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25 de fevereiro de 2018

Ô bandidagem, pode esperar, os FE vão te pegar!

Tropa que chegou ao Rio para enfrentar tráfico e milícias fará operações de alto risco
Grupo é comparado aos Seals da Marinha americana
Forças especiais do Exército durante treinamento Foto: Divulgação / Exército brasileiro
Forças especiais do Exército durante treinamento - Divulgação / Exército brasileiro
VERA ARAÚJO, FÁBIO TEIXEIRA E RAFAEL GALDO
Resultado de imagem para simbolo forças especiais  brasilRIO — Uma tropa que recebe treinamento de alto nível, com sede em Goiânia, chegou ao Rio para ficar na linha de frente da intervenção federal na área da segurança pública do estado, sob o comando do general Walter Souza Braga Netto. Na caserna, entre os militares, seus integrantes são chamados de “fantasmas” por atuarem nas sombras, em operações sempre cercadas de sigilo. O Batalhão de Forças Especiais do Exército conta com aproximadamente 2 mil homens. Não raro, eles são comparados aos Navy Seals da Marinha americana, que mataram Osama bin Laden no Paquistão em 2011. Esses militares, preparados para ações antiterror, têm nas mãos uma missão muito difícil: expulsar o tráfico e as milícias de algumas favelas cariocas.
É por isso que se espera, nas ruas, um resultado muito diferente dos obtidos até agora pelas operações de Garantia da Lei e da Ordem no Rio. Os integrantes das Forças Especiais passam por um rígido processo de seleção no Forte Imbuí, em Niterói, antes de seguirem para um mínimo de cinco anos de preparação em Goiânia.
— É incomparável a qualidade deles. Eles alcançam uma qualificação extrema não só em nível tático, recebem treinamento de ponta para ações de alto risco em áreas urbanas. Trabalham com inteligência e entendem como funcionam as forças de sustentação de uma guerrilha — afirma Montenegro, acrescentando que a formação visa, em condições normais, a proteger o país contra invasões. — É um treinamento que capacita o militar a suportar situações extremas. Cada integrante das Forças Especiais tem um nível de conhecimento que o permite planejar sabotagens em grandes instalações e até produzir explosivos de forma improvisada.
O símbolo das Forças Especiais foi criado para passar a imagem de que seus homens são os mais temidos do Exército. No brasão dos FEs, como são chamados, aparece uma mão empunhando uma faca. Não por acaso, ela está com uma luva, referência às ações sempre discretas, que não deixam rastros. A lâmina está manchada de vermelho. Até mesmo o fundo do desenho, na cor preta, tem um significado: a tropa, preferencialmente, age à noite. O primeiro grupo de FEs desembarcou no Rio no último dia 16, e, na madrugada de sexta-feira, fez uma incursão à Vila Kennedy antes da chegada de 3 mil homens do Exército à comunidade.

Preparo para ação em área de mata
Os FEs integram uma unidade do Comando da Brigada de Operações Especiais do Exército, que tem em seu brasão uma faca enfiada numa caveira, desenho que inspirou o símbolo do Bope. Mas, enquanto os homens do batalhão da PM inspiraram os filmes da franquia “Tropa de elite”, os FEs atuam cercados de mistérios. Fontes ouvidas pelo GLOBO revelam que eles são submetidos a situações extremas durante o processo de formação: chegam, por exemplo, a ser atacados por veteranos que usam óculos de visão noturna em salas escuras, onde os novatos têm o desafio de encontrar uma saída enquanto tentam reagir.
Só militares de carreira podem ser FEs. Se o candidato à tropa de elite do Exército for um sargento, além do período de cinco anos na Academia Militar, ele precisará de mais dois para concluir sua formação. Há ainda três cursos obrigatórios. O primeiro é o básico de paraquedista, que dura seis semanas. Em seguida, começa o de comandos, com carga horária de 800 horas, distribuídas ao longo de quatro meses, durante os quais são ensinadas técnicas de uso de explosivos e de combate e infiltração. A etapa final exige 1.200 horas de treinamento, num período de cinco meses.
Montenegro diz que, por mais estranho que possa parecer, a aptidão dos FEs para combates na selva poderá fazer a diferença no Rio:
— Há vários treinamentos que, à primeira vista, parecem não fazer sentido no contexto atual, como salto de paraquedas e mergulho. Mas, no Rio, há grandes extensões de mata nos morros. A polícia não possui a capacidade dos “fantasmas” para atuar nessas áreas. As Forças Especiais têm preparo e equipamentos para isso, como óculos que detectam movimentos em meio à escuridão. Especialistas em helicópteros, eles também têm a habilidade de um sniper para atirar de uma aeronave.
Os FEs são treinados para atuar com discrição absoluta, mas a tropa especial já foi acusada de perder o controle da situação e provocar uma explosão de violência. A tropa foi colocada sob suspeita de envolvimento na morte de oito pessoas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, em novembro do ano passado. O Comando Militar do Leste, no entanto, nega a participação de “fantasmas” no caso.
Os “fantasmas” do Exército brasileiro atuaram em diversas ações no Rio nos últimos anos. Ao contrário de outras tropas, eles preferem não dar publicidade às suas ações. De acordo com o coronel da reserva Fernando Montenegro, os FEs agiram durante a ocupação do Complexo da Maré pelas Forças Armadas, entre 2014 e 2015. O coronel, que coordenou ações do Exército na região, afirma que os FEs tiveram papel importante. O Centro de Comunicação Social do Exército informou que o grupo também fez trabalhos no Complexo do Alemão, entre 2010 e 2012.
— Foram usadas equipes das Forças Especiais do Exército e da Marinha. Eles atuam em situações pontuais e muito significativas. Mas essa é uma tropa que faz questão de não aparecer. Os FEs realizam a operação, mas quem colhe os louros são outros. Muitas operações que entraram na conta de outras unidades foram feitas e articuladas pela tropa das Forças Especiais. A filosofia é fazer a operação para ter o resultado — observa Montenegro.
Segundo o Ccomsex, a tropa de elite também participou de todos os grandes eventos internacionais que ocorreram no Brasil nos últimos anos. Eles foram empregados no Pan-Americano, nos Jogos Mundiais Militares, na Jornada Mundial da Juventude, durante a visita do Papa, na Rio+20, na reunião da cúpula do Mercosul, na Copa das Confederações, na Copa do Mundo, e durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Em todos os eventos, seus integrantes tiveram papel fundamental na estratégia de prevenção e combate ao terrorismo. Lá fora, os FEs participaram de operações especiais integrando as forças da ONU no Haiti, além de ações em Kinshasa, na República Democrática do Congo; e em Abidjan, na Costa do Marfim, fazendo a segurança da representação diplomática brasileira até a retirada dos brasileiros da região.
Ex-subcomandante do Batalhão de Forças Especiais, o coronel da reserva Roberto Criscuoli chama os FEs de multiplicadores, pela sua capacidade de atuarem no lugar de dezenas de militares comuns. Criscuoli, que foi colega de turma, no curso dos FEs, do general de divisão Mauro Sinott Lopes, braço direito do interventor federal general de Exército Braga Netto, se arrisca a dizer que uma outra vantagem do grupo é ser focado apenas na missão, com índice zero de corrupção.
— O maior desafio do interventor federal, sem dúvidas, será a corrupção nas polícias. Os FEs são blindados para não haver desvios de conduta. É uma tropa que consegue fazer com que as pessoas cooperem com a missão e confie nela. Uma das vantagens que Braga Netto terá com o emprego dos Forças Especiais é que ele fará muita coisa com um pequeno grupo de militares altamente qualificados, que não escolhem a tarefa — diz Criscuoli. — Não é a toa que o nosso lema é: “o ideal como motivação; a abnegação como rotina; o perigo como irmão e a morte como companheira” — conclui, lembrando que a própria tropa militar comum está corrompida.
A transferência das Forças Especiais do Rio para Goiânia, na década de 1990, ocorreu justamente por causa do assédio de traficantes cariocas a militares e ex-integrantes da tropa. Em 2004, o Exército criou a Brigada de Operações Especiais, atual Comando de Operações Especiais, que reúne o 1º Batalhão de Forças Especiais, o 1° Batalhão de Ações de Comandos, o 1° Batalhão de Operações Psicológicas e a 1° Companhia de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear.

Militares, segundo especialistas, estão bem preparados, mas verba para armas e veículos diminuiu
O preparo dos militares mobilizados para a intervenção federal é reconhecido por especialistas em forças de segurança, mas parte dos equipamentos da tropa está defasada. No ano passado, o investimento do Exército em material para operações foi o menor desde 2010: R$ 619,1 milhões. Em 2014, época de Copa do Mundo e de preparativos para a Olimpíada de 2016, os gastos com armamento, veículos e utensílios de apoio chegaram a R$ 2,47 bilhões.
Hoje, a tropa convocada para combater a violência no Rio tem à disposição tanto um fuzil de última geração, o IA2, como um que o Exército usa desde a década de 1950, o FAL.
— Isso é um problema porque exige, na intervenção, duas cadeias diferentes de suprimento de munição e peças de reposição — diz o coronel da reserva Fernando Montenegro.
Uma das prioridades do Exército é substituir sua frota de veículos Urutu, dos anos 1970, pelo modelo Guarani.
— A blindagem do Guarani é superior, assim como sua mobilidade em terrenos acidentados. Mas o Urutu não é sucata, pode ter boa utilização nas operações no Rio — afirma Vinicius Cavalcante, diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (Abseg).
O Globo/montedo.com

24 de fevereiro de 2015

EUA divulgam avaliações de militar que inspirou 'Sniper Americano',

Além das avaliações, foi divulgado o documento de saída do atirador que inspirou o personagem do longa, em 2009.
Chris Kyle foi considerado o atirador mais letal da Marinha americana, com 255 mortes

FOLHAPRESS
A Marinha dos Estados Unidos divulgou nesta semana as avaliações feitas por oficiais militares sobre o atirador de elite Chris Kyle, cuja história foi base para o filme 'Sniper Americano', vencedor do Oscar de edição de som e indicado a outras cinco categorias.
Os documentos foram divulgados pelos militares após solicitação do site MuckRock e divulgados na última sexta-feira (20).
Além das avaliações, foi divulgado o documento de saída do atirador, em 2009. Chris Kyle foi considerado o atirador mais letal da Marinha americana, com 255 mortes. Ele foi morto em 2 de fevereiro de 2013 no rancho onde morava no Texas.
Na primeira avaliação, do período entre junho de 2003 e março de 2004, os superiores de Kyle pedem que ele seja elevado de patente devido a sua liderança na tropa e sua destreza no campo de batalha.
No período anual seguinte, os oficiais o qualificaram como o "soldado do ano", com "coragem sem igual" e função importante durante a chamada segunda batalha de Fallujah, entre tropas americanas e milicianos iraquianos em novembro de 2004.
Por outro lado, eles dizem "suas contribuições para o sucesso contra a insurgência no Iraque não podem ser exageradas". Ele volta a ser recomendado a elevação de patente três vezes entre 2005 e 2007 e é considerado "um dos melhores atiradores de elite da história das Forças Armadas americanas".
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Devido a suas habilidades, os oficiais também o recomendaram para o SEAL Team 6, grupo de elite responsável pela operação que matou Osama bin Laden, principal líder da rede terrorista Al Qaeda.
Em seu livro, que deu base ao filme, Chris Kyle diz que lamenta não ter tentado chegar ao Team 6. Ele afirma que, na época, ele preferiu não tentar porque o grupo não usava atiradores com tanta frequência como no que estava.
No cinema, Chris Kyle é interpretado pelo ator Bradley Cooper, que concorreu ao Oscar de melhor ator, mas perdeu para Eddie Redmayne, que viveu o físico Stephen Hawking em "A Teoria de Tudo".
O TEMPO/montedo.com

24 de dezembro de 2014

Marinha americana abre investigação contra ex-Seal que matou Bin Laden,

Robert O'Neill poderia ter revelado informações confidenciais
Marinha americana abre investigação contra ex-Seal que matou Bin Laden | Foto: AFP / Reprodução / CP
Marinha americana abre investigação contra ex-Seal que matou Bin Laden
Foto: AFP / Reprodução / CP
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos abriu uma investigação contra o ex-combatente dos Navy Seals, comando de elite da Marinha, que admitiu publicamente ter matado o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, em 2011. "O Serviço de Investigações Criminais da Marinha (NCIS) recebeu acusações de que Robert O'Neill poderia ter revelado informações confidenciais a pessoas que não estão autorizadas a receber tais informações", afirmou o
porta-voz da Marinha, Ryan Perry. "Como consequência, o NCIS abriu uma investigação para determinar a veracidade das acusações", completou.
Leia mais aqui.
Robert O'Neill, de 38 anos, afirmou em novembro ao jornal Washington Post que foi ele quem atirou no líder da Al-Qaeda em seu esconderijo de Abbottabad, Paquistão. O ex-soldado disse ao jornal que decidiu revelar seu nome depois de um vazamento do SOFREP, um site de ex-combatentes Seals.
O vazamento já era uma reação à exibição, no canal Fox News nos dias 11 e 12 de novembro, de um documentário com o título "The Man who Killed Usama ben Laden" "O Homem que Matou Osama bin Laden", no qual ele revela o nome. Em geral, os combatentes dos Navy Seals são obrigados a manter segredo sobre as informações de suas missões.
CORREIO DO POVO/montedo.com

13 de novembro de 2014

“Não sei se foi a melhor ou pior coisa que fiz”, diz ex-Seal que matou Bin Laden

Robert O’Neill revelou à Fox News detalhes da operação que culminou na morte do terrorista
O ex-Seal Robert O'Neill
O ex-Seal Robert O'Neill (Reprodução/Twitter/VEJA)
Foi ao ar na terça-feira a primeira parte do programa produzido pela Fox News sobre o ex-Seal Robert O’Neill, o militar americano que diz ter disparado os tiros que mataram o terrorista Osama Bin Laden, fundador do grupo radical Al Qaeda, em 2011. Na entrevista, O’Neill, de 38 anos, revela detalhes da operação. Segundo ele, os soldados de elite embarcaram em uma missão que juravam ser "suicida”. “Cada vez que treinávamos, nós tínhamos a certeza de que era uma missão sem volta. Nós íamos para lá e não voltaríamos. Morreríamos quando a casa explodisse. Morreríamos quando ele (Bin Laden) explodisse. Ou seríamos presos pela polícia do Paquistão e ficaríamos o resto de nossas curtas vidas na cadeia”, afirmou.
O ex-Seal tem enfrentado duras críticas de militares americanos por ter rompido o código de silêncio cultivado por militares envolvidos em missões sigilosas. Outros Seals que também participaram da operação contestaram a versão de O’Neill e afirmaram que ele não foi o responsável por matar Bin Laden. O militar, no entanto, manteve sua posição. “Se havia luz suficiente, eu definitivamente fui a última pessoa que ele viu”, declarou.
O’Neill também comentou a dificuldade de assimilar que ele tinha sido o responsável por matar o homem que orquestrou os ataques do 11 de setembro. “Para mim, não era real. Achava que tínhamos atirado em outro cara naquela casa. A ficha não caiu por um tempo. Mas, agora, ela caiu. Eu tenho pensado sobre isso a todo o momento nos últimos anos. Ainda tento chegar à conclusão se isso foi a melhor ou a pior coisa que fiz. Cumprimos nossa missão e eu tive um papel importante nisso. Eu fui parte disso, mas eu não sei o que acontece em seguida. Vou ter de conviver com isso para o resto da minha vida”, disse.
A operação
Osama Bin Laden foi morto no cerco do Exército à sua casa em Abbottabad, no Paquistão, em 2 de maio de 2011. Segundo O’Neill, os militares que participaram da missão não foram informados qual era o seu propósito durante os treinamentos. “Eles nos disseram algumas coisas sobre a missão e quem estaria lá. Falaram alguns nomes que não faziam sentido. Alguns dias depois, nós estávamos conversando sobre essa pessoa e por que ela estaria lá. Deduzimos que era Bin Laden, que ele tinha sido encontrado e que iríamos atrás dele”, afirmou.
Antes iniciar uma missão, os Seals costumavam apertar as mãos para se cumprimentar. Mas, dada a seriedade da operação, todos os militares se deram longos abraços ao embarcar nos helicópteros. Ao entrar na casa do terrorista, O’Neill disse que tinha pleno conhecimento do local em que Bin Laden se encontrava. “Eu sabia que tinha um corredor, eu sabia que tinham salas e uma escada no final. Parado bem na minha frente, com as mãos em sua mulher, estava a face que eu havia visto milhares de vezes”, disse. Em uma entrevista anterior, O’Neill havia declarado que atirou duas vezes na testa de Bin Laden, que morreu na hora. “Meu primeiro pensamento foi de que tínhamos pegado Osama, tínhamos acabado com a guerra”, concluiu.
Veja/montedo.com

8 de novembro de 2014

Quem matou Bin Laden? Ex-Seals dão relatos conflitantes.

Um ex-marine presente na operação disse que os tiros fatais foram disparados por um ou dois homens que entraram no quarto de Bin Laden antes de O'Neill
Osama bin Laden, líder da Al Qaeda morto em maio
Osama bin Laden, líder da Al Qaeda morto em 2011 (STR/EFE/VEJA)
Os membros do Seal – força especial da Marinha dos Estados Unidos – que participaram da operação que matou Osama bin Laden em seu esconderijo no Paquistão em maio de 2011 deram relatos conflitantes a respeito de quem de fato deu o tiro mortal no então líder da Al Qaeda. O jornal Washington Post publicou uma reportagem na quinta-feira na qual Rob O'Neill, um ex-Seal, alega ter disparado o tiro fatal que atingiu Bin Laden na testa com dois disparos após ter invadido um dos quartos da casa dele em Abbottabad.
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Ele matou Osama Bin Laden.
Ex-combatente que matou Bin Laden recebe ameaças de morte de jihadistas.
O relato de O'Neill, que viaja pelos EUA dando palestras motivacionais, foi contestado por outro integrante dos Seals que também estava na operação em que Bin Laden foi morto. A fonte, falando sob a condição de anonimato, disse que os tiros fatais foram disparado por um ou dois homens que entraram no quarto antes de O'Neill. O Washington Post reporta que O'Neill reconheceu que ao menos outros dois soldados atiraram – e erraram – em Bin Laden, incluindo Matt Bissonnette, um ex-Seal que escreveu um livro em 2012 sobre a operação chamado ‘Não Há Dia Fácil: Um Líder da Tropa de Elite Americana Conta Como Mataram Osama Bin Laden’.

Guerra de versões: Bissonnette (E) como O'Neil afirmam ter disparado os 
tiros que mataram Bin Laden

"São duas pessoas diferentes contando duas histórias diferentes por duas razões diferentes. Qualquer coisa que O'Neill diga, é ele quem diz. Eu não quero tocar nisso", disse Bissonnette à rede NBC News, sem confirmar nem desmentir a versão dada pelo jornal Washington Post. Segundo Jonathan Giliam, um ex-Seal que deu uma entrevista à CNN, a declaração de O'Neill pode ser muito apelativa para suas palestras motivacionais, que devem subir de preço, mas ele “pendurou um alvo em sua testa e colocou também sua família na mira dos jihadistas”. Giliam também criticou o fato de O’Neill e Bissonnette terem quebrado o pacto de confidencialidade existente entre os Seals, que mantêm uma tradição de sigilo de suas operações.
No ano passado, depois que a revista Esquire publicou uma entrevista com um membro anônimo dos Seals, posteriormente noticiado como sendo O'Neill, em que ele alegava ter atirado em Bin Laden, outros veículos de comunicação questionaram o relato. Um artigo intitulado "Quem realmente matou Bin Laden", escrito por Peter Bergen, um analista da CNN e especialista na Al Qaeda, depois citou um Seal então ainda em serviço dizendo que a reportagem da Esquire era "pura mentira".
O advogado de Bissonnette, Robert Luskin, reconheceu nesta quinta-feira que por algum tempo Bissonnette esteve sob investigação criminal tanto pelo Serviço de Investigação Criminal da Marinha com pelo Departamento do Justiça dos EUA, devido a possíveis violações da lei de espionagem, por não ter buscado autorização oficial antes de publicar seu livro. Bissonnette nega qualquer irregularidade. (Com agência Reuters)
Veja/montedo.com

7 de novembro de 2014

Ex-combatente que matou Bin Laden recebe ameaças de morte de jihadistas.

Após revelação
Robert O'Neill divulgou ser o responsável pelo tiro que matou o líder da Al-Qaeda
Ex-combatente que matou Bin Laden recebe ameaças de morte de jihadistas Reprodução/Twitter/Robert O'Neill/@mchooyah
Imagem do Twitter de Robert O'Neill, em que ele está em operação na LibériaFoto: Reprodução / Twitter/Robert O'Neill/@mchooyah
O ex-combatente da elite da marinha americana Robert O'Neill – que revelou ter dado o tiro fatal no líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden – foi ameaçado de morte por jihadistas. O'Neill, de 38 anos, afirmou ao jornal Washington Post que atirou no líder da Al-Qaeda em seu esconderijo de Abbottabad, Paquistão.
Segundo o SITE, organismo de vigilância das redes utilizadas por extremistas islâmicos, os jihadistas começaram a fazer ameaças imediatamente após o anúncio. Fotos de O'Neill acompanhadas de mensagens em árabe e em inglês com pedidos de vingança pela morte de Bin Laden foram divulgadas no Twitter e no fórum dos jihadistas Al-Minbar.
– Enviaremos aos lobos solitários nos Estados Unidos a foto deste Robert O'Neill que matou o xeque Osama Bin Laden – afirma uma das mensagens.
– Vocês, os muito apreciados muçulmanos nos Estados Unidos, esta é sua oportunidade de entrar no paraíso – desafia outra em inglês.
O'Neill resolveu revelar sua identidade após vazamento de informações
O ex-militar afirmou ao jornal que decidiu revelar seu nome depois de um vazamento do SOFREP, um site de ex-combatentes Seals. O vazamento foi uma reação ao anúncio de que o canal Fox News exibirá, nos dias 11 e 12 de novembro, um documentário chamado "The Man who Killed Usama ben Laden" ("O Homem que Matou Osama bin Laden"), no qual ele revela sua identidade.

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Ele matou Osama Bin Laden.
Durante a operação contra Bin Laden em 2011, O'Neill, que nasceu em Montana e tem múltiplas condecorações, afirma que era o segundo na posição de ataque. Quando o líder da Al-Qaeda apareceu, seu companheiro na linha de frente errou o tiro.
– Bin Laden estava ali parado, com as mãos nos ombros de uma mulher, e a empurrava para frente – relatou O'Neill.
Apesar da escuridão do quarto, ele conseguiu ver claramente o rosto de Bin Laden com a mira de visão noturna e atirou. Teve certeza de que estava morto, ao ver seu crânio partido.
Segundo o jornal, dois integrantes do comando que participou na operação confirmaram a identidade do ex-soldado. Durante muito tempo, o ex-militar ficou em dúvida sobre tornar pública sua identidade, que já era conhecida em altos círculos militares, membros do Congresso e por pelo menos dois meios de comunicação.
Um encontro com os familiares das vítimas dos atentados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center de Nova York, em 2011, acabou por convencê-lo de que deveria falar sobre a operação que terminou com a morte de Bin Laden.
– Os familiares me disseram que isso os ajudou, de alguma maneira, a ter um desfecho – explicou O'Neill ao Post. *AFP
Zero Hora/montedo.com

6 de novembro de 2014

Ele matou Osama Bin Laden.

Jornal britânico revela identidade de militar que matou Bin Laden
Veterano Robert O'Neill vai dar entrevista à Fox News sobre decisão de sair do anonimato
Veterano Robert O´Neill vai dar entrevista à Fox News sobre decisão de sair do anonimato | Foto: Twitter/Reprodução CP
Veterano Robert O´Neill vai dar entrevista à Fox News sobre decisão de sair do anonimato
Foto: Twitter/Reprodução CP
O militar americano responsável por matar Osama bin Laden é o ex-membro dos Navy SEALs Robert O'Neill, de acordo com a versão online do jornal Daily Mail. O veterano condecorado será entrevistado na emissora Fox News sobre toda a operação para pegar o terrorista da Al-Qaeda e dos motivos para deixar o anonimato.

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O Mail conversou com o pai do militar, Tom O'Neill. Em seu relato sobre o filho, ele foi confrontador: "As pessoas perguntam se nós estamos preocupados com a Isis vir pegar Rob. Eu digo que vou pintar um alvo grande na minha porta e desafiar: 'Venham nos pegar'", enfatizou, sobre a milícia islâmica que tomou conta de cidades na Síria e no Iraque.
Correio do Povo/montedo.com

30 de outubro de 2014

Militar que matou Bin Laden revelará sua identidade na TV

Canal 'Fox' vai exibir um documentário sobre o soldado que matou o terrorista
Membro das forças de elite Seal, da Marinha americana, dá cobertura a colegas durante operação de busca por esconderijo de membros do talibã no leste do Afeganistão
Membro das forças de elite Seal, da Marinha americana, dá cobertura a colegas durante operação de busca por esconderijo de membros do talibã no leste do Afeganistão (Tim Turner/AFP/VEJA)
Membro das forças de elite Seal, da Marinha americana, dá cobertura a colegas durante operação de busca por esconderijo de membros do talibã no leste do Afeganistão (Tim Turner/AFP/VEJA)
O militar da unidade de elite da Marinha dos Estados Unidos, conhecida como Navy Seals, que matou o chefe da Al Qaeda, Osama bin Laden, revelará sua identidade em um documentário que será exibido em novembro no canal Fox, anunciou a emissora na noite desta quarta-feira. O documentário de duas horas de duração, intitulado 'O homem que matou Osama bin Laden' será mostrado em duas partes, nos dias 11 e 12 de novembro, e inclui uma entrevista com o soldado, explicou a Fox em comunicado .
O militar fez parte do comando especial dos Navy Seals que executou a operação para eliminar o terrorista em Abbottabad, no Paquistão. A Fox afirmou que explicará detalhes da operação no documentário, como foram os últimos minutos de Bin Laden e o papel do militar no comando especial. Além disso, a emissora mostrará imagens até agora inéditas da cerimônia do último aniversário dos atentados de 11 de setembro no Museu Memorial de Nova York, na qual o militar que matou Bin Laden doou a camisa que usou durante a missão.
As ações dos Navy Seals não costumam ser divulgadas e as identidades de seus membros são mantidas em segredo e somente são divulgadas quando um deles morre, mas sem detalhar as circunstâncias reais da morte, por razões de segurança. No entanto, esta não será a primeira vez que a Fox identifica um dos membros do comando que matou Bin Laden.
Em 2012, a emissora revelou a identidade de Matt Bissonnette, de 36 anos, militar já reformado e autor do livro ‘Não Há Dia Fácil: Um Líder da Tropa de Elite Americana Conta Como Mataram Osama Bin Laden’, que assinou sob o pseudônimo de Mark Owen. Bin Laden morreu na noite de 1º para 2 de maio de 2011, depois de ser considerado o terrorista mais procurado pelos Estados Unidos por mais de uma década. (EFE)
Veja/montedo.com

22 de junho de 2014

Conheça as guerras mais estúpidas da história militar

Um olhar sobre ações impulsivas, tolices e trapalhadas da história
Fabio Marton
Nas guerras, diz o sociólogo Herbert C. Kelman, da Universidade de Harvard, o processo de desumanização é condição sine qua non. Isso porque, quando se passa a olhar os adversários como se não fossem serem humanos, eles “não provocam mais compaixão e respostas morais, e devem sofrer de violência como resultado”, explica.
Se multidões enfurecidas são irracionais, os líderes que provocam essas massas não se saem melhor. “Nossa teoria é que guerras são iniciadas por pessoas, não por ideologias. E pessoas frequentemente tomam decisões apressadas e estúpidas”, disse a AVENTURAS NA HISTÓRIA o jornalista norte-americano Michael Prince, coautor de Guerras Estúpidas – Um Guia Sobre Golpes Fracassados, Ações Sem Sentido e Revoluções Ridículas, escrito em parceria com Ed Strosser.

TUDO POR DINHEIRO | A vergonha da Quarta CruzadaEm 1202, o exército cruzado, com voluntários da Europa, estava em Veneza, cheio de fé e fúria – e nenhum tostão no bolso. Tentou alugar uma frota de barcos para Jerusalém, que pretendia reconquistar das mãos islâmicas, nas quais havia caído em 1187. Enrico Dandolo, o doge de Veneza, fez uma proposta: se os cruzados o ajudassem a capturar Zara, localidade croata rival comercial da cidade italiana, ele bancaria a viagem. Cego e com 95 anos, o mandatário fez os votos de cruzado e embarcou com os soldados supostamente rumo à Terra Santa, parando no caminho para trucidar os cristãos croatas, que em vão levantaram cruzes para mostrar que estavam do mesmo lado. A ameaça de excomunhão feita pelo papa Inocêncio III pouco valeu. Dandolo seguiu para Constantinopla e conquistou o lugar. Ricos com as pilhagens, os cruzados pagaram sua dívida e esqueceram a missão. No final, “o doge recebeu o pagamento na íntegra, mas os santificados guerreiros jamais puseram os pés em Jerusalém”, relatam Prince e Strosser.

Pelo senso comum, entrar numa empreitada cujo resultado depende da destruição de vidas e lugares deveria ser uma decisão extrema, tomada apenas após profundas considerações. Mas o que se vê, em quase todos os exemplos levantados no livro, são ações impulsivas, malplanejadas ou iniciadas por pura inércia. Entre 1979 e 1989, os soviéticos se atolaram no Afeganistão por um mero reflexo do espírito imperial russo – exatamente como haviam feito quatro décadas antes, durante a invasão da Finlândia, pouco antes do início da Segunda Guerra, e com os mesmos resultados.
Em 1982, a ditadura militar argentina acreditava que as Ilhas Malvinas eram tão insignificantes que o Reino Unido simplesmente não se interessaria em mandar uma força para reconquistá-las. A América do Sul, a propósito, é uma das “estrelas” dos episódios comentados pelos autores, empatando com os Estados Unidos em número de capítulos. Quatro das guerras da vizinhança foram classificadas entre as mais estúpidas da história: além do conflito nas Malvinas, a Guerra do Paraguai, a do Pacífico e a do Chaco.

O VIETNÃ SOVIÉTICO | Guerrilha islâmica pôs os russos para correrO Afeganistão fazia parte da vasta região do planeta que a Rússia considera seu quintal – a visão imperial não era diferente na época do regime soviético e do tempo dos czares. Em 1979, a União Soviética invadiu o país para apoiar o regime comunista local, ameaçado por facções islâmicas. “Assim como nos velhos tempos, quando o Exército Vermelho esmagou a oposição na Hungria em 1956 e na Tchecoslováquia em 1968, os russos acharam que a filosofia de Marx e Lenin seria mais bem ensinada com tanques metralhando o populacho”, dizem Strosser e Prince. Se os soviéticos riram dos EUA saindo do Vietnã, batidos pela guerrilha vietcongue, agora era a vez dos americanos. Mas não ririam por último. Com dinheiro da CIA, militantes islâmicos, entre os quais Osama bin Laden, fundaram a Al Qaeda – e a história segue ainda hoje.

“Na Guerra da Tríplice Aliança (a Guerra do Paraguai), as ações do líder paraguaio Solano López só podem ser interpretadas como insanas. A guerra inteira se tornou um exercício em estupidez assassina, conduzida em nome de sua obscena vaidade, movida por sua amante (a ex-prostituta irlandesa Eliza Lynch)”, destacam.
Vaidade, desejo de honra e glória e certo ethos machão. As características, abundantes na América do Sul, explicam a profusão de disputas sem sentido na região, mas estão longe de ser exclusividade local. Entre eventos citados no livro – passados da Roma Antiga às Cruzadas, na Alemanha Nazista e na União Soviética –, uma imagem começa a se formar: a do guerreiro estúpido através das eras. Esse tipo se forma, nas palavras de Prince, por uma combinação de “hubris [ambição desmedida] e poder. Eles nunca acreditam que possam estar errados e seus sucessos anteriores os levam a problemas épicos”.

SUJO CONTRA MAL-LAVADO | Orgulho ferido moveu a Guerra do ChacoIndo dos Andes bolivianos até o Pantanal do Brasil, o Chaco é um deserto ou pântano, dependendo da estação do ano. E foi por esse grande pedaço de nada que, entre 1932 e 1935, os dois países mais pobres da América do Sul se digladiaram. Ambos com feridas de guerras passadas fazendo mancar o parco orgulho nacional: a Bolívia, por ter perdido seu litoral para o Chile, na Guerra do Pacífico, de 1879; o Paraguai, por ter perdido quase tudo na guerra contra a Tríplice Aliança, na década de 1860. Nos combates pelo Chaco, até 130 mil pessoas padeceram de ambos os lados, tudo isso apenas para provar que, por mais miserável que fossem, um não era mais fraco que o outro. “Certos países [...] habitam a categoria de perdedores da história. Para eles, o jeito de sair dessa categoria é bater em alguém. Qualquer um. Mas o que eles não entendem é que bater em outro perdedor não os coloca na categoria de vencedores”, registram os autores de Guerras Estúpidas.

Pode-se acrescentar que não raro subestimam os inimigos, como é possível ver no exemplo dos EUA achando que 1500 paus mandados seriam capazes de derrubar a ainda jovem Revolução Cubana. O que não quer dizer que todas as batalhas são igualmente estúpidas. “Só a maioria”, diz Prince. “Claramente, a Segunda Guerra precisava ser lutada”, afirma. “Hitler, Mussolini e os líderes militares japoneses, todos tinham péssimas intenções, e o mundo precisava se juntar para derrotá-los.”
O livro nasceu de uma conversa de bar entre os então colegas do curso de História da Universidade de Boston. Prince e Strosser discutiam um evento pouco conhecido: 5 mil soldados dos EUA invadiram a Sibéria em 1919. “Ficamos estupefatos em perceber quão ridículo e desconhecido o episódio era”, diz Prince.

ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA | EUA queriam derrubar Fidel Castro sem que a ação parecesse coisa delesEm 17 de abril de 1961, 1500 exilados cubanos desembarcaram na Baía dos Porcos, no sul de Cuba. O embaixador norte americano na ONU, Adlai Stevenson, repetia que as movimentações, detectadas meses antes, eram ações de um grupo de “cubanos patriotas”. A despeito de o New York Times ter publicado em janeiro que a CIA estava treinando cubanos para derrubar Castro. A Rádio Moscou anunciou o ataque quatro dias antes. “O problema para a CIA era criar uma força invasora poderosa o suficiente para vencer... mas não tão forte a ponto de revelar o apoio americano. A invasão, em essência, tinha que ser cubanizada – feita para parecer amadora.” Nesse ponto, a agência fez um belo trabalho: em três dias, os 1202 rebeldes que escaparam da morte estavam na prisão em Havana.

Sem condições de sobreviver no ambiente hostil da Rússia, americanos, ingleses e franceses tiveram que se retirar com o rabo entre as pernas. “Nenhuma guerra é engraçada. Há muitos ‘contos de glória’ na maioria da história escrita, na qual generais e políticos, que tomam decisões estúpidas que levam a muitas mortes, são tratados de forma frívola. Qualquer líder que começa uma guerra merece o mais duro escrutínio”, afirma o jornalista.

CONSPIRADORES COVARDES | Faltou coragem para matar HitlerNem a mais nobre das conspirações foi poupada na crítica de Strosser e Prince. Em 20 de julho de 1944, uma bomba de explosivo plástico detonou numa sala de reuniões na Toca do Lobo, o quartelgeneral secreto dos nazistas. Quatro figuras de alto escalão morreram. Nenhuma delas se chamava Adolf Hitler. O plano era agir com duas bombas, mas apenas uma delas explodiu – e estava na posição errada, poupando o führer e a maioria dos seus partidários. Foi plantada pelo coronel Claus von Stauffenberg, veterano do Exército alemão que desprezava os crimes nazistas e havia perdido um olho, a mão direita e dois dedos da esquerda em combate. “Stauffenberg, com apenas três dedos, teve problemas para ajustar a contagem regressiva do detonador. Embora conseguisse armar, foi incapaz de colocar a bomba reserva dentro da pasta”, afirmam Strosser e Prince. O coronel era parte de uma vasta conspiração contra Hitler, batizada de Orquestra Negra por seus inimigos nazistas. Por falta de voluntários, o mutilado veterano foi obrigado a cuidar dos artefatos, mas ele próprio não pretendia se sacrificar. Tanto é que já estava longe quando a maleta com a bomba foi mudada de posição por um oficial incomodado com o estorvo no caminho. Pode-se dizer que o apego à vida demonstrado por Stauffenberg e seus colegas foi a receita para o desastre: com Hitler sofrendo apenas ferimentos leves, em menos de 24 horas, todos os principais conspiradores foram executados.

Saiba mais
Livro
Guerras Estúpidas, Ed Strosser e Michael Prince, Record, 322 págs., R$ 44
e-Guia do Estudante/montedo.com

29 de maio de 2014

Dez lições de perseverança do homem que capturou Bin Laden

O comandante da SEAL, a tropa de elite americana, William McRaven, discursou para uma turma de formandos da Universidade do Texas
A temporada de formaturas nos Estados Unidos sempre rende bons ensinamentos, mesmo para aqueles que não fazem parte das turmas de graduados. Isto por que, durante o período, muitos líderes do país fazem discursos inspiradores. Desta vez, vimos Barack Obama conversando com os estudantes da Universidade da California; Jill Abramson, editora do New York Times, na Universidade de Wake Forest; e William McRaven, um comandante da SEAL, a tropa de elite americana, pela Universidade do Texas.
McRaven comandou a operação que capturou Osama bin Laden e decidiu compartilhar suas lições sobre liderança com os recém-formados. O site Inc. reuniu os 10 ensinamentos mais importantes, extraídos do discurso de McRaven. Leia abaixo:

1. Comece o dia arrumando sua cama
De acordo com McRaven, esta é a primeira tarefa dentro do treinamento da SEAL. Se você faz isso, significa que pela manhã já realizou algo. Isto dita o tom para o restante do dia, encoraja para que você cumpra mais tarefas. “Se você tiver um dia ruim, chegará em casa para dormir em uma cama arrumada - arrumada por você. Uma cama organizada traz a esperança de que amanhã será melhor”, diz.

2. Encontre as pessoas certas para ajudar você
Todos os dias, durante o treinamento da SEAL, os voluntários precisavam remar contra uma maré pesada na Costa de San Diego. Os participantes precisavam remar juntos, de forma sincronizada e usando o mesmo nível de força, conta McRaven. Caso eles percam a sintonia, o barco vira e todos são arremessados até a praia. Isto é uma metáfora da vida, explica McRaven. “Para que o barco chegue até seu destino final, todos precisam trabalhar. Você não pode transformar o mundo sozinho, vai precisar de ajuda. E para chegar até o seu ponto final, você precisará de amigos, colegas, e dependerá também da boa vontade de estranhos e de um timoneiro forte para guiá-los”, afirma.

3. Atitude e coração podem ser mais fortes que outras vantagens
Um dos grupos mais fortes de treinamento na SEAL foi um formado apenas por “baixinhos”. Os estudantes mais altos riam deles e colocavam apelidos. Quando o treinamento endureceu, esse grupo permaneceu e se sobressaíram nas mais diversas atividades, como remo, corrida e nado. “O treinamento da SEAL é um equalizador. Nada importa além da sua vontade de ser bem sucedido. Não importa sua raça, história, formação acadêmica ou status social. Se você deseja mudar o mundo, meça as pessoas pelo tamanho do coração delas”, diz McRaven.

4. Siga sempre em frente
McRaven conta que um dos momentos mais desconfortáveis nos treinamentos da SEAL acontece quando os estudantes são punidos por pequenas infrações, como uma mancha no uniforme, por exemplo. “Por falhar na inspeção do uniforme, o estudante precisava correr, totalmente vestido, até a praia. Em seguida, precisava se molhar da cabeça aos pés e rolar na areia. O castigo é conhecido como ‘biscoito açucarado’. Você fica o dia inteiro com frio, molhado e sujo de areia. Muitos estudantes não aguentavam, mas a chave para ser bem sucedido é aceitar que, às vezes, a vida é uma droga. Mas você deve seguir em frente, sempre", diz McRaven.

5. Não tenha medo do ‘circo’
Os circos, durante a preparação da SEAL, se referem ao treinamento físico “extra”, com direito a duas horas a mais de ginástica. O circo, de acordo com McRaven, é feito para acabar com o estudante, destruir seu espírito e forçá-lo a desistir. Ninguém queria falhar em nada, para evitar o circo. Especialmente, por que estavam exaustos do treinamento tradicional. Por mais dolorosas que fossem, as duas horas extras começaram a valer a pena, já que os estudantes que estavam constantemente na lista se fortaleceram. Segundo o marinheiro, a dor constrói força e resiliência, tanto nos treinamentos quanto na vida. Não tenha medo de sofrer.

6. Seja criativo e inovador
Não é surpresa que o treinamento da SEAL inclui um percurso de obstáculos. Havia um obstáculo chamado de “deslize para a vida”, que consistia em uma corda de 200 metros esticada entre uma torre de 30 metros de altura e uma torre de 10 metros. Durante anos, o recorde para o tempo da prova permaneceu o mesmo e só foi quebrado quando um estudante acelerou, em vez de ir devagar, como todos iam. Às vezes, se arriscar é importante.

7. Não fuja dos tubarões
O próximo exercício descrito por McRaven é chamado de “mergulho noturno”. Nele, os estudantes têm que nadar em águas repletas de tubarões. “Eles garantem que nenhum estudante foi devorado por um tubarão. Mas você também é ensinado que se um tubarão começa a circular em sua volta, você deve permanecer parado. Nunca nade ou aparente estar com medo. E se o tubarão estiver com fome, vindo em sua direção, você deve socá-lo no fucinho e isto fará com que ele fuja”, diz McRaven. Se você é capaz de encarar sozinho os tubarões do Oceano Pacífico, com certeza será capaz de enfrentar os outros tubarões da vida.

8. Dê o seu melhor, mesmo nos momentos mais sombrios
Em várias missões da SEAL, os marinheiros devem se guiar embaixo da água com o objetivo de atacar a embarcação do inimigo. Eles não podem usar nada além de um medidor de profundidade e uma bússola para chegar ao seu alvo. Há luz durante boa parte do percurso, mas, próximo ao alvo, a sombra do navio bloqueia toda iluminação, fazendo com que os SEALs trabalhem no escuro. “Todo SEAL sabe que este é o momento que exige mais calma. Todas as suas habilidades táticas e poder físico devem ser impulsionadas ao máximo”, diz McRaven.

9. Cante, mesmo quando estiver com lama até o pescoço
A nona semana de treinamento para o SEAL acontece em um lodaçal localizado entre San Diego e Tijuana. A classe deve permanecer na lama por horas, até que apenas a cabeça fique de fora. Eles só podem deixar o lugar antes se cinco homens desistirem. Em uma das turmas, o grupo passou a cantar. Apesar das ameaças dos instrutores, eles permaneceram cantando e conseguiram aguentar o desafio até o final.

10. Nunca desista. Nunca toque o sino
Os estudantes estão autorizados a desistir a qualquer momento - e eles, geralmente, o fazem. Para isso, tudo que eles precisam fazer é tocar o sino. “Toque o sino e você não precisará mais acordar às 5 da manhã, mergulhar em águas gélidas, correr ou participar de treinamentos dificílimos. Apenas toque o sino”, dizem os treinamentos. Segundo McRaven, a chave para o sucesso é nunca tocar o sino.

Assista ao discurso completo:

Administradores/montedo.com

8 de janeiro de 2014

Ciberataques são maior ameaça aos EUA, dizem militares

Militares elegem ciberataques como maior ameaça à Defesa dos EUA
AFP - Agence France-Presse
Os ataques contra as redes de computadores são a principal ameaça que pesa sobre os Estados Unidos, à frente do terrorismo, segundo uma pesquisa feita com autoridades de alta patente e e escalão da Defesa americana, divulgada nesta segunda-feira.
Para 45% dos entrevistados, a maior ameaça é a ciberguerra. Apenas 26% consideraram o terrorismo e a Al-Qaeda em primeiro lugar. A China, que continua avançando posições, ficou em terceiro, com 14%.
Inédita, a pesquisa foi feita pelo semanário especializado Defense News. Foram entrevistados 352 altos funcionários militares e civis do Pentágono, do Congresso e da Casa Branca, assim como executivos das empresas de armamento.
Pelo menos 38,5% dos entrevistados se declararam republicanos e, desses, 36% colocaram no mesmo plano os ataques virtuais e o terrorismo, considerando-os como principal ameaça. Já 13,5% disseram ser democratas, apontando a mudança climática como principal ameaça depois da ciberguerra (21% contra 42%).
Os entrevistados apontaram ainda que a maior ameaça contra os aliados europeus dos Estados Unidos é o terrorismo. Para os aliados asiáticos, a China é vista como o principal risco, com 48%, seguido por Coreia do Norte. No Oriente Médio, o Irã lidera a lista de perigos (54%), seguido da ameaça terrorista.
Quase metade dos entrevistados (48%) vê a Al-Qaeda mais fraca hoje do que em relação há cinco anos. Apenas 21% acreditam em que a rede criada por Osama bin Laden, morto em 2011, tenha se fortalecido.
Em relação aos talibãs, contra os quais os Estados Unidos lutam há 12 anos no Afeganistão, os resultados são vistos como menos bem-sucedidos, apesar das mensagens otimistas emitidas pelo governo americano.
Pelo menos 27% dos entrevistados consideram que os talibãs são mais fortes agora do que há cinco anos, e 40% acreditam que estão no mesmo nível. Apenas 33% responderam que o grupo se enfraqueceu.
ESTADO DE MINAS/montedo.com

24 de setembro de 2013

Fragata do Brasil patrulha 'corredor' da guerra civil síria

A fragata F-45 União, da Marinha do Brasil, está na zona de guerra, no Mediterrâneo, no eixo marítimo do provável escoamento clandestino de armas para o grupo radical Hezbollah - mas não apenas. Segundo o consultor das Forças Navais Libanesas, Ismail Sharif, "há uma grande preocupação com o contrabando endereçado ao conflito civil sírio".
O navio brasileiro é o líder da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil). A frota tem sete unidades, além da F-45 União: duas da Alemanha, duas de Bangladesh, uma da Indonésia, uma da Turquia e uma da Grécia.
Há 269 militares brasileiros, 208 dos quais são tripulantes da Armada, a bordo da fragata - os demais são especialistas, como os 14 do Destacamento Aéreo, os 19 fuzileiros navais, os 15 oficiais do Estado-Maior, os quatro do Corpo de Saúde e os nove Mergulhadores de Combate, os homens da força especial treinada com referência no time americano Seal, responsável por façanhas - como a que resultou na morte do líder Osama bin Laden, da Al-Qaeda.
A missão prioritária da União é rastrear, identificar e interrogar navios em trânsito na área. Esta é a segunda vez que a F-45 atua na região. Ela foi a primeira capitânia do Brasil da FT-Unifil em 2011. Outras unidades nacionais da classe assumiram a tarefa depois, a intervalos de aproximadamente seis meses.
Desde o começo da participação da Marinha no processo, foram realizadas 19.250 interrogações e cerca de 1.550 inspeções. Essa etapa do procedimento é executada exclusivamente por equipes das forças libanesas.

Tensão
Não é um trabalho burocrático. Talvez 100 disparos reais, porém de advertência, foram realizados para intimidar e constranger embarcações geralmente mercantes, que se recusam a obedecer à norma de verificação estabelecida no mandato da ONU.
Ismail Sharif garante que "em várias ocasiões o radar de vigilância indicou a presença de drones, os veículos aéreos não tripulados, cruzando o espaço a grande altitude em clara função de observação sobre o mar".
Nada se compara, porém, à tensão causada pelo sobrevoo de caças de Israel. Um oficial, ex-integrante do grupamento brasileiro conta que, quase todos os dias, os jatos supersônicos Falcon F-16I invadem o limite do Líbano e cruzam o corredor marítimo utilizado pelos contrabandistas de armas.
"Por esse mesmo motivo, também estamos nessas coordenadas", explica o comandante. E é aí que os pilotos israelenses testam os limites: ativam seus radares e esperam o sinal de detecção do sistema do navio, medindo, assim, o tempo de resposta. "É um jogo pesado de alto risco: uma informação mal interpretada pode ter consequências muito sérias, dramáticas", pondera o militar brasileiro.
A F-45 União, comandada pelo capitão Gustavo Calero Garriga (o comandante da FT é o contra-almirante Joése de Andrade Bandeira) é a mais nova das seis fragatas compradas, há 40 anos, na Grã-Bretanha durante o governo de Ernesto Geisel. As últimas três foram construídas no Rio. Entre 1997 e 2003, todas passaram por um programa de revitalização, ganhando novos radares, recursos eletrônicos sofisticados e armas avançadas.
Celso Amorim, ministro da Defesa, afirmou sexta-feira que o Brasil é "um país provedor da paz", no Instituto Rio Branco, onde são formados diplomatas. O ministro explicou que política externa e política de defesa se complementam na tarefa, tanto no conjunto regional como no sistema internacional, contexto em que se situam as missões pacificadoras como a da Unifil.
Estadão, via Armamento e Defesa/montedo.com

5 de agosto de 2013

Chris virou Kristin: soldado de elite dos EUA muda de sexo

De Chris a Kristin: soldado de elite dos EUA relata mudança de gênero
Kristin Beck assumiu-se como transgênero após 20 anos no Navy Seals Foto: Kristin Beck/Arquivo pessoal / BBCBrasil.com
Kristin Beck assumiu-se como transgênero após 20 anos no Navy Seals
Foto: Kristin Beck/Arquivo pessoal / BBCBrasil.com
Chris Beck trabalhou 20 anos no Navy Seals, um comando especial da Marinha dos EUA que frequentemente faz operações secretas em territórios inimigos. Mas ao longo desse período o oficial guardava um segredo pessoal: desde a infância, ele sentia que era uma mulher nascida em um corpo masculino.
Como oficial altamente condecorado da Marinha, o mundo de Beck era duro, machista e às vezes violento. Ele participou de missões sigilosas no Pacífico e no Oriente Médio, inclusive durante a Guerra do Iraque.
Mas, em fevereiro passado, mais de um ano após sua aposentadoria da Marinha, ele trocou sua foto em seu perfil no LinkedIn pela de uma mulher alta, morena, com uma blusa branca, sorrindo diante de uma bandeira americana. E escreveu: "Tiro agora todos os meus disfarces e mostro ao mundo minha verdadeira identidade como mulher".
Chris se tornou Kristin.
Enquanto esperava pela reação de seus antigos colegas de trabalho, Kristin sabia que sua decisão não tinha volta.

Códigos

Nas Forças Armadas, Kristin (ainda Chris) trabalhou em missões complexas Foto: Kristin Beck/Arquivo pessoal / BBCBrasil.com
Nas Forças Armadas, Kristin (ainda Chris) trabalhou em missões complexas
Foto: Kristin Beck/Arquivo pessoal / BBCBrasil.com
Os oficiais do Navy Seals participam de algumas das missões militares mais difíceis e perigosas do mundo (uma das unidades em que Kristin trabalhou, por exemplo, foi responsável pela missão que matou Osama Bin Laden no Paquistão, em maio de 2011) e têm, entre si, um código de lealdade, integridade e confiança.
Kristin temia que seus ex-colegas a acusassem de desonrar esse código por assumir-se como transgênero. Alguns tiveram dificuldades em aceitar a decisão dela, mas as respostas que ela recebeu foram, em sua maioria, positivas.
"Muitos deles disseram 'Kris, não entendo o que você está passando agora, mas sei da sua história", ela conta à BBC. "Meus 'irmãos' do Navy Seal disseram, 'você fez um ótimo trabalho de campo nos últimos 20 anos. Não te entendo, mas te apoio 100% e espero aprender mais a respeito (do que você está passando) e te ver no próximo encontro."
Sabendo que a notícia rapidamente espalharia, Kristin decidiu contar sua própria história antes que alguém fizesse isso para ela.

"Três vidas"
Nas Forças Armadas, Kristin (ainda Chris) trabalhou em missões complexas
Ela é coautora do livro Warrior Princess: A US Navy Seal's Journey to Coming Out Transgender (em tradução livre, "Princesa Guerreira: A Jornada de Uma Navy Seal em se assumir Trangênero"), com Anne Speckhard, professora de psiquiatria da Universidade Georgetown, em Washington.
O livro aborda sua infância em uma família religiosa e socialmente conservadora, suas tentativas de suprimir sua identidade de gênero - ela secretamente comprava roupas femininas e depois as jogava fora - e seus dois casamentos, que fracassaram.
"Eu estava vivendo três vidas", diz Kristin. "Tinha uma vida secreta com minha identidade feminina, minha vida secreta com os Seals e minha vida em casa, que eu compartilhava com minha mulher, filhos, pais e amigos. As pessoas viam fragmentos de mim, mas, em geral, ninguém realmente me conhecia."
As operações especiais ocorridas após os atentados de 11 de Setembro, combinadas com uma vida emocional "totalmente esmagada" fizeram com que Kristin desenvolvesse estresse pós-traumático.
Ela contou que, por anos, lidou com o impacto psicológico de "tanta morte, tanta dor" recorrendo a "cerveja, motos e mais cerveja".
Mas o fato de assumir-se como transgênero teve um "impacto dramático" em seus sintomas de estresse. "Não sinto tanta raiva e durmo melhor, simplesmente porque estou mais feliz", relata. "Muitas pessoas me disseram, 'pela primeira vez estou vendo você sorrir'."

'Não pergunte, não conte'
O fim da política "don't ask, don't tell" ("não pergunte, não conte"), em 2011, pôs fim ao veto a pessoas abertamente homossexuais nas Forças Armadas americanas. Mas essa mudança não se aplicou a transgêneros, que ainda podem ser dispensados se descobertos.
Kristin, por sua vez, defende que oficiais transgêneros possam ser realocados dentro das Forças Armadas.
"É uma condição humana", argumenta. "Os militares têm de olhar além do gênero e ver pessoas como eu como indivíduos, não apenas feminino ou masculino, e entender que eu ainda posso fazer um bom trabalho. Posso não conseguir fazer todas as tarefas de antes, mas posso fazer algo diferente - ser analista de inteligência ou oficial de segurança em postos de checagem."
"Ninguém é perfeito", prossegue. "Não sou Conan o Bárbaro, nem sou a Barbie. Somos todos diferentes."
Kristin diz agora que abraça seu novo papel como porta-voz não oficial da comunidade transgênero com o mesmo "espírito guerreiro" de sua carreira militar.
"Recebi e-mails comoventes de pessoas presas a ambientes de dor e preconceito, e (ajudá-las) faz com que tudo valha a pena", conta. "Também recebi e-mails de heterrossexuais dizendo, 'obrigada por seu trabalho (na Marinha). Nunca entendi (o que você passou), mas agora entendo'."
"O medo do desconhecido é o maior problema", agrega Kristin. "Não vou machucar ninguém e não sou contagiosa. Sou apenas eu."
Terra/montedo.com

5 de junho de 2013

ex-Navy Seal: soldado de elite americano muda de sexo após vinte anos na ativa

EUA: soldado de elite muda de sexo após aposentadoria
Combinação de fotos mostra Beck antes e depois da troca de sexo Foto: Reprodução
Combinação de fotos mostra Beck antes e depois da troca de sexo Foto: Reprodução
Um ex-membro da força de elite americana Navy Seal escreveu um livro sobre os seus 20 anos de serviço e sobre a mudança de sexo que passou após sua aposentadoria.
Kristen Beck era conhecida como Chris durante o seu período no Navy Seal. Ela se aposentou alguns meses antes da invasão, em maio de 2011, do complexo em que Osama bin Laden foi morto no Paquistão por uma unidade da força de elite, o que deu fama mundial aos Navy Seal.
Durante o seu período no Exército, Kristen foi condecorada com duas medalhas por seus esforços. Agora, ela detalha o processo pelo qual passou de um dos soldados mais treinados do mundo para uma personalidade feminina que melhor se adequava ao seu emocional.
Com a ajuda da escritora Anne Speckhard, ela tenta explicar a transição no livro "Warrior Princess" (Princesa guerreira, na tradução do inglês), lançado no último final de semana. "Chris realmente queria ser uma garota, sentia-se como tal e consolidou essa identidade muito cedo em sua infância", disse Speckhard a rede de notícias ABC.
Por anos Chris desligou sua sexualidade como uma botão e viveu como um guerreiro, consumido pela batalha - vivendo assexuadamente
"Por anos Chris desligou sua sexualidade como uma botão e viveu como um guerreiro, consumido pela batalha - vivendo assexuadamente", diz o livro. "Mesmo que ele quisesse entreter pensamentos sexuais, nunca houve muito tempo para pensar sobre sua sexualidade".
O Exército americano não permite a presença de pessoas que mudaram de sexo em seus quadros. Kristen se tornou uma ativista e criou uma organização para ajudar soldados que combatem no exterior a retornar à vida civil normal. 
Terra/montedo.com

31 de março de 2013

Navy Seals: integrante da equipe que matou Bin Laden morre durante salto noturno nos EUA

EUA: militar que atuou na morte de Bin Laden morre durante treinamento

Um membro das forças especiais do Exército dos Estados Unidos Navy Seal morreu em um treinamento de manobras de paraquedismo, no qual outro militar também ficou ferido, informou a rede americana NBC.
O militar, do qual ainda não foi divulgada a identidade, fazia parte da famosa Equipe número 6 das Navy Seal, encarregada da missão que matou Osama bin Laden em maio de 2011.
No momento do acidente, na noite da quinta-feira, os militares praticavam paraquedismo noturno perto da cidade de Marana, no estado do Arizona.
Por enquanto, não se conhecem os detalhes do acidente em que um dos saltadores morreu e outro ficou ferido, embora se encontre em estado estável.
Os membros da equipe de elite 6 dos Navy Seal têm que passar por este tipo de treinamentos para se preparar para operações de infiltração e libertação de reféns.
Terra (EFE)/montedo.com

11 de fevereiro de 2013

"Isso é tudo, bum, e acabou", diz militar americano que matou Bin Laden

Militar que matou Bin Laden conta como tudo aconteceu
Um soldado das forças especiais americanas que mataram Osama bin Laden narrou, em entrevista à revista Esquire, a operação contra o líder da Al-Qaeda no Paquistão na madrugada de 2 de maio de 2011.
Esconderijo onde Bin Laden foi morto
Esconderijo onde Bin Laden foi morto (Aamir Qureshi)/AFP
"Isso é tudo, bum, e acabou", contou o pai de família de 35 anos, que falou na condição de permanecer no anonimato, referindo-se ao momento que entrou no quarto em que se encontrava Bin Laden, explicou que tudo foi muito rápido.
Ele foi o primeiro a entrar no quarto localizado no terceiro andar da residência de Bin Laden em Abbottabad. O chefe da Al-Qaeda estava na escuridão, sem poder ver nada, enquanto que a equipe de soldados estava equipada com lentes de visão noturna.
"Bin Laden estava lá, de pé. Tinha as mãos nos ombros de uma mulher, e a empurrava para frente, não exatamente para mim, mas na direção do ruídos dos passos. Era sua esposa mais jovem, Amal", narrou.
Ele disparou duas balas e depois uma terceira na cabeça do homem mais procurado do mundo. A ação durou uns 15 segundos desde a chegada ao terceiro andar.
"Todo mundo o queria morto, mas ninguém queria dizer: 'ei, você vai matar este homem'. Estava implícito", explicou o integrante da famosa equipe 6 dos Navy Seals
AFP/montedo.com

Comento:
Pelo que entendi, o valente usou a mulher como escudo. Além de louco e assassino, covarde.

24 de janeiro de 2013

Caveira & Batom: mulheres farão parte das tropas de elite americanas

EUA abrem posições de combate a mulheres militares
Alguns postos deverão estar disponíveis já neste ano e o objectivo é ter o processo concluído até 2016.
As mulheres acabam por participar em situações de combate PATRICK BRAZ/AFP
Os Estados Unidos vão abrir as posições de combate a mulheres, que até aqui estavam impedidas de ter algumas funções dentro das forças armadas
A medida, que deverá ser em breve anunciada pelo secretário da Defesa Leon Panneta, abre caminho a que as mulheres possam participar na primeira linha de combate e fazer parte de unidades de elite.
Desde 1994 que uma regra definida pelo Pentágono impede elementos femininos neste tipo de posições, muito embora várias mulheres acabem por participar em situações de combate nos diversos tipos de função que podem exercer. De acordo com o New York Times, 800 mulheres militares americanas ficaram feridas e 130 morreram nas guerras do Iraque e do Afeganistão.
Segundo uma fonte da equipa de Leon Panneta ouvida pelo USA Today, a decisão é apoiada unanimemente pelas cúpulas das várias forças armadas, que poderão, porém, pedir excepções para os casos em que considerem a inclusão de mulheres mais difícil. Alguns dos postos até aqui interditos deverão ser abertos a mulheres já neste ano, mas o início do recrutamento para forças de elite como os Seals (que mataram Osama Bin Laden) ou a Delta Force deverá ser mais demorado.
O processo deverá estar concluído até 2016, avança ainda o USA Today.
PÚBLICO/montedo.com

30 de agosto de 2012

Livro desmente versão do governo americano sobre morte de Bin-Laden

Livro de soldado americano põe em dúvida como Osama morreu
Discurso da Casa Branca é conflitante em relação à publicação de ex-militar

bin-laden
AP
Bin Laden já estaria morto antes da chegada de soldados, diz livro
O aguardado livro No Easy Day: The Firsthand Account Of The Mission That Killed Osama Bin Laden (Um dia nada fácil: o primeiro relato da missão que matou Osama Bin Laden, em tradução livre), do ex-soldado americano da Marinha Matt Bissonette (que usou o pseudônimo Mark Owen na publicação), ainda não foi lançado, mas já traz uma polêmica: como o terrorista Osama Bin Laden morreu? O relato do ex-militar já rende dúvidas acerca dos últimos momentos do homem mais procurado do mundo.
Segundo Owen, o grupo de elite da Marinha (conhecido como SEAL) que participou da operação encontrou Bin Laden desarmado e já morto, com uma bala na cabeça, quanto os soldados adentraram o quarto do terrorista na casa onde ele vivia em Abbottabad, no Paquistão.
A versão oficial do governo dos Estados Unidos, divulgada na época, em 2011, dá conta que Bin Laden estava armado e resistiu à prisão.
Leia também:
COMANDOS AMERICANOS MATAM OSAMA BIN-LADEN
Livro detalha a ação dos Seals que matou Bin Laden
Em trechos do livro, que será lançado no dia 4 de setembro nos EUA, o ex-soldado relata como o grupo esteve próximo de capturar o terrorista com vida, mas antes de ser pego Bin Laden teria optado por dar fim à própria vida.
- Estávamos a menos de cinco passos de chegar ao topo (da escada) quando ouvi tiros suprimidos , “Bop Bop". Eu não poderia dizer da posição onde estava se os tiros acertaram o alvo ou não. O homem desapareceu no quarto escuro.
A cena que os militares americanos viram a seguir foram a de mulheres sobre o corpo de Bin Laden, que usava uma camiseta sem mangas branca, calças soltas e uma túnica, de acordo com o livro. O ferimento que matou o terrorista não foi dado pelos soldados, insiste o autor, dando a entender que o desfecho real não condiz com o que foi divulgado pelo governo americano.
- Sangue e (pedaços de) cérebro se espalharam para fora do crânio. Ele ainda estava se contorcendo e tendo convulsões (quando chegamos).
Livro Bin Laden "No Easy Day" (Foto: AP Photo/Dutton)Owen revela ainda que ele e outro soldado miraram no peito de Bin Laden e dispararam várias vezes. As balas atravessaram o corpo, que ficou inerte no chão. O passo seguinte foi confirmar a identidade do terrorista, o que foi feito após o interrogatório das mulheres que estavam no quarto.
Esta versão contradiz também a missão dada aos soldados, já que um advogado do Pentágono teria alertado que tudo deveria ser feito para que tudo não parecesse um assassinato. A instrução, segundo Owen, era clara: “Não ensinarei a você como fazer seu trabalho. O que estamos dizendo é que se ele não for uma ameaça, você irá detê-lo”.
Havia armas no quarto de Bin Laden, mas nenhuma delas estava preparada para ser utilizada. O livro deixa claro que não houve nenhum tiroteio de 40 minutos, ou que o terrorista teria tido tempo de encarar os seus captores. A publicação pontua ainda o fato de que os soldados estavam certos de que o presidente Barack Obama iria tirar vantagem da morte de Bin Laden e seria reeleito.
Procurado, o porta-voz da Casa Branca Tommy Vietor preferiu não comentar os trechos divulgados do livro.
R7/montedo.com

24 de agosto de 2012

Livro detalha a ação dos Seals que matou Bin Laden

Soldado lança livro sobre operação que matou Bin Laden
A obra, que relata detalhes da missão, será lançada em 11 de setembro, onze anos depois do atentado terrorista ao World Trade Center

Livro Bin Laden "No Easy Day" (Foto: AP Photo/Dutton)Um dos integrantes do grupo de operações especiais da Marinha dos Estados Unidos (Seals), que matou Osama bin Laden no Paquistão no ano passado, lançará no próximo dia 11 de setembro um novo livro em que revela segredos dessa missão.
O início das vendas da obra, intitulada "No Easy Day" ("Um Dia Nada Fácil", em tradução livre) coincidirá com o 11º aniversário dos atentados terroristas contra as Torres Gêmeas, em Nova York, e contra o Pentágono, em Washington, segundo anunciou nesta quarta-feira (22) a editora Penguin.
O autor do livro, que assina com o pseudônimo de Mark Owen por motivos de segurança, é um antigo membro da equipe 6 dos Seals, que participou da operação na qual morreu o líder da rede terrorista Al Qaeda no dia 2 de maio de 2011 em uma casa de Abbottabad, a 50 quilômetros de Islamabad, a capital paquistanesa.
Segundo um comunicado da editora, o livro descreve todo o ataque, desde o acidente de helicóptero que poderia ter invalidado a operação, até a chamada por rádio na qual confirmaram a morte de Bin Laden, no que representa "uma peça essencial da história moderna".
Leia também:
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LENDA MILITAR: RICHARD MARCINKO, FUNDADOR DA TROPA QUE MATOU OSAMA BIN LADEN
Além desta histórica operação, Owen conta no livro outros aspectos de sua vida, como sua infância no Alasca, seu duro treinamento para fazer parte dos Seals, e os 13 combates dos quais participou após os atentados de 11 de setembro de 2001 até sua aposentadoria no ano passado.
O momento escolhido para publicar o livro causou polêmica por sua proximidade das eleições presidenciais de novembro. A editora vai lancar uma tiragem inicial de 300 mil exemplares da obra.

ÉPOCA COM AGÊNCIA EFE/montedo.com

20 de agosto de 2012

O soldado do século XXI

Sentado numa sala de comando, o militar move robôs no campo de batalha com um joystick. A guerra por controle remoto envolve novos riscos

FELIPE PONTES

CONTROLE REMOTO (Foto: Heather Ainsworth/The New York Times e Ethan Miller/Getty Images)
(Fotos: Heather Ainsworth/The New York Times e Ethan Miller/Getty Images)
Em 2011, a Força Aérea americana formou 350 operadores de drones (aviões controlados à distância), mais do que pilotos de caça e bombardeiros somados. Sentados em salas cercadas por botões e monitores, sem sair do chão, esses novos Top Guns têm à disposição 7 mil drones. Com tamanho de 140 vezes o que havia há dez anos, a esquadrilha é tão numerosa quanto a de aviões convencionais. Mandar robôs para a guerra tem uma vantagem incontestável. A dezenas de quilômetros de distância do lugar de conflito, um soldado corre menos risco de morrer. Mas trocar homens por máquinas num campo de batalha, como fazem os Estados Unidos em países como Paquistão e Afeganistão, tem implicações éticas e práticas ainda pouco compreendidas.
Segundo o site especializado The Long War Journal, em três anos, o governo Barack Obama autorizou cerca de 750 ataques de drones armados com bombas. O número de ações militares é o quádruplo do autorizado por seu antecessor, George W. Bush, em nove anos. Com câmeras, sensores de calor e raios infravermelhos, os aviões-robôs procuram suspeitos no território inimigo. De uma sala de comando, militares acompanham imagens e alertas. Podem decidir o envio de soldados, como fizeram na captura do líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, no Paquistão. Ou autorizar o robô a atirar, como fizeram para matar outro líder da al-Qaeda, Ilyas Kashmiri. Quando o alvo identificado faz parte de uma lista de procurados, ou diante do risco de atingir civis, o disparo depende de autorização pessoal do presidente Obama. Desde 2006, afirma o site, mais de 1.900 pessoas foram mortas no Paquistão por drones americanos.
Das salas de comando, os militares que operam os drones ficam menos sujeitos a erros provocados pela tensão do campo de combate. E, segundo Ronald Arkin, professor de robótica do Instituto de Tecnologia da Geórgia, as máquinas erram menos que os homens em atividades perigosas e de alta precisão. Máquinas não sentem fome, frio, estresse ou ódio. “Não cometem abusos de guerra, como estupros”, diz. Arkin está desenvolvendo, em parceria com o Exército americano, um software para robôs militares se comportarem mais eticamente que humanos no campo de batalha.
Mas comandar um exército de robôs à distância, numa sala, torna o combate semelhante a um videogame. É mais fácil encarar o inimigo com indiferença, desumanizá-lo. “Militares perdem o pudor de matar e a opinião pública fica apática”, afirmou a advogada britânica Jennifer Robinson, à rede de comunicações Al Jazeera. Autor do livro The United States of fear (Os Estados Unidos do medo, numa tradução livre), o escritor Tom Engelhardt diz que os robôs soldados são a última etapa para tornar a guerra um evento remoto para a maioria das pessoas. “Primeiro veio a batalha profissional, depois a privatizada, então a terceirizada – e todas tornaram o conflito mais distante à maioria do público. Agora, literal e figurativamente, surgiu a guerra remota.”
Os robôs nas telas dos cinemas (Foto: MGM/The Kobal Collection, Warner Bros/Everett Collection e divulgação)O governo dos Estados Unidos não diz oficialmente quantas vezes usou drones em ataques militares, quantas pessoas matou intencionalmente ou quantas matou sem intenção. Segundo uma autoridade do governo americano ouvida pelo jornal The New York Times, o número de mortos por engano “é inferior a dois dígitos”. Aparentemente, portanto, a eficácia do Exército americano serve de argumento a favor do uso de robôs. Mas a taxa de erro dos robôs é determinada por critérios discutíveis. “Obama considera combatentes todos os homens, em idade de serviço militar, encontrados em área de conflito”, afirma o jornal. “Eles passam à lista de inocentes apenas se o serviço de inteligência assim os considerar, depois de mortos.” Até partidários do presidente Obama criticam a falta de informações sobre o uso de robôs em combate. “Nossas ações militares com drones não têm transparência, contabilidade ou supervisão”, afirmou Dennis Kucinich, congressista de Ohio, do Partido Democrata.
A falta de informações sobre o uso dos drones do Exército americano dá força àqueles que são contra robôs em tarefas de risco. Os opositores dizem ser quase impossível, para uma equipe de programadores de software, prever todas as situações que um robô terá de encarar num campo de batalha. Seus argumentos ecoam ideias abordadas, há seis décadas, pelo escritor britânico Arthur C. Clarke. Inspirado em um conto seu, o filme 2001: uma odisseia no espaço (1968), do diretor Stanley Kubrick, mostra a luta entre homens e uma máquina. Sistema central de uma nave, o computador HAL-9000 recebeu dois comandos: realizar uma missão espacial e não deixar seus tripulantes saber do que se trata. Quando as instruções entram em conflito, HAL-9000 toma a decisão que lhe parece adequada: matar os astronautas. George Bekey, professor de engenharia da Universidade Politécnica Estadual da Califórnia (Calpoly), diz que robôs controlados por inteligência artificial têm ações imprevistas, como as do fictício computador HAL-9000. “Quem diz que temos controle total sobre os computadores está 20 anos atrasado”, afirma Bekey, editor do livro Robot ethics: the ethical and social implication of robotics (algo como Ética dos robôs: a implicação ética e social da robótica).
A ideia do robô descontrolado que mata humanos, prenunciada pelo filme de Kubrick, se concretizou em 2007, na África do Sul. Uma bateria antiaérea do Exército sul-africano, com autonomia para mirar e atirar por conta própria, sofreu uma pane durante um teste. Disparando com precisão, matou nove soldados e feriu 14. Em seguida, voltou a funcionar normalmente. Em agosto de 2010, um helicóptero-robô do Exército dos Estados Unidos fugiu da rota prevista durante 30 minutos. Sobrevoou 48 quilômetros em direção a Washington e violou o espaço aéreo da capital americana. Como estava desarmado, provocou apenas um susto. “As máquinas capazes de matar são o começo do nosso fim”, afirma Gianmarco Veruggio, cientista italiano especialista em robótica. Ele organizou, em 2004, na Itália, o primeiro simpósio internacional de “Roboética”. A disciplina discute como programar padrões morais em máquinas e limitar seu poder. “Precisamos criar agora normas elaboradas para não ter problemas com robôs no futuro”, afirma Veruggio.
Talvez seja tarde demais para discutir um código de ética. Cerca de 50 países – entre eles o Brasil – trabalham com drones. Eles podem assinar tratados de restrição à atividade de drones armados, como já se fez a respeito de minas terrestres e armas nucleares. Mas pouco poderão fazer a respeito de grupos terroristas, indiferentes a acordos diplomáticos e com livre acesso a robôs baratos. Terroristas do grupo Hezbollah já usaram um drone.
A popularização dos robôs inspira outra preocupação, quanto à proliferação de vírus. O aumento no número de máquinas baseadas em programas de código aberto, com componentes comuns a videogames e celulares, torna mais fácil e atraente o desenvolvimento de programas para corrompê-las. Com o programa certo, um hacker pode transformar o robô de aliado em inimigo. Ou agente duplo. Foi o que, de certa forma, fizeram os serviços de inteligência de Estados Unidos e Israel ao inocular o vírus Stuxnet em computadores de usinas de enriquecimento de urânio do Irã. Infectado, o computador central das usinas mandava suas centrífugas girar 40% mais rápido, em ciclos de 15 minutos, a fim de rachar suas estruturas. Vulnerável e desprovido de autocontrole, o computador aceitou as novas ordens sem discutir. Os funcionários das usinas nada perceberam, pois passaram a receber relatórios falsos forjados pela máquina. O Stuxnet interrompeu o funcionamento de 1.000 a 5 mil centrífugas. A guerra travada com robôs já começou. Isso não torna o mundo apenas mais difícil. Cria um novo campo de batalha – virtual – e novas preocupações.
Época/montedo.com

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