21 de dezembro de 2015

Calha Norte: um marco de soberania

UM MARCO DE SOBERANIA
Aldo Rebelo*
Com o espírito dos bandeirantes, que jamais aceitaram a submissão de Portugal à Espanha durante a União Ibérica de 1580 a 1640, o capitão Pedro Teixeira desfraldou a bandeira lusitana na imensidão do Rio Amazonas. Em 1637, navegou de Belém a Quito, no Equador, e fincou o marco possessório português no domínio espanhol. A audácia geopolítica incorporou a Amazônia ao reino de Lisboa e, depois da Independência de 1822, a região permaneceu como uma dádiva geográfica do Brasil.
Desde então, com mais ou menos ênfase, sucessivos governos têm procurado preservar a posse de uma área equivalente à metade da Europa, porém muito mais rica em cobiçados recursos naturais. De numerosos programas de ocupação e proteção, o mais profícuo da atualidade é o Calha Norte, que em 19 de dezembro completa 30 anos.
A finalidade principal do Calha Norte é a vigilância das fronteiras, mas, para além da presença militar em áreas isoladas, sobressai como indutor do desenvolvimento ordenado e sustentável mediante a construção de rodovias, portos, pontes, escolas, creches, hospitais, redes de água e energia elétrica, além de modernos sistemas de telecomunicações. A infraestrutura satisfatória induz à ocupação do vazio demográfico e à fixação do homem na fronteira.
Coordenado pelo Ministério da Defesa, o Calha Norte expande-se por meio de convênios com os estados e prefeituras de 194 municípios, a maioria situada ao longo dos 10.938 quilômetros da linha fronteiriça regional. A área original de atuação na faixa setentrional do Rio Amazonas agora transborda para localidades carentes ao sul do Mar Doce.
Conjugado a outros programas e operações regulares das Forças Armadas, o Calha Norte expande o processo civilizatório brasileiro, difunde cidadania efetiva e consciência nacional entre a população. Como sentinela da Nação, expressa a presença realizadora do Estado na defesa da soberania demarcada há quase quatro séculos pela intrepidez de Pedro Teixeira.
Jornalista, é o atual ministro da Defesa*

Um comentário:

Anônimo disse...

Sobre esse projeto já ouvia falar há uns vinte anos atrás,aproximadamente,quando algumas autoridades estavam nos levando no mesmo avião indo para um ponto na fronteira noroeste do Pará, local incrustado nos limites das fronteiras de outros dois países e desconhecida dos brasileiros.Acho que essa fronteira, em toda sua extensão até o litoral do atlântico é a mais difícil de se instalar qualquer coisa que a proteja.São serras,selva intransponível, rios não navegáveis e impossibilidade de construção de estradas. Somente via aérea é possível e somente em alguns poucos pontos.Claro que sem muitas verbas nada disso é possível.Essa semana, eu acabava de ver reportagem na TV paga sobre a diminuição de apreensões de submarinos de traficantes na Colômbia, depois de operações constantes dos órgãos envolvidos no combate e fiquei surpreso ao ler na internet que na cidade de Vigia,se não me engano, no Pará, foi apreendido um equipamento desses sendo construído.É fácil demais a entrada clandestina pelo litoral, tanto pelos rios como pelo oceano. E também não faltam loucos para aceitar essa empreitada.

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