15 de janeiro de 2010

HAITI: "NÃO LEMBRO DA ÚLTIMA VEZ EM QUE ME ALIMENTEI", DIZ TENENTE

"O trabalho continua incansável e incessantemente. A nossa única previsão é de trabalho, muito trabalho de manhã, à tarde, à noite e de madrugada. Não podemos parar. "
O tenente comandante da Unidade k-9 da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti, Ricardo Couto, está no país há menos de um mês e participa da que deve ser a mais difícil missão de sua carreira: o resgate das vítimas do Haiti.  
Três dias após o terremoto, como está a situação?
RICARDO COUTO: Depois do choque inicial, o Haiti agora está em um emergencial, pós-catástrofe. A região próxima ao Carrefour e ao centro está completamente abalada. As estruturas estão realmente em péssimo estado, todas elas. E a infraestrutura de saúde, que já não era muito boa, agora está pior ainda, já que muitos hospitais caíram.
Qual a principal dificuldade neste momento?
COUTO: O grande problema é que todos os estabelecimentos comerciais que existiam aqui, se não desabaram, fecharam suas portas com medo de saques. O estado é crítico porque falta o básico. A ajuda de diversas nações começa a chegar e estamos iniciando os procedimentos emergenciais. Mas enquanto isso as pessoas estão sem saber o que fazer, dormindo nas ruas e sem casa, comida e água. Eu já estou há quase três dias sem dormir e não lembro quando foi a última vez que me alimentei. Mas mesmo nessas condições, estamos fazendo o necessário para que essa ajuda continue.
Como estão as buscas?
COUTO: Está muito difícil, principalmente quando nos deparamos com algum conhecido. Temos que colocar a razão em cima da emoção e seguir em frente. Mas mantemos sempre a esperança de que vamos encontrar sobreviventes. A parte física é desgastante, a parte de alimentação emergencial também, mas não podemos deixar o trabalho sofrer por isso. No primeiro dia tive a sorte de encontrar nos escombros do prédio da Minustah um tenente coronel nosso, a três metros de profundidade.
Qual a expectativa para os próximos dias?
COUTO:Continuar. O trabalho continua incansável e incessantemente. A nossa única previsão é de trabalho, muito trabalho de manhã, à tarde, à noite e de madrugada. Não podemos parar.

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