5 de julho de 2017

Pyongyang cruza linha para testar Trump, e guerra fica mais próxima

ANÁLISE

IGOR GIELOW
DE SÃO PAULO
The intercontinental ballistic missile Hwasong-14 is seen during its test launch in this undated photo released by North Korea's Korean Central News Agency (KCNA) in Pyongyang, July, 4 2017. KCNA/via REUTERS ATTENTION EDITORS - THIS IMAGE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY. REUTERS IS UNABLE TO INDEPENDENTLY VERIFY THIS IMAGE. NO THIRD PARTY SALES. SOUTH KOREA OUT. ORG XMIT: GDY104
Pyongyang fez o que todo mundo temia. Anunciou ao mundo que testou um míssil intercontinental logo na Coreia do Norte afirma ter testado míssil intercontinental com sucesso, logo na sequência da mais recente explosão de ameaças norte-americanas contra a Coreia do Norte e seu programa de armas nucleares e foguetes. Desde que o presidente Donald Trump assumiu, a escalada militar em torno da península coreana por parte dos EUA serviu para dar alguns recados claros. Primeiro, que Washington está disposta a usar a força se nada mais funcionar para evitar que a dinastia comunista norte-coreana tenha uma arma capaz de, um dia, pulverizar uma cidade americana. Segundo, quis pressionar também a China, Estado que protege Pyongyang porque lhe é conveniente ter uma zona tampão entre seu território e o contingente americano de 30 mil soldados estacionados na Coreia do Sul desde o cessar-fogo da guerra inconclusa em 1953. O movimento foi inteligente, algo pouco associado às ações da gestão Trump, mas só à primeira vista. Como mais de 90% do petróleo consumido na Coreia do Norte vem do vizinho comunista, se Pequim fechasse as torneiras o torniquete no pescoço do regime de Kim Jong-un apertaria muito. Mas não foi isso que aconteceu, apesar dos puxões de orelha retóricos dados na ditadura ao sul da fronteira. Agora, é Pyongyang que toma a iniciativa. O faz com uma força marítima poderosa circundando suas águas e com Trump repetindo as palavras que antes foram de militares e de seu secretário de Estado: a paciência estratégica dos Estados Unidos acabou. Kim ouviu o recado e decidiu dobrar a aposta, já que todos os analistas ocidentais consideravam um teste de míssil com capacidades intercontinentais a famosa "linha vermelha" a ser cruzada.
Outro ponto é o que tal arma carregaria. Recentemente, o ditador nortecoreano posou ao lado do que seria uma arma nuclear miniaturizada o suficiente para ser colocada na ogiva de um míssil. Mas foto é uma coisa, realidade é outra: um foguete balístico intercontinental quase deixa a atmosfera para reentrar em direção ao alvo, um processo violento de variação de temperatura e com turbulência violenta. Não é tecnologia que se adquire do dia para a noite, e muito pouco se sabe das reais capacidades nortecoreanas. Essa incerteza é o maior problema, porque Pyongyang pode clamar qualquer coisa, deixando a dúvida sobre o blefe com os EUA. E Trump elevou de tal forma a capacidade ofensiva em torno do país asiático que talvez lhe restem poucas alternativas senão atacar. A admissão por Washington de que o míssil de fato tinha alcance intercontinental eleva a dramaticidade do cenário. Ele faria isso? Há problemas sérios, a começar pela aliada Coreia do Sul, que sofreria a maior parte dos danos no caso de um conflito. O norte tem apontada toda sua artilharia e foguetes convencionais para a região que vai da fronteira até Seul, e estima-se que a metade da população sul-coreana que mora por ali estaria sujeita a algum grau de bombardeio. Mesmo que os EUA atacassem primariamente essa força, teria de enfrentar uma defesa antiaérea capaz antes de anular as chances de um bom estrago ser feito ao sul.
Isso sem contar o imponderável: se Kim tiver uma arma nuclear pronta para ser usada em algum dos seus eficazes mísseis de pequeno ou médio alcance, que não passam pelo processo traumático de trajetória de um modelo intercontinental. Aí falar de linha vermelha se torna ocioso. Por isso, o novo presidente sul-coreano, Moon Jae-in, tem insistido na diplomacia. Há a questão chinesa, mas pelos relatos Trump já deu um ultimato a Pequim. Os japoneses, por sua vez, parecem interessados na guerra, já que o atual arsenal norte-coreano pode atingi-los. Por fim, o presidente americano já provou o gosto da popularidade que a violência militar dá, em ataques pontuais na Síria e Afeganistão. A Coreia do Norte é outro assunto, como Kim sabe ao dar suas cartas. Até aqui, ele tem levado os EUA ao limite. O risco de confronto militar, uma inevitabilidade no longo prazo, cresceu bastante nesta terça (4). 
O CONFLITO NA COREIAVeja as capacidades dos adversários 
FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com

17 comentários:

daniel camilo disse...

Quando queremos trocar uma colmeia de abelhas de lugar basta acharmos a abelha rainha que as outras ficam desnorteadas. A abelha rainha na Coréia do norte é o ditador doido. Então, basta manda-lo morar com Jesus Cristo que a Paz voltará.

Anônimo disse...

Jesus??? Podia jurar que ele era a fim do Dennis Rodman!!!

Anônimo disse...

Montedo alguma notícia de aumento para as forças armadas ?

Anônimo disse...

Por que os EUA não se preocupam com o programa nuclear da Arábia Saudita, país regido sob a lei da sharia e notório financiador de grupos extremistas? Por que não vão levar sua “democracia” de destruição e caos para lá? Quantos países a Coreia do Norte já atacou desde a Guerra da Coreia até hoje e quantos os EUA já interviram, atacaram, destruíram e arruinaram? Todo país tem direito a autodefesa e à soberania. Se para isso é preciso ter uma arma nuclear, que seja. Para mim está muito claro quem é a verdadeira ameaça ao mundo.

Anônimo disse...

Novidade sobre a reestruturação das carreiras dos militares: não tem. Mas notícias sobre o Temer tem de monte. E nós estamos ferrados.

Anônimo disse...

E o salário?

Anônimo disse...

Ainda bem que estou na resera

Anônimo disse...

O doidinho da Silva, tem um bomba nuclear. Aí é igual jogo de poker. Quem está beflando e quem vai pagar para ver.

Anônimo disse...

Reestruturação vai ter nas PM, na PC, PRF e PF, com aumentos significativos, inclusão de direitos e melhorias nas condições de trabalho. Aos militares, nada, pois nossos generais e coronéis, estão muito bem, cercados de benesses, regalias, coquetéis, PNR, missões no exterior, por eles ferro na tropa, baixos salários, e 35 anos na carcaça. Estamos péssimamente representados.

Anônimo disse...

Sim, janeiro de 2018 e 2019!
Tu não sabias não?!

Anônimo disse...

Aí tu acordou?! Pois só pode estar sonhando achando que aqui na PM terá isso de melhoria aí.
Troco a minha vaga de PM com sua no EB! Aceitas?!?!

Anônimo disse...

Não companheiro, não acordei. Na grande maioria dos estados, Sd PM ganha mais que eu com 18 anos de serviço, e com todos os direitos a que faz jus o trabalhador comum. Tb não tem nas PM, para sorte deles, um orgão chamado Estado Maior do Exército, que milita contra o direito das praças, e a favor dos oficiais. Vem pra cá então, ganhar 3,2 mil depois de muitos anos de sv, e ser matriculado em curso de gestão financeira, pq o EME acha que vc ganha bem demais e não sabe gastar..kkkkk. Piada.

Anônimo disse...

O "boneco Lego-doido" só cria asas porque a China o apoia e fornece produtos. A ONU virou apenas uma associação de ricaços para controlar os menos ricos e poderosos. Quando ha interesses econômicos, principalmente sobre o petróleo, os discursos mudam.
Ninguém vai tomar uma medida de intervenção porque a China será contra e tem poder de fogo para retaliar. Força contra força. Os fracos que se curvem.

Anônimo disse...

A ONU é só uma figura política nas mãos dos poderosos e ricos. Quem tem poder de voto, como a China, não aprovará intervenção e o baixinho louco continuará a fazer seus testes até o momento em que causará algum desastre. A única "diversão" dele é brincar de general, com aplausos ensaiados, já que o país está passando fome e todos os seus cidadãos estão robotizados sob o temor de serem executados caso sejam contra.

Anônimo disse...

Cara, que direito de civil...
Nós não temos hora extra e nem ADC noturno e nem periculosidade e no máximo que temos é a folga depois do plantão. No resto somos iguais a vcs. Sou 3sgt e no meu estado ganho 3mil é o sistema de promoção aqui é uma bagunça, quando eu saí 3° tinha 11 anos de cabo.

O problema camarada é que olhamos para quem tá acima da gente e a grama do vizinho é sempre mais breve que a nossa.

Ainda tô aceitando a troca.

Anônimo disse...

Queria saber qual o direito do trabalhador comum que nos da PM temos! Todo PM faz bico pra aumentar a renda.. vc não conhece nossa realidade.

Anônimo disse...

País com puder de veto. O que isso importa.
Na invasão do Iraque todos vetaram ... Ninguém aprovou, e os EEUU o que fizeram????
Invadiram mesmo assim....
A verdade é que se eles quiserem, China ficará quetinha

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