28 de novembro de 2015

A história secreta da AMAN

No início de 1943, tempo de II Guerra Mundial, a construção da AMAN havia parado por falta de verbas; funcionava no Rio a velha Escola Militar de Realengo, instituição que formou muitos militares conhecidos no século passado, como Castello Branco e os outros generais presidentes.
Naquela época uma das diversões do cadete era montar nos dias de folga. Oito amigos nos fins de semana costumavam cavalgar. Oito companheiros inseparáveis saíam sempre juntos. Irmãos por escolha, por opção. Em algumas noites eles costumavam sorrateiramente cavalgar até uma boate de mulheres que havia em Botafogo.
Certa noite, eles montaram nos cavalos escondidos no mato e com um grito de comando dispararam pela estrada de barro retornando a Realengo. Quando passavam por uma rua, viram numa esquina escura quatro homens assaltando, batendo num senhor que pedia clemência, que não lhe matassem.
Os oito cadetes não precisaram combinar, puxaram as rédeas e os cavalos dirigiram-se para o local do assalto, desmontaram dos cavalos ainda a galope, e agarraram os bandidos. Dois socorreram o cidadão que já devia ter mais de 50 anos, os outros prenderam os marginais. O velho ferido foi deixado num hospital.
Na segunda-feira durante a formatura matinal, o comandante da Escola pediu à tropa para que os cadetes que tinham salvado a vida de um cidadão se apresentarem, o filho desse senhor estava ali para agradecer. Os oito amigos não se revelaram, receio de pegar cadeia. Só depois do comandante muito insistir e promessa de não haver punição, os cadetes se apresentaram.
Foram levados à presença do velho no hospital. Era nada mais nada menos que Henrique Lage, um dos homens mais ricos do Brasil, donos de empresas, inclusive o Loyde Nacional, companhia de navios que fazia a costa brasileira.
O rico senhor agradeceu aos cadetes e perguntou qual a precisão de cada um, eles dissessem o que queriam. Os oito amigos pediram para pensar. Reuniram-se, discutiram muito. No outro dia foram ao ricaço, nada queriam para eles, pediam que ele ajudasse a terminar a construção da Academia Militar das Agulhas Negras que estava paralisada.
O velho deu a ordem, mandou buscar o mais fino mármore de Carrara na Itália para o revestimento, mandou comprar todo o piso da Academia em granito. Até hoje perdura o luxo e a suntuosidade daquele belíssimo conjunto arquitetônico.
A AMAN é considerada a mais bonita Academia Militar do mundo, graças à digna história dos oito cadetes, hoje anônimos militares reformados de nomes esquecidos, mas o belo gesto, a coragem, o destemor e o amor à sua Escola tornaram-se lenda, sempre lembrada nas reuniões militares.

Nota d Editor, Luiz Mergulhão
A historia dos cadetes pode ser inverídica. Meu padrasto, Aspirante de 43 (Engenharia) do Realengo gostava de contar esta história. Mas o fato da doação do mármore de carrara é verdadeira.
As atividades de Henrique Lage como armador o aproximaram dos militares da Marinha do Brasil e do Exército, entre os quais fez grandes amigos e admiradores. Foi o primeiro civil, e durante muitos anos o único, a ostentar no peito a Comenda da Ordem do Mérito Militar, que lhe foi outorgada, em caráter especial, pelo próprio Presidente da República - Getúlio Vargas. Ostentava, em sua lapela, o botão representativo, demonstrando o apreço que dedicava à condecoração recebida.
Os Cadetes da Escola Militar, aos quais estimava como filhos, tinham tratamento especial em seus navios e muitos dos atuais oficiais superiores e Generais do Exército Brasileiro foram passageiros "de cortesia" em seus ITAS, durante as férias escolares, a fim de visitarem seus parentes na terra natal. Instituiu o "Prêmio Henrique Lage" para o 1º colocado de cada turma e a "Taça Lage” para ser disputada em competições esportivas entre as Escolas Naval e Militar. Doou todo o mármore empregado na Academia Militar das Agulhas Negras, pois, mantendo uma grande amizade com o Marechal José Pessoa, o grande idealizador e incentivador da construção da AMAN, fez questão de participar do empreendimento.
Até hoje nos registros da Academia consta o nome de Henrique Lage como cadete numero 0001 sendo a ele distribuído o espadim de mesmo número.
Sangue Verde Oliva/montedo.com

6 comentários:

Amauri disse...

Interessante....

Anônimo disse...

Legal, gostei muito da história.

Anônimo disse...

Bacana, mt legal o artigo.
Maj QCO Leonardo

Anônimo disse...

fazia tanto tempo que não aparecia uma história tão bonita, seja verdade ou não, me fez muito bem tê-la lido. Parece-me que a Escola do Realengo tinha outros valores.

Anônimo disse...

Não era a escola do Realengo que tinha outros valores... O país tinha outros valores. Leiam alguns discursos de Vargas e percebam o que ele evocava às multidões, quais argumentos usava para tentar sensibilizar a sociedade. Falava de civismo, patriotismo, deveres, compromisso, honra, trabalho...
Completamente diferente do discurso político atual, em que só se fala de assistencialimo, assistencialismo e mais assistencialismo.

Paulo Jorge Dantas disse...

Achei a História da Academia Militar das Agulhas Negras, verídica dígna de ser publicada nos Anais da AMAN.
Aos oito Cadetes protagonista desta História, o Brasil e o Exército Brasileiro devem agradecer por este ato de Patriotismo .

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