4 de abril de 2015

O espadachim que enfrentou Napoleão.

Uma biografia premiada lança luz sobre o pai do escritor Alexandre Dumas – um general negro, corajoso e idealista que inspirou os grandes personagens de seu filho
RANCOR O imperador francês  Napoleão Bonaparte. Ele tentou varrer Alex Dumas da história (Foto: Bruno Arrigoni/Musée Alexandre Dumas e Villers-Cotterëts )
IVAN MARTINS
O mundo inteiro conhece Alexandre Dumas (1802-1870), autor de livros de aventura inesquecíveis como Os três mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo. Agora, graças à biografia escrita pelo americano Tom Reiss (O conde negro, Objetiva, 495 páginas), é possível conhecer a inspiração dos grandes personagens de Dumas. Trata-se do conde Alex Dumas, pai do escritor. Ele foi protagonista da Revolução Francesa, um dos militares mais admirados de seu tempo, general de confiança e depois desafeto de Napoleão Bonaparte e, não menos importante, grande duelista. Mas não só: Alex Dumas era negro, um dos poucos “homens de cor” influentes na França no final do século XVIII.
Filho de um nobre francês e de uma escrava caribenha, ele nasceu no Haiti, foi vendido pelo pai como escravo e chegou à França aos 17 anos para ser educado como nobre. Sua vida está à altura da ficção do filho. Quando a revolução explodiu, em 1789, Alex Dumas galgou a golpes de espada e idealismo os postos de comando do Exército francês. Depois, consagrou-se como o mais humano dos generais. “Ele tinha as qualidades de herói épico que aparecem nos protagonistas dos livros de seu filho, que o amava profundamente”, diz Reiss. “Além de íntegro, corajoso e idealista, demonstrava grande generosidade. As cartas e documentos da época mostram que seus contemporâneos o julgavam bom demais para ser verdadeiro.”
Passados 200 anos de sua morte, Alex Dumas e o ambiente extraordinário em que ele floresceu estavam esquecidos. Para tirá-los da sombra, Reiss passou uma década pesquisando documentação inédita. Seu livro – vasto, denso e muito bem escrito – recebeu o Prêmio Pulitzer de biografias de 2013 e virou best-seller nos Estados Unidos e na França. “Os franceses haviam esquecido o significado racial desse período de sua história”, diz Reiss. “Duzentos anos atrás, a França era ativamente antirracista, enquanto países como Brasil e Estados Unidos abraçavam com entusiasmo a escravidão.”
PAI HERÓI O general Alex Dumas num quadro de Olivier Pichat e na capa do livro (acima). Um nobre a serviço da Revolução Francesa (Foto: Divulgação)
PAI HERÓI
O general Alex Dumas num quadro de Olivier Pichat
e na capa do livro. Um nobre a serviço
da Revolução Francesa 
Para explicar a ascensão política e social de Dumas pai, Reiss reconta o pioneirismo dos iluministas franceses na luta pela igualdade. Enquanto os demais europeus e mesmo os revolucionários americanos agiam como se escravos fossem destituídos de direitos, os franceses criaram, ainda sob a Monarquia, leis que tornavam livre qualquer cativo que pisasse em solo francês. “Na França não há escravidão”, diziam. Quando a revolução aprovou a declaração dos direitos humanos, alguns anos depois, a ideia de igualdade racial tornou-se norma social. “Mesmo os grupos mais antagônicos no interior da revolução estavam de acordo em sua repulsa ao racismo”, afirma Reiss. O general Dumas fez muitos inimigos devido a seu temperamento franco e explosivo, mas não foi atacado por ser negro. A primavera da igualdade de cor durou somente uma década, porém. Quando Napoleão ganhou poderes ditatoriais, o racismo filosófico e jurídico voltou a imperar. Na geração seguinte, o escritor Alexandre Dumas enfrentou as agressões raciais de que seu pai fora poupado. “Dumas foi muito discriminado. O escritor Honoré de Balzac se referia a ele como ‘aquele negro’”, diz Reiss.
Alex Dumas tinha a seu favor características que ajudavam a inibir os petulantes. Era muito alto para os padrões do período – tinha 1,85 metro – e, segundo diz Reiss, extraordinariamente forte. Exímio espadachim, tinha fama de destemido e incapaz de bajular quem quer que fosse. Isso o indispôs com o vaidoso Napoleão. Preso por monarquistas na Itália, adoeceu e morreu em 1806, aos 43 anos. Reiss diz que Napoleão tentou varrê-lo da história. Um quadro encomendado ao pintor Girodele para celebrar uma batalha vencida por Alex Dumas no Egito mostra um militar loiro de olhos azuis em seu lugar. O livro de Reiss ajuda a trazer de volta a verdadeira imagem do general Dumas e de seu tempo.
ÉPOCA/montedo.com

7 comentários:

Anônimo disse...

Não se conhece ninguém pela cor da pele e sim pelo seu carater.

Anônimo disse...

alguém já viu nas FA do brazil um general negro comandando uma brigada ou até mesmo diretor duma diretoria de destaque (DCEM, DGP e afins)???

eu nos meus 19 anos de efetivo sv nunca vi!!!

será racismo?

Anônimo disse...

Chama o espadachim para matar o dragão da crise de nosso pais...

VELHO disse...

NÃO EXISTE CRISE FINANCEIRA, CRISE POLITICA SIM. NÃO SE DESVIA DINDIN DE ONDE NÃO TEM. FIZERAM A SOCIALIZAÇÃO DOS DESVIOS, ELES FICAM COM O MONTANTE E A SOCIEDADE NÃO ORGANIZADA COM O DEBITO.

Anônimo disse...

Montedo, vale uma reflexão como as coisas são conduzidas neste país:
- porque em um ano de arrocho, presidência, asseclas, membros da corte, juízes, CMT das FFAA, ministros, bajuladores, políticos de todos os níveis: federal, estaduais e municipais, concederam em seus vencimentos aumentos inconcebíveis, incompreensíveis, para um período de arrocho.
Precisamos que isso seje levado a reflexão do povo brasileiro, precisamos acabar com isso.
O sacrifício tem que ser para todos.
Chega de privilégios!
Basta!

Anônimo disse...

O Cmt da 10 Bda Inf Mtz é negro. Acho que só tem ele.

Anônimo disse...

O Gen Bda Luiz Carlos Rodrigues Padilha foi Cmt da 3ª Bda C Mec, além de ter comandado o Colégio Militar de Porto Alegre. Negro. E o Diretor de Educação Preparatória e Assistencial (DEPA) também era negro. Não procede.

Arquivo do blog

Compartilhar no WhatsApp
Real Time Web Analytics