4 de abril de 2018

Temer escala consultor pessoal para ter linha direta com cúpula militar

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Marina Dias
O presidente Michel Temer escalou seu consultor político pessoal Denis Rosenfield para estabelecer uma linha direta entre ele e a cúpula militar, principalmente com o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, e o ministro interino da Defesa, general Joaquim Silva e Luna. Temer quer garantir interlocução mais fácil com os chefes das Forças Armadas para não perder o controle das tropas em um momento de recrudescimento da crise política, que provocou reação pública nos quartéis.
O movimento foi colocado em marcha há alguns dias, portanto antes das declarações do comandante do Exército na véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Na última quarta-feira (21), Rosenfield acompanhou Temer, a primeira-dama, Marcela, e o filho do casal, Michelzinho, à residência de Villas Bôas, em Brasília. Desde então, o filósofo gaúcho tem aumentado sua frequência ao Palácio do Planalto e feito viagens ao lado do presidente. 
Segundo a Folha apurou, no encontro na casa de Villas Bôas, debateu-se a intervenção na segurança pública do Rio e possíveis medidas que devem ser implementadas para que a ação mostre resultados positivos —o que ainda não aconteceu desde que foi decretada, em fevereiro. 
Ligado ao ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Sérgio Etchegoyen, Rosenfield é amigo de Villas Bôas e de Silva e Luna, e tem dito que atua como uma espécie de "ponte facilitadora" do diálogo entre eles, ou seja, auxilia na interlocução menos formal e hierarquizada entre o governo e a cúpula militar. O filósofo foi, inclusive, cotado por alguns auxiliares de Temer para assumir o Ministério da Defesa no lugar do interino Silva e Luna, o que Rosenfield nega. 
Ainda de acordo com assessores do presidente, o cargo de Villas Bôas é cobiçado por Etchegoyen, hoje um dos homens mais fortes do governo e primo do general. Ele, porém, está na reserva e existe a tese de que somente um dos militares do alto comando que estão na ativa poderiam assumir essa função. Nesta terça (3), após a manifestação mais forte de Villas Bôas sobre seu repúdio à impunidade e o Exército estar "atento às suas missões institucionais", sem detalhar o que pretendeu dizer com essa expressão, a ordem no Planalto foi silenciar sobre o tema. 
Villas Bôas está bastante debilitado por uma doença degenerativa, mas aliados de Temer evitam falar abertamente sobre sua substituição. As preocupações do Planalto vão além do julgamento do habeas corpus de Lula, que pode ter reflexos na execução penal daqui para frente. Temer é alvo de dois inquéritos no STF e deve perder seu foro especial assim que terminar o seu mandato, em janeiro de 2019. 
FOLHA/montedo.com

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