26 de maio de 2016

Histórias de Quartel

Tem cada uma...

Ruben Barcelos de Mello
Estou em Santa Maria e resolvi visitar um quartel – a tarde é grande, o sol brilha lá fora e a “vergamota” tá 3 pila o saquinho...
Chegando no portão, me pediram a identidade e qual o motivo da visita. Mostrei a identidade e disse que o motivo da visita era visitar. O soldado me devolveu a identidade e abriu a cancela pra eu entrar, sem anotar o meu nome.
Estava estacionando quando veio outro soldado:
- Boa tarde, o senhor foi identificado na RP?
- Não, não fui. Por que... tem que ser?
- É ordem do comandante.
- Tá bom, vamos lá então.
E “lá” me deram um crachá e uma identificação pra o veículo. O soldado me acompanhando como uma sombra, até o lugar da visitação. Fiz a visita, encontrei alguns amigos de 30 anos atrás e ia saindo no portão quando veio um soldado com uma prancheta.
- Como é o seu nome?
- Meu nome é tal de tal...
Ele viu que meu nome não constava da relação de entrada de pessoas.
- Mas o senhor não entrou no quartel!
- Entrei sim, tanto que tô saindo...
- Mas seu nome não está aqui...
- Tu não vai acreditá, mas eu entrei por este mesmo portão, caminhei por todo esse pátio, fui até no cassino dos sargentos, tomei mate, usei o banheiro...
- E agora?
- Ué, se tu quiser eu entro, tu anota meu nome e eu saio.
Mas o cara não gostou muito, porque baixou a cancela pra eu sair e nem me respondeu.
Ai, ai, cadê o Helio Beltrão* pra desburocratizar o meu EB?

*Hélio Beltrão: ministro da desburocratização do Governo Figueiredo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Há poucos meses no 6º GAC, em Rio Grande, o Subcomandante havia dado ordem expressa de impedir que militares inativos visitassem as instalações do quartel. A ordem era para que o inativo aguardasse na RP e caso quisesse falar com algum militar da ativa, o militar da ativa deveria ir até a RP falar com o inativo. Uma burocracia desnecessária, um preciosismo extremo para tratar militares que passaram a vida dentro de um quartel. Finalmente a situação se resolveu para melhor, quando o Comandante decidiu por derrubar essa ordem absurda.

Anônimo disse...

É estranhíssimo realmente. Imaginem se o companheiro estivesse de terno e em carro preto? Iriam hastear uma bandeira.Quando fui visitar a minha, da FAB, onde o comandante e outros oficiais são ex-sargentos companheiros de equipes de serviços,o sentinela segurou até na pistola e outro anotava o meu nome.Vi o prédio do destacamento ser construído desde o alicerce e fui participante da primeira equipe que operou um dos radares da área.Sei de olhos fechados o que tem lá dentro.Mas, os tempos mudam e, os chefes.

Luis Fernando Smidt disse...

O mais engraçado é que, quando fui para a Reserva, há 13 anos, meu Comandante de Companhia me disse, na frente do Comandante da Região, que as portas estariam sempre abertas para mim, porque a RM era a minha casa, etc, etc. Em minha última apresentação na SIP, pedi ao vampiro que me atendeu, para dar uma caminhada pelo aquartelamento. Este me disse que iria verificar se eu poderia fazer a tal caminhada. Desisti!

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