12 de julho de 2017

Laudo inconclusivo revolta esposa de sargento do Exército morto em treinamento

Apesar de causa ter sido definida como indeterminada, o corpo do militar apresentava graves queimaduras
Laudo inconclusivo revolta esposa de sargento do EB morto em treinamento
Luciana Marschall
O que era a esperança dos familiares do 3º sargento do Exército Brasileiro, Daniel Dedablio Poczwardowski, de 29 anos, que morreu em maio deste ano durante treinamento em Marabá, virou mais uma decepção nesta segunda-feira (10). Em “live” no próprio perfil do Facebook, a viúva Irla Oliveira falou sobre o resultado do laudo cadavérico que apontou a causa da morte como indeterminada.
“Hoje (segunda) faz 55 dias que o Daniel morreu. Fui à tarde ao Instituto Médico Legal (IML), no (Centro de Perícias Científicas) Renato Chaves, na esperança de buscar o laudo com a causa da morte do Daniel. O IML me entregou um laudo apontando que a causa da morte não foi definida. Causa indeterminada. Me desculpem, mas meu marido estava em um treinamento dentro do 52º Batalhão de Infantaria de Selva de Marabá, estava no chão, com a roupa de caçador, num sol de quase 40 graus”, desabafou.
De acordo com ela, o laudo afirma que o marido não tinha se alimentado naquela manhã. “Ele não tomou café da manhã, não foi fiscalizado se ele tomou café da manhã. De acordo com o IML, não tinha nada no estômago dele na hora da necropsia. Estava jogado no chão, num calor de 40 graus, morto há mais de três horas e o IML teve a coragem de me dizer que não tem a causa da morte dele. O inquérito instaurado (pelo Exército Brasileiro) ainda não foi finalizado, foi prorrogado”, afirma.
A mulher questiona a perícia cadavérica realizada. “Eu não sou perita, mas não consigo acreditar que o único local em que eu teria a esperança de ter a causa da morte dele, que era o IML, me deu uma resposta dessas. Três médicos fizeram perícia, fizeram exame histopatológico, toxicológico, de todos os possíveis, e não tem causa. Alguém me explica se isso é possível porque eu não estou conseguindo acreditar”.
Irla destaca que Daniel tinha 29 anos de idade e nunca havia apresentado doença grave. “Nunca teve doença, problema cardíaco, nada, e o IML tem a coragem de me dizer que não sabe se enfartou, se teve rabdomiólise. Cinco militares passaram mal, o Daniel foi achado morto e o sargento Costa até hoje está internado em Belém se recuperando”.

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RELEMBRE
O sargento Daniel foi encontrado morto no dia 15 de maio, durante o Estágio de Caçador Militar. O 2º sargento Sidney Ribeiro Costa, que também passou mal, foi socorrido e acabou transferido para a UTI do Hospital Geral de Belém, do Exército Brasileiro, na madrugada seguinte. Ele já deixou a unidade de terapia intensiva (UTI), mas de acordo com Irla segue internado. Além dos dois, tiveram que receber socorro médico o 3º Sargento Paulo de Freitas, o 3º Sargento Rafael Camargo Ochi e o 3º Sargento Octávio Duarte Rocha, todos participando da mesma atividade.
Conforme Irla, o laudo aponta que o marido teve hemorragia generalizada e que não havia no organismo nenhum sinal de droga ou veneno. “Apresentou um nível de álcool baixíssimo que não contribuiu em nada na morte dele e simplesmente não tem causa, simplesmente não tem nada”, afirma, acrescentando que esperava encontrar na resposta do IML um pouco de paz.
“Eu estou revoltada, eu estou cansada e eu não aguento mais esperar. Não mereço isso, ninguém merece uma coisa dessas. Preciso de resposta. Agora vou ter que contratar médico, pedir outros exames e vão ser mais 50 dias, 60 dias, um ano de espera. Não durmo desde o dia 15 de maio. Quer dizer que não vou dormir por mais um ano? Isso é um absurdo e eu não estou recebendo nenhum tipo de resposta”.
Segundo ela, o resultado pode atrapalhar, inclusive, questões burocráticas decorrentes do falecimento do marido. “Por causa desse laudo a minha sogra não consegue receber o seguro de vida dele e eu não consigo quitar a nossa casa. Vou ter que continuar pagando a nossa casa sendo que meu marido pagou um seguro para que se caso essa fatalidade viesse a acontecer, a casa fosse quitada. O banco do quartel não quita a casa porque não tem causa. Eu não vou fazer a exumação do corpo do meu marido porque ele não merece isso, que fique claro que eu não vou fazer isso, o mínimo que ele merece é respeito, já que eu não estou sendo respeitada”.
Por fim, Irla Oliveira afirma que não está recebendo apoio algum da 23ª Brigada de Infantaria de Selva. “Nunca recebi uma ligação do quartel perguntando se preciso de alguma coisa. Estou em Marabá, onde tem quatro ou cinco quartéis, tem uma Brigada e Hospital de Guarnição. A única vez que procurei o psicólogo do HGuMba (Hospital de Guarnição de Marabá), num sábado, não me atendeu. Está no meu celular que ele só poderia me atender na terça-feira, entre 8 e 10 horas. Era o horário que ele poderia me atender, como se eu tivesse horário para sofrer”.

QUEIMADURAS
O advogo da viúva, Odilon Vieira, destacou que a declaração de óbito trouxe um elemento novo e importante para a família, apontando que o militar apresentava queimaduras de 2º e 3º graus em 40% da perna direita. “Ficamos surpreso com este fato, somado a isso a investigação secreta realizada pelo Exército e a surpresa maior foi a perícia ter apontado para causa indeterminada da morte, mesmo diante das queimaduras, cansaço físico e o fato de outros quatro militares terem passado mal”.
Ele ressaltou, ainda, as declarações do Exército Brasileiro feitas à época para a Imprensa, afirmando que o sargento recebeu primeiros socorros no local e que teria sido levado com vida para o Hospital Militar. “Estas afirmações foram provadas inverídicas pelo boletim de atendimento do hospital, que confirma o estado de rigidez cadavérica ao adentrar na casa de saúde”, diz ele.
A partir disso, diz, a defesa decidiu que irá representar ao Ministério Público Federal para que sejam investigadas as queimaduras encontradas no corpo de Daniel e para que se apure se houve tortura. “Também decidimos que iremos representar ao Ministério dos Direitos Humanos, diante da grave violação desse direito fundamental”.
O Correio de Carajás entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da 23ª Brigada de Infantaria de Selva questionando informações acerca do andamento do inquérito que investiga o caso, mas até o momento não houve retorno. O diretor do CPC Renato Chaves, Augusto Andrade, se comprometeu a atender ainda hoje a Reportagem para tratar do assunto. Ao longo do dia estas informações serão atualizadas.
CORREIODECARAJÁS/montedo.com

8 comentários:

Anônimo disse...

Tá, agora alguém conta uma novidade. E faço aposta que o IPM também não vai dar em nada. Afinal, o morto era PRAÇA né, que valor tem para os altos coturnos? Já perdi um companheiro de turma, morto porque o Excelentíssimo Capitão mandou ele entrar na água junto com o GC, só que ele não fazia parte do GC, estava somente avaliando o exercício (OCA). Eo final da história todos já sabem. O Oficial hj deve ser um Coronel, se duvidar já sai General também. LAMENTÁVEL.

Anônimo disse...

Seja bem vinda amiga! Tudo é bom até que se precise de algo.

Anônimo disse...

Lamentável isso! Que tudo seja resolvido da melhor forma possível... Essa viúva não merece uma agonia tão grande... E que tenha algum comandante com caráter para prestar apoio à essa família... Cadê o Cmt da 52 BIS, da 23 Bda Inf Selva? É em momento como esses que vcs devem exaltar a imagem da Força, a credibilidade do Exército... Bando de hipócritas! ��

Anônimo disse...

É treinamento ou é sessão de tortura,covardia ou de sadismo?
Armamento obsoleto,efetivo baixo e mal remunerado,mas as velhas práticas de "treinamento"não evoluem.

Anônimo disse...

Nosso valor é de apenas um número.
Pois é o que somos para a Força.
Um número.

Anônimo disse...

Pior que nem deram tiro nesse curso.

Anônimo disse...

É o EB sendo o EB. Inaceitável mas era até previsível. Braço forte só dos muros pra dentro!

Anônimo disse...

Só lembrando aos nobres comentaristas, que o Laudo do IML é civil, sem ligação com o Exército. Quanto ao IPM, não há como concluí-lo sem o Laudo do IML, que agora foi finalizado. Por isso a prorrogação do IPM. Ela alega que o seguro do "banco do quartel" ainda não pagou a sogra (a beneficiária do seguro não era a esposa) e nem poderia fazê-lo: toda seguradora, POUPEx, Bradesco, BB e outra, somente faz o pagamento de seguro após a liberação do laudo do IML. A quitação da casa também segue a mesma regra. O pagamento do salário deve ter sido realizado seguinte o procedimento normal - via pasta da viúva. O EB não deixa viúvas desamparadas desde a Guerra do Paraguai. Teorias de conspiração e a eterna crise Oficiais e Praças já deram tudo que tinha que dar. Basta verificar como foi conduzido a morte (de oficiais e praças) no Haiti, por ocasião do terremoto. A Justiça Militar é séria e dará o devido acompanhamento ao caso. A

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