6 de junho de 2014

Roraima: soldado do Exército morre após levar tiro em ação da PM

Felipe Lima era militar do exército e pertencia ao 10º Grupo de Artilharia de Campanha de Selva (Foto: Arquivo Pessoal)
Felipe Lima pertencia ao 10º Grupo de
Artilharia de Campanha de Selva
(Foto: Arquivo Pessoal)
Em RR, soldado do exército morre após levar tiro durante ação da Polícia
Major da PM informou que um inquérito da Polícia Civil vai apurar o caso.
Pais da vítima pedem Justiça; Exército Brasileiro também vai apurar o fato.

Neidiana Oliveira
Do G1 RR
O soldado do Exército Brasileiro Felipe Lima, de 18 anos, morreu após ser atingido por um tiro durante um acompanhamento tático da Polícia Militar (PM). De acordo com informações do major Arcanjo, coordenador de operações da PM, o caso ocorreu na madrugada desta sexta-feira (6), na Rua Serejo Cruz, no Centro de Boa Vista. O pai do jovem relatou que a causa da morte foi um tiro na altura do pescoço.
O major da Polícia Militar detalhou que, durante a madrugada o Centro Integrado de Operações Policiais (Ciops), foi acionado para averiguar um assalto na região e de imediato os policiais foram informados para acompanhar os possíveis assaltantes.
"Um dos carros da PM identificou dois homens em motos e com as características repassadas. Com isso, fizeram o acompanhamento tático para a abordagem tão somente para saber se eram os mesmos envolvidos no crime, mas eles fugiram do bloqueio policial", afirmou.
Ele disse ainda que um dos motociclistas conseguiu fugir e o outro [Felipe Lima] ao ver a rua fechada com uma viatura acabou avançando contra o carro da polícia, momento em que foi efetuado o disparo de arma de fogo por um policial. "O motociclista caiu", relatou Arcanjo, acrescentando que todos os procedimentos foram feitos no local pelo major responsável pela ocorrência.
"O isolamento do local foi feito, foi acionada a perícia e colhido todo o material, inclusive as armas dos policiais, para fazer a verificação da balística e se, porventura, há projétil no corpo do motociclista. Isso para saber se o corte foi do disparo da arma ou se foi devido à queda, pois o capacete ter cortado o pescoço do rapaz. Também foi instaurado um inquérito da Polícia Civil, que vai apurar o ocorrido", informou o major.

Família
A mãe de Felipe Lima, a funcionária pública Lindalva Lima contou que segundo relatos do esposo, o rapaz foi até à casa dela e emprestou a motocicleta do padrasto para ir a uma festa do quartel e desde então não retornou mais. "O Felipe sempre foi um menino bom, estudioso e obediente. Ele terminou os estudos e ingressou na carreira militar. Era o sonho dele ser do exército e servir a pátria", contou emocionada a mãe, que pede Justiça. Conforme informações de familiares, o rapaz não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Ela comentou que o jovem estava há quatro meses no exército e no próximo dia 10 iria receber a boina. "Meu filho iria completar 19 anos no mês de novembro. Eu quero Justiça porque até então ele não era nenhum bandido. Enquanto tem muitos bandidos perigosos e ninguém faz nada. Não que eu queira que tire a vida de outras pessoas, mas estou reivindicando meus direitos de mãe, pois meu filho não era nenhum pilantra e tiraram a vida dele dessa forma".
O pai da vítima Djalma de Lima relatou que Felipe há dois anos estava morando com ele e que o jovem era "tímido e não guardava rancor". Ainda de acordo com o pai, que teve acesso ao laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte foi um tiro. "Eles falaram que foi um homicídio. Ele sofreu um tiro no pescoço em que uma artéria foi rompida e isso foi a causa da morte. Não me deixaram ver o corpo dele, alegaram que o médico responsável não permitiu", afirmou.
A família está revoltada com a atuação da Polícia Militar e pede Justiça. "Nossa situação ficou difícil, pois não estávamos preparados para isso. Nunca imaginávamos que iria acontecer uma coisa dessas com ele. Sempre o aconselhava quanto aos acidentes de trânsito, mas isso não. Esses homens deveriam estar preocupados em proteger a sociedade e não matar os filhos da gente, pessoas inocentes. Eles são despreparados. Os profissionais precisam de reciclagem para que a população viva tranquila e segura de verdade", desabafou o pai emocionado.

Exército Brasileiro
Em nota, o Exército Brasileiro informou que Felipe Lima era militar do Efetivo Variável da 1ª Brigada de Infantaria de Selva e pertencia ao 10º Grupo de Artilharia de Campanha de Selva. Conforme a nota, o jovem sofreu perseguição, por motivo ainda desconhecido e foi alvejado por disparo de arma de fogo na altura do pescoço.
Ainda de acordo com a nota, as circunstâncias da perseguição e da morte do militar estão sendo apuradas pela Polícia Judiciária (Polícia Civil) e pela perícia. Além disso, o 10º Grupo de Artilharia de Campanha de Selva vai instaurar Inquérito Policial Militar para acompanhar e elucidar o fato. O corpo do jovem foi liberado para o sepultamento.
G1/montedo.com

Coronel do Exército é morto a pauladas no RJ

Coronel do Exército encontrado morto na Zona Sul de Niterói
Polícia acredita que crime tenha sido praticado na quarta-feira

ROBERTA TRINDADE
Rio - O coronel reformado do Exército Aloísio Resende de Mendonça, 79 anos, foi encontrado morto em sua residência, em Icaraí, na Zona Sul de Niterói, no início da noite desta quinta-feira. A Polícia acredita que o crime – ocorrido na Alameda João Batista, que liga a Rua Gavião Peixoto à Avenida Almirante Ari Parreiras –, tenha sido praticado na noite de quarta-feira.
Vizinhos contaram que na ocasião perceberam uma movimentação estranha na casa do oficial, que morava sozinho, mas alugava um quarto para um homem, que não estava no imóvel no momento do assalto.Os criminosos fugiram levando televisão, celular, carteira e o carro do militar, que deixa quatro filhos.
De acordo com informações preliminares, o coronel – que estava deitado de pijama na cama – foi morto a pauladas. Policiais do 12º BPM (Niterói) estão neste momento aguardando a chegada de equipes da Divisão de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DH-Nit/SG) no local.
O DIA/montedo.com

'The longest of days': Dia D, setenta anos.

6 de junho de 1944: tropas aliadas desembarcam na Normandia, dando início a maior invasão da História


4 de junho de 2014

Quadro Especial: promoções serão retroativas e incluem cabos e militares da reserva

Atualização 4/6 (11h50m)


Conforme Kelma Costa informou em primeira mão (vídeo acima), o Exército regulamentou as promoções no Quadro Especial, garantido promoções retroativas face às recentes alterações na legislação. O benefício contempla inclusive os militares que passaram para a reserva. Confira um resumo dos principais itens contemplados:

1) Os terceiros sargentos QE com data de promoção até junho de 2006 FORAM PROMOVIDOS a segundos sargentos a contar de 1º de dezembro de 2013, retroativamente.

2) Os terceiros sargentos QE com data de promoção até dezembro de 2009 SERÃO PROMOVIDOS a segundos sargentos a contar de 1º de dezembro de 2013, retroativamente.

3) Os terceiros sargentos QE com data de promoção até junho de 2010 SERÃO  PROMOVIDOS a segundos sargentos a contar de 1º de junho de 2014, retroativamente.

4) Os soldados promovidos a Cabos do QE com data da praça anterior a 1994 SERÃO PROMOVIDOS a terceiros sargentos a contar de 1º de dezembro de 2013, retroativamente.

5) Os terceiros sargentos QE promovidos até dezembro de 2009 e TRANSFERIDOS PARA A RESERVA, SERÃO PROMOVIDOS, mesmo na reserva, a contar de 1º de dezembro de 2013, retroativamente.

6) Os Terceiros sargentos do QE promovidos até dezembro de 2009 que foram para a reserva ex-officio, por atingirem a idade limite, SERÃO REINTEGRADOS À ATIVA e deverão requerer nova passagem para a reserva.


Abaixo, cópia da minuta do documento enviado as Organizações Militares

Aqui, a íntegra da Portaria nº 111 - EME, de 29 de maio de 2014, publicada no BE nº 22, de 30 de maio.

O Brasil exibe os seus músculos militares para dissuadir os radicais anti-Copa

As autoridades federais e regionais lançaram uma mensagem clara: os preparativos policiais e militares já estão em andamento e os radicais terão poucas possibilidades de usar a violência
Mesmo contrariados, os brasileiros já admitem que apoiarão a Copa
Policiais guardam o estádio Mané Garrincha, em Brasília. / FERNANDO BIZERRA JR. (EFE)
FRANCHO BARÓN 
Rio de Janeiro - Ante o temor que provoca dentro e fora do Brasil a possibilidade de que ocorram explosões de violência durante a Copa do Mundo, o Governo de Dilma Rousseff e as autoridades dos Estados que acolherão jogos ou concentrações das seleções participantes lançaram uma mensagem clara: os preparativos policiais e militares já estão em andamento e os radicais terão poucas possibilidades de usar a violência. A exibição de uma poderosa mobilização de meios materiais e humanos deixa isso bem evidente: um dia se anuncia que o Exército será responsável pela segurança dos deslocamentos terrestres das seleções e no dia seguinte se apresenta à imprensa um draconiano aparato policial ou se realiza uma simulação na qual o Estado exibe sua capacidade de reação diante de um hipotético (e altamente improvável) ataque radiológico em uma linha do metrô do Rio. Tudo isso diante das câmeras de meio mundo.
Frente às incertezas surgidas durante a Copa das Confederações, no ano passado, quando milhões de brasileiros foram às ruas de forma espontânea para protestar contra seus governantes, o Brasil preferiu não se arriscar de novo e decidiu blindar-se para qualquer cenário de convulsão social. Os grupos contrários ao Mundial, como o Comitê Popular da Copa, anunciam que as manifestações estarão garantidas. O Governo já disse que não pretende reprimi-las, já que são um sinal claro de saúde democrática. O que não se tolerará, segundo a própria presidenta, é a violência protagonizada por grupos radicais, como os Black Blocs ou outros agrupamentos sem controle.
Efetivos do Exército, da Polícia e do Corpo de Bombeiros realizaram diante da imprensa uma simulação de violência extrema no metrô carioca. Depois de uma forte detonação, os vagões pararam em uma estação do centro com dezenas de extras teoricamente afetados por uma bomba radioativa. As câmeras registraram como equipes perfeitamente equipadas com indumentária apropriada para ataques químicos, radiológicos, bacteriológicos e nucleares retiraram pouco a pouco os feridos virtuais e os submeteram a um processo de descontaminação radioativa. O ensaio foi coordenado pelo Exército e nele foram utilizados hospitais de campanha e equipes de alta tecnologia.
Um dia antes, a Polícia Militar de Rio mobilizou diante do Pão de Açúcar numerosos efetivos equipados com cavalos, cães adestrados, helicópteros, lanchas, diversos veículos e uniformes antidistúrbios. A imagem do conjunto foi um claro aviso aos navegantes: estamos preparados para tudo. Nesta segunda-feira, um contingente adicional de 1.600 policiais recém-formados começam a patrulhar as ruas do Rio em uma prévia da imponente mobilização armada que se verá durante o Mundial.
A presidenta Dilma Rousseff decidiu na semana passada que o Exército será encarregado de proteger as seleções e delegações dos protestos que possam ocorrer. A decisão foi adotada depois que, na segunda-feira passada, um grupo de 300 professores em greve cercou o ônibus da seleção brasileira, esmurrando-o e enchendo-o de adesivos com reivindicações. A presidenta aproveitou a inauguração do corredor expresso de ônibus BRT Transcarioca, que une a Barra da Tijuca e o Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, para fazer um apelo à calma social: “Quando um turista estrangeiro ou de outro lugar do Brasil vem a esta cidade, sempre retorna com a sensação de ter sido bem recebido. Estou segura de que a população receberá os turistas com carinho, cuidado, respeito e sem violência”.
A declaração de Dilma coincide com a publicação de uma sondagem de opinião realizada no Rio pela Overview Pesquisa que traz dados alentadores para o Governo. Dos entrevistados, 88,2% dizem não ter intenções de manifestar-se nas ruas durante o Mundial. Além disso, 45,4% apoiam a realização da Copa no Brasil, enquanto 39,2% se declaram contra. De qualquer forma, a paixão pelo futebol volta a contagiar a imensa maioria, já que 84% dos cariocas dizem ter a intenção de ver os jogos.
EL PAÍS/montedo.com

Cães e soldados

Após perder uma pata em explosão no Afeganistão, Laika foi adotada pelo seu salvador (Reprodução YouTube)

É uma realidade muito pouco conhecida: a dos cães utilizados em situações de guerra. A National Geographic conta vários casos, entre os quais o do soldado que adotou o cão que o salvou no Afeganistão.
O sargento Terry Young e seu pastor alemão, Wero, procuram explosivos em um posto em Kandahar, Afeganistão
(Adam Ferguson/NG)
No número de junho da National Geographic há um artigo sobre «Cães de guerra», que conta como estes animais são envolvidos em algumas das mais perigosas guerras da atualidade.
Rumo a uma ação no Afeganistão, o belga-malinois Oopey voa sentado ao lado de seu treinador, o sargento Jonathan Bourgeois (Adam Ferguson/NG)
O artigo privilegia a relação dos cães com os soldados que lhes estão mais próximos e uma história se destaca: da "Laika" que foi adotada pelo sargento Julian McDonald.
"Laika" foi atingida quatro vezes em combate no Afeganistão, mas ainda conseguiu salvar vários soldados.
Já sem uma perna, "Laika" deveria ser abatida. Mas acabou adotada por aquele que salvou.


TST-National Geographic/montedo.com

3 de junho de 2014

General Santos Cruz: "Não existe missão [de paz] que conserte tudo"

"Não existe missão que conserte tudo", diz ex-chefe das tropas no Haiti
General Santos Cruz rebate críticas à liderança brasileira da Minustah e afirma que responsável por um país é seu próprio povo e governo. 
Hoje à frente da Monusco, ele lembra que ONU é só um suporte ao Exército congolês.

"Sem romantismo." É assim que o general Carlos Alberto dos Santos Cruz enxerga a crescente participação brasileira em missões de paz internacionais. Ex-comandante da Minustah, no Haiti, ele hoje está à frente da Monusco, na República Democrática do Congo.
Em entrevista à DW, ele diz que não existe missão que resolva todos os problemas de um país. E responde às críticas de que a Minustah – que completa dez anos, sempre chefiada pelo Brasil – teria falhado ao não abordar as raízes dos problemas haitianos, embora reconheça que a parte social da missão não foi tão bem-sucedida quanto a militar.
"Os principais responsáveis pelo país são seus cidadãos. Não existe missão que vá para um local para consertar tudo. O desenvolvimento do país passa pela responsabilidade do próprio povo e dos governantes", afirma o general.
Hoje no comando da maior missão de paz do mundo, Santos Cruz é cauteloso ao avaliar as chances do Brasil em conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Ele diz que a participação brasileira em missões da ONU é apenas um critério a ser observado. Outros seriam política externa e participação econômica na própria organização.
"Eu não vejo isso com romantismo, (...) isso tem que ser visto de forma muito mais realista", diz. "Excesso de romantismo é você se enxergar como a grande estrela da festa. E, às vezes, você não é."

DW: A atuação brasileira em missões de paz da ONU é cada vez maior. Qual seria, na sua opinião, o próximo país onde o Brasil poderia atuar?
Carlos Alberto dos Santos Cruz: Eu não vejo isso com romantismo. Isso precisa ser avaliado pelo Ministério das Relações Exteriores, que vai aconselhar o governo. É preciso ver realmente qual é o seu objetivo político naquela participação. Há uma projeção internacional e dentro da ONU, mas isso precisa ser muito bem avaliado.
Um dos objetivos de participar mais ativamente das missões seria ter um assento permanente no Conselho de Segurança. O senhor acha que estamos mais próximos de conseguir isso?
Eu acho que você participa do ambiente internacional com maior presença e desenvoltura, não só com o objetivo de ter um assento no Conselho de Segurança. Eu acho que uma reforma ainda está distante. O modelo existe há 70 anos, não vai mudar da noite para o dia. Sem nenhum excesso de romantismo, em uma reformulação há bastante gente na fila. Há outras razões a se considerar, como política externa e participação econômica na própria organização. Isso tem que ser visto de forma muito mais realista.
Rebeldes se retiram de cidade do Congo, expulsos por forças locais apoiadas pela ONU
O que o senhor quer dizer com excesso de romantismo?
Excesso de romantismo é você se enxergar como a grande estrela da festa. E, às vezes, você não é.
A Minustah, chefiada militarmente pelo Brasil, costuma ser criticada por não ter abordado as raízes dos problemas haitianos, de ordem social, econômica e política.
Existe uma avaliação excessiva sobre a missão. Os principais responsáveis pelo país são seus cidadãos. Não existe missão que vá para um local para consertar tudo. Ela vai para resolver alguns problemas emergenciais. Já o desenvolvimento do país passa pela responsabilidade do próprio povo e dos governantes. É difícil isso acompanhar a parte militar, que é muito rápida e específica. O desenvolvimento envolve a capacidade dos políticos locais e a administração pública, que muitas vezes é deficiente. Além disso, há uma influência internacional, com recursos, agências e ONGs. É uma rede tão complexa e grande que você acaba não vendo resultado.

Mas isso também está previsto na missão...
Sim, está previsto. Mas essas promessas de doações de recursos e serviços têm um componente político muito forte. Entre a promessa e a realização há um tempo muito longo. O Congresso tem que aprovar, o dinheiro precisa estar no orçamento, depois o projeto não fica pronto ou a qualidade não é aceita pelo Banco Mundial e pelo país doador. São locais em que não há mão de obra qualificada, é preciso trazer de fora e o preço fica exorbitante. Por isso, a promessa acaba sendo desconectada da realidade imediata. No andamento histórico de um país há degraus que você não pode saltar, tem que subir um por um.
O senhor não teme que se desperdicem os esforços de estabilização?
Isso pode acontecer, mas também não podemos ficar para sempre. Os países têm o direito de ser completamente independentes. Eles têm que ser responsáveis pelo seu destino. Você não pode deformar o relacionamento político interno da população com o poder público.

Também criticam a estabilização por ter sido violenta...
Esse discurso é muito político e genérico. Sempre haverá pessoas contra e, às vezes, é por conveniência política. Mas não houve reclamação de ‘danos colaterais’, como se diz. Nós desmantelamos as gangues muito rapidamente e fizemos isso com muita qualidade.

Por que o senhor acha que foi escolhido como comandante da Monusco?
Em primeiro lugar, devido à experiência no Haiti. Porque o uso da força em ambiente internacional é muito complicado, então é bom ter um pouco de experiência. Além disso, eu faço parte de um país e de um Exército que têm prestígio, com uma diplomacia que sabe projetar o país. Na verdade você é o resultado de tudo isso.

Depois de um ano na Monusco, como o senhor avalia as conquistas da missão?
A principal conquista, desde junho do ano passado, foi exatamente a derrota do M23. Porque era um movimento rebelde, com uma história de crime muito grande, que estava colado na cidade. Todo o tempo havia aquele peso da invasão e de ataque aos campos de refugiados. A derrota do M23 significou o alívio da população de Goma, de mais de um milhão de habitantes. Na volta da cidade, na região de Kiwanja, Rutshuru e Bunagana, quase cem mil pessoas puderam voltar às suas residências e atividades agrícolas. E foi um orgulho para o Exército do Congo, porque eles são os principais atores, a ONU é um suporte.

E quais seriam os desafios políticos da Monusco?
Existe uma lista, mas eu diria que o grande desafio é mover todos os atores com a mesma intenção. Inclusive os internacionais. Precisaria haver um interesse político comum de realmente abafar o conflito e eliminar os grupos armados.Também teria que haver um trabalho muito sério de combate ao tráfico de armas no Congo. Porque tem muita gente importante envolvida, do contrário não haveria aquele volume de armamento e munição lá. Tem que ser feito um controle muito forte da exploração mineral e do comércio ilegal. Além de aumentar a presença do Estado e o combate à corrupção.

No início do ano houve um massacre em Masisi, perto de Goma, com 70 mortos. Um dos papeis da Monusco é proteger a população. O senhor acha que a missão conseguiu diminuir essas violações?
O Congo é um dos maiores países do mundo. Há problemas espalhados em uma distância de quase dois mil quilômetros. É impossível proteger todos os civis, o tempo todo, em todos os locais. Não são só esses massacres, há muitos outros, que nem são noticiados. Eles acontecem em lugares muito remotos.
DW.DE/montedo.com

STM nega habeas corpus a civil que tentou matar subtenente do Exército

Negado HC a um civil que tentou matar dois militares do Exército na Bahia

O Superior Tribunal Militar (STM) negou, um habeas corpus(HC) impetrado pela defesa de um civil, acusado de atirar contra militares do Exército, em Itabuna, sul da Bahia. O réu responde a ação penal na Auditoria Militar de Salvador por tentativa de homicídio contra o comandante do Tiro de Guerra de Itabuna e um guarda do quartel.
Segundo o Ministério Público Militar, em março de 2012, o civil de 57 anos pilotava uma motocicleta, por volta das 20h, quando perdeu o controle do veículo ao se desviar de cavaletes. Os objetos foram postos na via pública pelos militares para balizar o trânsito no local. Após perder o controle, ele tombou em frente às instalações do Tiro de Guerra.
Ao observar o acidente, os “atiradores” de serviço (assim são chamados os militares que servem em Tiros de Guerra) saíram em socorro da vítima. No entanto, segundo a denúncia, o civil teria se exaltado com os militares, com xingamentos e os culpando pelo acidente.
Os “atiradores” resolveram chamar o instrutor-chefe do quartel, um subtenente do Exército, que pelo horário já estava em sua residência. Mas ao chegar no local, o acusado sacou uma arma, um revólver calibre .32 e disparou contra o comandante e na direção de um dos “atiradores”. O subtenente foi alvejado com um tiro no tórax e o outro militar foi atingido no braço esquerdo. Após os disparos, o acusado fugiu do local.
Em junho do ano passado, a promotoria ofereceu denúncia contra o civil junto à Justiça Militar da União (JMU) por tentativa de homicídio, conforme previsto no Código Penal Militar. A ação penal tramita na 6ª Auditoria Militar, em Salvador. Nesta semana, a defesa do réu impetrou ação de habeas corpus junto ao Superior Tribunal Militar e pediu a suspensão da ação penal, argumentando ser o crime comum e a Justiça Militar incompetente para processar e julgar o réu.
Ao analisar o pedido, o ministro do STM Luis Carlos Gomes Mattos negou o recurso da defesa. Para o ministro, o palco onde ocorreu a infração penal era uma via frontal a um quartel do Exército e os disparos feitos pelo réu foram com o objetivo de tirar a vida dos militares que se encontravam em função de natureza militar. “Sendo que um deles (...) estava formalmente de serviço e o outro (...), na qualidade de Instrutor-Chefe do referido Tiro de Guerra, estava atuando não só na defesa de seus subordinados e instruendos, como também na do próprio aquartelamento”, disse o magistrado.
O relator afirmou também que a previsão do julgamento de civis na Justiça Militar está no Artigo 124 da Constituição Federal e no artigo 9º do Código Penal Militar. “Em primeiro lugar e em que pese o longo arrazoado da impetrante em sentido oposto, a hipótese é mesmo de crime militar, assentando-se a competência da Justiça Militar da União para processá-lo e julgá-lo”, votou. Por maioria, os demais ministros do STM acompanharam o voto do relator e mantiveram o curso normal da ação penal na Auditoria Militar da Salvador.
Justiça em Foco/montedo.com

Copa: Exército terá 300 homens para atuar em caso de atentado nuclear e biológico no RJ

Rio: -Exército terá 300 homens para atuar em caso de atentado nuclear e biológico
Agentes de defesa e segurança simulam acidente radiológico no metrô causado por atentado terrorista, como parte da preparação para a Copa (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Militares do Exército estão de prontidão para agir em caso de atentado nuclear e biológico na CopaT
ânia Rêgo/Agência Brasil
Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil Edição: Juliana Andrade
Cerca de 300 homens do Exército ficarão de prontidão na cidade do Rio de Janeiro para atuar em resposta a eventuais atentados envolvendo agentes químicos, biológicos, radiológicos ou nucleares, durante a Copa do Mundo. O principal foco de atenção dos militares será o Estádio do Maracanã, que sediará sete jogos do torneio, entre eles a final, no dia 13 de julho, mas equipes estão de prontidão para atuar em outros possíveis alvos de ataque, como estações de metrô.
A informação foi divulgada no sábado (31) pelo chefe da Divisão de Defesa Química, Biológica e Nuclear do Centro Tecnológico do Exército, tenente-coronel Paulo Cabral. “Antes do evento, é feita uma análise de risco em vários locais em que pode acontecer um evento desse tipo e eles são reconhecidos previamente”, disse o oficial.
Segundo ele, entre as funções do Exército estará a identificação do agente usado no atentado e o atendimento a vítimas desses ataques, para que elas possam ser descontaminadas. Para isso, os militares trabalham com tendas, que podem ser montadas nos locais do incidente.
"Elas [as pessoas com suspeita de contaminação] passam por uma descontaminação primária e é feita uma triagem nesse pessoal, para verificar se estão contaminadas ou não e o nível de contaminação. Aquelas que estiverem contaminadas devem passar pelo posto de descontaminação total. A gente usa algumas soluções [medicamentos líquidos] preparadas para que seja feita a descontaminação”, disse Cabral.
Na manhã de sábado (31), as Forças Armadas e os bombeiros fizeram uma simulação de um atentado com uma bomba radioativa dentro de um vagão de metrô. Funcionários do metrô levaram cerca de 20 minutos para atender a cerca de 15 pessoas que simulavam estar feridas. Depois, chegaram militares das Forças Armadas e bombeiros para dar prosseguimento ao socorro médico.
Primeiro, os “feridos” foram encaminhados a uma tenda de descontaminação primária do Grupamento de Operações com Produtos Perigosos do Corpo de Bombeiros e, depois, para a tenda de descontaminação total do Exército. A simulação foi feita na Estação Cidade Nova, no centro, que fica fechada nos finais de semana.
EBC/montedo.com

Futura presidente do STM apoia revisão da Lei da Anistia

Futura presidente promete abrir arquivos do Superior Tribunal Militar
Maria Elizabeth Rocha assume no dia 16 comando da principal corte militar.
Ela defende direitos dos gays e ascensão de mulheres nas Forças Armadas.
A ministra Maria Elizabeth Teixeira Rocha durante entrevista em seu gabinete (Foto: Nathalia Passarinho / G1)
A ministra Maria Elizabeth Teixeira Rocha durante entrevista em seu gabinete (Foto: Nathalia Passarinho / G1)
Nathalia Passarinho
Do G1, em Brasília
A partir do próximo dia 16, pela primeira vez uma mulher passará a comandar o Superior Tribunal Militar (STM), organismo responsável por julgar em última instância os crimes militares.
Constitucionalista e de posição liberal, a ministra Maria Elizabeth Teixeira Rocha afirmou em entrevista ao G1 que, como primeira medida dos nove meses em que presidirá o STM, vai mandar digitalizar e dar publicidade aos arquivos do tribunal referentes ao período da ditadura militar.
“Faço questão de salvar nossa memória para o bem e para o mal. Para mostrar as mazelas do regime ditatorial e também a importância que essa Justiça teve no combate aos abusos e às usurpações do Direito que foram cometidas nessa época.”
Defensora dos direitos humanos e das liberdades individuais, Elizabeth Rocha diz que a Lei da Anistia foi necessária para garantir a transição para a democracia, mas ressalta que aquele momento da história passou. Para ela, é pertinente discutir a revisão da legislação que garantiu perdão a militares que praticaram crimes de tortura.
“Naquele momento, foi um pacto necessário, porque se não fosse assim a redemocratização seria mais complicada. O que acho possível, do ponto de vista jurídico, é rever esse pacto sob a luz dos tratados internacionais”, defendeu.
Para a ministra, se o Supremo Tribunal Federal derrubar a Lei de Anistia, caberá ao STM julgar os crimes cometidos durante o regime militar. “O que pesa mais? Os tratados internacionais ou um pacto feito em um determinado momento da história?”, questiona Elizabeth Rocha.
Desde que assumiu uma cadeira no STM em 2007, como a primeira mulher a integrar o tribunal, a ministra se destacou pela defesa dos direitos das mulheres e dos homossexuais nas Forças Armadas.
Em 2009, garantiu aos servidores da Justiça Militar da União o direito de incluírem companheiros do mesmo sexo como beneficiários do plano de saúde da categoria.
Um ano depois, em 2010, ficou vencida ao votar a favor de um tenente-coronel que acabou reformado pelo tribunal por ter tido um relacionamento homossexual com um subordinado.
Para a ministra, as Forças Armadas ainda precisam avançar na aceitação de militares homossexuais. “É inconcebível, antiético, antidemocrático, inconstitucional você diferenciar cidadãos por conta da orientação sexual. Você vai impedir um homossexual de servir a Pátria, que é um dever que ele tem, e transformá-lo em um cidadão de terceira categoria?”, indagou.
O Superior Tribunal Militar é composto por 15 integrantes nomeados pelo presidente da República, dos quais dez são militares e cinco civis. Maria Elizabeth Teixeira Rocha foi indicada para uma vaga no STM pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ela foi escolhida para presidir o tribunal em sessão administrativa no último dia 28. A ministra completará o mandato do general-de-exército Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, que presidiria o STM até 2015. Ele vai se aposentar.
Antes de integrar o tribunal, Maria Elizabeth atuava como advogada. Ela é formada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e tem pós-doutorado em direito constitucional pela Universidade Clássica de Lisboa.

Leia abaixo os principais temas abordados pela ministra na entrevista.
Mulher no tribunal militar
"Eles [militares] gostam de ser julgados por mulheres, porque a gente, além de ter uma visão diferenciada do comportamento humano, a mulher tem uma inteligência emocional que a distingue dos homens, que são muito racionais. A mulher considera a lei, o direito, com a compaixão, a misericórdia, que é importante para a parte mais fraca na relação jurisdicional, que é o réu. Sempre acho que mais mulheres atuando é extremamente proveitoso, porque se instala a diferença. O direito não é só aplicar a lei ao caso concreto. Senão, bastaria um computador. Mas também passa pela sensibilidade do julgador. É importante ter pessoas de vários segmentos sociais, gêneros, orientação sexual."

Homossexuais nas Forças Armadas
"Acho que os militares e a própria sociedade têm avançado muito em aceitar. A questão da tolerância não é você necessariamente concordar, mas tem que aceitar. É inconcebível, antiético, antidemocrático, inconstitucional você diferenciar cidadãos por conta da orientação sexual. Você vai impedir um homossexual de servir a Pátria, que é um dever que ele tem, e transformá-lo em um cidadão de terceira categoria?"

Mulheres nas Forças Armadas
"As mulheres hoje são extremamente respeitadas. Já tem uma primeira-almirante. Acho que o que poderia avançar é as mulheres poderem manejar as armas fins. Na Aeronáutica, as mulheres pilotam, mas não conduzem armas fins na Marinha e no Exército. As mulheres não manejam submarinos, navios. No Exército, só chegam a generais de quatro estrelas [os integrantes de] infantaria, cavalaria e artilharia. Então, as mulheres, como não podem ser artilheiras, infantes ou cavaleiras, elas só chegariam ao generalato de três estrelas. Elas têm condições mesmo físicas de alcançar isso. É tudo uma questão de treinamento. Falta abertura. Mas isso é uma conquista que está ocorrendo gradativamente."

Arquivos da ditadura
"Acho que é possível fazer uma mudança que eu reputo fundamental, que é preservar a memória do tribunal. Todos os processos relevantes até 1977 estão no Arquivo Nacional e, de 1977 em diante estão aqui. A história está dividida. Uma parte está lá e a outra aqui. A ideia é que possamos digitalizar os processos históricos, e já entrei em contrato com o diretor do Arquivo Nacional para viabilizar isso. E digitalizar sobretudo os documentos pós-1977, que são importantes porque subsidiam a Comissão da Verdade. É importante a preservação da memória. Por isso que faço questão de salvar nossa memória para o bem e para o mal. Para mostrar as mazelas do regime ditatorial e também a importância que essa Justiça teve no combate aos eventuais abusos e às usurpações do direito que foram cometidas nessa época. Digitalizando, a atuação do tribunal e a história do Brasil vão emergir. Papel acaba. O risco de não se fazer isso agora é de se perder para sempre."

O STM no regime militar
"Esta Corte tem decisões que servem de paradigma, de modelo. Atuou na ditadura com independência, coragem. Concedeu a primeira liminar em habeas corpus, garantiu a liberdade de imprensa quando disse que as palavras colocadas, ainda que sob a forma chula ou desabonadora, não configurava [sic] crime contra a segurança nacional, defendeu o direito de greve e assinou um manifesto em 1977, no auge do regime militar, contra as torturas. Quando já não havia mais como encobertar e falsear a existência de tortura nos quartéis e no Doi-Codi, o STM não teve dúvida em assinar o manifesto. Foi o primeiro a se manifestar. Nenhuma outra Corte fez isso. A leitura que eu faço é que um general não teme outro general. Eles estão na mesma posição hierárquica e têm toda a liberdade para se colocarem ali. Os generais não se intimidavam, pois eram todos colegas de farda."

Lei da Anistia
"Encaro como uma lei política e não como lei jurídica. Foi um acordo onde o perdão não significou o esquecimento. Por isso, acho que a Comissão da Verdade é relevante, na medida em que anistiar é perdoar o crime, mas não esquecer o passado. Até para que ele não se repita. Foi preciso forjar esse pacto, esse acordo de transição, para que o governo militar abrisse mão do poder. Naquele momento, foi um pacto necessário, porque, se não fosse assim, a redemocratização seria mais complicada. O que acho possível, sob o ponto de vista jurídico, é rever esse pacto sob a luz dos tratados internacionais. A Corte Interamericana determinou que o governo brasileiro investigue as torturas. E a discussão agora é saber o que vale: a decisão do Supremo de manter a Lei da Anistia ou a decisão posterior da corte internacional que recomendou apuração da tortura. O que pesa mais? Os tratados internacionais ou um pacto feito em um determinado momento da história?"
G1/montedo.com

A Grande Muralha: a maior fortificação militar da História

A Grande Muralha da China
Obra é uma das sete maravilhas modernas
Lívia Lombardo
Durante 1 900 anos, os chineses ergueram muros para se proteger dos povos do norte. As primeiras barreiras surgiram antes da unificação do império, em 221 a.C. Ao transformar sete reinos em um país, o imperador Qin Shihuangdi (259-210 a.C.) começou a unificar a muralha, ampliada nas dinastias seguintes. As técnicas foram evoluindo, e o muro, que a princípio era feito de barro, também foi erguido com tijolos. A Grande Muralha atingiu o auge no século 15. Mas, a partir de 1664, quando os manchus expandiram o território da China na direção norte, a obra perdeu utilidade. Em 1677, uma ordem do imperador Kangxi (1654-1722) pôs fim à longa saga de construções e reformas da mais incrível estrutura militar do mundo.

A construção
Lavradores pobres manuseavam a tecnologia de ponta da época
Trabalho duroA Grande Muralha foi construída por milhares de camponeses que, em troca do trabalho, eram liberados do pagamento de impostos. Há registros que dizem que, por causa da má alimentação e do frio, até 80% dos operários morriam trabalhando.
Tijolos em carroçasAlém de ampliar a barreira, a dinastia Ming (1368-1644) criou tijolos resistentes, feitos de barro aquecido a 1 150 ºC. Saindo dos fornos, que ficavam a até 80 quilômetros do muro, eles eram levados em carroças. Já a argamassa era feita com barro e farinha de arroz.
A guerraDepois de terminado, o muro servia para repelir invasões
Fumaça de estercoA comunicação entre as torres era feita com sinais de fumaça preta. No auge da muralha, o combustível mais usado era esterco misturado com palha. Na falta desse material, os soldados improvisavam com bandeirinhas pretas ou brancas.
Depósito e abrigoAs torres serviam como depósito de mantimentos, abrigo para até 50 militares e base para observação de movimentos inimigos. A distância entre elas variava, mas seguia um critério: cada torre tinha que visualizar os sinais emitidos pela vizinha.
Passarelas militaresAs torres eram ligadas por passarelas de 6 metros de largura, grandes o suficiente para permitir a rápida movimentação das tropas em caso de ataques dos inimigos. A defesa contra os invasores também era feita a partir desse local privilegiado.
Vitórias e derrotasA Grande Muralha foi posta à prova diversas vezes. Ela salvou a China em 1482, quando os mongóis ficaram presos contra as fortificações. Mas, em 1211, Gêngis Khan (1162-1227) venceu os chineses que se defendiam na área leste da construção.
AVENTURAS NA HISTÓRIA/montedo.com

2 de junho de 2014

Quadro Especial: sobre a promoção dos cabos

Alguns comentaristas estão cobrando uma informação já noticiada pelo blog. No dia 27 de maio, publiquei aqui o Decreto Presidencial que regulamenta a promoção dos cabos do Quadro Especial. Para conferir, é só clicar no link abaixo:

Quadro Especial do Exército: Decreto de Dilma regulamenta promoções dos Cabos

Alvo do MPF, Comandante da Marinha transferiu apartamento para a irmã, diz jornalista.

AVISO DE TEMPESTADE

Cláudio Humberto

Ressabiado com investigação do Ministério Público Federal sobre a compra de um apartamento em Copacabana avaliado em R$ 5 milhões, o comandante da Marinha, almirante Moura Neto, doou à irmã outro, menor, um dia após esta coluna falar do caso, em abril.

DIÁRIO do PODER/montedo.com

Leia também:
Mar à vista

MPF investiga comandante da Marinha por suposta improbidade administrativa
Comandante da Marinha emite nota negando acusações de improbidade

O milico e o craque

Militar do Exército tietando Neymar em Goiânia (CBF)

Operação militar no Haiti custa R$ 1,3 bi em 10 anos

Luis Kawaguti
Da BBC Brasil em São Paulo
Militar brasileiro durante tomada de Cite Soleil, Porto Príncipe, em maio de 2006. Foto Arquivo Pessoal Luis Kawaguti
Militar brasileiro durante tomada de Cite Soleil, Porto Príncipe, em maio de 2006
A participação de tropas brasileiras na missão de paz do Haiti completa 10 anos neste domingo. A operação militar aumentou a importância do Brasil no cenário internacional e ajudou o Haiti em um período de inúmeras crises políticas e catástrofes naturais. Isso tudo a um custo aproximado de R$1,3 bilhão aos cofres nacionais.
Contudo, após uma década no terreno e alguns revezes – sendo o principal deles um terremoto de proporções catastróficas que deixou 300 mil mortos em 2010 – o Brasil e a comunidade internacional enfrentam no país uma fase de fadiga de esforços.
Esse desgaste não é causado por ações de insurgentes, como no início do processo, mas em grande parte por questões burocráticas, políticas e culturais relacionadas ao próprio Haiti, de acordo com analistas.
Ao mesmo tempo em que fornece apoio para a solução de uma crise política de grandes proporções – há cerca de dois anos o Haiti tenta sem sucesso eleger um novo Parlamento – e lida com uma epidemia de cólera, a ONU estuda maneiras de começar a se retirar do país em 2016.
Até o fim de 2013, a operação militar brasileira no país custou R$ 2,1 bilhões. Segundo o Ministério da Defesa, 35% desse valor foi reembolsado pela ONU. Ao todo 30 mil militares passaram pela missão e 22 morreram - a maioria durante o terremoto de 2010.
Mas apesar das dificuldades, autoridades e especialistas avaliam que a missão tem sido positiva tanto para o Brasil quanto para o Haiti.

Haiti
Em linhas gerais, o cenário de segurança no Haiti foi estabilizado. Confrontos significativos entre rebeldes e capacetes azuis não ocorrem há sete anos e as estatísticas dos crimes comuns começaram a baixar no ano passado.
A estabilidade possibilitou ao Haiti realizar duas eleições presidenciais – conturbadas, porém livres – e trabalhar na reestruturação de sua força policial e também do sistema judiciário. Além disso, a presença militar abriu caminho para que ONGs internacionais oferecessem socorro a populações antes isoladas pela atuação de forças rebeldes.
"Em 2004 não se entrava em bairros como Cite Soleil e Bel Air. A parte de segurança melhorou bastante, hoje você anda a pé em lugares em que só se entrava dentro de blindados", disse o embaixador brasileiro Igor Kipman, que acompanhou toda a missão no país como responsável pela divisão de Caribe no Itamaraty e também chefiando a embaixada brasileira no país por três anos.
Mas essa melhora não significa que o país esteja totalmente calmo. A crise política e a ausência do Estado em determinados setores vêm deflagrando desde setembro do ano passado uma série de manifestações populares que por vezes se tornam violentas. Em muitas delas, os participantes pedem a queda do atual presidente Michel Martelly.
Após sofrer muitas baixas no terremoto, a polícia já está sendo reestruturada, mas apenas em 2016 deve ter condições de assumir a segurança no país sem a ajuda de tropas da ONU.
Na parte econômica, a existência da missão de paz como um todo tem injetado bilhões de dólares no Haiti. Somente após o terremoto de 2010 quase US$ 10 bilhões foram prometidos por países doadores para reconstruir a nação caribenha. Críticos disseram porém que uma parte considerável desse dinheiro não foi investida diretamente no país, mas na manutenção das estruturas de milhares de ONGs internacionais que operam no território.
Contudo, segundo Kipman, apenas a presença de militares e civis da Minustah (missão de paz no Haiti) no país - que compram produtos, alimentos, pagam aluguel e consomem serviços e entretenimento - injetou na economia cerca de US$ 8 bilhões na última década.
Na área de infra-estrutura, as três unidades de engenharia militar da Minustah - uma delas brasileira - asfaltaram grande quantidades de ruas, construíram inúmeros poços artesianos, desobstruíram canais e lançaram uma série de pontes sobre rios. Batalhões brasileiros e internacionais também realizaram ações sociais sistemáticas, que incluíram atendimento médico e odontológico, distribuição de suprimentos e de água.

Frustrações
Segundo o embaixador Kipman, a comunidade internacional lida hoje com um problema de "fadiga" na missão no Haiti. Parte disso está relacionado a uma herança cultural haitiana que faria certos segmentos da sociedade tenderem a rechaçar ações internacionais no país. "Essa foi uma marca que ficou na cultura do país desde a escravatura", afirmou o embaixador.
Com uma revolução escrava de grandes proporções, o Haiti foi a primeira nação americana a conquistar a independência do colonizador em 1804.
Os fatores político e burocrático também têm sido entraves - que dificultaram até iniciativas diplomáticas brasileiras. Em 2010, por exemplo, o presidente Lula prometeu a construção no país de quatro unidades médicas no modelo brasileiro UPA (Unidade de Pronto Atendimento). A primeira delas deveria ter ficado pronta no mesmo ano, mas só saiu do papel em 2014.
O governo brasileiro disse que uma verba de US$ 70 milhões (R$ 157 milhões) está disponível. Mas o governo haitiano teria tido dificuldade para encontrar locais para a construção das unidades, o que atrasou o processo.
Outro grande projeto que tramita sem data para conclusão é a construção de uma usina hidrelétrica na região central do país, que ajudaria a suprir o déficit de energia do Haiti e impulsionaria o desenvolvimento de indústrias.
O projeto da usina foi elaborado pelo Exército brasileiro a um custo de R$ 4 milhões. Mas nunca se tornou realidade devido entre outros fatores à falta de financiamento por parte de outras nações doadoras e devido a uma polêmica envolvendo uma comunidade nativa que teria que ser removida do local.

Brasil
A participação brasileira na Minustah não trouxe mudanças apenas para o Haiti, mas também para o Brasil. As mais significativas sem dúvida foram o surgimento de uma onda de imigrantes haitianos que passaram a entrar em território nacional desde 2010, o aumento do prestígio internacional do país e as melhorias relacionadas à capacitação das tropas brasileiras que passaram por Porto Príncipe nos últimos dez anos.
As remessas internacionais de dinheiro feitas ao Haiti por imigrantes vivendo no exterior sempre foram parte importante da economia haitiana. Historicamente os principais destinos da diáspora haitiana eram os Estados Unidos e a vizinha República Dominicana. Mas desde o grande terremoto de 2010 as condições no país se degradaram e o Brasil passou a figurar como país de destino.
Naquele ano, apenas 39 haitianos entraram legalmente no Brasil. Mas desde então o número começou a subir rapidamente: 988 em 2011; 2.235 em 2012; 10.156 em 2013 e 4.294 até abril deste ano. Segundo a Polícia Federal, o número de legalizados passa hoje de 17.700.
De acordo com analistas, o contato com as tropas brasileiras e um discurso amigável de Brasília após o terremoto foram alguns dos principais fatores de atração.
Segundo o Capitão de Mar e Guerra Fernando José Afonso Ferreira de Sousa, do Ministério da Defesa, além do ganho de influência no cenário internacional, em termos militares e de proteção da soberania a participação em uma operação internacional de paz tem um efeito de dissuasão contra outras nações em cenário regional.
Além disso, segundo ele, a Minustah colaborou para uma melhoria na capacitação das Forças Armadas brasileiras, especialmente para participação em missões de paz.
De acordo com ele, a qualidade do militar brasileiro nesse tipo específico de missão já pode ser comparada à de combatentes americanos ou europeus. "O Brasil alcançou um patamar de desenvolvimento muito grande e se aproximou sobremaneira de países da Otan na questão de missões de paz".
Segundo Sousa, para atender as exigências da ONU em termos de qualidade de equipamentos militares, o país também promoveu uma melhoria nos equipamentos usados por suas forças armadas, especialmente nas unidades que passaram pelo Haiti.
E de acordo com ele, a missão em situação real ajuda os militares brasileiros não só em operações de paz. A missão forneceu experiência para o uso adequado (e moderado) da força em cenário urbano e ensinou o militar a respeitar a cultura do país estrangeiro - "o que se refletiu também em respeito à nossa própria cultura", disse o comandante.
O embaixador Kipman afirmou ainda que as táticas desenvolvidas para pacificar Porto Príncipe colaboraram para o desenvolvimento do modelo de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), usadas para reduzir a violência nas favelas do Rio de Janeiro.
"Para o Brasil foi uma aprendizagem extraordinária, não só profissional mas do ponto de vista humano. Do soldado ao general houve uma abertura de horizontes e eles voltaram com outra visão de Brasil, voltaram reconciliados com o país", disse Kipman.
De acordo com ele, esse ganho de experiência também aconteceu na área civil, com diplomatas, ONGs e órgãos como a Embrapa ganhando experiência excepcional que pode ser usada no Brasil.
"Considero que a missão tem sido um grande sucesso", disse Kipman.
*Luis Kawaguti é autor do livro "A República Negra" (Ed. Globo/2006) sobre a missão de paz brasileira no Haiti
BBC Brasil/montedo.com

Centro de Capacitação Física do Exército se prepara para receber seleção da Inglaterra

Para abrigar ingleses, Centro do Exército recebe ajustes
Centro de Capacitação Física do Exército, na Urca, no Rio de Janeiro, receberá  os treinos da seleção da Inglaterra para a Copa do Mundo (Daniel Ramalho Terra)
Durante a Copa do Mundo, a seleção da Inglaterra terá como local de treinamentos o Centro de Capacitação Física do Exército (CCFEx), no Rio de Janeiro. Acompanhando a fase final de ajustes do local, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, mostrou-se satisfeito e exaltou a infraestrutura oferecida.
"Os CTS têm grande importância porque são responsáveis pela primeira e mais duradoura impressão das delegações, da imprensa e de vários turistas que acompanham as equipes. Por isso, estamos verificando a estrutura de cada um deles e a impressão que tem ficado é a de que o Brasil oferecerá as melhores condições, como é o caso daqui", sintetizou.
Por sua vez, o general Décio dos Santos Brasil contou que o alto padrão de exigência dos ingleses serviu de parâmetro para a busca do CCFEx pela excelência: "Não tenho dúvidas que a seleção da Inglaterra é uma das mais importantes do futebol e uma das mais exigentes também. Nossa expectativa é atendê-los da melhor forma para que eles fiquem satisfeitos", comentou.
A Inglaterra estreia no Mundial no dia 14 de junho, sábado, às 19h (de Brasília), diante da Itália. O embate terá como palco a Arena da Amazônia, em Manaus-AM. Na sequência, os britânicos enfrentarão o Uruguai, em São Paulo, e a Costa Rica, no Mineirão.
Terra/montedo.com

1 de junho de 2014

Quadro Especial: tudo começou com eles


Integrantes do Quadro Especial de Santa Maria e região comemoram a promoção de um colega a graduação de segundo sargento. Na foto, de blusa vermelha, o Deputado  Federal Paulo Pimenta (PT/RS).
Ideologia à parte -os leitores sabem muito bem que não morro de amores pelo PT - o político gaúcho foi quem primeiro deu atenção à causa dos militares do QE.
O maior mérito, no entanto, cabe àqueles que o procuraram, há mais de cinco anos, quando o Exército sequer cogitava em conceder qualquer avanço aos integrantes do Quadro Especial. Esses tiveram a coragem de dar 'a cara à tapa' e o resultado está aí. Na esteira da iniciativa dos bravos de Santa Maria surgiram outras articulações que culminaram com a promoção a segundo sargento.
Há anos prego aqui no blog que o militar precisa se conscientizar de sua condição de cidadão e exercê-la na plenitude.
É assim que se faz, leão de alojamento: leve suas demandas ao representante de sua região, argumente, pressione, exija. Seu voto vale o mesmo que o de qualquer eleitor.
Ao invés de ficar discutindo se a promoção dos QE é justa ou não, faça sua parte: seja cidadão! O aguarde pelos nossos preocupados chefes.

Dezembro de 2009: primeira manifestação registrada no blog do Deputado Paulo Pimenta sobre o Quadro  Especial:


Vídeo mostra militar do Exército dando tapas em detido no Complexo da Maré


Militar usa tapas para interrogar detido no Complexo da Maré

Marcos Nunes

http://extra.globo.com/incoming/12654813-5d2-dc9/w448/espancado3.jpg
Reprodução Extra
Um adolescente foi agredido com tapas no rosto, depois de ser detido por militares da Brigada de Infantaria Paraquedista, no Complexo da Maré, no início de maio. A agressão durou pelo menos 57 segundos e foi registrada em um vídeo. A denúncia foi enviada ao EXTRA por um leitor, através do WhatsApp do jornal (21996441263 e 21998099952).
Nesta quinta-feira, a assessoria da Força de Pacificação anunciou ter aberto um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso e revelou já ter identificado um sargento como um dos autores da agressão.
No vídeo, o rapaz, que é acusado de estar usando drogas, aparece sentado num local onde há capim, próximo a uma calçada, e ao lado de uma garrafa. O militar inicia o interrogatório perguntando se o jovem é maior de idade, e, em seguida, desfere o primeiro tapa no rosto da vítima.
“Você é maior de idade? Fica usando estas m.”, grita o sargento.
O detido começa a chorar, mas o castigo imposto pelos militares passa a ser mais violento. Um deles volta a agredir o rapaz com tapas. O gesto se repete ainda mais três vezes. “Para de chorar, rapaz! Tá de sacanagem? Vai ficar chorando agora? “ pergunta o militar.
Ao ser agredido pela última vez no vídeo, o adolescente que estava sentado cai no chão e coloca as mãos na cabeça, provavelmente para tentar evitar novas agressões.
Procurado pelo EXTRA, nesta quinta-feira, o major Olavo Kruchak, assessor de imprensa da Força de Pacificação, disse que o Exército não compactua com desvios de conduta e que repudia este tipo de ação. Em nota , ele revelou que o sargento foi afastado do patrulhamento da Maré e está atuando em atividades administrativas. Após o fim das investigações, ele ficará à disposição da Justiça Militar, que julgará o caso.
Ainda segundo a nota, o IPM está sendo presidido por um major, que tem 60 dias de prazo para concluir as investigações.
A Força de Pacificação disse que ainda apura o dia e o local exato da Maré, onde ocorreu a agressão. Os nomes do sargento e da vítima não foram revelados . Abaixo, segue a nota completa da Força de Pacificação.
“A respeito do vídeo veiculado pela imprensa, o Comando da Força de Pacificação Maré esclarece o seguinte:
Após tomar conhecimento dos atos mostrados no vídeo em questão, prontamente, o Comando da Força de Pacificação Maré determinou que fosse iniciada a apuração desses fatos.
O militar foi identificado rapidamente e um Inquérito Policial Militar foi instaurado para apurar as circunstâncias em que se deram os fatos. Por se tratar, possivelmente, de um crime militar, o Comando da Força de Pacificação Maré determinou que a situação fosse totalmente esclarecida, com o máximo de rigor possível. Um Oficial Superior foi designado como encarregado deste IPM, que tem um prazo de até 60 dias para o seu término.
Importante ressaltar que a Força de Pacificação repudia veementemente este tipo de ação, assim como qualquer desvio de conduta, por estar totalmente em desacordo com o Estado Democrático de Direito, com as leis vigentes e com as regras de engajamento estabelecidas para a operação, segundo as quais a força até poderá ser empregada ao se efetuar uma prisão ou apreensão, porém a mínima necessária, dentro dos princípios da proporcionalidade e progressividade.
O militar foi afastado de suas funções e após o término do inquérito, poderá ficar à disposição da Justiça Militar para os trâmites legais.”
EXTRA/montedo.com

Comento
Eu também repudio "veementemente este tipo de ação, assim como qualquer desvio de conduta, por estar totalmente em desacordo com o Estado Democrático de Direito". Mas o estado democrático de direito pressupõe o contraditório e a ampla defesa. A nota não tem a isenção nem o distanciamento desejáveis de uma autoridade que deveria pronunciar-se objetivamente sobre os fatos somente após a conclusão de um IPM. 

Rigor máximo?
Estou enganado ou, ao prometer apurar os fatos "com o máximo de rigor possível", implicitamente o comando admite que, noutra circunstância ou com outros autores, poderia esclarecer a situação com menos rigor?

Perguntinha
A nota fala em "militar". De onde partiu a informação que se trata de um sargento?

ONU quer Brasil em outras missões de paz

Diretor da ONU quer Brasil em mais missões internacionais de paz
Edmont Mulet no seminário "Minustah e o Brasil: Dez anos pela paz no Haiti". Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto
Trabalho de militares brasileiros no Haiti é excepcional e admirável, diz Edmont Mulet
Jefferson Puff
Da BBC Brasil no Rio de Janeiro
As Nações Unidas precisam do Brasil em mais missões internacionais de paz em outros países. A afirmação é do secretário-geral assistente de Operações de Paz da ONU, Edmond Mulet, em entrevista exclusiva à BBC Brasil no Rio de Janeiro durante as comemorações dos dez anos da Minustah, missão de paz no Haiti liderada pelas forças brasileiras.
Nascido na Guatemala, o diplomata participou do seminário "Minustah e o Brasil: Dez anos pela paz no Haiti", na Escola de Guerra Naval da Marinha, na Urca. Para ele, que já atuou duas vezes como chefe da Minustah, o trabalho dos militares brasileiros é "excepcional e admirável".

Brasil
O Brasil já participou de várias missões de paz ao longo dos anos, seja com observadores militares ou de outras maneiras, mas enviou tropas a apenas quatro: a missão de Suez, em 1956, do Timor Leste, em 1999, e atualmente a Unifil, no Líbano, e a Minustah, no Haiti.
Para Mulet, é imprescindível que esta participação continue e se expanda. Prova desta confiança foi a indicação do general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz, que esteve à frente das tropas no Haiti, para chefiar a Monusco, missão da ONU na República Democrática do Congo.
Na entrevista, o diplomata, baseado em Nova York, que supervisiona 16 missões de paz da ONU ao redor do mundo falou sobre o trabalho de Santos Cruz, que completa um ano na África, e comentou ainda uma potencial expansão da atuação brasileira no Líbano e a inédita permissão do uso da força aos "capacetes azuis" atuando no Congo.

Confira os principais trechos:
BBC Brasil – O Brasil já participou de várias missões internacionais de paz nas últimas décadas e enviou tropas em quatro ocasiões. Agora que a Minustah completa dez anos, como o senhor avalia esta participação?
Edmond Mulet – Eu posso dizer, com toda certeza, que as tropas brasileiras atuam com profissionalismo, qualidade, e com um nível de comprometimento excepcional e admirável. Tendo servido duas vezes como chefe da missão no Haiti, fui testemunha deste trabalho, e posso dizer que a atuação deles faz uma grande diferença.
E sabendo que eventualmente a Minustah vai começar a ser reduzida e um dia será encerrada, a ONU está tentando motivar o Brasil a olhar além do Haiti, e analisar outras possibilidades em outras partes do mundo.
Em nome do Departamento de Operações de Missões de Paz, posso dizer que as Nações Unidas precisam do Brasil. Eu espero que os líderes políticos e militares do Brasil levem em consideração esta atuação além do Haiti, para que contribuam levando a paz e a estabilidade a outros lugares.

BBC Brasil – O que ainda é necessário fazer no Haiti antes que a Minustah possa ser encerrada e a ONU deixe o país?
Mulet – A ONU sempre terá uma presença no Haiti. Não necessariamente com uma missão de paz, com componentes militares e policiais, mas os programas de desenvolvimento e ajuda internacional continuarão lá, com certeza.
É preciso lembrar que uma missão de paz deveria ter curta duração e que os objetivos são atuar em situações de instabilidade e insegurança. E podemos dizer que no Haiti estas metas foram alcançadas. A capacidade da polícia nacional haitiana é excelente e dentro de dois anos eles devem atingir o número de 15 mil homens.
Sobre o que está pendente, acho que os haitianos precisam começar, sozinhos, a lidar com assuntos como o cumprimento da lei, do Estado de Direito, e o combate à impunidade. É necessário investir em infraestrutura, em desenvolvimento.
O Estado precisa ser reestruturado, as instituições ainda são muito frágeis. É necessário instaurar sistemas de registro civil, registro de propriedades de terra. É preciso convidar investidores internacionais a analisarem oportunidades para gerar renda e empregos.
O país tem um potencial de turismo enorme, com praias lindas e 1.700 quilômetros de costa, a uma hora apenas de distância dos Estados Unidos.

Seminário "Minustah e o Brasil: Dez anos pela paz no Haiti". Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto
O seminário "Minustah e o Brasil: Dez anos pela paz no Haiti"
aconteceu no Rio de Janeiro
BBC Brasil – Em termos de moradia e segurança, dois assuntos cruciais, já que o terremoto deixou muitos sem casa e vitimou grande parte das forças policiais, o senhor acha que o país realmente já está em condições de caminhar sem a ajuda da ONU?

Mulet – Se você comparar os níveis de violência, em termos de sequestros, homicídios e outros crimes, com outros países do Caribe e América Central, o Haiti é provavelmente neste momento uma das nações mais seguras da região. Acho que os níveis de segurança e estabilidade no Haiti são aceitáveis agora.
BBC Brasil – O Brasil avalia enviar tropas terrestres à Unifil, missão de paz que monitora a costa do Líbano desde 1978, e onde o país mantém uma fragata com mais de 200 marinheiros e fuzileiros navais desde 2011. Houve algum avanço nas negociações?
Mulet – O Brasil tem contribuído com sua embarcação e um almirante brasileiro é o chefe do componente marítimo da Unifil. Eles têm feito um ótimo trabalho e espero que continuem. Quanto às tropas terrestres, há países como a Espanha, que estão reconfigurando seus contingentes na missão.
Eles buscam reduzir o número de homens presentes no Líbano, mas convidando países latino-americanos a enviarem tropas para atuarem dentro de seus batalhões. Ainda não há confirmação oficial de que o Brasil vá enviar tropas terrestres nem de que tenha aceito qualquer convite da Espanha para ter soldados "embedados" nos batalhões espanhóis.

BBC Brasil – Os países emergentes tendem a ter um papel cada vez mais forte em missões de paz da ONU?
Mulet – Sem dúvida. Países como Camboja, Mongólia e Vietnã, que nunca haviam participado de missões de paz, enviaram recentemente seus primeiros observadores militares. Muitas nações da Ásia Central e da Europa Oriental também começam a participar.
Mas também é preciso dizer que os países da Otan, que estiveram no Oriente Médio nos últimos anos, começam a fazer a transição de poder no Afeganistão e com isso poderão voltar a contribuir com as missões de paz da ONU, não só necessariamente com tropas, mas com expertise e equipamentos.
A Holanda, por exemplo, contribuiu com quatro helicópteros de ataque, uma unidade de inteligência e forças especiais para nossa missão no Mali. A Alemanha e os países nórdicos, como Islândia, Dinamarca e Suécia estão contribuindo com aeronaves, e nossa mais nova missão, que será estabelecida no dia 15 de setembro, na República Centro-Africana, também contará com contribuições de muitos países europeus, alguns com tropas.

BBC Brasil – O trabalho dos "capacetes azuis", como são conhecidos os soldados das missões de paz da ONU, sempre foi marcado pela contenção, mas no Congo, pela primeira vez, uma missão da ONU conta com uma brigada de intervenção, com autorização para o combate direto. Como isto pode afetar a visão do mundo sobre as missões de paz?
Mulet – Esta foi uma decisão tomada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, e temos que enxergá-la como parte de um esforço político maior na região. Eu não creio que este seja um modelo a ser replicado em outros países, em outros contextos.
Os 11 países que assinaram o acordo para a atuação da missão de paz na região dos Grandes Lagos aceitaram esta proposta, que na verdade foi sugerida por eles. Esta possibilidade do uso da força é uma ferramenta, um instrumento, para se atingirem os objetivos políticos mais abrangentes da região.
Cada missão de paz é completamente diferente e temos que nos adaptar com flexibilidade aos desafios e riscos de cada lugar onde atuamos.

MINUSTAH: dez anos do Brasil no Haiti.

Missão de paz no Haiti completa 10 anos
Rubem César foi convidado pela ONU para visitar o país caribenho, foi assim que nasceu o Viva Rio Haiti
Flávia Ferreira (Imagens: Vitor Madeira)
“A presença do Brasil na missão da ONU é uma afirmação ao mundo de que nossa participação é relevante e que temos algo a dizer em relação aos destinos do planeta”. A declaração do Embaixador Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, durante o seminário “A Minustah e o Brasil – Dez anos pela paz no Haiti”, nesta sexta-feira, dia 30, na Escola de Guerra Naval, balizou todos os debates sobre o futuro da missão de paz no Haiti. Participaram do encontro, oficiais da marinha e exército, diplomatas, acadêmicos e representantes das Nações Unidas.
Para Andrade Pinto, que atuou como embaixador do Brasil no Haiti entre 2005 e 2008, “o Brasil tem desempenhado um papel importante no Haiti desde 2004, sendo o principal contribuinte com tropas e para preservação da segurança necessária para a estabilização da paz e reconstrução do país”, afirmou. A Minustah já operou com um contingente de 7 mil homens de várias nacionalidades. O efetivo foi reduzido para 6 mil, sendo 1,9 mil brasileiros.
O embaixador ressaltou que a sociedade civil é uma das principais parceiras nesse processo. “O Viva Rio é uma das instituições que trabalha com nossos militares para que esse pequeno país, com 10 milhões de habitantes, não caia no ciclo de instabilidade e pobreza.
Em novembro de 2004, o Viva Rio foi convidado pelo departamento de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) da ONU a visitar o país caribenho. O diretor executivo da instituição, Rubem César Fernandes, explicou que o órgão acreditava que o Haiti vivia situação semelhante a das comunidades cariocas. “Levamos ações que costumávamos desenvolver nas comunidades do Rio de Janeiro. Criamos meios de aproximação com a comunidade local e facilitamos as mediações com o poder público”.
Ao chegar ao país caribenho, Rubem detectou quais eram os principais problemas sociais daquela população. O lixo, a educação, a violência, o desemprego e a falta de saneamento básico e água. Diante desse cenário de instabilidade, decidiu que o Viva Rio não sairia mais dali. “Montamos nossa sede em Bel Air, uma das áreas mais violentas da região, e a chamamos de Kay Nou (Nossa Casa), lá estamos até hoje”
Desde então, uma década depois, o Viva Rio promoveu a assinatura de seis acordos de paz entre grupos rivais e desenvolve programas nas áreas de segurança, educação, saúde, meio ambiente, cultura e esporte. O Embaixador Paulo Cordeiro relembra alguns trechos da sua relação do Haiti em que a figura do Viva Rio apareceu fortemente como um diferencial de ação.
“Recordo do projeto que a instituição promoveu sobre gestão de água em Bel Air (Dlo, Fann, Sante), que consistia em captar a água da chuva nos tetos das casas e demais instituições. O Viva Rio fazia aquilo que o Estado haitiano não conseguia fazer, que era prover o mínimo necessário para sua população”, contou.

O início e o futuro
Edmond Mullet destacou o papel da liderança do Brasil  entre os países latino-americanos
O secretário-geral adjunto da ONU para Operações de Paz, Edmond Mullet, destacou o papel de liderança do Brasil entre os países latino-americanos. “70% da tropa de paz é dos países latino-americanos. É um exército do Brasil e da América Latina”.
Um dos objetivos da Missão de Paz das ONU no Haiti é manter a estabilidade para as eleições de 2016. “Se as metas para 2016 serão cumpridas, eu não sei. Mas os objetivos vão estar bem avançados”.
A presença brasileira no Haiti chegou antes mesmo da Minustah, em 28 de fevereiro de 2004, quando um grupo de fuzileiros navais desembarcou em Porto Príncipe com o propósito de garantir a segurança das instalações diplomática brasileiras. Posteriormente, quando outros marinheiros e fuzileiros navais se juntaram ao contingente do exército e força aérea, o Brasil começou a dar os primeiros passos para aquela que seria a mais bem-sucedida missão de paz daquele país.
“Esses 10 anos de participação na Minustah tem representado um importante marco da atuação do Brasil, permitindo um significativo acumulo de experiências, desafios e novas oportunidade, como o atual envio de militares para as missões da ONU no Líbano”, disse o comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto.
No painel da tarde foi abordada a visão e perspectivas da participação brasileira na missão de paz, com a participação do “Force Commander” da MONUSCO e ex-“Force Commander” da MINUSTAH, general-de-divisão Carlos Alberto dos Santos Cruz; ex-comandante da Força-Tarefa Marítima da UNIFIL, vice-almirante Wagner Lopes de Moraes Zamith; representante da Universidad Torcuato di Tella, Rut Diamint; e do Diretor do Instituto Pandiá Calógeras, Antonio Jorge Ramalho. Esta mesa foi moderada pelo coordenador de Pós-Graduação do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio, Kai Kenke, que também participou dos trabalhos da manhã.
VIVA RIO/montedo.com


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