8 de abril de 2015

Xô, golpistas! Grupo entra na Justiça para impedir pró-militares de irem a protesto anti-Dilma.

Liminar do Movimento Brasil Livre pede que presença do SOS Forças Armadas seja vetada do ato do próximo dia 12 de abril
SOS Forças Armadas quer intervenção militar (Imagem: iG)

David Shalom
A divergência de opiniões em relação à solução imediata para o Brasil levou o protesto anti-Dilma do próximo domingo (12) a virar caso de Justiça. Responsável pela organização do ato, o segundo de grande mobilização em prol do impeachment da presidente da República em 2015, o Movimento Brasil Livre entrou com uma liminar na Comarca de Carapicuíba, na Grande São Paulo, para impedir a participação de grupos defensores da intervenção militar na manifestação marcada para ocorrer na Avenida Paulista, a partir das 11h.
O MBL entrou com a ação especificamente contra o movimento SOS Forças Armadas. Se o juiz responsável pela apreciação do caso acatar a liminar, militantes do grupo não poderão participar ativamente da manifestação, ou seja, serão impedidos de levar às ruas no próximo domingo sua estrutura de caminhões e trios elétricos, a exemplo do que haviam feito no dia 15 de março.
"A liminar pede que eles [SOS Forças Armadas] sejam impedidos de convocar atos no mesmo lugar em que convocamos, baseada no artigo 5º do inciso XVI da Constituição Federal", explica ao iG o advogado Rubens Alberto Gatti Nunes, coordenador jurídico do MBL.
"Caso o juiz acate a liminar, a polícia deve impedir todos desse grupo de se manterem no local, com suas bandeiras, no próximo domingo. E, se eles descumprirem a medida, os agentes da PM poderão utilizar força coercitiva para retirá-los dali."
Além disso, caso o SOS Forças Armadas leve sua estrutura ao protesto, poderá ainda receber multa e até responder criminalmente por desobediência a uma determinação da Justiça, se a liminar for de fato acatada.

Prejudiciais à causa
O motivo para a liminar, endereçada a Renato Tamaio, fundador e líder do SOS Forças Armadas, é que os defensores de um golpe militar para derrubar a presidente Dilma Rousseff atrapalhariam os grupos organizados que têm como principal pauta o impeachment da petista.
Segundo a Constituição, "todos podem se reunir pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente". E, para os grupos anti-golpe, é justamente o que o SOS Forças Armadas tem feito.
Coordenador nacional do MBL, Renan Santos, de 31 anos, afirma que desde sempre os intervencionistas atrapalharam seus protestos, mesmo antes de terem se tornado gigantescos, como foi o caso no último dia 15 de março. "Você olha para as fotos depois dos atos e parece que só tinha maluco na rua, pedindo exército, ditadura. Só que apenas um número irrisório de pessoas realmente abraça essa causa", critica ele.
"Repudiamos o pessoal que pede intervenção militar. Não os queremos na rua no mesmo dia de nós. Eles têm várias ocasiões para falarem as 'groselhas' deles, mas que façam isso longe da gente. São pessoas que não somam em nada e, pior, só nos atrapalham."
Apesar de ex-adepto da intervenção militar, o líder do Revoltados Online, Marcello Reis, 40 anos, tem opinião semelhante à do MBL. Fundador do grupo anti-Dilma com maior número de seguidores nas redes sociais – quase 800 mil curtidas no Facebook –, ele critica a mobilização dos intervencionistas na internet e até suas atitudes nos protestos, sempre críticas aos que não apoiam sua causa.
"É só olhar os comentários dos nossos posts nas redes: 90% são desses intervencionistas pedindo golpe. Enche o saco. E aí chega no protesto e eles discursam como se o ato fosse organizado por eles. Querem sentar na janelinha e pegar carona no nosso esforço, porque não têm apoio de verdade da população. E ainda ridicularizam os que não concordam com eles", ataca Reis.
Caso o SOS Forças Armadas não seja vetado pela Justiça de fazer parte do ato, o MBL pede à Justiça que o grupo fique a ao menos 500 metros de distância do caminhão do movimento, já definido para permanecer em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).
No ato do último dia 15 de março, a proximidade entre os dois grupos na Avenida Paulista escancarou um racha entre os manifestantes, que vaiaram aqueles a favor do golpe militar ao longo de toda a tarde e quase deu vazão a um conflito.
"O requerido [Renato Tamaio] comprovadamente convocou ato com pauta antagônica ao requerente [MBL], posteriormente à convocação deste e, com o fim de frustrar o ato já convocado, locou 3 (TRÊS) CAMINHÕES SONOROS, situação notadamente inconstitucional, ilícita e reprovável sob a ótica jurídica e moral", diz a petição entregue pelo MBL à Justiça.
"A pauta da intervenção é simplesmente contraria à nossa, da liberdade. E por isso não faz sentido eles estarem ali, distorcendo tudo o que acreditamos", resume o coordenador jurídico do MBL.
O iG entrou em contato com Renato Tamaio, líder do SOS Forças Armadas, mas não obteve retorno do militante até a conclusão desta reportagem.
iG/montedo.com

15 comentários:

Anônimo disse...

Quem são essas pessoas que "querem" a volta do governo militar? Quais são seus verdeiros interesses? São militares? Ex-militares? Integrantes da Reserva????

Quem são eles? Eis a questão.

Anônimo disse...

Concordo plenamente!

O povo os elegeu, o povo que os impeça. Nos cabe apenas o constante nos Artigos 142 e 144 da Constituição Federal.

Assim se faz e se amadurece uma democracia!

Roberto Fernandes - Militar da Ativa


Anônimo disse...

Todos tem o livre direito de se expressar desde que não atinja e fira alguem, isso chama direito de expressão.
Cada um manifesta como quer e da maneira que quer, desde que seja pacificamente cada um tem o seu direito.

Ten Reis disse...

O povo deve achar que temos a memória curta. Ontem estavam nas ruas pedindo a saída imediata dos militares do poder nos execrando de todas as formas possíveis e imaginárias pedindo a volta da "democracia" que na realidade nunca existiu no Brasil, agora, esse mesmo povo vem pedir "arrego" para as Forças Armadas??? eles que invadam o Congresso e expulsem aqueles ladrões de lá, Parecem baratas, primeiro mordem depois sopram.

Anônimo disse...

Embora não queira a volta dos militares, o que é certo que não haverá, quero meter o pé na bunda desses grupos que se instalaram no poder e nas empresas estatais para roubar e roubar. Mas, estamos ou não em uma democracia? Então, qualquer um pode se manifestar e pedir qualquer coisa.Estão nas ruas, públicas, e a constituição lhes dá o direito também.Enfim, os que são a favor dos militares querem é demonstrar a insatisfação geral com os que estão no poder, que são responsáveis por tudo o que está ocorrendo.isso é o que acho. Afinal, esse grupo que organiza essa manifestação está querendo "monopolizar as ruas" e ser anti-democrático? As verdadeiras intenções às vezes não se mostram logo.

Anônimo disse...

Quando os EUA voltarem a nos ameaçar devido ao comunismo, aí sim as FFAA devem intervir, mas o contexto histórico atual é bem diferente do daquela época.

Anônimo disse...

Cadê a liberdade de expressão?
Cadê a liberdade de manifestação?
Se houver excesso ou coisa que o valha, puna-se o responsável.
Todos são livres, em atos, palavras e pensamento.

Anônimo disse...

FREEDOM

Anônimo disse...

Uma imensa massa pede o fim do PT no governo, e um grupo muito bem articulado, com o intuito de confundir a opinião pública vem falar em intervenção militar. Os próprios petistas quando colocados contra a parede, argumentam que é melhor uma democracia como esta do que a ditadura vivida nos "anos de chumbo". Fazem parecer que só existem duas possibilidades, o governo do PT ou a dita "ditadura militar". Por favor, precisamos abrir a mente, essa polarização imposta só serve para confundir. Nós brasileiros não queremos mais esse desgoverno com ideais marxistas, essa ditadura do proletariado, queremos e temos direito de exigir outra forma de governar, que também não tem nada a ver com intervenção militar. Queremos o impeachment. E quando dizemos que queremos impeachment, o argumento é: Quem vocês querem que governe, o Michel Temer, o Eduardo Cunha ou o Renan Calheiros? A resposta é a seguinte: Seja quem for, que assuma aquele que a constituição imponha, porém sabendo muito claramente ao subir a rampa, que se não governar bem, se se servir do poder para benefício de quem quer que seja, seu ou de seu grupo ou partido, também será defenestrado.

Anônimo disse...

O problema do Brasil tem poucas soluções: um novo dilúvio e uma arca de Noé só para os animais, ou um holocausto nuclear. Daí sim nosso país teria jeito!

Anônimo disse...

Esses grupos já começaram a censurar? Mas não estão indo às ruas pela democracia? Cadê democracia com impedimento à livre manifestação? O PT deve estar morrendo de rir - mal começamos e já estamos dando tiro no pé, selecionando os manifestantes. Que cada um marche pelo que acha justo e arque com as consequências!

Anônimo disse...

O movimento Brasil livre está corretíssimo. Nada de se misturar, o povo que botou os bandidos no governo, o povo que os tire, via impeachment.
Os sem noção que convoquem passeatas exclusivas pedindo intervenção militar, não peguem a aba do outro movimento Brasil livre.

Anônimo disse...

Comunismo? Ah por favor, é necessário estudar mais antes de falar...

daniel disse...

O movimento começou bem para chamar a atenção porém, precisa de liderança política. Não precisa ser os políticos com mandato. Tem muitos políticos bons, íntegros sem mandato que podem orientá-los. Manifestações nas ruas sem respaldo político não leva a lugar nenhum, a não ser no futuro, enfrentamentos com outros grupos e aí perde-se o foco. Se pensarmos bem, o povão sozinho não tirará o PT do poder nunca. É engano pensar que o PSDB ou PMDB quer o fim do PT. Ninguém quer pegar o Brasil falido para gerenciar. As FA brasileiras não são mercenárias. Seu contingente é de brasileiros(as). Não entendo a ira contra as FA. Se estudarmos a história com imparcialidade, veremos a importância das FA de 64 à 85. A infraestrutura que eles deixaram no Brasil é usada até hoje, inclusive a Usina de Itaipú é a responsável por não haver um colapso na energia. Será que a população de um bairro consegue expulsar um grupo de traficantes instalado no mesmo bairro? Não. tem que chamar a polícia para expulsá-los. Pois é, não será diferente com o PT. Quanto um militar diz que o povo que elegeu, que tire o PT do poder na verdade desconhece sua função e teme um combate pois sabemos que irá enfrentar militar cubano, das Farc, polícia bolivariana......

Anônimo disse...

Intervenção Militar Constitucional é coisa de coxinha "revoltado off-line".

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