8 de agosto de 2015

Novo delator confessa repasse de R$ 765 mil para almirante da Eletronuclear

Othon Luiz Pinheiro da Silva. Foto: Beto Barata/AE
Othon Luiz Pinheiro da Silva. Foto: Beto Barata/AE
Por Julia Affonso, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo
Um novo delator da Operação Lava Jato confessou que sua empresa Link Projetos e Participações foi usada como intermediária para repasse de ao menos R$ 765 mil, de 2010 a 2014, entre a empreiteira Engevix e a Aratec Engenharia Consultoria e Representações, controlada pelo presidente licenciado da Eletronuclear, almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, preso desde o final de julho sob suspeita de receber propinas nas obras de Angra3.
O empresário Victor Colavitti, o novo delator, entregou à força-tarefa da Operação Lava Jato um contrato original da Engevix com a Link Projetos, datado de 30 de maio de 2010, no valor de R$ 500 mil, em 16 parcelas. Segundo ele, ‘foi o primeiro contrato firmado com a Engevix com a intenção de efetuar repasses à Aratec’.
“As declarações do colaborador Victor Sergio Colavitti somadas ao conjunto de provas já constante dos autos, evidenciam plenamente que foram firmados contratos fictícios pela Link Projetos, tanto com a Engevix, tanto com a Aratec, para que fosse proporcionada a passagem de valores da corrupção para Othon Luiz”, sustentam os procuradores do Ministério Público Federal.
A força-tarefa suspeita que Othon Pinheiro teria recebido um total de US$ 30 milhões em propinas de empreiteiras. Desse volume, R$ 4,5 milhões já foram rastreados na conta da Aratec Engenharia Consultoria. Segundo o Ministério Público Federal, a Engevix recebeu da Eletronuclear, com quem tem contratos firmados, pelo menos R$ 136.894.258,23 entre 2011 e 2013. A empreiteira também é investigada no esquema de corrupção instalado na Petrobrás.
“A Engevix fez contato com a pessoa de Victor Sergio Colavitti, com o fim de utilizar a empresa administrada por este para intermediação do repasse da propina destinada a Othon Luiz, que seria recebida na empresa Aratec”, aponta a força-tarefa da Lava Jato.
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Othon Luiz foi preso temporariamente por 10 dias na Operação Radioatividade, 16ª fase da Lava Jato, deflagrada em 28 de julho. Na quinta-feira, 6, o juiz federal Sérgio Moro decretou a prisão preventiva do almirante, baseado em novas provas apresentadas pelo Ministério Público Federal. Uma delas é o depoimento de Victor Colavitti.
O empresário revelou que atendeu pedidos da Engevix, e, em 30 de maio de 2010, 24 de maio de 2012 e 15 de janeiro de 2013, a Link Projetos celebrou contratos fictícios com a empreiteira, sem prestação de serviços. Victor Colavitti afirmou ainda que também foi firmado, entre a Link e a Engevix, ‘o contrato fictício, em 1 de dezembro de 2013, o qual foi assinado em 21 de janeiro de 2014, no valor de R$ 450.000,00′.
“Todavia, com a deflagração da Operação Lava Jato em março de 2014, Victor Sergio recusou a dar cumprimento aos repasses. A propósito, o colaborador revelou que Ana Cristina, filha de Othon, chegou a emitir uma nota fiscal em abril de 2014 que foi enviada à Link Projetos”, destacou a 

Procuradoria.
Em consulta à base de notas ficais da Aratec, a Procuradoria constatou que ‘realmente foi emitida em favor da Link a Nota Fiscal 610 de 1.º de abril de 2014, o que corrobora as declarações do colaborador’.
Em um depoimento, Victor Colavitti afirmou que não conheceu Othon Luiz ou sua filha Ana Cristina Toniolo e que não sabia que os pagamentos envolvessem contrapartida de contratos da Engevix com a Eletronuclear ou qualquer empresa pública. O empresário disse à força-tarefa que a Link foi aberta em 2003 e presta serviços de projetos, na área de engenharia em geral, topografia, assessoria comercial na área de engenharia, intermediação de negócios para empresas diversas, inclusive para a Engevix. Segundo ele, houve prestação de serviço à empreiteira em outros contratos.
“Por volta de abril/maio de 2010, durante um encontro na empresa Engevix, foi pedido ao declarante que fizesse alguns pagamentos para Engevix, devidos a urna determinada empresa chamada Aratec, sendo que na ocasião apenas foi dito ao declarante que os pagamentos não poderiam ser feitos pela Engevix”, contou o empresário à força-tarefa. “Para preservar seu bom relacionamento com a empresa Engevix, bem como para preservar os contratos então em andamento e pela perspectiva de novos negócios, o declarante aceitou fazer tais pagamentos sem maiores questionamentos.”
Victor Colavitti explicou que conforme os pagamentos da Engevix eram feitos para a Link, logo na sequencia a Aratec emitia a respectiva nota fiscal e ele determinava o pagamento à Aratec já com todos os impostos recolhidos. O dono da Link disse acreditar que houve um repasse aproximado de R$ 765 mil à Aratec, entre 2010 e 2014.
Ele não soube informar a que título eram feitos esses pagamentos da Engevix à empresa Aratec. Mas afirmou ‘com absoluta certeza que o serviços descritos no contrato entre Link e Aratec jamais foram prestados’. Ele esclareceu que o contrato entre a empresa do almirante e a Link ‘veio pronto da Aratec’.
Procurados nesta sexta-feira, 7, as defesas de Othon e de sua filha não se manifestaram. No início desta semana, a defesa do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva afirmou à Justiça Federal que os repasses feitos por empreiteiras para a Aratec Engenharia, criada por ele, estão relacionados a serviços de tradução prestados por sua filha. Em petição anexada aos autos da investigação, a filha do almirante, Ana Cristina Toniolo, corroborou o que foi dito pela defesa do pai.

COM A PALAVRA, A ENGEVIX
“A empresa está prestando os esclarecimentos necessários à Justiça”.
O Estado de São Paulo/montedo.com

Um comentário:

Anônimo disse...

Minha santinha de fé, em quem vamos acreditar agora? Do lado de lá, governo, tem um ninho de ratazanas,e agora do lado de cá, está começando aparecer um fiozinho da meada. Só me resta acreditar no Tiririca!Pior não fica. os que já passaram pelo governo devem estar numa preocupação geral.

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