8 de agosto de 2016

Coronel economizou 30 anos para investir quase R$ 400 mil em biblioteca pública

Paula Maciulevicius
Uma poupança praticamente intacta. Foram 30 anos de economias que transformaram um terreno no bairro Vila Bandeirantes, na Capital, em uma biblioteca aberta para a cidade. Aos 78 anos, o coronel do Exército, Rubem de Sá Padilha, viu materializado seu grande sonho: de salvar os livros. Foi ele quem comprou o terreno, construiu e inaugurou o espaço.
"Isso vem de muito tempo, começou quando eu fiz a poupança para conseguir recursos e construir, tem mais de 30 anos", conta Padilha. À época, o militar era tenente e servia em Ponta Porã.
Nascido em Três Corações, Minas Gerais, a carreira o levou para o Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Amazonas, Ceará e o então estado de Mato Grosso, hoje, Mato Grosso do Sul. E por onde serviu, Padilha compôs o acervo pessoal. Livros de todas as temáticas, de Ecologia à Política, Literatura Nacional e Internacional até revistas.
"Minha ideia foi organizar a biblioteca para salvar os livros e deixar para instituições responsáveis", explica o coronel. A biblioteca leva o nome do pai dele: "Centro de Estudo de Fronteira General Padilha", teve apoio do Exército e será operacionalizada pela UEMS.
Para realizar o grande sonho, o dinheiro foi poupado mesmo. Padilha diz que durante todos esses anos, só fez dois saques, um para o parto de um filho e outro para a compra de um carro semi-novo. O propósito se manteve firme três décadas. "Juntei o suficiente para comprar o terreno, não me lembro se foi R$ 110 ou R$ 140 mil e para construir o prédio, R$ 240 mil, o acervo não entra na conta, porque foi adquirido todo mês e eu também recebia livros de associações", descreve.
Para ele, a leitura é tudo e na memória, está guardada a imagem do Padilha ainda menino, que ouvia do pai todas as noites trechos do mesmo livro.
"O livro que pode ter mudado a minha vida tem o título de 'Coração', de um escritor italiano e que tinha todas as histórias de fundo moral. Meu pai lia para os filhos toda noite antes da gente dormir e nós sempre queríamos mais uma e ele: 'não, amanhã. Pode todo mundo escovar os dentes e cair na cama para dormir'", recorda.
Quem sabia do sonho, desacreditava ou chamava o coronel de maluco. "Muita gente não acreditou e depois que eu comecei a realizar, me chamava de maluco", confirma. O terreno foi comprado em 2010 e durante seis anos foram feitas obra e catalogação de todo acervo pela bibliotecária do Colégio Militar.
"No começo eu não pensei nos detalhes, não tinha nem noção de como se fazia ou se deixava de fazer", comenta o militar. Ainda durante a construção, foram deixados dois bilhetinhos na caixa dos Correios do imóvel, com nome e telefone. "Eu retornei e eram estudantes universitários querendo saber se poderiam usar o espaço para estudar e é esse ambiente que uma biblioteca facilita", argumenta.
No total, são cerca de 3 mil exemplares. A biblioteca funcionará das 7h30 às 12h.
"O que é a leitura? Para mim é algo fundamental. Eu sempre li por prazer e filas de banco ou consultório nunca me preocuparam, porque eu sempre estava com um livro, lendo e a coisa mais importante que você pode deixar para alguém é uma biblioteca. Não tem nada mais importante do que os livros", afirma o coronel.
E a sensação de folheá-los, qual é? "É de uma satisfação muito grande, você sentir as folhas correndo na mão. E quando o livro acaba? Se for bom, a gente guarda com satisfação, se for ruim, guarda também, o que é ruim para mim, pode ser bom para outros", opina.
A biblioteca funciona na Rua Hermenegildo Pereira, 206, na Vila Bandeirantes e é aberta ao público.
CAMPO GRANDE News/montedo.com

15 comentários:

Anônimo disse...

Em que pese a nobreza que se reveste a atitude do Coronel, contudo, isso só atesta que a vida financeira do oficial é mil vezes mais folgada e mansa que a do praça, pois deu até para guardar dinheiro para uma obra dessa magnitude !

Anônimo disse...

Parabéns pela realização de seu sonho. Que muitas pessoas possam beneficiar-se desse belo trabalho e quem sabe inspirar-se no ato de compartilhar.

Anônimo disse...

Quando comecei a ler achei que fosse bobeira, mas ao termino da leitura fiquei emocionado. Parabnes

Anônimo disse...

Esse Cel comandou o 9º BLog de Santiago e logo depois o 1º RCmec de Itaqui, no fim dos anos 80 e inicio dos anos 90. Nunca ouvi falar em comandante pior do que ele foi. No BLog para se ter uma idéia, toda a guarnição tirava serviço com granadas penduradas no cinto NA, fora outras "maluquices" muito piores, perguntem pra qualquer um da época, que irá confirmar. Mas não é por isso que foi o pior comandante. Foi pela intransigência, severidade, excesso de arrogância, tudo ao arrepio das leis e regulamentos, mesmo para a época. Essa é a primeira vez que ouço falar nele novamente, nos últimos 25 anos.

Fabio da Cruz Weis disse...

Já vi vários Sgt e ST com casas que valem mais de 500 mil, além de muitos com carros de mais de 80 mil reais. A questão aqui é muito mais de disciplina e foco que diferença salarial. No que cada um vai gastar seu salário é foro íntimo e não nos cabe julgar...

Anônimo disse...

Sempre aparece um leão de alojamento para encher o saco

Anônimo disse...

Me apontem um "líder" ou intelectual de esquerda que fez ou está fazendo o mesmo: economizando dinheiro do seu ordenado para uma obra a ser utilizada por terceiros.

Anônimo disse...

A AMAN está aberta a todos.... É só prestar concurso....

Anônimo disse...

Ahhh, eu sabia que o conhecia de algum lugar, esse é o famoso Cel Cav Padilha que comandou o 1º RC Mec (Itaqui-RS) que colocava a galera para tirar serviço de FAP. Reza a lenda que ele foi um Cmt muito "SANGUE BOM"

Anônimo disse...

Eu era soldado recruta, no serviço de Polícia do Exército, na abordagem a um oficial de Cavalaria ignorante, o qual não compreendeu a ordem que lhe trsnsmitia, de que não poderia permanecer naquele local,a entrada de um ginásio onde estava ocorrendo os jogos olimpicos da Brigada. Eu era um simples recruta bisonho, por ser soldado nao fui atendido pelo dito militar e sinda me sobrou um enquadramento com direito a muita urina,na ocasiao passava este Cel que vendo a situação, tomou partido, cobrou satisfação do que estava ocorrendo e fez cumprir a ordem deste instrumento do Exercito Brasileiro. Nao fui subordinado dele mas minha lembrança é positiva, parabéns Cel Padilha.

Anônimo disse...

É o básico da educação: Leitura. Lembro que,na época do ginásio, éramos obrigados a ler um livro por mês, no mínimo, e que era sabatinado pelo professor na sala de aula.
Eram autores brasileiros e não radicais ou guerrilheiros, como querem hoje.Acabou também a obrigatoriedade de se estudar a organização social e política do Brasil. Hoje os alunos entram analfabetos e saem ignorantes e sem noção do que rege a vida política deles e da sociedade, tornando-se vítimas fáceis de radicais e "líderes" estudantis mal intencionados. A preferência hoje é celular, caçar POKEMON, bater "papo" nas redes sociais com o português sofrível praticado nelas. Dá até arrepios ver como estão escrevendo a nossa língua e como esses jovens estão se "preparando" para encarar um concurso e vaga de emprego.

Anônimo disse...

Foi um excelente comandante

Anônimo disse...

Cada louco tem sua mania; cada homem mostra sua personalidade quando detém o poder nas mãos; muitos são lobos em pele de cordeiro; e, o mais importante, não existe homem mais honesto nesse pais que não seja o Lula.

Unknown disse...

Sirvo no 9 B Log e não é bem isso que ouço por aqui dos militares que serviram com ele. Falam que foi sim um comandante muito rígido, porem extremamente correto e protetor de sua tropa.

Anônimo disse...

Concordo com o comentário feito em 8 de agosto de 2016 17:46. Conheci este Coronel muito bem, arrogante e prepotente é pouco. Com certeza fez o que fez ou para se promover ou por achar que precisa dividir a sua "grandeza" com a patuléia.

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