19 de abril de 2016

Exército abre primeiro concurso para ingresso de mulheres na carreira militar bélica

Caline Galvão
Pela primeira vez, o sexo feminino entra na Linha do Ensino Militar Bélico do Exército Brasileiro. As mulheres agora, a partir dos concursos que serão realizados em 2016, poderão ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e no Centro de Instrução de Aviação do Exército (CI Av Ex). Elas, que já participam da Escola de Sargentos de Logística (EsSLog) nas áreas de saúde, música e intendência, poderão atuar na EsSLog agora nas áreas de manutenção de armamento, manutenção de viatura auto, manutenção de comunicações , topografia e mecânico operador.
De acordo com o Centro de Comunicação Social do Exército, embora inicialmente a oportunidade seja para trabalhar na logística da área bélica, a mobilidade geográfica, a disponibilidade e a preocupação com o vigor físico estarão presentes nas mulheres que atuarão na área. Além disso, elas participarão de atividades em campanha e conviverão com os riscos da profissão.
A tenente Thaynan de Assis Marinho, que atua como dentista no posto médico da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira, Brigada Ricardo Franco, em Corumbá, é totalmente favorável ao ingresso de mulheres na carreira bélica do Exército. “É lógico que as mulheres que vão ingressar não serão mulheres tão sensíveis, elas terão perfil diferenciado. É uma mulher que terá condicionamento físico e emocional exemplar, elas vão entrar com essa cobrança, de serem mulheres diferentes, mas ainda assim mulheres, vão usar maquiagem, vão se portar como mulheres, mas elas são extremamente capacitadas e vão passar por testes de esforço físico, além do exame intelectual. O Exército tem se preparado para esse momento já há alguns anos, acredito que os instrutores que vão lidar com essas meninas já estarão preparados para receber e amparar a chegada dessa novidade”, afirmou a tenente ao Diário Corumbaense.
Militar de carreira, Thaynan já participou de missão no Haiti, durante seis meses, onde atuou na sua profissão, auxiliando os militares brasileiros e participando de ações cívico-sociais. Formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em odontologia e em odontopediatria, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), logo que saiu da especialização ingressou no Exército. No final de 2014, foi ao Haiti e afirmou ter sido uma experiência “maravilhosa”. “É uma experiência ímpar de crescimento pessoal, profissional, e principalmente humanitário porque você lida diretamente todos os dias com a miséria generalizada, é muito diferente do que o que a gente está acostumada a ver aqui”, relatou.
“A mulher dentro das missões no exterior tem papel de desafio. Estar dentro de um batalhão, fora de seu País, como mulher, é um desafio por conta da dificuldade de se manter a posição profissional. Muitas vezes, eles ainda têm um pouco de dificuldade em relação a esse posicionamento da mulher no meio da tropa, isso ainda gera um pouco de conflito. Mas, minha experiência foi maravilhosa, eles nos respeitam muito e, com o passar do tempo, a mulher tem mostrado que é sim capacitada para estar dentro da tropa”, afirmou a tenente Thaynan de Assis Marinho.
Militar temporária, a sargento Kellyn Cristina Pereira atua na área técnica como nutricionista, na Brigada Ricardo Franco. Natural de Campo Grande, ingressou na carreira militar em 2014. “Meu pai é militar, então sempre tive a visão do militarismo dentro de casa, sempre estudei em colégio militar, por isso sempre gostei dessa área. A primeira vez que teve concurso para oficial do Exército para carreira na área foi no ano passado, eu fiz porque é o meu objetivo e sempre gostei disso”, contou.
Kellyn acredita que hoje o Exército está começando a ver a eficiência das mulheres dentro das Forças Armadas. “Eu acredito que com a modernização, não há tantas barreiras a serem derrubadas pelas mulheres no Exército. O Exército está iniciando esse ingresso recentemente, mas na Marinha e na Aeronáutica, as mulheres atuam faz tempo, acredito que eles entram em contato com as outras Forças e acabam vendo que é eficiente a mulher no Exército”, opinou a sargento.
Técnica em enfermagem, a sargento Patrícia Souza segue carreira militar desde 2013. Influenciada pelos parentes militares, desde criança sempre admirou o setor de saúde do militarismo. “Pesquisando pelas áreas militares, bombeiros, Aeronáutica, Marinha, eu me apaixonei pelo Exército. A mulher desde muitos anos sempre foi vista como o sexo frágil e no Exército é a oportunidade de a gente mostrar que de frágil a gente não tem nada, a gente é capaz de muita coisa, essa á a barreira que ainda tem que derrubar”, afirmou Patrícia.

Opções de concursos abertos em 2016 para ingresso de mulheres na carreira militar
Neste ano de 2016, há várias opções de concurso para o sexo feminino com vistas à matrícula nos cursos em 2017. Para a Escola de Formação Complementar do Exército, em Salvador/BA (EsFCEx), há vagas para mulheres formadas em Ciências Contábeis, Direito, Informática, Enfermagem e Veterinária. Para participar, a interessada deve ser brasileira nata, ter formação superior, ser registrada no órgão fiscalizador da profissão, possuir no máximo 36 anos, referenciados a 31 de dezembro do ano de sua matrícula. O concurso para o setor está dividido em quatro fases. Na primeira, haverá prova escrita com quatro questões. Na segunda e terceira fases, haverá inspeção de saúde e exame de aptidão física, respectivamente. A quarta fase é a comprovação dos requisitos biográficos e revisão médica. A militar começará no cargo de tenente, podendo chegar a coronel. A previsão para abertura de inscrições é entre junho e agosto.
Para o concurso de ingresso na Escola de Sargentos de Logística, no RJ (EsSlog) e para o Centro de Instrução de Aviação do Exército, em Taubaté-SP (CIAvEx), a exigência educacional é de Ensino Médio completo e ter idade de 17 a 24 ou 26 anos. No entanto, para as áreas de saúde e música, a mulher deve ter curso técnico em Enfermagem, concluído até a data da matrícula, e ter habilidade musical, para as respectivas áreas. Para esse concurso, a interessada poderá atuar também nas áreas de Intendência, Manutenção de Armamento, Mecânico Operador, Manutenção de Viatura Auto, Manutenção Comunicações, Topografia e Manutenção de Aviação do Exército. A prova também será em quatro fases. A primeira é o exame intelectual, a segunda é a comprovação dos requisitos biográficos, depois inspeção de saúde e exame de aptidão física. As militares que passarem no concurso ingressam como 3º sargento, podendo chegar a capitão. As inscrições devem ser abertas entre maio e julho.
Haverá também concurso para mulheres ingressarem na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), onde ficarão por um ano para posteriormente ingressarem na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende/RJ, onde permanecerão por quatro anos, a fim de atuarem nas áreas de Intendência e Material Bélico. Os requisitos são: ser brasileira nata, ter concluído o ensino médio até a data de matrícula, possuir idade mínima de 17 anos e máxima de 22, completados até 31 de dezembro do ano da matrícula; deve ter no mínimo 1,55m de altura, possuir aptidão física e idoneidade moral que a recomendem ao ingresso na carreira de oficial do exército Brasileiro. Durante o concurso, a candidata passará por exame intelectual, haverá comprovação dos requisitos biográficos pelas candidatas, passará por inspeção de saúde e exame de aptidão física. A mulher entra no quadro de militares do Exército como tenente, podendo chegar a general de exército. A previsão é que as inscrições para o concurso sejam abertas entre maio e julho.
A mulher que quiser ingressar na Escola de Saúde do Exército, no Rio de Janeiro (EsSEx), para atuar nas áreas de Medicina, Odontologia ou Farmácia, precisa ser brasileira nata, ter concluído com aproveitamento , em instituição de ensino superior, curso referente à área de atuação; possuir curso referente a uma das especialidades destinadas a matrícula no CFO do Serviço de Saúde e estar registrada no órgão fiscalizador da profissão a que concorre; possuir idade máxima de 36 anos, completados até 31 de dezembro do ano da matrícula. No concurso, a candidata passará por exame intelectual, inspeção de saúde, exame de aptidão física, revisão médica e comprovação dos requisitos biográficos exigidos às candidatas. A concursada ingressa na carreira como tenente, podendo chegar a general de divisão. As inscrições devem ser abertas entre julho e agosto.
Para o Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro, há vagas para nascidas entre 1º de janeiro de 1995 e 31 de dezembro de 2000. É necessário ter o Ensino Médio concluído. Para esse concurso, a previsão de inscrição é entre julho e setembro, são cinco anos de formação no IME. Para todas as áreas pretendidas, a concursada terá plano de carreira definido, sistema de saúde próprio, sistema previdenciário diferenciado, residências funcionais conforme disponibilidade, cursos de especialização e extensão e oportunidades de missões no exterior.
DIÁRIO Corumbaense/montedo.com

21 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns! São mais vocacionadas do que muitos homens. Sem contar a beleza.

Anônimo disse...

http://militaresbrasil.blogspot.com.br/2016/04/19042016-19-de-abril-dia-do-exercito.html

Anônimo disse...

Vão tirar serviço de oficial de dia? comandante da guarda? Sargento de dia? Formaturas com a tropa? Formar os recrutas? Se vierem pra somar ótimo, serão muito bem vindas, pois têm tantas condições quanto os homens para tal. Sou a favor.

Anônimo disse...

Quero ver é tirar o serviço de escala e ir para as missões sem alegar que está naqueles dias...

Patético a acochambração daquelas que estão na tropa nos dias atuais

Anônimo disse...

Seram todas protegidas pelos cmt, ten. "babãos", ficaram fora da escala de serviço, arregadas no TAF, e outras mordomias que tudo mundo sabe, menos mau que vou estar na reserva e não vou ver essa palhaçada.

Anônimo disse...

Se as mulheres fizerem a mesma coisa que eu em serviço, missão e TAF eu concordo, fora isso acho que é um problema a mais...
Se querem ingressar nas FFAA que façam tudo identico no que se refere a formaturas, serviços, missões, TAF e TFM. Pois depois que entram só ficam chorando, querendo ser mimadas e protigidas...

Anônimo disse...

Elas que venham por aqui se casarão!

Anônimo disse...

Mulher nas forças armadas somente se for servidora civil, pois como militar nuna ira dar certo na minha opinião. Pois não fazem as mesmas coisas que os homens nas partes operacionais seja por resistencia fisica e muscular. Por este motivo acredito que as mulheres devem ser incorporadas como funcionarias civis dentro das FFAA e desta forma não havendo conflito entre as funções militares e fisicas. Já com as de capacidade intelectual na qual acredito que ambos sexos tem na qual ai sim poderiam ser muito utilizada as mulheres. Pois não acho justo eu oficial ou sargento receber igual a uma mulher que não faz um TAF igual ao meu.

Anônimo disse...

Vejo como um problema as mulheres nas forças armadas, acho que deveriam ser servidoras civis somente já que na maioria não aceita ordens, vivem ponderando, não quer tirar serviço e nem fazer TFM e nem TAF.

Anônimo disse...

O problema de mulheres, principalmente no exército, é como naquele filme -No limite da honra- o problema não serão elas, mas a atitude dos homens em relação a elas, no dia a dia, nas missões e no combate.

Anônimo disse...

O Exército é para homens e gays. As mulheres devem ficar na parte de assistência social, a qual já desempenham muito bem.

Anônimo disse...

Tudo filho de chocadeira...

Ubirajara Felix disse...

Sejam todas bem vindas,vcs merecem e tem competência.

Anônimo disse...

Concordo com o colega que diz que as mulheres são bem vindas nas FFAA, porem como servidoa civil, assim não teriam problemas no ambito militar.

Anônimo disse...

Meu voto é NÃO". Forças Armadas, é para homens. Mulheres tem que ser na parte de apoio, (MDFV)(médicos, dentistas, farmacêuticas e veterinárias). O CIGS formou duas mulheres e aquilo até hoje é motivo de "piada" com os GUERRAS. Na brincadeira falam se até mulher é GUERRA qualquer um sai. Pensem antes de tomar uma decisão. E no futuro estas jovens com a idade avançada, com famílias constituídas, será que vão conseguir cumprir suas missões no EB?????? Muitos quartéis mal tem alojamentos para o sexo masculino e ainda querem meter o sexo feminino. Pensem bem? Não atuem com a emoção! Pensem!!!!

Anônimo disse...

Lugar de mulher é na casa cuidando do marido, filhos e, principalmente, da casa com os afazeres domésticos...o ambiente militar é um local muito hostil para as mulheres, delicadas que são. Logo, não há o que ficar inventando....futuramente aparecerão os problemas relacionados com o contigente de mulberes incorporadas nas FFAA, como os já citados anteriormente.

Esse negócio de mulher moderna, que tem que trabalhar, dividir as responsabilidades de casa com o marido é balela. O homem deve prover o sustento do seu lar, arcando com todas as responsabilidades de homem....cuidando da casa, resolvendo os problemas, ou seja, comandando tudo....

Militar atento!


Anônimo disse...

Gays existem até nas igrejas infelizmente,,,,
Imbecil é que diz, que não há lugares para as mulheres. Há sim, sou a favor sejam bem vindas em nosso meio. Não de moleza aos homens fracos de espíritos. E costumam a fazer comentários da vida alheias, de outros colegas.

Mulheres parabéns pela decisão, mantenham se integras em suas missões e se apliquem aos seus trabalhos..

Militar do EXÉRCITO Vermelho

Anônimo disse...

Meu voto tambem é NÃO as mulheres nas forças armadas...
Até para MFDV sou contra, acho que poderiam aproveitar estas quando querem realizar serviço nas FFAA que seja como servidoras civis e não militares.
Lugar de mulher não é nas FFAA como militar, pode até ser como civil, mas militar jamais.

Anônimo disse...

Há muitas mulheres no Exército em outros países, pq não aqui no Brasil..E atuaram desde a 2ª guerra mundial; até nos dias de hoje.

Mulheres sejam bem vinda, se portem em seus lugares, não de moleza aos homens que são alguns folgados..e se acham...
Parabéns pela escolha que fizeram, sou homem casados e tenho uma filha....

Anônimo disse...

Só espero que não entre nenhuma tipo a Dilma. Só conheceremos a pessoa depois que o poder estiver em suas mãos.

Anônimo disse...

Será difícil entender que as mulheres na linha bélica vieram para ficar? Não adianta ser contra, é uma realidade, é lei!

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