31 de dezembro de 2013

Mirage: último voo e aposentadoria

Caça Mirage 2000 faz último voo e é aposentado pela FAB
Último modelo em uso partiu da base aérea de Anápolis (GO), às 10h42.
Aeronave será aposentada e substituída pelos caças suecos.

Tahiane Stochero
Do G1, em Anápolis (GO)
A aeronave mais potente do Brasil, o caça Mirage 2000, acaba de se aposentar. Após completar mais de 10,6 mil horas de voo no país, sucateado, sem munição e com alto custo de manutenção, o avião, que já deveria ter deixado de operar em 2011, fez o voo derradeiro na manhã desta terça-feira (31) (veja ao lado vídeo da decolagem).
O último modelo em uso, o avião 4948, partiu da base aérea de Anápolis, em Goiás, às 10h42, com destino ao museu da Força Aérea no Rio de Janeiro, onde pousou às 11h53 e ficará como peça de museu.
O G1 vai publicar nesta quarta-feira (1º) um vídeo com a íntegra do último voo do Mirage.
Só a partir de 2018 chegará o substituto: o sueco Gripen, que foi escolhido no início de dezembro pela presidente Dilma Rousseff como a nova aeronave de combate brasileira. Serão compradas 36 aeronaves ao custo de US$ 4,5 bilhões.
Até lá, o Mirage 2000 será substituído temporariamente pelo F-5, uma aeronave de menor potencial bélico e mais lento - atinge até 1,9 vezes a velocidade do som.
O capitão Augusto Ramalho, de 33 anos, fez a última hora de voo do Mirage, do avião que desde 2006 protegia o espaço aéreo do país, em especial, as fronteiras da Amazônia, do Centro Oeste e do o Planalto. "É um momento de dor, de despedida. O avião é como parte do nosso corpo, faz parte do piloto. O conhecemos por dentro para não correr riscos", diz o oficial.
Foi o Mirage que destruiu as vidraças do Supremo Tribunal Federal em julho de 2012, quando a Aeronáutica ainda temia uma indefinição quanto ao futuro da aviação de caça. Isso porque a aeronave pode chegar até 2,2 vezes a velocidade do som.
Caça Mirage brasileiro antes de decolar para o último voo oficial (Foto: Tahiane Stochero/G1)
Caça Mirage brasileiro antes de decolar para o
último voo oficial (Foto: Tahiane Stochero/G1)
Na ocasião, o piloto exagerou na velocidade a baixa altitude (cerca de 300 metros) e acabou sendo transferido para outra unidade.
Leia também:
Mirage, adeus!
Comprados em uma estratégia tampão da França já usados em 2004, os 12 Mirage 2000 completaram 10,6 mil horas de voo no país desde então. Desde o início do ano, apenas 6 estavam voando - o restante começou a ser decepado (ter peças tiradas) para que o restante pudesse continuar operando, devido ao nível de sucateamento. A última hora de voo custou mais de US$ 7 mil. Já o Gripen, cujo contrato ainda será assinado e será produzido 70% no Brasil, deverá ter o custo de hora de voo calculado em US$ 4,5 mil.
O clima em Anápolis nesta manhã foi de um misto de alegria e tristeza. O Mirage 4948 assumiu a prontidão às 8h. "Quando estamos de prontidão, pode soar o alarme a qualquer momento. Temos que sair correndo e entrar no avião. Só saberemos a caminho o que está acontecendo", explica o capitão Ramalho, que tem mais de 2 mil horas de voo na aviação de caça. "Somos chamados para interceptar qualquer avião que sobrevoe aqui sem autorização, seja criminoso ou que esteja sem plano de voo", diz o oficial.
O caça pode atingir até 15 km de altitude e carrega bombas. Para ser levado para o Rio, os mecânicos tiveram que tirar sua munição: 125 cartuchos de bombas incendiárias que ficam armazenados em um canhão.
O capitão  Augusto Ramalho, de 33 anos, fez a última hora de voo do avião que desde 2004 protegia o espaço aéreo do país,  (Foto: Tahiane Stochero/G1)
O capitão Augusto Ramalho, de 33 anos, fez a última hora de voo do avião que desde 2004 protegia o espaço aéreo do país, (Foto: Tahiane Stochero/G1)
Foi o Mirage que, em março de 2009, abordou um monomotor roubado do aeroclube de Luziânia, em Goiás, por um homem que viajou com sua filha de 5 anos e tentava chegar a Brasília. O avião acabou sofrendo um acidente e caiu no estacionamento de um shopping em Goiânia (GO). Ambos morreram. Naquela situação, os pilotos tentaram convencer o homem a pousar e poderiam realizar um tiro de abate caso ele não obedecesse. A decisão do tiro de abate de oficiais do alto comando da Aeronáutica, em Brasília, e só pode ocorrer em último caso - como em ataques terroristas - ou se o piloto se sentir ameaçado.
"Somos treinados para qualquer situação. O avião parte armado para todas as missões. Se você comandou o avião para colocar munição, você tem certeza do que pode fazer. Quando se dá um disparo, não tem volta. É como o tiro de uma pistola", afirma o capitão.
O comandante da base aérea de Anápolis, Sérgio Bastos, também piloto de caça, lembra que o Mirage completou sua tarefa na Aeronáutica ao permitir que pilotos e mecânicos aprendessem a lidar com novas tecnologias. A versão anterior do Mirage, o Mirage III, foi utilizada entre 1973 e 2004, e foi determinante na Guerra das Malvinas (1982), quando um avião cubano e outro inglês foram interceptados ao sobrevoarem sem autorização o país e obrigados a pousar.
A previsão é que até as Olimpíadas de 2016 modelos do Gripen sejam transferdios pela empresa Saab ao Brasil até que a nova versão, o Gripen NG, seja produzido. O avião sueco foi escolhido como o novo caça do Brasil, em detrimento do F-18, da norte-americana Boeing, e do Rafale, da francesa Dassault, devido à transferência de tecnologia: 70% da aeronave terá fabricação nacional.
G1/montedo.com

2 comentários:

Anônimo disse...

Seria interessante se o Blogger comentasse a respeito do destino dos demais aviões Mirage que foram desativados.
Obrigado

Anônimo disse...

Com certeza esses MIRAGE 2000 ainda teriam muito fôlego, pelo menos mais dez anos. Acredito que bem mais do que os F5 que foram repotencializados... o problema a meu ver foi mesmo o alto custo de voo e manutenção e que talvez o governo achou caro demais manter os bichos no ar.

Arquivo do blog

Compartilhar no WhatsApp
Real Time Web Analytics