22 de outubro de 2009

PAULA OLIVEIRA: PARA QUE NÃO ACREDITEMOS EM TUDO O QUE A MÍDIA PUBLICA!

ESTAMOS BEM DE MÍDIA
Eliakim Araújo
Quem se lembra da brasileira Paula Oliveira, aquela que moça que inventou a história de que estava grávida e teria sido atacada e torturada por um grupo de neonazistas na Suiça? Pois é, isso foi no início deste ano e os jornais e as TVs nunca mais falaram no caso. Trataram de tirar o corpo fora da barriga em que estavam entrando por conta da notícia dada em “primeira mão” por Ricardo Noblat, blogueiro do jornal O Globo.
Tudo começou quando o pai da moça, um funcionário público graduado em Brasília, acionou o blogueiro do Globo. Noblat, jornalista tido como experiente, com passagens por outros poderosos jornais, comprou a briga sem fazer o minimo que qualquer jornalista deve fazer quando ouve uma história dessa gravidade: não checou a veracidade da informação que estava recebendo de um amigo. Partiu para a denúncia que logo revoltou o país, quando a TV Globo entrou na parada.
Daí em diante foi um deus nos acuda. As principais emissoras e jornais do país despacharam equipes de reportagem para a Suiça, todos prontos para pegar em armas para defender o orgulho brasileiro ferido por um bando de delinquentes neo-nazistas e policiais desonestos que duvidavam da história de Paula. Bom senso, zero.
Fotos dos cortes feitos milimetricamente pelos skinheads na barriga e nas pernas da jovem aumentavam a revolta dos brasileiros. Telejornais mentirosos, normalmente, e sensacionalistas, em outras ocasiões, aproveitaram o prato cheio para aumentar a audiência. Diante do clamor popular, até o presidente meteu a colher no assunto para dizer que “condenava a violência crescente contra a mulher brasileira no exterior”. Por pouco não declarou guerra à Suiça.
A polícia suiça absorveu todos os desaforos da mídia brasileira e começou a investigar. Não demorou muito e pegou a moça na mentira. Ela acabou confessando que forjara o ataque se automutilando. Seu advogado tentou aliviar a barra dela, argumentando que ela tinha problemas psicológicos. Exames médicos provaram o contrário.
Esta semana, uma nota acanhada no Globo informou que Paula Oliveira vai ser acusada formalmente pela polícia suiça, mas o ministério público não pretende pedir a pena de prisão, admite que ela seja liberada desde que pague a fiança e todas as custas do processo. Saiu barato pra ela, sua pena poderia ser muito mais dura, pois inventou uma história que envolveu o relacionamento diplomático entre os dois países.
A mídia falhou fragorosamente neste caso. O Noblat confiou no pai da moça. A TV Globo confiou no Noblat. Os demais veículos confiaram na TV Globo. E Lula confiou nas informações deturpadas da corrente midiática. A história dessa brasileira me fez lembrar o clássico caso da Escola Base, em São Paulo. Em ambos, a mídia preferiu atirar primeiro para depois apurar. Ou não apurar nada, esperar que o acaso restabeleça a verdade.
E pensar que tudo começou através de uma nota num blog que faz a cabeça de milhares, talvez, milhões de brasileiros...

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