10 de setembro de 2016

Redação de aluna do Colégio Militar de Santa Maria é modelo para o Enem

'Sempre li bastante', diz autora de redação incluída no Guia do Enem
Larissa Comazzetto aponta leitura e dedicação como fatores diferenciais.
Texto da gaúcha foi um dos cinco apontados como modelo pelo MEC.

Felipe Truda
Do G1 RS
No dia em que recebeu o trote do curso de Medicina da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na Região Central do Rio Grande do Sul, a estudante Larissa Reghelin Comazzetto, de 17 anos, descobriu que a redação que fez durante o Enem do ano passado foi apontada como modelo no guia do participante do exame, lançado pelo Ministério da Educação. Empolgada com a novidade, a caloura disse que a paixão pela leitura e a dedicação nos estudos foram os principais fatores que a levaram a ser uma entre cinco estudantes do país a terem os textos usados como exemplo.
“Sempre li bastante, desde pequena. Tive uma professora particular de redação, porque sabia que era muito importante e queria investir nisso. Minhas professoras sempre me disseram que para escrever bem temos de ler muito”, conta a menina em entrevista por telefone ao G1 na quinta-feira (5), após ser pintada no trote.
Orgulhoso, o pai de Larissa, o contador Paulo Comazzetto, de 49 anos, destaca o apego da filha aos livros. “Em termos de educação no país, só se consegue uma boa formação com o incentivo à leitura, e ela gosta muito de ler”, diz. “Quando ela faz aniversário, se você perguntar que presente ela quer, ela vai dizer 'um livro'. É o que ela sempre carrega junto”, acrescentou.
Foi em um livro que Larissa encontrou conforto em um dos momentos mais difíceis que enfrentou: a doença que levou a mãe, a pedagoga Lúcia Maria Reghelin Comazzetto, à morte, há cerca de quatro anos. A obra era Eu Sou o Mensageiro, de Markus Zusak. “Não sei se era o momento que eu estava passando, mas foi muito importante, me ensinou muitas coisas”, lembrou.
O tema proposto para a redação era o "Movimento imigratório para o Brasil no século XXI". De acordo com o comentário no próprio guia do MEC, Larissa demonstrou “domínio da modalidade escrita formal”. Ela cita o crescimento econômico do país como fator que atrai estrangeiros, e sugere que sejam tomadas iniciativas pelo governo para regularizar as situações dos imigrantes. Para isso, de acordo com o manual, ela usa corretamente vários recursos da Língua Portuguesa.
“O treino foi fundamental”, destaca a estudante. “No início do ano passado, quando eu estava começando o terceiro ano, eu escrevia bem, mas tinha dificuldade para montar e fazer as ligações e deixar meu texto coerente. Mas eu fazia cinco ou seis redações por semana, e treinando a gente vai pegando o jeito”, explica.
Além do pai, Larissa aponta a mãe como uma das maiores incentivadoras da leitura. “Ela era formada em pedagogia, então tinha muito a parte do conhecimento. E como pessoa, não tenho nem como mensurar a participação dela nisso”, conta.
Também surpreendeu Larissa que a redação de Caroline Lopes dos Santos, com quem estudou no Colégio Militar de Santa Maria, também foi apontada entre os cinco exemplos. “Fomos colegas por sete anos na escola, e agora continuamos colegas porque ela também entrou na Medicina da UFSM”, contou.

Reescrita foi diferencial, diz ex-professora
A tenente Claudete Linhares Sachett, de 40 anos, foi professora de redação de Larissa e Caroline no Colégio Militar. Ela conta que ambas eram alunas muito dedicadas, e acredita que o que ajudou muito elas foi o hábito de reescrever os textos após a correção.
“A gente lançava o tema e elas escreviam. Eu fazia a correção, as anotações, o que poderia modificar e entregava. Elas reescreviam adequando com as correções. Esse foi o diferencial”, afirma a professora. Para ela, a “sede de conhecimento” da dupla também foi fundamental para o bom resultado.

Calma é o principal, diz a estudante
Larissa acabou ingressando na UFSM, após ser aprovada no Vestibular. A nota do Enem rendeu uma chamada para estudar medicina na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), em Rio Grande, no Sul do estado. “Era chamada oral e eu não estava presente, pois já tinha passado na UFSM”, conta.
Além da dedicação nos estudos e o gosto pela leitura, ela recomenda aos candidatos do Enem 2013 que tenham calma na hora da prova. Ela lembra que, quando fez o exame em 2011, ainda antes de passar para o terceiro ano na escola, teve um desempenho semelhante ao de 2012. Na segunda vez ela sabia mais, mas estava mais nervosa.
“O que vale é ali na hora. Tem de estar calmo, se concentrar, ler e não pensar no tempo”, diz a universitária, que destaca, também, a importância do estudo. “A dedicação desde sempre foi fundamental. Sempre gostei de estudar e me dedicar”, conta.
Além das redações de Larissa e Caroline, de Santa Maria (RS), o Guia do Participante do Enem destaca os textos de Gabriela Araújo Attie, de Uberlândia (MG); Pedro Igor da Silva Farias, de Teresina (PI); e Danilo Marinho Pereira, de Belém (PA).
Reprodução (Foto: Reprodução/G1)
G1/montedo.com

9 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns Larissa, e digo que vc só não é orgulho para o seu pai, como também, para todos nós que acreditamos que só através da educação, sairemos dessa situação humilhante que nos encontramos, com falta de respeito para com os mais velhos, num simples ato de pedir licença para passar, dar o lugar no ônibus e metro para as pessoas mais velhas ou necessitadas. Minha filha tb estuda no Colégio Militar do Recife, onde agradeço todos os dias a Deus, a oportunidade de dar a ela uma das melhores instituições de ensino do Brasil, onde o seu maior trunfo são seus alunos, que engrandecem a instituição CM em todo Brasil, muitas felicidades.

Rommel disse...

para ser exemplo pro ENEM, a redacao tem que estar repleta de cliches esquerdistas "o estado deve oferecer... o governo... respeitar os imigrantes...etc ", o Brasil é o pais do atraso.

Anônimo disse...

- Parabéns à menina Larissa, excelente texto ! Os colégios militares servem de referência para as demais instituições de ensino básico do país.

Anônimo disse...

A solução para todos os problemas:ensino de qualidade. Já se vão os tempos em que na sala de aula éramos "obrigados" a ler livros, fazer resumos e cobrados em provas. O gosto pela leitura começa em casa ou na escola. Hoje, nas escolas públicas em geral, o que vemos são atos que incentivam os jovens para a violência física, verbal, moral e causam o abandono dos estudos. Vão para as ruas sem preparo para o mercado de trabalho e acabam como milhões de brasileiros, no mercado informal, sobrevivendo no dia-a-dia.

Anônimo disse...

Parabéns pela excelente redação muito bem redigida conforme as regras da gramatica portuguesa, entretanto, não concordo com a ideia de que o Estado deveria proporcionar direitos trabalhistas, de moradia e outros para imigrantes, tendo em vista que a maioria da população brasileira vive em situação precária e esses tipos de ações incentivariam o aumento do movimento de mais imigrantes, o que agravaria ainda mais e as crises que o nosso país vive, principalmente na área social.

Anônimo disse...

A concordância ou não com o que o redator está dizendo independe se a redação está correta ou não. parem com com isso de qualquer coisa seja Jacobinos x Girondinos. O pais precisa se unir. Já chega disso.

Anônimo disse...

Os imigrantes então devem ser considerados menores que os brasileiros. O nome disso é Xenofobia.

Anônimo disse...

Aff!
Meu Deus! A matéria em questão é sobre uma estudante que teve seu texto escolhido pelo MEC. Independente do tema e/ou assunto abordado, a questão é que ela é um exemplo de dedicação aos estudos e a leitura, o que deve servir de exemplo e estímulo à outros discentes.
Ela merece todos os aplausos e elogios!!!

Ezer Getulio disse...

A redação está perfeita do ponto de vista gramatical, porém a moça é muito ingênua ao ignorar a crise econômica e dizer que o Brasil deve dar condições aos estrangeiros. Complexo de vira lata e falta de conhecimento. Ela não leu tanto assim. Se tivesse lido mais saberia que há pouco tempo atrás o governo da Espanha expulsou 800 brasileiros indiscriminadamente. Eu tenho uma amiga, cujo pai é empresário, que alugou e mobiliou um apto em Madrid e estava cursando pós graduação. Um belo dia acordou com a polícia na porta, juntou as roupas e foi deportada. Espanha, país ridículo! Outra coisa, ela mora no interior do RS e está preocupada com imigrantes em SP, ou seja, ela só lê a Folha de SP. Se ela lesse os jornais de Santa Maria, ela iria descobrir que na cidade dela existem vários problemas sociais não resolvidos.

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