4 de fevereiro de 2016

Pioneiro 44: criador do 'chipanique' morre aos 94 anos e é sepultado em mausoléu 'Pqdt'

Morre ex-paraquedista que construiu túmulo e estátua em cemitério no RS
Casemiro Scepaniuk morreu aos 94 anos na terça-feira (2) em Porto Alegre.
Idoso era considerado uma lenda do paraquedismo entre militares.
Do G1 RS
O ex-paraquedista Casemiro Scepaniuk morreu na terça-feira (2) em Porto Alegre. Aos 94 anos de idade, ele era considerado uma lenda do paraquedismo entre os militares. A morte foi confirmada pelo Exército. O sepultamento ocorreu nesta quarta-feira (3).
Além da carreira militar, Scepaniuk, que é natural de Erechim, Região Norte do Rio Grande do Sul, ficou conhecido pela construção de um túmulo majestoso no cemitério da Santa Casa, onde será enterrado. A causa da morte não foi informada.
O mausoléu é ornado com uma estátua de bronze acompanhada de uma águia e um cachorro, e custou o mesmo valor de um apartamento de três quartos no bairro Partenon, onde vivia na capital gaúcha.
“Essa aqui é minha morada eterna, não pretendo dar serviço para minha esposa Ruth porque vou primeiro que ela, então já vou deixando a casa pronta para a nova moradia”, disse em entrevista concedida à RBS TV em 2009.
No mesmo cemitério está o túmulo do músico Teixeirinha, motivo de comemoração para Casemiro. “Tenho certeza que até o Teixeirinha vai tocar, é meu vizinho”, brincava.
Na entrevista, ele afirmou que não tinha medo da morte: “É uma coisa natural”. A preocupação dele parecia ser deixar sua marca pela terra. “Aqui eles vão custar a me esquecer”.
Nas redes sociais, o paraquedista Ricardo Freire prestou uma homenagem a Scepaniuk, ainda na terça, dia da morte. "Temos a triste missão de nos preparar para amanhã [quarta], inaugurar o Mausoléu do Pioneiro Pqdt 44 Casemiro Scepaniuk", escreveu. "Mais um bravo paraquedista militar que vai Cumprir Missão Eterna na Brigada Celestial Aeroterrestre", completou.
G1/montedo.com


Chipanique



Nilo da Silva Moraes
Casemiro Scepaniuk é um dos pioneiros, 44, formados nos EUA, cuja contribuição para o engrandecimento e destaque do paraquedismo, foi deveras notável. Além de ter sido instrutor da 1a turma de paraquedistas formada no Brasil, foi também instrutor dos cursos de Cabos e Sargentos realizados no Núcleo de Formação e Treinamento de Paraquedistas.
Em 1954, quando nem se pensava no modismo da ecologia, Scepaniuk já havia plantado muitas árvores em nossos quartéis. Destaque para as mangueiras, hoje frondosas, no Centro de Instrução Paraquedista General Penha Brasil.
Um militar excepcional, sob todos os aspectos. Sempre atento a tudo, não se descuidando da segurança no salto de paraquedas.
Em 31 de junho de 1955, um soldado, aluno do Curso de Paraquedismo, tendo seu paraquedas desenganchado no meio de sua equipe de salto, foi levado a saltar sem saber o que ocorria. Não acionando o reserva, veio a falecer tragicamente. Essa tragédia consternou a todos nós paraquedistas.
Scepaniuk muito habilidoso e preocupado com a segurança dos paraquedistas, como já falamos antes, analisou detidamente o gancho da fita de abertura de um paraquedas T-10, após o que, sugeriu a colocação de um freno, que impediria a abertura fortuita do gancho.
Foi uma sugestão simples; difícil foi o Scepaniuk provar que o gancho de abertura do T-10 poderia abrir-se, acidentalmente, quando lançado no fundo do avião, pois ao chocar-se com o batente do cabo de ancoragem, o olhal do gancho poderia retrair-se, ocorrendo, assim a abertura não esperada do gancho. Isso ele provou na Área de Estágio lançando dentro do falso avião várias fitas de abertura centenas de vezes, até que, finalmente, aos olhos da comissão, um gancho abrira-se, soltando do cabo de ancoragem.
A sugestão simples, sugerida pelo Sargento Scepaniuk, era a colocação de um pequeno pedaço de arame, que assim foi feita. Fechado o gancho, fez-se um furo no seu corpo central, e introduzindo-se, nesse furo, um pino de arame que, em seguida, era dobrado para evitar sua saída do olhal. O pino, preso por um pequeno cadarço de nylon, seria cosido na fita de abertura do paraquedas.
Simples dispositivo, o grampo de segurança! Como as coisas simples, objetivas, práticas, eficientes e funcionais. Sugerido em 1955, perdura até hoje nos saltos de paraquedas, dando-lhes segurança máxima.
Chipanique (no detalhe): quantas vidas esse pedaço de arame já salvou?
(Imagem: Sargento Fernanda - FAB/Edição: Montedo.com)

Paraquedistas, quando na hora do salto você receber os comandos: Prepara! Levantar!! Enganchar! À porta!, não esqueça de introduzir no gancho da fita de abertura de seu paraquedas, o pino de segurança, há muito, com todo mérito, chamado de “Chipanique”, ou melhor, “Scepaniuk”, hoje de uso por todas as tropas de todo o mundo.

ALMANAQUE CULTURAL BRASILEIRO/montedo.com

8 comentários:

Marinho disse...

Saltou na ZL infinita, que o Grande Mestre de Saltos o receba de braços abertos.

SEGUNDÃO PQDT disse...

Pqdt na verdade não morre, somos imortais, nos juntamos sim aos outros irmãos de boot e vamos atormentar a todos lá em cima, essa é nossa missão, causar o desespero onde chegamos....VÁ COM DEUS BRAVO PQDT !!!

Anônimo disse...

Que descanse em Paz o nobre guerreiro que fez a lenda e a diferença dentro da brigada paraquedista.

Anônimo disse...

Djalmão diz:


Gostei muito da homenagem, infelizmente, mais um paraquedista que se vai,porém, com a resignação que é o fim esperado para todos nós. O capitão Scepanick so deve ter ficado aborrecido, esteja ele onde estiver, por ter sido chamado de ex-paraquedista...

Anônimo disse...

Não existem "ex-paraquedistas".

Certeza da Missão Cumprida. Bom Salto, Irmão Alado! LUZ VERDE!

Jozinaldo Freitas disse...

Que o Grande Arquiteto do Universo o receba em seu reino e que este bravo guerreiro consolide o terreno para que outros guerreiros que partirem para o Oriente Eterno encontre a paz tão almejada.

Viptarget disse...

Muito boa a matéria! Parabéns! Que Deus conforte a família e amigos do militar!

Honório paraquedista 40983 disse...

Meus parabéns ao autor pelo magnífico texto . Eu tenho farto material desse paraquedista pois o conheci pessoalmente e em várias oportunidades estive pessoalmente com ele inclusive em sua residência no Paternon onde pude degustar a única bebida alcoólica que utilizava , um delicioso espumante . Sua presença entre nós foi de grande apreço até sua despedida na terra .

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