16 de novembro de 2015

Exército chega a Colatina, ES, para coordenar distribuição de água

Mais de 100 homens vão ajudar a levar água para a população prejudicada.
Poços para captar água começaram a ser perfurados neste domingo.
Naiara Arpini
Do G1 ES
Mais de 100 homens do Exército chegaram a Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, na manhã deste domingo (15). Eles serão responsáveis pela distribuição de água à população, já que o abastecimento será prejudicado devido à presença de rejeitos no Rio Doce.Também neste domingo, a Samarco começou a escavar poços profundos na tentativa de encontrar novas fontes de água potável.
Essa distribuição de água é necessária por causa do rompimento de duas barragens de rejeitos de minério da Samarco, cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP, que aconteceu no dia 5 de novembro e causou uma enxurrada de lama no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. A lama também chegará ao Espírito Santo e deve afetar o abastecimento de água de Baixo Guandu, Colatina e Linhares.
Para contornar o problema do abastecimento, foi montado um plano de ações. Entre as alternativas estão o uso de 10 caminhões pipa, que farão viagens contínuas diariamente para buscar água tratada em Linhares e abastecer escolas, hospitais e asilos; e buscar água na lagoa Batista, em Marilândia, para tratar nas estações de Colatina.
Outra ideia a ser colocada em prática é a construção de adutoras e de seis poços profundos, que começaram a ser escavados neste domingo (15). As perfurações vão ser feitas em regiões próximas ao Rio Doce. Essa operação é realizada pela Samarco e coordenada pela Defesa Civil e pela prefeitura de Colatina.
“Na primeira análise feita por geólogos, que verificaram o solo e as rochas, há grande possibilidade de encontrarmos água de boa qualidade e em grande quantidade. As três primeiras perfurações vão ser feitas em Colatina”, explicou o diretor administrativo e financeiro do Serviço Colatinense de Meio Ambiente e Saneamento Ambiental (Sanear), Almiro Schimidt. De acordo com ele, cada poço deve levar em média dois dias para ser perfurado.
Também serão distribuídas 10 caixas d’água em pontos estratégicos para que as pessoas busquem água tratada. Esse trabalho será coordenado pelo Exército.
“Se os poços que estão sendo perfurados derem certo, cerca de 55% da captação de água vai permanecer normalizada. Para a parte que não for atendida, que é 45%, nós vamos agir fazendo a distribuição de água”, explicou o capitão De Albuquerque, do Exército.
Ele disse que como o abastecimento ainda está normalizado, por enquanto, o Exército aproveita para fazer reconhecimento da área e estudo de mapas da região.
A presença do Exército nas cidades, além do controle na distribuição de água, funcionará como apaziguador para a população da região preocupada com a aproximação da lama, conforme destacou o secretário de Meio Ambiente do Estado, Rodrigo Júdice.
Os militares ficarão no município por tempo indeterminado e poderão auxiliar os três municípios que serão atingidos: Baixo Guandu, Colatina e Linhares, segundo o Governo do Estado.

Cota para receber água em Colatina
Para garantir que toda a população receba água de qualidade e em quantidade suficiente para enfrentar o momento, a prefeitura de Colatina vai estipular cotas para as famílias, que poderão buscá-la nos pontos estratégicos de distribuição, de acordo com o prefeito Leonardo Deptulski.
Apesar de não ter ainda uma cota estipulada, o prefeito afirmou que o plano com essa medida é de atender 30% do consumo que a cidade tem hoje, cerca de 34 mil metros cúbicos por dia.
“Com isso será preciso que a população economize ainda mais a água. Vamos entrar em regime de crise onde cada um vai ter que fazer sua parte na economia”, disse.
Deptulski explicou ainda que o abastecimento não será feito direto na rede para assegurar que todos tenham água em casa, já que quando se produz menos água do que se consome, o sistema abastece as áreas mais baixas e a água acaba não chegando nas partes mais altas da cidade.
“Vamos fazer o inverso. Dividimos a cidade em regiões e vamos levar os carros-pipa aos reservatórios, encher no alto do morro e abastecer essas localidades. Fizemos a projeção de quanto cada região gasta de água hoje e quanto vamos abastecer em cada uma. O importante é que vai ter água de qualidade gratuita para as famílias”.
G1/montedo.com

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