americana (1861-1865), contemplava a criação de uma área escravagista oligárquica em toda aquela região.
Não por acaso, o próprio Kaplan, como muitos dos mais preeminentes pensadores "neoconservadores" dos EUA, são admiradores abertos das ideias da Confederação, derrotadas por Abraham Lincoln, na Guerra Civil. 
A isso, é preciso agregar a ideia oligárquica de "congelar" o desenvolvimento do que chamam a "Ilha da Guiana", área delineada pelo rio Orinoco, o canal de Cassiquiare e o rio Negro, o que inclui toda a Calha Norte do Amazonas. O centro da "ilha" é, precisamente, o estado brasileiro de Roraima, que tem sido submetido a uma draconiana "esterilização territorial", com a maior parte de seu território demarcado como áreas indígenas ou reservas naturais, que obstaculizam quaisquer atividades econômicas modernas. No caso, a miopia estratégica levou sucessivos governos brasileiros a permitir no estado a formação das gigantescas reservas Ianomâmi e Raposa Serra do Sol, ambas fronteiriças.
A relevância de tais considerações se torna evidente, diante das considerações de Kaplan e Hooper, que antecipa uma oportunidade ideal para a implementação da estratégia mencionada na morte do presidente venezuelano Hugo Chávez, que dá como certa, antes ou durante as vindouras eleições presidenciais no país, em outubro próximo.
Ademais, ele ameaça a Colômbia com um processo de desestabilização, prevendo um retrocesso na guerra do Estado colombiano contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Fatos que, em sua avaliação, teriam um grande potencial de desestabilização de toda a região norte da Amazônia, diante dos quais adverte que os EUA poderiam até intervir militarmente, mas não evitariam o caos. Suas palavras: 
"Assim, Washington não poderia contar com uma estabilização, nem na Colômbia nem na Venezuela, sem falar na guerra das drogas no México, com 50 mil mortes desde 2006 - com a maior parte da violência ocorrendo no norte do México, próximo à fronteira com os EUA. Os EUA podem dominar o Grande Caribe, em termos do seu poderio militar convencional. Podem dominar o Grande Caribe, no sentido de que nenhuma potência relevante pode desafiar os EUA ali. Mas tal poderio estadunidense não pode garantir a estabilidade em lugar algum dentro da própria região."
Evidentemente, poder-se-ia considerar que o texto de Kaplan e Hooper é produto de um surto psicótico comum em estrategas desequilibrados sob condições de estresse agudo, em tempos de crise, exceto pelo fato de ele ser membro do Conselho de Política de Defesa (nomeado pelo então secretário de Defesa Robert Gates, em 2009), consultor do Exército, dos Fuzileiros Navais e da Força Aérea dos EUA - e ex-professor visitante da Academia Naval de Annapolis, onde ministrou um curso sobre "Futuros desafios de segurança global".
Semelhante currículo leva alguns analistas, como o jornalista mexicano Alfredo Jalife-Rahme, a considerá-lo como "um arauto do Pentágono para sentir o pulso de seus adversários e/ou ameaçá-los". A revista "Foreign Policy", onde escreve regularmente, o considera entre os 100 maiores pensadores estratégicos globais. Embora com um currículo mais modesto, sua colega Hooper é diretora de análises para a América Latina e África da Stratfor.
Está claro que o aprofundamento da crise econômico-financeira mundial, o declínio militar dos EUA e a emergência de um pensamento estratégico temerário em certos círculos hegemônicos, constituem uma séria ameaça real à soberania dos Estados nacionais ibero-americanos. Isto implica que a delimitação de gigantescas áreas na Amazônia brasileira como autênticas "zonas de exclusão econômica", por motivos ambientais ou indígenas - seja por ingenuidade ou irresponsabilidade - passa ao largo da possibilidade real de que estas possam transformar-se em alvos de operações militares.
Para o Brasil, evidentemente, tal perspectiva torna urgente a necessidade de uma drástica reversão da política de demarcação de reservas indígenas desproporcionais, juntamente com a promoção de uma ocupação socioeconômica racional da Região Amazônica, com um engajamento efetivo das próprias populações indígenas, segundo as suas peculiaridades culturais, no desenvolvimento e na defesa da soberania brasileira. Antes tarde do que nunca.
Contexto Político/montedo.com

27 de julho de 2012

Brasil tem os melhores guerreiros de selva do mundo. E o salário óóó...

Guerreiros de selva brasileiros são os melhores do mundo, afirma sub-comandante do CIGS
Repórteres do Futuro visitam Centro de Instrução de Guerra na Selva
Repórteres do Futuro visitam Centro de Instrução de Guerra na Selva - Foto: João Paulo Brito
Karin Salomão e Stephanie Kim Abe
O Centro de Instruções de Guerra na Selva (CIGS) pretende, até 2031, formar mil Guerreiros de Selva (GS) por ano. A meta é aumentar as instalações e o efetivo, declarou o tenente-coronel Héber Costa, sub-comandante do CIGS. No ano passado foram formados 237 alunos.
Em visita feita pelos estudantes do Projeto Repórter do Futuro ao CIGS, Costa explicou o funcionamento da escola e a sua função de formar combatentes para atuar na defesa da Amazônia: “os nossos guerreiros de selva são considerados os melhores do mundo.”
O curso de operação tem duração de nove semanas e ensina desde procedimentos básicos da vida sobrevivência, como pescar, navegar e se locomover dentro da mata, até técnicas mais específicas, como fazer armadilhas e servir em um pelotão de fronteira do exército.
Apenas oficiais ou sargentos das unidades do Comando Militar da Amazônia (CMA) podem fazer os cursos de especialização do CIGS, que tem uma concorrência de três pessoas por vaga e capacidade para 100 alunos por turma. A taxa de evasão é de cerca de 13%.

Estudantes estrangeiros
Até hoje, já foram instruídos 5.365 guerreiros de selva brasileiros, espalhados pelo Exército, Marinha, Força Aérea e Policia Militar. Mas o curso também é oferecido a oficiais dos exércitos de outros países. Esses, no entanto, não assistem a todas as aulas. Isso porque algumas das questões estratégicas, como comunicação, são consideradas sigilosas.
A maior parte dos estrangeiros que frequentou o curso é formada por franceses (87), por causa da demanda de treinamento para os militares na Guiana Francesa. O tenente coronel Costa explica que os oficiais dos países vizinhos se adaptam melhor ao curso por já conhecerem o bioma amazônico.

Zoológico
Outro projeto do CIGS é a ampliação do seu zoológico, o segundo maior ponto turístico de Manaus, atrás apenas do Teatro Amazonas. O projeto visa construir novos recintos e área de selva para comportar mais animais até a Copa do Mundo de 2014.
Cerca de duzentos animais, entre eles exemplares das principais espécies da fauna amazônica, como onças, antas e macacos-prego, trazem diversas histórias. Alguns são apreendidos pelo IBAMA, outros são entregues ao CIGS por moradores rurais. O centro mantém algumas onças – símbolo do CIGS, assim como de todo o CMA –, mas algumas tornam-se verdadeiras mascotes do centro. Simba, a onça macho que hoje é mascote, foi recuperada de um atropelamento e chegou ao centro ainda filhote. Hoje, depois de seis anos convivendo com os militares, é uma das principais atrações de quem visita o CIGS. O zoo é assistido por três veterinárias e um biólogo, também militares.
Repórter do Futuro/montedo.com

20 de julho de 2012

Amazônia: Exército inicia Operação Curare IV

16ª Brigada de Infantaria de Selva Tefé e a Operação Curare IV.
Paralelo às ações militares também serão realizados atendimentos médico, odontológico e educacional junto às populações ribeirinhas
Até o próximo dia 27, aproximadamente 650 militares do Exército Brasileiro (EB), juntamente com agentes da Polícia Federal e da Fundação Nacional do Índio (Funai), estarão participando da Operação Curare IV, realizada no limite oeste dos Estados do Amazonas e Acre – trecho de Cruzeiro do Sul à Tabatinga -, e nas regiões de fronteira com a Colômbia e o Peru, área de responsabilidade da 16ª Brigada de Infantaria de Selva, cujo o Quartel General se encontra no município de Tefé – localizado a 525 quilômetros da capital.
Durante a operação, a vigilância por meio de patrulhamentos terrestres, aéreos e fluviais, serão intensificados, para combater tanto os crimes transfronteiriços quanto ambientais.
Paralelo às ações militares também serão realizados atendimentos médico, odontológico e educacional junto às populações ribeirinhas.
A operação tem a finalidade de intensificar a presença das Forças Armadas junto à faixa de fronteira oeste, reprimindo os delitos transfronteiriços e ambientais, além de reforçar, junto à população regional, o sentimento de nacionalismo, proteção ao meio ambiente e de defesa da soberania brasileira.

Cipó venenoso
O termo “curare” faz referência a compostos químicos orgânicos conhecidos e utilizados como venenos de flecha, extraídos da casca de certos cipós de plantas encontradas na América do Sul.
Blog do Babalú/montedo.com

30 de junho de 2012

Tenente do Exército está desaparecido há quatro dias no Rio Solimões

Exército procura tenente desaparecido no Rio Solimões, no Amazonas

Militar estava de colete e fazia trabalho investigativo


Álisson Castro . portal@d24am.com
Manaus - O primeiro tenente do Exército Brasileiro,Rui Guilherme Cohen Nascimento, 27, está desaparecido há quatro dias, após naufrágio em Alvarães (a 531 quilômetros a oeste de Manaus). De acordo com o Comando Militar da Amazônia (CMA), o militar estava a caminho da sede do município de Tefé em uma balsa do Exército acompanhado do sargento Alex Sandro Teixeira Dorai.
Eles precisaram pegar mantimentos e seguiram em uma voadeira pelo Rio Solimões. Durante o trajeto a pequena embarcação foi atingida por um forte banzeiro e virou. Ambos usavam colete salva-vidas, informou o Exército.
A reportagem do Portal D24AM apurou que o primeiro tenente integrava uma equipe de investigação sobre desvio de combustível, informação não confirmada pelo CMA.
O Exército informou que o militar estava em missão de entrega de suprimentos alimentícios da 16ª Brigada de Infantaria de Selva, em Tefé.
O comando informou, por meio de sua assessoria, que até o final da tarde ontem, o primeiro tenente ainda não havia sido encontrado. Os serviços de busca continuam sendo feitos pelo Exército com barcos e um helicóptero militar auxiliado pela Marinha, além de homens do Corpo de Bombeiros do Amazonas.
O sargento que estava na voadeira foi resgatado por ribeirinhos, informou o CMA.
Nascimento presta serviço no Centro de Embarcações do Exército, no bairro São Jorge, zona oeste de Manaus.
D24am/montedo.com

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