30 de maio de 2017

Em plena Guerra Fria, piloto alemão de 19 anos pousou em território inimigo

Vinícius Casagrande
O jovem piloto alemão Mathias Rust, então com 19 anos, surpreendeu o mundo no dia 28 de maio de 1987, há exatos 30 anos, com um voo bastante ousado. Em plena Guerra Fria, Rust desafiou a defesa aérea da antiga União Soviética em uma viagem de 900 km sem autorização, da Finlândia a Moscou, até pousar a poucos metros do Kremlin, sede do poder soviético.em que seu pequeno avião, modelo
Cessna 172, fosse interceptado durante o percurso, o piloto alemão ainda foi mais ousado ao dar um rasante sobre a Praça Vermelha, antes do pouso.
Quando decidiu fazer o voo, Rust tinha acabado de tirar sua licença de piloto de avião e contava com apenas 50 horas de voo. Partindo de cidade de Hamburgo, na Alemanha, Rust iniciou uma viagem pelo norte da Europa, passando pelas Ilhas Shetland, Ilhas Faroe, Islândia, Noruega até chegar à capital da Finlândia, Helsinque.

Rust invadiu tranquilamente o espaço aéreo soviético
Ao decolar de Helsinque, Rust avisou o controle de tráfego aéreo que seguiria em direção a Estocolmo, na Suécia. Meia hora após a decolagem, no entanto, o piloto alemão resolveu colocar seu plano em prática e voar até Moscou.
Rust sabia naquele momento que precisava ter sangue frio e uma boa dose de sorte para concluir sua missão. E aquele 28 de maio era realmente seu dia de sorte.
O Cessna 172 chegou a ser visto pelos radares soviéticos e, como Rust não respondia aos chamados, a defesa aérea enviou dois caças MiG ao encontro de Rust.
Mesmo sem a identificação do piloto alemão, os caças soviéticos não impediram Rust de continuar seu voo tranquilamente. Os motivos para a não interceptação nunca ficaram totalmente claros.
As duas principais hipóteses são de que os pilotos tenham confundido o Cessna 172 com um avião de treinamento soviético ou que deixaram Rust para atender uma missão de resgate aéreo. Ao longo de toda a viagem, essa foi a única intervenção sofrida por Rust.

Voo rasante e pouso no coração do poder soviético
Já era final do dia quando Rust avistou o céu de Moscou. A ideia original do piloto alemão era pousar dentro do Kremlin, mas ele não encontrou um local adequado. O piloto pensou, então, em aterrissar na Praça Vermelha. Chegou a dar alguns rasantes, a apenas 10 metros do chão, chamando a atenção das pessoas que circulavam por ali.
Depois de alguns sobrevoos pela região, Rust concluiu que o melhor lugar para o pouso era a ponte Bolshoy Moskvoretsky, a poucos metros da Praça Vermelha e do Kremlin. Mais uma vez a sorte estava ao lado de Rust. A ponte normalmente contava com diversos cabos, que naquele dia haviam sido retirados para manutenção.
O piloto ainda seguiu com seu avião por alguns metros até parar ao lado da Basílica de São Basílio, na entrada da Praça Vermelha. Ao descer do Cessna 172, Rust foi recebido por uma multidão de curiosos. Ao se identificar como alemão, ainda recebeu diversos cumprimentos. Mas o espanto foi
geral quando revelou que era da Alemanha Ocidental, e não da Oriental como estavam pensando.
Somente duas horas após o pouso é que chegaram os primeiros policiais soviéticos. Rust foi preso, então. O piloto alemão argumentou que estava em missão de paz, mas foi julgado e condenado a quatro anos de trabalhos forçados.
Rust ficou preso por apenas 14 meses, até ser deportado para a Alemanha. Depois de cumprir sua pena, e de volta à Alemanha, Rust voltou a ser preso, em novembro de 1989. Atacou com uma faca uma estudante de enfermagem, que não queria beijá-lo. Dessa vez, ficou cinco anos na cadeia.
Ao sair da prisão, voltou para Moscou, dessa vez legalmente, onde viveu por dois anos trabalhando como vendedor de sapatos. Rust enfrentou novos problemas com a Justiça em 2001, quando foi preso novamente por roubar uma blusa de uma loja, mas foi solto após pagar uma multa.

Aventura do alemão abriu crise política na União Soviética
A aventura do piloto alemão gerou uma grave crise política no governo Mikhail Gorbachev. O incidente mostrava ao mundo que a poderosa defesa aérea soviética não era tão segura como se imaginava.
Gorbachev aproveitou erros dos militares ao não interceptar o avião de Rust, para demitir o então ministro da defesa Sergei Skolov e destituir diversos generais do alto comando soviético.
2017­5­30 Em plena Guerra Fria, piloto O ato foi visto como uma oportunidade para Gorbachev se livrar de militares que eram contra as reformas promovidas por seu governo, que, anos mais tarde,
colocariam um fim à União Soviética.
TODOSABORDO/montedo.com

5 comentários:

Anônimo disse...

Extraordinario o feito desse piloto amador. Me lembro bem quando aconteceu, em mudou prá melhor a história.

Anônimo disse...

Bom ler ...

http://www.espacovital.com.br/noticia-35002-reconhecimento-adicional-noturno-para-policiais-militares

Anônimo disse...

Mais fácil do que isso só nas fronteiras do Brasil. Nesta semana, descobriu-se que o traficante Fernandinho Beiramar queria se instalar no Suriname, que fica ao norte do Brasil. Por quê? A facilidade de entrar pelas fronteiras terrestres e oceânicas. O litoral norte é extenso e facilmente navegável, quase sem patrulhamento nenhum. Os marginais não vão usar aeroportos e portos oficiais para entrarem no país. Basta um barco, como fazem para entregar drogas nos EUA, e o que não falta é litoral.

Anônimo disse...

Jurista alerta o STF vai garantir liberdade a todos os corruptos, não adianta prender Lula ou Temer
https://www.youtube.com/watch?v=JzsGiS04W44

Anônimo disse...

Sinceramente, este cara deu muita sorte! Completamente irresponsável, seria derrubado com um "espirro" do caça russo! Existe um procedimento padrão em cada país para abater aeronaves que invadem o seu espaço aéreo. Aqui no Brasil, até bem pouco tempo, baseado nas nossas leis fraquíssimas e medrosas, para abater uma aeronave suspeita, tinha que ter um documento autorizando o abate, assinado por DEUS e com "firma reconhecida"!

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