6 de julho de 2014

O resgate de Entebe: uma das melhores operações de Comandos da História

O resgaste de Entebe: 36 anos de um feito épico
" O resgate em Entebe foi uma missão planejada detalhadamente, treinada tantas vezes quanto possível dentro do pouco tempo que tínhamos e cuja execução foi tão semelhante ao nosso plano que não exigiu nenhum ato heróico para superar os problemas surgidos. Todos cumpriram com o mesmo empenho o seu dever de soldados”.

AirBus A 300 da Air France
Há 36 anos, no dia 4 de julho de 1976, o exército e a força aérea de Israel completaram uma de suas mais ousadas e bem sucedidas missões: Numa extraordinária operação militar, Israel resgatou 256 tripulantes de um vôo da Air France, mantidos reféns por terroristas Palestinos no aeroporto de Entebbe, em Uganda. Os tripulantes, inclusive os pilotos franceses, foram mantidos em cativeiro durante oito dias. A operação foi liderada por Yonatan Netanyahu – irmão do ex-primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu – que foi o único soldado Israelense morto durante o resgate. Ironicamente, as Nações Unidas condenaram Israel por ter violado a soberania de Uganda! A fantástica missão de resgate dos reféns israelenses e de judeus de diferentes nacionalidades, em Uganda, surpreendeu o mundo e provou que até o impossível pode ser feito no combate ao terrorismo.
Kulam lishkvav! Todos no chão. Somos do exército Israelense”. Com estas palavras, o soldado Amos Goren anunciava às 103 pessoas mantidas como reféns por um grupo de terroristas, no Aeroporto Internacional de Entebe, que a história de seu trágico sequestro, iniciado no dia 27 de junho de 1976, poderia ter um final feliz.
Inicialmente denominada “Operação Thunderball”, tornou-se internacionalmente conhecida como “Operação Yonathan” e foi tema de inúmeros filmes e livros. O nome da missão foi modificado em homenagem ao comandante da força-tarefa, o tenente coronel Yonathan Netanyahu (irmão do ex-Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu), único militar israelense morto durante a ação. Essa foi a missão mais famosa da unidade Sayeret Mat'kal.
O drama dos reféns começou com o seqüestro do Airbus A 300 da Air France durante o vôo AF 139, Tel Aviv-Paris, com escala em Atenas, na Grécia, com 258 pessoas a bordo. Oito minutos após a decolagem, a aeronave foi dominada por quatro terroristas, dois dos quais possuíam passaportes de países Árabes, um do Peru com o nome de A. Garcia e uma mulher do Equador de nome Ortega. Posteriormente, descobriu-se que os dois últimos eram membros da organização terrorista Alemã Baader-Meinhof (Wilfried Bõse "Garcia" e Gabriele Krõcher-Tiedemann "Ortega" ). O avião foi desviado para Entebe após aterrissar em Bengazi, na Líbia, para reabastecimento e chegou a Uganda na madrugada do dia 28.
Os quatro terroristas haviam vindo do Kuwait pelo vôo 763 da Singapore Airlines e iam com destino a Bahrein. Entretanto, ao desembarcar em trânsito, os quatro dirigiram-se ao check-in do vôo AF 139 da Air France. Pilotado pelo comandante Michel Bacos, o avião francês decolou do aeroporto Ben-Gurion às 8h59, chegando em Atenas às 11h30. Desembarcaram 38 passageiros e embarcaram 58, entre os quais, os quatro sequestradores. O total a bordo era então de 246 pessoas, mais a tripulação.
Símbolos do FPLP e do RAF
12h20, a aeronave já cruza os céus novamente rumo ao seu destino final: Paris. Oito minutos após a decolagem, enquanto as aeromoças preparam-se para servir o almoço, os terroristas assumem o controle do avião. As autoridades aeroportuárias em Israel e a estação de controle da Air France percebem que perderam contato com o vôo AF 139, alguns minutos após a decolagem em Atenas. Os ministros de Transporte e da Defesa, que participam da reunião semanal do gabinete com o primeiro-ministro Yitzhak Rabin, são imediatamente informados. Apesar de não saber ainda o que acontecia a bordo, o setor de Operações das Forças de Defesa de Israel (FDI) prepara-se para um eventual pouso da aeronave em Lod.
14h00, o Airbus comunica-se com a torre de controle do aeroporto de Bengazi, Líbia, solicitando combustível suficiente para mais quatro horas de vôo, além de pedir que o representante local da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) seja encaminhado ao local. Descobriu-se então que a FPLP estava a frente do sequestro.
14h59, o aparelho desce em Bengazi e apenas uma mulher é libertada. Ela consegue convencer os terroristas e um médico líbio que está grávida e sob risco de aborto. Na verdade, está indo para o enterro de sua mãe em Manchester, Inglaterra. Após algumas horas, parte para seu destino.
Gabriele Tiedemann e Wilfred Bose
Em Israel, terminada a reunião, Rabin convoca ao seu gabinete alguns ministros – Peres, da Defesa; Yigal Allon, das Relações Exteriores; Gad Yaakobi, dos Transportes; e Zamir Zadok, da Justiça. Fosse qual fosse o desfecho da história, esses homens teriam que tomar decisões e estavam-se preparando para isso, pois já sabiam que dentre os passageiros havia 77 com passaporte Israelense. Rígida censura é imposta aos meios de comunicação para que não divulguem listas de passageiros e para impedir a veiculação de informações que possam, de alguma maneira, ajudar os sequestradores. Iniciam-se, também, contatos com os familiares dos viajantes.
Em Bengazi o avião permanece seis horas e meia, durante as quais é reabastecido - "por preocupação humanitária do governo líbio para com os passageiros", segundo o coronel Kadafi.
21h50, o Airbus parte de Bengazi, voando à noite em direção ao sul, sobre o Saara líbio e o Sudão, afastando-se cada vez mais do Oriente Médio.
03h15, horário local em Uganda, 28 de junho, o avião aterrissa no aeroporto de Entebe. Em Israel, as unidades da FDI, em alerta no aeroporto, recebem ordens para retornar às suas bases. O que aconteceria dali em diante não exigiria medidas especiais em território israelense.
Ao amanhecer, paira em Israel e no mundo um clima cheio de dúvidas. Uganda seria o destino final dos seqüestradores ou apenas uma escala para abastecimento? Como estaria reagindo o governo de Idi Amin Dada diante dos acontecimentos – seriam anfitriões hostis ou parceiros no seqüestro? Afinal, desde 1972, as relações entre Israel e Uganda não eram amigáveis, pois o governo israelense havia-se recusado a fornecer jatos Phantom ao país, sabendo que Uganda pretendia usá-los para bombardear o Quênia e a Tanzânia. Idi Amin havia, então, expulsado todos os israelenses do país.
Oficialmente, o ditador de Uganda adotou uma atitude neutra em relação aos sequestradores, mas na realidade eles eram bem-vindos. Líderes palestinos encontravam-se no aeroporto para receber o avião, bem como unidades do Exército de Uganda. Os reféns foram conduzidos para o prédio do antigo terminal do aeroporto.
Na terça-feira, dia 29, uma mensagem vinda de Paris, que primeiramente foi divulgada pela rádio de Uganda, revela os objetivos dos seqüestradores: a libertação até às 14h do dia 1 de julho de 53 terroristas – 13 detidos em prisões da França, Alemanha Ocidental, Suíça e Quênia, e 40 em Israel. Caso suas reivindicações não fossem atendidas explodiriam o avião com todos os passageiros.
Israel, a nação mais afetada, havia sempre deixado claro que nunca negociaria com o terrorismo e que estava preparado para derramar o sangue de seus cidadãos a fim de se ater a seus princípios. Em maio de 1974, por exemplo, terroristas tinham seqüestrado os alunos de uma escola de Maalot, na Galiléia; as Forças de Defesa de Israel (FDI) invadiram o edifício e fuzilaram os pistoleiros, mas à custa de 22 crianças mortas. Em Entebbe, entretanto, parecia impossível que Israel reagisse, pois apenas 105 reféns eram judeus - e o governo israelense seria criticado pela opinião pública mundial se pusesse em risco a vida dos outros.
Pára-quedista israelense da unidade de reconhecimento de 
elite Sayeret Tzanhanim. Ele está usando um uniforme padrão
das FDI, com o novo modelo de capacete, que teve sua 
estréia em Entebbe. Ele está armado com o novo fuzil-automático 
Galil de 5,56mm introduzido recentemente nas FDI. Ele carrega 
granadas de rifle HE do Galil nas costas e luzes de emergencia 
para serem usadas na pista de pouso.
Na quarta-feira, 30, França e Alemanha afirmam que não soltariam os terroristas, posição que se supunha seria a mesma de Israel. A França, no entanto, revela uma certa flexibilidade ao anunciar que seguiria a posição do governo israelense que, até então, mantinha-se em compasso de espera, aguardando o desenrolar dos acontecimentos.
Curiosamente, na mesma quarta-feira,foram os próprios terroristas que desperdiçaram sua maior vantagem. Sem atinar para as implicações de seu ato, separaram os reféns não-judeus e, aparentemente num gesto de consideração para com os outros países, permitiram que 47 reféns, – exceto israelenses ou judeus – retomassem sua viagem para a França. O capitão Bacos e sua tripulação recusam-se a acompanhar o grupo, afirmando que não abandonariam os demais passageiros. Uma freira francesa também insiste em ficar, mas é impedida pelos terroristas e pelos soldados ugandenses.
A libertação de alguns reféns e a evidência cada vez maior de que o principal alvo dos terroristas era pressionar Israel, aumentam a tensão em Israel e a pressão dos familiares para que o país atenda às exigências dos sequestradores. Nos círculos militares e altos escalões do governo, reuniões e mais reuniões são realizadas, além do levantamento de informações feito pela Inteligência em busca de dados que possam ser úteis a uma eventual ação de resgate. Novos nomes integram-se às reuniões entre as FDI e os ministros, entre os quais, o general brigadeiro Dan-Shomron, 48 anos, chefe dos pára-quedistas e oficial de infantaria; o general Benni Peled; e Ehud Barak, vice-diretor do Serviço de Inteligência das FDI.
Agentes secretos Israelenses do Mossad, interrogaram os reféns liberados a respeito dos sequestradores; número, nacionalidades, armamento, idioma, vestuário, rotina, e sobre as forças ugandenses no local e tudo que tivessem algum valor para uma possível missão de resgate em Entebbe. Uma fonte muito importante foi um passageiro Francês de origem judaica que havia sido erroneamente libertado com os reféns não judeus. O homem tinha treinamento militar e "uma memória fenomenal" segundo Muki Betzer, permitindo a coleta da inteligencia sobre o número de armas e dos sequestradores, entre outras informações úteis.
A confirmação dada pelos reféns soltos, meticulosamente entrevistados pelos serviços secretos da França e de Israel, de que o governo de Idi Amin estava apoiando os terroristas foi fundamental para as medidas que seriam tomadas por Israel a partir de 1 de julho, quinta-feira, quando, 90 minutos antes de expirar o prazo dado pelos sequestradores, o gabinete se reúne e aprova o início de negociações com os terroristas. Estes, por sua vez, afirmam não estar interessados em negociações e sim no atendimento de suas reivindicações, estendendo o prazo até às 14h do dia 4 de julho. Esta prorrogação de prazo iria se revelar crucial para permitir que as forças Israelenses tivessem tempo suficiente para chegar a Entebbe.
É nesse 1 de julho que o Serviço de Inteligência descobre que o aeroporto de Entebe fora construído por uma empresa israelense – Solel Boneh, o que possibilita o acesso às plantas originais do local. Cada vez mais, após intensos encontros com oficiais do exército, Peres convence-se de que a opção militar é possível e que é apenas uma questão de tempo para que todas as peças do quebra-cabeça se encaixem. Tempo, no entanto, é algo que Israel não tem.
A opção militar desponta como caminho viável. A principio os israelenses trabalham com três opções:
a) Um lançamentos de pára-quedistas no Lago Victoria e um silencioso desembarque em Entebbe usando barcos de borracha;
b) Um cruzamento em grande escala do Lago Victoria, partindo da margem queniana - usando barcos que poderiam ser alugados, emprestados ou simplesmente roubados;
c) Um pouso direto em Entebbe, seguido de um assalto rápido e uma remoção imediata dos reféns por ar por forças especiais da unidade Sayeret Mat'kal.
Nos dois primeiros planos, após libertar os reféns, os israelenses iriam depender da ajudar de Idi Amin ou da intervenção da ONU para sair de Uganda. Porém nas próximas horas, as duas primeiras opções seriam descartadas por razões militares e porque os dados colhidos em Paris confirmavam que Idi Amin estavam apoiando os terroristas. Sendo assim o assalto direto a Entebbe seria a opção adotada.
O General-Brigadeiro Dan Shomron é nomeado comandante da missão em terra e Yoni Netanyahu, comandante da unidade Sayeret Mat'kal, comandante da força-tarefa que a executará. Uma réplica do antigo terminal de Entebe é construída para simulação da operação, com base nas plantas obtidas junto à Solel Boneh e em fotografias aéreas, e os comandos começam a treinar. Enquanto isso, um grupo de 101 reféns – excluindo-se israelenses e judeus de outras nacionalidades – chega a Paris. Trazem duas informações essenciais para Israel: a primeira, de que haveria menos pessoas para resgatar; a segunda, de que apenas judeus estavam sendo mantidos como reféns, além da tripulação, o que, para o governo, significava que os seqüestradores possivelmente acabariam matando a todos, mesmo que suas exigências fossem atendidas.
12h do dia 2 de julho, sexta-feira, os chefes dos comandos da missão, então denominada “Thunderball”, apresentam os planos detalhadamente para Shomron. Duas horas depois, Yoni reúne-se com os oficiais para as ordens finais, antes de mais uma simulação na réplica do aeroporto, incluindo o pouso dos aviões nas pistas sem iluminação de Entebe. O ensaio levou 55 minutos, do momento em que o avião aterrissou até a sua decolagem. A preocupação maior entre todos os envolvidos é obter o máximo do “elemento-supresa”.
O ponto fundamental do plano de Shomron era fazer aterrissar em Entebbe, no meio da noite, quatro aviões Hércules C-130 de transporte, que descarregariam tropas da unidade Sayeret Mat'kal e veículos. Para evitar que os aviões fossem detectados, o primeiro Hércules seguiria imediatamente atrás de um avião de carga inglês cujo vôo regular era esperado no aeroporto de Entebbe.
Pára-quedista israelense da unidade de reconhecimento de elite Sayeret Tzanhanim. Ele está usando um uniforme padrão das FDI, com o novo modelo de capacete, que teve sua estréia em Entebbe. Ele está armado com o novo fuzil-automático Galil de 5,56mm introduzido recentemente nas FDI. Ele carrega granadas de rifle HE do Galil nas costas e luzes de emergencia para serem usadas na pista de pouso.
As tropas que realizariam a ação em terra estavam divididas em cinco grupos de assalto:
Grupo de Assalto 1: se encarregaria da segurança da pista e dos aviões (era formado por 33 médicos que também eram soldados);
Grupo de Assalto 2: tomar o edifício do antigo terminal e libertar os reféns;
Grupo de Assalto 3: tomar o edifício do novo terminal;
Grupo de Assalto 4: impedir a ação das unidades blindadas de Idi Amin (estacionadas em Kampala, a 30 km de distância) e destruir os aviões de combate ugandenses Mig 17 e Mig 21 estacionados no aeroporto, para impedir uma possível perseguição. Este grupo também iria cobrir a estrada de acesso ao aeroporto, pois sabia-se que o Exército ugandense tinha tanques T-54 soviéticos e carros blindados OT-64 tchecos para transporte de tropas a aproximadamente 32 km da Capital Kampala;
Grupo de Assalto 5: evacuar os reféns, conduzindo-os para o Hércules que estaria à espera e seria reabastecido no local ou em Nairóbi, no vizinho Quênia - um dos poucos países africanos amigos de Israel.
Levando em conta que haveria inúmeras baixas, um Boeing 707, transformado em avião-hospital, voaria diretamente para Nairóbi durante o ataque. Ao mesmo tempo, outro 707 sobrevoaria Entebbe transmitindo informações ao quartel-general em Israel.
Na medida do possível, tudo foi feito para eliminar os riscos. Sabia-se, por exemplo, que Amin uma vez chegara a Entebbe num Mercedes preto escoltado por um Land Rover, e veículos como esses foram embarcados no Hércules que iria à frente, com o objetivo de confundir os ugandenses nos vitais primeiros minutos.
1h da madrugada do dia 3 de julho, sábado, Motta Gur telefona para Peres e o informa que os homens estão preparados e que a operação pode ser executada.
13h20 do dia 3 de julho de 1976, sábado, o tenente coronel Joshua Shani inicia a decolagem do primeiro dos quatro aviões Hércules C-130, do Aeroporto Internacional Ben-Gurion, em Lod, com destino a Entebe. Poucos segundos depois, cada um dos outros aparelhos também parte, porém em direções diferentes. Afinal, a passagem de quatro Hippos (“hipopótamos”), como são descontraidamente chamados por suas tripulações, em horários semelhantes, não passaria desapercebida sobre os ensolarados céus de Tel Aviv, durante um verão que prometia ser tão quente quanto os anteriores. E o que menos se pretendia, naquele dia, era chamar a atenção e provocar especulações.
A bordo dos Hippos, a força-tarefa especial comandada por Shomron e Yoni tinha um objetivo bem definido: libertar os reféns em Entebe. Apesar de a missão de resgate não haver sido, ainda, aprovada pelo gabinete israelense, a partida dos aviões fora autorizada pessoalmente por Rabin, senão não haveria tempo hábil para sua execução. A permissão fora dada a Motta Gur.
Mota Gur (esq) e Dan Shomron
Enquanto os ministros se reúnem para analisar as possíveis alternativas para a situação, incluindo a possibilidade de o país atender às exigências dos terroristas, os aviões aterrissam em Sharm el-Sheik, na região do deserto do Sinai, para abastecer e partem novamente rumo a Uganda, voando a baixa altitude sobre o Mar Vermelho para não serem detectados por sistemas de radares.
O ponto fundamental no plano de Shomron consistia em fazer aterrissar o primeiro Hércules imediatamente atrás do avião de carga inglês que estava sendo esperado em terra, pois este não apenas absorveria a atenção dos operadores de radar ugandenses como também encobriria o ruído feito pêlos aviões israelenses. A precisão tinha de ser absoluta - e foi. Sete horas depois da decolagem, a força israelense aproximava-se de Entebbe, num céu carregado de chuva, sempre na escuta do comandante inglês, que recebia as instruções da torre de controle. O C-130 de Shomron colocou-se exatamente atrás do cargueiro.
Eram 23h e o tenente coronel Shani desce silenciosamente o seu Hippo em Entebe depois de sete horas e meia de vôo e a distância de quatro mil quilômetros desde a decolagem em Israel. A lendária capacidade de precisão de aterrissagem do Hércules foi bem explorada. O pessoal que deveria cuidar da segurança da pista desceu rapidamente. Os operadores de radar não perceberam o intruso e nenhum alarme foi dado. Por esse erro, seriam logo depois mortos pelo enraivecido e humilhado Idi Amin.
O Hércules seguiu para uma área mais escura da pista e, enquanto o cargueiro inglês taxiava, o Mercedes e dois Land Rover desceram a rampa, transportando o grupo que iria assaltar o velho terminal. O Hércules seguiu para uma área mais escura da pista e, enquanto o cargueiro inglês taxiava, dez membros da brigada de infantaria Golani saltam do avião e espalham sinais para orientar a aterrissagem das outras três aeronaves, que se aproximam rapidamente. A rampa de carga é aberta e por esta desliza um Mercedes preto, artifício considerado fundamental para a missão, dois Land Rover e 35 membros da força-tarefa, entre eles Netanyahu. Os militares que iam no Mercedes estavam vestidos com uniformes ugandenses.
Mas os ugandenses logo perceberam a farsa e a 100 m do terminal duas sentinelas, com metralhadoras apontadas, ordenaram ao carro que parasse. Netanyahu e outro oficial abriram fogo com pistolas dotadas de silenciador, atingindo um dos homens, e o grupo seguiu em frente até uns 50 m do edifício, A partir daí, os israelenses foram a pé. Os reféns estavam todos deitados no salão principal e muitos dormiam. Quatro terroristas haviam sido deixados montando guarda, um à direita, dois à esquerda e um no fundo do salão. Todos estavam de pé e puderam ser identificados .por causa das armas que portavam. Apanhados de surpresa, foram mortos imediatamente, e o grupo de assalto subiu pelas escadas. Os reféns advertiram que havia mais terroristas e soldados ugandenses no andar de cima. As ordens eram para tratar os ugandenses como inimigo armado, se abrissem fogo; caso contrário, seriam poupados. Mas para os terroristas não haveria misericórdia. Diversos deles foram eliminados à queima-roupa enquanto dormiam. Ao todo, morreram 35 ugandenses e treze terroristas - entre os quais Bõse e Krôcher-Tiedemann. Cerca de sessenta soldados ugandenses fugiram do edifício. A ação no terminal antigo durou três minutos.
Sete minutos depois que o primeiro Hércules aterrissou, o segundo pousava, seguido pelo terceiro e pelo quarto. Logo que as rampas eram baixadas, jipes e veículos de transporte saíam em disparada, atravessando a pista. O grupo comandado pelo coronel Matan Vilnai assaltou o edifício do novo terminal, que havia sido apressadamente abandonado pêlos ugandenses. As tropas de Amin pareciam totalmente confusas e incapazes de esboçar uma reação coerente. A única resistência determinada vinha da torre de controle, de onde partiu a rajada que feriu mortalmente Netanyahu, postado do lado de fora do velho terminal. Mas a unidade de Vilnai eliminou esse núcleo de oposição graças ao fogo concentrado de metralhadoras e lança-granadas.
O grupo do coronel Uri Orr encarregou-se do embarque dos reféns no avião que os aguardava. A equipe que tinha ordens de eliminar os Migs 21 e 17 ugandenses levou poucos minutos para transformar onze deles em bolas de fogo com rajadas de metralhadoras. O último dos quatro Hippos, com Shomron a bordo, parte de Entebe às 00h30 do dia 4 de julho – 90 minutos depois de o primeiro ter aterrissado.
Após uma breve escala em Nairobi, para reabastecimento e a transferência dos feridos para um Boeing com um hospital a bordo. Apesar de todos os esforços dos médicos – então chefiados pelo coronel Ephraim Sneh, Yoni não resiste aos ferimentos e falece. O saldo total de mortos da Operação Yonatan: 4 –Yoni e três reféns – dois mortos no fogo cruzado com os terroristas e uma senhora de idade, Dora Bloch, que havia sido transferida para um hospital de Uganda e que posteriormente foi assassinada por ordem de Idi Amin. Depois de reabastecer, os israelenses tomaram o caminho de volta, às 4h08.
Nas primeiras horas da manhã do dia 4 de julho, o Hippo pilotado por Shani sobrevoa Eilat e desce em uma base da Força Aérea de Israel (FAI) na região central do país. Enquanto os reféns são atendidos pelas equipes de terra, as unidades de combate descarregam seus equipamentos. Em seguida, retornam às suas bases e retomam suas funções de rotina, afastados da euforia que tomava conta de Israel e da admiração e respeito que haviam conquistado em todo o mundo pelo que haviam feito naquela noite. Para eles, mais uma missão fora cumprida... Era o seu dever, para o qual são treinados.
Ainda no dia 4, aproximadamente ao meio-dia, um Hércules da FAI aterrissa no Aeroporto Internacional Ben-Gurion. De suas portas traseiras, 102 pessoas - homens, mulheres e crianças - correm em segurança para se reunir a seus familiares e amigos. A Operação Entebbe permanecerá para sempre como um feito extraordinário na história da aviação, embora a sorte tenha sido um fator essencial. Mas esse resgate nem mesmo seria cogitado se, para executá-lo, não existissem homens motivados e treinados em um nível verdadeiramente fantástico.
Nota: Segundo algumas informações, o Coronel Ulrich Wegener comandante da unidade antiterrorista alemã GSG 9, estava entre os comandos israelenses durante a operação, possivelmente devido à presença dos dois terroristas alemães. Em 1977, esta unidade realizaria uma grande operação de resgate também na África em Mogadíscio na Somália, quando Boeing 737 da Lufthansa foi sequestrado.
Em 2001, Dan-Shomron, relembrou os fatos do resgate em Entebbe com naturalidade e não gostou muito de mencionar a palavra heroísmo quando falava da missão. Em uma entrevista publicada pela revista do The Jerusalem Post, no mês de junho de 2001, Shomron – que foi chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de 1987 a 1991 – afirma que vários fatores contribuíram para o êxito da missão.
O resgate foi planejado nos seus mínimos detalhes, considerando-se o tempo necessário para todas as etapas, incluindo as baixas que poderiam ocorrer. Segundo o ex-chefe das Forças Armadas, Entebe não foi uma missão suicida. Além dos dados precisos, o grupo era formado por cerca de 200 soldados escolhidos entre os melhores do país, dos mais altos escalões em cada unidade das FDI.
Reféns chegam a Israel
Shomron relembra que os estrategistas já sabiam que o aeroporto de Entebe fora construído por uma empresa israelense – o que permitiu o acesso às plantas do local; informações importantes também foram obtidas junto a diplomatas e empresários israelenses que, até 1972, viajavam freqüentemente a Uganda, além da própria FAI, que, em função das boas relações diplomáticas entre Israel e Uganda no passado, conhecia bem as instalações. Reféns soltos pelos terroristas antes do dia 3 de julho também forneceram detalhes essenciais sobre o número de seqüestradores e sobre o local no qual haviam sido mantidos presos, Um dos reféns libertados posteriormente foi o rabino Raphael Shamah, na época estudante de uma Yeshivá em Israel.
“Nós sabíamos que havia grandes probabilidades de o aeroporto ter passado por algumas modificações desde a sua construção. Mas estes dados também poderiam ser obtidos de alguma maneira. O elemento mais importante com o qual contávamos, no entanto, era a surpresa. Ninguém poderia imaginar que Israel tentaria realizar uma missão de resgate a quatro mil quilômetros de distância de suas fronteiras, sobrevoando o espaço aéreo de países hostis. Este elemento não poderia ser desperdiçado. Nós sabíamos que, se conseguíssemos chegar ao local sem ser descobertos, qualquer ação após o pouso em Entebe teria que ser muito rápida e deveria ser efetuada antes que os terroristas ou os soldados ugandenses que os apoiavam pudessem perceber o que estava acontecendo”, relembra Shomron. E acrescenta:
“O fato de não ser plausível era um ponto essencial para o sucesso”. Mais um fator contribuiu para o êxito da missão. Dos 13 terroristas envolvidos no sequestro, apenas oito estavam no local. Segundo Shomron, aparentemente os demais estavam fora do aeroporto. Os soldados Ugandenses também foram rapidamente dominados pelos comandos Israelenses.
Quando perguntado como via a missão 25 anos depois, respondeu: “Combater o terrorismo exige, antes de mais nada, vontade política. Não há dúvidas de que o resgate provocou um impacto muito grande em Israel e no mundo, pois mostrou que é possível enfrentar o terror onde quer que este se manifeste. Desde então, vários países criaram unidades de combate ao terrorismo e aumentou o intercâmbio entre os vários Serviços de Inteligência”. Mas ele faz uma ressalva:
O resgaste de Entebe 36 anos de um feito épico“O êxito criou a ilusão de que Israel sabe tudo e pode fazer tudo, em qualquer circunstância, o que não é verdade. Há situações em que se sabe muito e pode-se planejar quase tudo com exatidão. Em outras, não se sabe nada e, portanto, não se pode fazer nada. Por isso, quando me perguntaram qual dos participantes da ação poderia ser condecorado por heroísmo, respondi “nenhum”. Pois o resgate em Entebe foi uma missão planejada detalhadamente, treinada tantas vezes quanto possível dentro do pouco tempo que tínhamos e cuja execução foi tão semelhante ao nosso plano que não exigiu nenhum ato heróico para superar os problemas surgidos. Todos cumpriram com o mesmo empenho o seu dever de soldados”.
Reféns chegam a Israel
PassItOn/montedo.com

Exército dos EUA usa caminhões autônomos para evitar bombas

Um caminhão militar autônomo está sendo usado pelo exército dos EUA em áreas de conflito. Ele serve para evitar que comboios com soldados sejam pegos por minas terrestres.
O kit reúne um caminhão M-ATV da Oshkosh Defense, com outro pequeno veículo de 12 rodas acoplado. Este veículo é responsável por detonar qualquer explosivo enterrado.
O último pedaço do “kit” é a tecnologia TerraMax, também da Oshkosh, que dá autonomia aos veículos. O TerraMax usa um conjunto de radar, LIDAR (radar por laser que analisa todo o entorno—os carros do Google usam a mesma tecnologia) e imagens de satélite para a navegação.
O sistema foi criado em 2004 para a competição de tecnologia da DARPA, a divisão de pesquisas de defesa, ligada ao Departamento de Defesa, dos EUA.
EXAMEinfo/montedo.com

É Roupa Nova! É show!

Pout-pourri do Roupa Nova, pela banda do 17º Batalhão de Fronteira (Corumbá-MS).

(Via FB Músicos do Exército Brasileiro)

5 de julho de 2014

Militares ajudam população atingida por enchentes no Sul do País

Foram mobilizados cerca de 200 homens do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Enchente é a maior em 30 anos
Viaturas do Exército no socorro aos desabrigados em Itaqui, fronteira com a Argentia (Imagem: FB Fanzine Itaqui Oeste)
O Ministério da Defesa, por meio do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), está coordenando as ações de apoio aos desabrigados e vítimas das enchentes que tem atingido a região Sul do País. O apoio ocorre por meio do Exército Brasileiro, que está auxiliando a Defesa Civil no resgate e socorro da população ribeirinha de áreas alagadas.
Foram mobilizados cerca de 200 homens de unidades militares dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Além disso, a Força Terrestre está empregando viaturas de tração, caminhões e botes para retirar moradores isolados. Os militares ainda apoiam na triagem de donativos e distribuição de alimentos e gêneros de primeira necessidade.
A ajuda do Exército no Rio Grande do Sul acontece no norte e noroeste do estado, nas cidades de Porto Mauá, Porto Xavier, Porto Vera Cruz, São Borja, Frederico Westphalen e Iraí. Em Santa Catarina, os militares estão presentes nas cidades de Porto União, Mafra e Lajes. E no Paraná, o apoio está sendo prestado em União da Vitória, São Mateus do Sul, São João do Triunfo, Rio Negro e região metropolitana de Curitiba.
As fortes chuvas na Região Sul elevaram consideravelmente o leito de rios que compõem a bacia do Uruguai em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. A enchente que atinge o Rio Grande do Sul e o oeste catarinense é a maior em 30 anos.
Fonte: Ministéro da Defesa.
Portal Brasil/montedo.com

Faxinão mudou de nome: 'Severinos' fazem 'recuperação ambiental' em praia de SC

Soldados do 62º Batalhão de Infantaria fazem recuperação ambiental em praia de Barra do Sul. Ação ocorreu nesta quarta-feira(2)

Leia a notícia completa: Notícias do Dia.

Marcelo Crivella terá general como candidato a vice em sua campanha para governador do RJ

Crivella lança general Costa Abreu como vice ao governo do Rio
Chapa do PRB ainda conta com o diplomata Sebastião Neves ao Senado
PRB lança general José Alberto da Costa Abreu como vice da chapa de Marcelo Crivella, candidato ao governoDivulgação
O candidato do PRB (Partido Republicano Brasileiro) ao governo do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, lançou, na manhã desta sexta-feira (4), o nome do general José Alberto da Costa Abreu como seu vice na chapa que concorrerá nas eleições de outubro.
General Abreu
General Abreu foi para a reserva em maio de 2014 (Foto: Sangue Verde-Oliva+)
O evento, que terminou por volta das 11h, ocorreu em um hotel na região central da capital carioca e contou com a presença de militantes, simpatizantes e filiados ao partido. Leia mais.
R7/montedo.com

4 de julho de 2014

Setenta anos depois: câmera de soldado morto guardava imagens inéditas de batalha da Segunda Guerra.

A câmera de um soldado morto em 1944 foi achada. Veja só o que tinha nela

O capitão Mark D. Anderson, da Marinha dos Estados Unidos, e o historiador Jean Muller estavam à procura de artefatos de "A Batalha das Ardenas" nas montanhas de Luxemburgo quando o detector de metais os alertou para algo sob seus pés.

Abaixo de Anderson e Muller estava uma trincheira que foi escavada durante a fundamental batalha da Segunda Guerra Mundial, e nele encontraram os pertences do soldado americano Louis J. Archambeau. Entre as coisas que Archambeau, que morreu na batalha, deixou para trás estava uma câmera com um filme não revelado. Anderson Muller revelou o filme e, depois de passar 70 anos em uma trincheira, as fotografias de um soldado morto finalmente foram trazidas à vida.

A Batalha das Ardenas resultou em mais vítimas americanas do que em qualquer outra batalha na Segunda Guerra Mundial. Ocorreu entre 16 de dezembro de 1944 a 25 de janeiro de 1945. Cerca de 19 mil soldados norte-americanos perderam a vida. No entanto, a batalha foi um golpe ainda maior para os alemães, que perderam grande parte de seus recursos de guerra.



VIRALNOVA, via blogblux/montedo.com

3 de julho de 2014

Imagem do dia, imagem de um dia...

2014: Viatura do EB resgata o nobre amigo da enchente do rio Uruguai no Itaqui ,
na fronteira do RS com a Argentina  (Imagem: FB Itaqui Fanzine Oeste)
1979: Cabo 1079  Montedo e equipe auxiliando uma família atingida
 pela enchente do rio Uruguai no Itaqui , na fronteira do RS com a Argentina
(Imagem: Cabo Mozart 'Nove Dedos" - 1º R C Mec)

Jogo político: governo cria versão politicamente correta para saída de general do DNIT

DNIT
GOVERNO DIZ QUE FRAXE DEIXA O DNIT POR “RAZÕES PESSOAIS”
Ex-diretor-geral do DNIT, Jorge Fraxe. Foto: Agência Brasil
Brasília - O Ministério dos Transportes divulgou nota oficial nesta quarta-feira, 2, informando que a saída do presidente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), general Jorge Fraxe, ocorre por “por razões estritamente pessoais”. O cargo é alvo de cobiça do PR, que tem pressionado o Planalto por mais cargos. O ministério diz que ainda “não está tratando da substituição” de Fraxe.
O PR começou exigindo a saída do ministro dos Transportes, César Borges, que foi substituído por Paulo Sérgio Passos na quinta-feira da semana passada. Em troca ao pedido de mais espaço no governo, o partido oferece o tempo de um minuto e oito segundos na propaganda eleitoral para a campanha à reeleição de Dilma Rousseff. segundo o presidente do PR, senador Alfredo Nascimento, o problema é que Passos não foi uma escolha do partido, mas da presidente. Diante disso, o PR continuou pressionando para obter o Dnit e outros cargos. Segundo o Ministério do Transportes, o pedido de afastamento do general Fraxe já havia sido apresentado ao ex-ministro César Borges.
Leia também:
Tudo pela reeleição: PR pede e Dilma deve demitir general do DNIT
Ontem, ao ser perguntada se iria trocar o presidente do Dnit, a presidente negou, respondendo que “você só pergunta coisa que não acontece”. Dilma esperava resolver o problema com o PR com a saída de Borges, que foi realocado na Secretaria de Portos. Só que essa manobra não foi suficiente. O PR continuou exigindo mais cargos na área de transportes, não apenas no Dnit, mas também na Valec, que deixaram de ser do partido depois da “faxina” feita por Dilma no primeiro ano de seu governo.
Apesar de resistir há tempos às pressões, recentemente o discurso do Planalto em relação à permanência de Fraxe no Dnit começava a mudar. Passou-se a dizer que há meses ele já havia pedido para deixar o cargo e, quase que “por coincidência”, o seu pedido poderia ser atendido agora.
Nota do blog em 25 de junho:
Segundo informa o jornalista Cláudio Humberto em sua coluna Diário do Poder de hoje (25), o Partido da República exigiu a demissão do general Jorge Fraxe da direção do DNIT. Dilma topou. A cabeça do general será oferecida ao PR juntamente com a do atual ministro dos Transportes, César Borges, em troca do apoio do partido a reeleição da presidente. O general está no cargo desde setembro de 2011.
Ainda assim, no PR há quem brigue pela indicação do ex-superintendente do Dnit de Goiás Anderson Cabral Ribeiro para substituir o general Fraxe. O Planalto tenta compensar o PR, oferecendo duas das quatro superintendências criadas no órgão recentemente e que ainda estão livres: no Distrito Federal e no Acre. (Tânia Monteiro/Agência Estado)
DIÁRIO do PODER/montedo.com

Marinha dos EUA promove primeira mulher a almirante de 4 estrelas

Michelle Howard foi promovida como chefe adjunta de operações navais.
Ela vai ocupar o segundo maior posto da corporação.
Michelle Howard, de 54 anos, recebe a condecoração da Marinha dos EUA (Foto: MCC Peter D. Lawlor/US Navy/AFP)
Da France Presse
A Marinha dos Estados Unidos promoveu uma mulher à patente de almirante quatro estrelas pela primeira vez em seus 238 anos de história, um passo importante para o reconhecimento do papel das mulheres nas Forças Armadas do país.
Após uma cerimônia nesta terça-feira (2) no cemitério nacional de Arlington, nos arredores de Washington, Michelle Howard foi promovida como chefe adjunta de operações navais, o que corresponde ao número dois da Marinha americana.
Howard, de 54 anos, é conhecida por ter dirigido em 2009 uma unidade especial no golfo de Aden para resgatar o comandante de um barco que transportava mercadorias, o capitão Richard Phillips, interpretado recentemente por Tom Hanks no filme 'Capitão Phillips'.
'Quando pedi ombreiras de quatro estrelas para mulheres, me disseram que não existiam', contou Howard durante a cerimônia.
O secretário da Marinha americana, Ray Mabus, declarou, por sua vez, que Howard tem uma brilhante carreira naval, comemorando esta estreia histórica.
"Ela suportará a carga de ser um modelo e está disposta a exercê-lo muito bem", disse o chefe de Operações Navais da Marinha, almirante Jonathan Greenert.
Diplomada pela Academia Naval em 1982, Howard também foi a primeira mulher negra a controlar um barco militar americano em 1998, o "USS Rushmore".
O Exército e a Força Aérea dos Estados Unidos já tinham oficiais quatro estrelas mulheres.
A promoção de Howard segue a recente decisão de abrir os submarinos às mulheres oficiais e permitir a elas cumprir certas missões de combate em terra que até agora estavam proibidas.
Desde 1993, as mulheres estão autorizadas a servir ao seu país em navios de guerra e a pilotar aviões de combate. (R. A.)
G1/montedo.com

Justiça concede habeas-corpus a oficiais do Exército do caso Riocentro

Puma destruído com vítima do atentado ao Riocentro, em 1981 (Crédito: Arquivo / Agência O Globo)
Puma destruído com vítima do atentado ao Riocentro, em 1981
(Crédito: Arquivo / Agência O Globo)
(R. A.)
CBN/montedo.com

Exército encontra dois homens mortos em região de conflito de terras na Bahia

Exército encontra dois homens mortos em fazenda em Ilhéus
Propriedade fica situada na região de Santaninha, área de conflito de terra.
Vítimas seriam um pequeno agricultor e um indígena; polícia investiga caso.

Do G1 BA
Dois homens foram encontrados mortos em uma fazenda na zona rural de Ilhéus, sul da Bahia, na região de conflitos entre índios e fazendeiros por causa de terras.
Os corpos foram encontrados por homens do Exército e da Força Nacional na terça-feira (1°), na Fazenda Senhor do Bonfim, que fica na região de Santaninha.
Segundo moradores, uma das vítimas seria um pequeno agricultor e a outra seria cadastrada como indígena. A perícia é feita pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT). O G1 ainda não conseguiu contato com a delegacia da Polícia Federal (PF) da cidade. (R. A.)
G1/montedo.com

Conflito separatista: duzentos militares ucranianos foram mortos desde abril

O PAÍS ENFRENTA CONFRONTOS COM SEPARATISTAS NO LESTE DA UCRÂNIA
Os confrontos com separatistas na Ucrânia estão ocorrendo desde abril deste ano
Pelo menos 200 militares ucranianos foram mortes no leste da Ucrânia desde abril deste ano, quando foram iniciados os confrontos com os separatistas pró-Rússia.
As informações foram divulgadas pelo porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Ucrânia, Andri Lisenko, que também afirmou que pelo menos 619 militares ficaram feridos no mesmo período.
Só nas últimas 24 horas, pelo menos cinco soldados ucranianos morreram e 21 ficaram feridos em confrontos com os separatistas no leste da Ucrânia.
O primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou que o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, é “pessoalmente responsável pelas novas vítimas do conflito em curso no leste da Ucrânia”, já que o mandatário resolveu não prolongar o cessar-fogo que terminou na segunda-feira, 30.
“Colocando um fim na trégua, o presidente Poroshenko cometeu um erro fatal. E que trará novas vítimas. E ele é pessoalmente responsável por isso”, escreveu Medvedev em sua conta no Facebook. (ANSA)
DIÁRIO do PODER/montedo.com

Militares russos recebem treinamento para comandar porta-helicópteros comprados da França

Militares russos aprendem a comandar porta-helicópteros francês
França construirá quatro embarcações do tipo para a Rússia
Porta-helicópteros custaram entre 400 e 500 milhões de euros cada ((Imagem: Reuters, via Poder Naval
A Agência de Notícias France Presse informou na segunda-feira, 30, que militares da Marinha da Rússia estão no porto francês de Saint-Nazaire para aprender a comandar o navio porta-helicópteros Mistral. Os 400 marinheiros russos, que formarão a tripulação da embarcação, deixaram seu país a bordo do navio escola Smolny, da frota do Mar Báltico. Eles saíram da base de Kronstadt na quarta-feira, 18 de junho, e chegaram ao terminal marítimo da França, uma semana depois, na quarta-feira, 25.
Rússia e França firmaram, em 2011, um contrato de construção de quatro navios porta-helicópteros Mistral. Dois serão feitos no estaleiro de Saint-Nazaire e dois em São Petersburgo, com assistência de engenheiros e técnicos franceses. A primeira embarcação será entregue no outono deste ano, e a segunda, no outono de 2015.
Ao chegar à Rússia, os navios serão “batizados” com os nomes Vladivostok e Sebastopol. Os marinheiros russos deverão passar alguns meses em treinamento na França até se familiarizarem com a utilização do Mistral.
DIÁRIO da RÚSSIA/montedo.com

29 de junho de 2014

Assassinato do Arquiduque da Áustria: crime que deflagrou a Primeira Guerra mundial completa cem anos

Francisco Ferdinando: a gota d´água
Com um tiro à queima-roupa, Gavrilo Princip mata o príncipe austro-húngaro, Francisco Ferdinando. É o pretexto para a guerra
Andressa Rovani
Por pouco, o plano não foi por água abaixo. Inexperientes, os três jovens sérvios, Gavrilo Princip, Nedjelko Cabrinovic e Trifko Grabez, estiveram a um passo do fracasso de sua missão: matar o herdeiro do trono austro-húngaro, Francisco Ferdinando. Mas uma trapalhada da segurança do arquiduque colocou Princip de cara com o seu alvo. O tiro atingiu Ferdinando no pescoço. O crime foi a gota d’água para o início do conflito que deixou um saldo de 10 milhões de mortos.
Por trás do atentado estava a sociedade secreta Mão Negra. A organização nacionalista não havia engolido a anexação da Bósnia ao Império Austro-Húngaro, em 1908. E, em 1914, contratou o trio de sérvios para matar o arquiduque, em Sarajevo. Em seguida, os assassinos deveriam cometer suicídio com cianureto. Eles foram escolhidos justamente porque já estavam condenados à morte pela tuberculose. Não tinham o que perder.
Com um arsenal de quatro pistolas e seis bombas, a idéia era que os rapazes, com a ajuda de agentes da organização, se distribuíssem no caminho que seria feito pela comitiva de Ferdinando com destino à prefeitura. O plano, no entanto, não saiu como eles imaginavam. Mas a sorte - ou azar - estava com Princip, que deu fim à vida do herdeiro do trono austro-húngaro em 28 de junho de 1914.
No total, oito homens foram presos. Princip foi condenado à pena máxima: 20 anos de prisão. O que ele desejava, no entanto, era morrer. "Minha vida já está arruinada. Eu sugiro que me preguem em uma cruz e me queimem vivo. Meu corpo em chamas será uma tocha para iluminar meu povo no caminho para a liberdade", declarou. Mas o jovem ainda viveria para ver, um mês mais tarde, a eclosão de um conflito que mobilizou todas as grandes potências mundiais.
Apesar da ameaça de guerra já estar sendo gestada há anos pelos dois lados, o ataque à família real austro-húngara mere-cia uma resposta imediata - e à altura. Um ultimato, preparado pelo conselho ministerial austríaco, tornou inevitável o confronto. Foi a última tentativa diplomática de paz. Princip morreria antes do final da refrega, em 28 de abril de 1918.

Saiba mais
Siteshttp://www.firstworldwar.com/source/harrachmemoir.htm (em inglês)
http://www.lib.byu.edu/~rdh/wwi/1914/ferddead.html (em inglês)
http://www.lib.byu.edu/~rdh/wwi/comment/blk-hand.html (em inglês)
http://www.spartacus.schoolnet.co.uk/FWWprincip.htm (em inglês)

Obra do acaso

O passo-a-passo do atrapalhado assassinato deFrancisco Ferdinando
1. A chegada
O relógio marca pouco mais de 10h, quando Francisco Ferdinando e sua esposa chegam à estação de trem de Sarajevo, capital da Bósnia. O casal segue em comitiva oficial até a prefeitura. Mesmo alertado dos rumores de atentado, o arquiduque percorre a cidade em carro aberto. O primeiro homem na rota traçada pela Mão Negra é Muhamed Mehmedbasic. Com um policial bem nas suas costas, Mehmedbasic vacila e não atira a bomba.

2. A primeira tentativa
Às 10h10, quando a comitiva passa em frente à estação policial, Nedjelko Cabrinovic joga uma granada na direção do carro do arquiduque. Só que a bomba atinge o automóvel que vem atrás, ferindo dois passageiros e 12 pedestres. Confiante do sucesso, Cabrinovic engole cianureto e se atira no rio. Mas não morre, e é preso. A velocidade dos carros no restante do trajeto impede os outros três terroristas de agirem. A comitiva se dirige para a prefeitura e cumpre agenda oficial.

3. Palavras finais
"O que há de novo no seu discurso? Eu venho a Sarajevo para uma visita e sou recebido com bombas. É um absurdo!", esbraveja Ferdinando, interrompendo a recepção de boas-vindas do prefeito. Ao saber da situação dos feridos pelo ataque, o arquiduque insiste em visitá-los no hospital. O general Oskar Potiorek, responsável pela segurança dos visitantes, garante que o trajeto é seguro dizendo: "Você acha que Sarajevo está cheia de assassinos?".

4. O erro fatal
Para evitar o centro da cidade, Potiorek traça uma rota alternativa. Só que ele se esquece de avisar justamente o motorista de Ferdinando, que segue o caminho original. O erro foi fatal. Sem aparelhos de comunicação, os terroristas não sabiam do desenvolvimento do plano e, por isso, continuavam atentos. Gravilo Princip - que tomava um café na rua Franz Joseph - dá de cara com o carro oficial e dispara dois tiros, a cerca de 1,5 metro de distância do veículo oficial. Às 11h30, o primeiro disparo fatal acertou Sofia, supostamente grávida, no estômago. O segundo atingiu o pescoço de Francisco Ferdinando.

Arma do crime
Depois de décadas desaparecida, a pistola Browning, modelo 1910, usada para matar Ferdinando e sua mulher, Sofia, foi reencontrada em junho do ano passado. Logo após o assassinato, a arma ficou sob a guarda do padre jesuíta Anton Puntigam, que deu a extrema-unção ao arquiduque. A guerra impediu Puntigam de realizar seu desejo: abrir um museu dedicado a Ferdinando. Sua ideia era reunir, além da pistola de Princip, outros objetos ligados ao crime, como o uniforme usado por Ferdinando no momento do atentado, e também o carro imperial. Com a morte do sacerdote, em 1926, a família do arqui-duque solicitou os materiais, mas dei-xou a arma para trás. O convento vienense Ignaz Seipal Platz encontrou a pistola em seus arquivos e a entregou ao Mu-seu de História Militar, na capital austríaca, onde agora está exposta.
AVENTURAS NA HISTÓRIA/montedo.com

Operações Especiais: cabine de controle e comando.

O Sargento Simões dá uma aula sobre como operar a Cabine de Comando e Controle do Comando de Operações Especiais.

28 de junho de 2014

Capotagem deixa sargento do Exército ferido no sertão paraibano

Veículo do Exército que era conduzido por militares perde o controle e capota várias vezes no Sertão
Redação @folhadosertao (fotos: cofemac)
Uiraúna (PB) - Um acidente envolvendo uma caminhonete da "Operação Carro-Pipa", do Exército foi registrado na quinta-feira (26).
Veículo do Exército que era conduzido por militares perde o controle e capota várias vezes no Sertão; Veja fotosDe acordo com informações, o veículo que era pilotado por um tenente, e tinha como carona um Sargento, tentava ultrapassar outro carro, que seguia no sentido Uiraúna/Joca Claudino, no Sertão, quando veio a perder o controle e capotar.
De acordo com testemunhas o veículo colidiu com uma barreira e capotou por várias vezes, só vindo parar alguns metros depois.
No sinistro, um dos militares do Exército ficou preso às ferragens, mas foi retirado logo em seguida. Uma equipe do SAMU esteve no local e realizou o socorro do Sargento que sofreu várias escoriações na cabeça, sendo levado até a cidade de Uiraúna. Já quanto ao tenente, o mesmo não sofreu ferimentos.
Folha do Serão/montedo.com

Atropelados: atirador morreu e tenente ficou ferido durante marcha de tiro de guerra no interior de SP

Carreta atropelou a tropa durante marcha a pé (reprodução EPTV)
Jaboticabal (SP) - O atirador Jonathan Natanael Cardoso morreu e o tenente Azuil dos Santos teve traumatismos no crânio e no tórax, após serem atropelados por uma carreta na manhã desta sexta-feira, durante a realização de uma marcha a pé de doze quilômetros pelo efetivo do Tiro de Guerra da cidade.
O acidente ocorreu na estrada vicinal que liga Jaboticabal ao distrito de Lusitânia e foi causado pelo motorista de uma carrta que não viu a tropa e acabou atropelando os militares. Segundo a polícia, o bafômetro comprovou que o condutor não havia ingerido bebida alcoólica. Além da investigação policial, o chefe da 5ª Circunscrição do Serviço Militar mandou instaurar um IPM para apurar o ocorrido.
O tenente está internado em estado grave. O atirador morreu a caminho do hospital. (Reprodução EPTV)

O corpo do atirador será sepultado hoje pela manhã, em Jaboticabal. Já o tenente segue internado num hospital de Ribeirão Preto e seu estado de saúde é considerado grave.

27 de junho de 2014

Punição disciplinar por recorrer ao judiciário é ilegal.

A ILEGALIDADE DA PUNIÇÃO ADMINISTRATIVA MILITAR POR ACESSO AO PODER JUDICIÁRIO.

Dr. Ricardo Bellido
Embora os Poderes da República sejam harmônicos e independentes,  nos termos do artigo 2º da Carta Política, é inegável a supremacia do Executivo sobre os demais. Assim sendo, necessário se faz um sistema de controle, sob pena de se malferir o próprio Estado de Direito.
Nesse diapasão, e em última análise, pode-se afirmar que o princípio da inafastabilidade do Poder Judiciário, petrificado no artigo 5º, inciso XXXV, existe para defender o cidadão dos desmandos do Estado. Reza o citado inciso que, litteris:
“a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. (grifamos)
Obs: Onde se lê "lei",pode-se entender qualquer outra norma (Regulamentos Disciplinares também)
Fruto de natural evolução do pensamento humano, a Carta Política de 1988 retirou da norma a expressão “lesão de direito individual”, colocando em seu lugar “lesão ou ameaça a direito”,estendendo, sobremaneira, a aplicabilidade do comando constitucional, inclusive retirando o cunho individualista, pois a apreciação dos direitos coletivos ficou, desta feita, inafastada do Poder Judiciário.
Assim sendo, nenhuma lei poderá conter dispositivos que neguem a apreciação pelo poder judicante de lesão ou ameaça de lesão a direito, sendo certo que qualquer norma anteriormente editada nesse sentido restou derrogada.
Nada mais justo. Como ensina Cinthia Robert, (Direitos Humanos, Teoria e Prática, Rio de Janeiro, Lúmen Juris , 1999, pág 12)

“O acesso à Justiça está incluído no rol dos Direitos Humanos. A atividade protetiva do Estado, aliado ao princípio da isonomia, transforma o acesso à Justiça em acesso ao próprio Direito, o que não é preocupação exclusiva do Estado brasileiro, constituindo-se em preceito constitucional em outros Estados democráticos de Direito”. 

Ademais, o acesso à Justiça encontra-se inserido no artigo 8º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela Resolução nº 217 A, III da  Assembléia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948, litteris:

“Toda a pessoa tem direito a recurso para as jurisdições nacionais competentes contra os atos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela constituição ou pela lei”.
Em resumo: o inciso XXXV do artigo 5º da Constituição Federal é uma norma constitucional de eficácia plena, produzindo efeitos desde a entrada em vigor. Nada que se oponha pode ser admitido.
Ocorre que ainda há no ordenamento jurídico resquícios de outrora. Sobre um deles trataremos agora. 
Preliminarmente, cabe esclarecer que a Lei 6.880 de 9 de dezembro de 1980 (Estatuto dos Militares), embora imperfeita como qualquer obra humana, é um bom estatuto. Editada de forma cartesiana e prática, dá aos seus destinatários a necessária segurança jurídica, principalmente em termos de hierarquia e disciplina. No entanto, alguns preceitos castrenses envelheceram e precisam ser revistos. Vejamos: O parágrafo 3.º do artigo 51 da Lei n.º 6.880/80 estabelece que
 “o militar só poderá recorrer ao Judiciário após esgotados todos os recursos administrativos e deverá participar esta iniciativa, antecipadamente, à autoridade à qual estiver subordinado”. (grifamos)
Assim, como quer o estatuto castrense, para que um militar possa ter acesso à Justiça, há que passar por dois momentos sucessivos e que não se confundem. Por primeiro, deverá o combatente percorrer todas as vias administrativas. Posteriormente, participar antecipadamente a sua intenção à autoridade que estiver subordinado.
Ora, não se exige maiores conhecimentos jurídicos para se verificar que o dispositivo estatutário restringe e inibe o acesso dos militares ao Poder Judiciário. No primeiro momento, isto é, quanto à exigência do esgotamento das vias administrativas, tal preceito fere o princípio da jurisdição única, o qual foi adotado pelo ordenamento pátrio.
Nesse tema, vale lembrar que a única exceção ao direito fundamental de acesso à Justiça, ressalvada na própria Lei Maior (artigo 217, §1º), diz respeito à disciplina e às competições desportivas, as quais necessitam esgotar as instâncias da administração do esporte antes de voltarem-se para o Poder Judiciário. E nada mais.
No segundo momento, isto é, quanto à exigência de se participar ao superior (e com antecedência), a inconstitucionalidade já não é tão gritante. Ao revés, sutil. Vejamos: sem dúvidas, a hierarquia e a disciplina são basilares nas Forças Armadas, e o militar deve obediência aos seus superiores. Contudo, como bem salientou o Exm° Sr. Juiz Federal FLÁVIO ROBERTO DE SOUZA, da 3ª Vara Federal Criminal do Rio de janeiro, no Habeas Corpus n° 2003.5101519678-0,litteris:
“Nessa perspectiva, para o bom exercício de sua atividade de chefia, não se nega que o comandante deva ter conhecimento de algumas das atividades de seu comandado, ainda que fora do ambiente castrense, até como forma de poder convenientemente exercer seu múnus, especialmente em situações de emergência e prontidão”.
“Não obstante, a abrangência de tais informações a serem prestadas à autoridade superior encontra limitações não só nos direitos fundamentais, como aquele à intimidade, mas também no próprio princípio da proporcionalidade, um dos corolários do devido processo legal, cláusula prevista no nosso diploma constitucional no artigo 5°, LV”. 
Por todo o exposto, conclui-se que o §3° do artigo 51 do Estatuto dos Militares não foi recepcionado pela Constituição da República de 1988, na qual é garantido o acesso ao judiciário, sem a necessidade de se esgotar as vias administrativas ou qualquer prévio aviso, sendo, portanto, inconstitucional qualquer aplicabilidade do dispositivo.
Agora, o pior: autoridades militares, mesmo após quinze anos de norma constitucional, ainda tentam punir os subordinados por acessarem o Poder Judiciário, alegando o descumprimento de um preceito legal. Tal pretensão punitiva não pode prosperar.
Nesse sentido, já em 1998, manifestou-se o TRF 4.ª Reg., 3.ª T., no REO processo n.º 9404393118, publicado no DJ 30.09.1998, p. 489, tendo como Relatora  a Juíza Luiza Dias Cassales, verbis:
“DIREITO ADMINISTRATIVO. ANULAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. MILITAR PUNIDO  COM  PENA  DE PRISÃO POR TER IMPETRADO MANDANDO DE SEGURANÇA PARA DEFESA DE SEUS DIREITOS.
1.  O  Dec-90608/84,  item  15  do  Anexo  1, ao  estabelecer  que caracteriza infração disciplinar " recorrer ao judiciário sem antes esgotar  todos  os recursos administrativos " e o ART-51, PAR-3, dos Estatuto dos Militares ( LEI-6880/80 ), ao enunciar que "o militar só poderá  recorrer ao judiciário após esgotados todos os recursos administrativos    e    deverá    participar   esta    iniciativa, antecipadamente,  à autoridade  à  qual estiver subordinado", não foram  recepcionados  pela Magna Carta de 1988, onde é assegurado o direito de  acesso  ao  judiciário,  sem  a necessidade de esgotar previamente a via administrativa”(grifamos)

No mesmo sentido manifestou-se o TRF 4.ª Reg., 3.ª T., na Apelação em MS n.º 9004205160, por decisão unânime, tendo comoRelator o Juiz Fabio Rosa, verbis:
 “ADMINISTRATIVO. PUNIÇÃO DE MILITAR QUE AJUIZA AÇÃO PARA DEFESA DOS SEUS DIREITOS. ANULAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR.1. Na Constituição Federal de 1988 não existe, em qualquer hipótese, o dever de percorrer a via administrativa como condição da ação judicial (CF/88, artigo-05, inciso-35).2. O artigo-51, parágrafo 3º, da lei-6880 de 09-12-80, não foi recepcionado pela nova ordem constitucional. Do mesmo modo, perdeu eficácia o decreto-90608, de 04-12-84, em seu anexo-01, item-15.3. Punição anulada.4. Apelação e remessa oficial improvidas”.(grifamos)
Como demonstrado, inexiste o dever militar de esgotar as vias administrativas antes de recorrer ao Poder Judiciário, assim como, não há qualquer obrigatoriedade de se participar ao comandante superior o desejo de exercer um direito fundamental. Tudo isso, em face da ordem constitucional vigente , sendo manifestamente ilegal qualquer pretensão punitiva nesse sentido, devendo o processo administrativo punitivo, caso exista, ser trancado pelo remédio heróico do habeas corpus[1].
[1] Sobre o tema, vide “O cabimento do habeas corpus nas punições disciplinares militares”http://www.direitopositivo.com.br/legisl/artdireitomilitar/ano2003/ricardobellido
/cabimentohabeascorpus.htm


Portanto, é abusiva a punição disciplinar por ingressar no Judiciário sem antes esgotar o trâmite administrativo, o texto é lúcido e esclarecedor quanto a isso. Eu, pessoalmente, penso que recorrer administrativamente pode instruir o processo, já que geralmente os despachos enobrecem a Petição Inicial, dependendo do caso. A Constituição Federal, mesmo com seus 26 anos de promulgada, é ferida diariamente pelos detentores do Poder/Dever Disciplinar Militar.

rvchudo/montedo.com

Tenente desaparecida é considerada desertora pela FAB

tenente.jpg
Tenente desapareceu no dia 3 de maio
Foto: Divulgação/Polícia Civil
CRIME MILITAR
Tenente da Aeronáutica sumida em BH pode ser presa se aparecer
Aeronáutica lavrou um termo de deserção e encaminhou à Justiça Militar; qualquer militar que se ausente das suas funções sem autorização pode pegar de seis meses a dois anos de reclusão

CAROLINA CAETANO
A tenente da Aeronáutica de 42 anos desaparecida há quase dois meses em Belo Horizonte pode ser presa caso apareça e não apresente nenhuma justificativa para o seu sumiço. Isso pode acontecer por causa do crime de deserção, previsto no artigo 187 do Código Penal Militar. A assessoria de imprensa e o setor jurídico da Aeronáutica confirmou, na manhã dessa quinta-feira (26), que existe um termo de deserção que foi encaminhado à Justiça Militar.
De acordo com o irmão de Mirian, Rique Tavares, a família não foi informada sobre essa tramitação. “Ainda não fomos informados, mas sabemos que o número de inscrição dela já consta para o processo de deserção. Isso é um absurdo”, disse.
Além da deserção, Mirian teve o salário suspenso. Nessa quarta (25), a mãe e a irmã da tenente saíram de Varginha, no Sul de Minas, e vieram para Belo Horizonte saber mais informações sobre o corte.
“Eles disseram que é um procedimento normal, uma vez que ela não está trabalhando. Também conversamos com o delegado que está responsável pelo caso, Thiago Saraiva, mas ainda não temos nenhuma novidade”, contou a irmã de Mirian, Beatriz Tavares.
De acordo com o setor jurídico da Aeronáutica, a corporação só está cumprindo a lei. “Temos que deixar claro que a medida não é uma opção da Aeronáutica. A partir do momento em que um militar desaparece por mais de oito dias temos que informar à Justiça Militar”, explicou o tenente Sérgio Alexandre Souza Silva.
Ainda segundo ele, o termo foi lavrado, mas a militar só vai começar a responder quando aparecer. “Se ela for localizada ou se apresentar espontaneamente será recolhida ao nosso quartel. Em relação ao salário, é óbvio que, como ela não está cumprindo suas atividades, seja suspenso”, disse o tenente.

Leia também:
Tenente da Aeronáutica desaparecida passa a ser procurada pela Interpol

Entenda o crime
É considerado crime de deserção quando o militar se ausenta de suas atividades por mais de oito dias sem autorização. A pena, que é definida pela Justiça Militar, pode variar de seis meses a dois anos de prisão.
“Assim que o militar aparece comunicamos à Justiça e apenas o juiz pode conceder ou não a liberdade. Claro que se o desaparecido apresentar algum problema, como perturbação, ele receberá acompanhamento médico antes”, finalizou Silva.
Militar do Sul de Minas desaparecida passa a ser procurada pela Interpol (Foto: Reprodução Interpol)
Tenente desaparecida é procurada pela Interpol (Foto: Reprodução Interpol)
Relembre o caso
No dia 3 de maio, Mirian saiu do apartamento no bairro Prado, na região Oeste de Belo Horizonte, deixando para trás roupas, objetos pessoais e celular. A mulher pegou apenas a carteira militar e a carteira de motorista.
Ela deixou uma carta no imóvel em que, segundo a irmã Beatriz Rodrigues Tavares, escreveu que estava muito triste, mas não sabia o motivo. “Pensamos que ela pegaria a estrada para espairecer, como estava acostumada a fazer algumas vezes, e voltaria para casa, mas isso não aconteceu”, explicou Beatriz na época.
Além disso, conforme familiares, nos últimos meses, a tenente apresentava um comportamento diferente. Na Páscoa, última vez que a militar esteve em Varginha para visitar os familiares, Beatriz notou que a irmã estava muito calada. Ela foi questionada se teria acontecido alguma coisa, mas disse que estava tudo bem.
Mirian é uma pessoa muito reservada, e a família não tinha conhecimento de nenhum envolvimento amoroso da tenente.
Qualquer informação sobre o paradeiro da tenente pode ser comunicada à polícia por meio do 181. Não há necessidade de se identificar.
O TEMPO/montedo.com

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