17 de agosto de 2016

Ignorância olímpica: técnico de Zanetti diz que só após crítica foi informado de projeto militar

Marcos Goto conta que foi convidado a conhecer trabalho de fomento ao esporte: "Vamos ver o lado bom: hoje o país está sabendo que existem projetos"
Gabriele Lomba
Rio de Janeiro
A continência de Arthur Zanetti no pódio da Rio 2016 causou polêmica. O técnico do ginasta, Marcos Goto, criticou o fato de o investimento das Forças Armadas só ser feito em nomes do esporte de alto rendimento. Um dia depois da conquista da prata, Marquinhos contou que só agora, depois do episódio, ficou sabendo de alguns projetos de fomento ao esporte de base e até foi convidado para conhecê-los.
Ouro em Londres 2012, Zanetti se uniu à Força Aérea Brasileira dois meses antes da Rio 2016. Em entrevista nesta terça-feira, no Espaço Time Brasil, o ginasta preferiu não se meter no assunto.
- Não vou entrar nesse aspecto não. Se quiser, ele está aqui do meu lado, é só perguntar para ele – disse Zanetti.
Marquinhos, então, respondeu.
- Não foi, de jeito nenhum, uma crítica ao que os militares fazem para o esporte. Não fiz queixa, dei minha opinião pessoal. Hoje fiquei sabendo que existem alguns projetos que fomentam o esporte. É uma alegria saber disso. Tanto eu quanto o país não sabíamos, hoje o país está sabendo que existem projetos. Vamos olhar pelo lado bom: acabou que todo mundo ficou sabendo. Fui convidado para conhecer a formação do esporte amador. Fui informado que vai ser iniciado um trabalho com ginástica. Então vamos ver o lado bom...
Ao lado de Zanetti e Marquinhos estava Marcus Vinícius Freire, diretor do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Ele lembrou que o “projeto militar” começou em 2008, quando o COB quis entender o motivo de potências europeias terem tantos militares em suas delegações. Era uma iniciativa tendo em vista os Jogos Mundiais Militares de 2011, no Rio de Janeiro.
Marquinho, em seguida, destacou o Bolsa Pódio, projeto do governo federal para auxiliar atletas.
- Quero parabenizar o COB e o Ministério do Esporte pela iniciativa. O Bolsa Pódio é o primeiro projeto que beneficiou o grupo multidisciplinar. Treinador, toda a estrutura foi beneficiada.

Confira a crítica de Marco Goto depois que Zanetti subiu no pódio.
- São militares? Ou são atletas que são militares? Eles não treinam lá, só são contratados por eles. Eu que dou treino para o meu atleta, não são militares. Polêmica sempre vai gerar, se presta continência ou se não presta. Se é militar, dá polêmica; se não é militar, dá polêmica. Tudo dá polêmica no Brasil. Não sei qual é o salário que dão para o Arthur. Gostaria que os militares fizessem um trabalho de base, tiraria o chapéu para eles. Agora, apoiar atleta de alto nível é muito fácil. Quero ver apoiar a criança até chegar lá. O dia em que os militares fizerem escolinhas e apoiarem iniciação esportiva, apoiarem treinadores, aí vou tirar o chapéu. Por enquanto, não. Pegar atleta pronto é muito fácil.
Globo Esporte/montedo.com

6 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns !

Nunca é tarde para reconhecer os próprios erros. Vamos que vamos.

Vida que segue e quem viver verá ...

Anônimo disse...

Tenho visto muita gente associar o sucesso dos atletas militares, nas olimpíadas do Rio, à disciplina e organização que caracterizam as forças armadas. Além disso, muitos justificam as saudações militares (continência) nos pódios como um gesto de gratidão desses atletas em relação às Forças Armadas.

Bem, eu pensei um pouco e cheguei na seguinte conclusão : quem faz esse tipo de análise está invertendo completamente a relação de causa envolvida no raciocínio. Não são os atletas que estão fazendo sucesso no esporte graças às Forças Armadas. É justamente o oposto! São as Forças Armadas que estão fazendo sucesso nos esportes graças a esses atletas.

Analisando rapidamente o histórico das Forças Armadas Brasileiras nos Esportes de Alto rendimento fica claro o que estou falando. Explico: Em 2008 , o Governo Lula, através da criação do Programa de Incorporação de Atletas de Alto Rendimento (PAAR) das Forças Armadas Brasileiras, visava incorporar atletas de altíssimo nível e com reconhecidas conquistas a nível mundial nas equipes militares. Dentre os objetivos do programa estava, como questão central, a realização dos Jogos Militares Mundiais no Rio de Janeiro em 2011. O Governo Lula se preocupou em evitar que as nossas Forças Armadas - dado o fraquíssimo retrospecto nos jogos militares anteriores - fossem envergonhadas em solo nacional.

Esse raciocínio pode ser demonstrado com base nos dados de desempenho das Forças Armadas nos jogos militares que se iniciaram em 1995:

I Jogos Mundiais Militares ( Itália -1995) : O Brasil não ganhou NENHUMA medalha de Ouro , levando apenas uma prata e 2 bronzes. Só para termos algum critério comparativo para medir o tamanho do fracasso, a Rússia , a primeira colocada nos jogos , levou 127 medalhas para casa. O Brasil terminou em 36° lugar.

II Jogos Mundiais Militares (1999) : O Brasil ganhou apenas 1 Ouro e somou um total de 8 medalhas.

III Jogos Mundiais Militares (2003) : O Brasil ganhou, novamente, apenas 1 Ouro e somou ainda menos medalhas: 6.

IV Jogos Mundiais Militares (2007) : Novo Fracasso! Nenhum Ouro e apenas 3 medalhas

Diante dos sucessivos fracassos, o Governo Lula decidiu que não era conveniente usar atletas com formação militar de carreira para representar o Brasil nos Jogos Militares de 2011. Decidiu-se incorporar atletas civis, com ótimos antecedentes e conquistas já cristalizadas a nível mundial, nas Forças Armadas. Esses atletas mudaram o retrospecto de fracassos. Nos Jogos de 2011, o desempenho dos Atletas, recém incorporados nas Forças Armadas - "Militares Fakes" - foi o seguinte:

V Jogos Mundiais Militares ( Rio - 2011) Os atletas de alto rendimento incorporados pelo Governo Lula nas Forças Armadas brilharam e reverteram o velho histórico de fracassos do Brasil nos Jogos Militares: foram nada mais nada menos que 45 Ouros, 114 medalhas no toral e um incrível primeiro lugar no quadro geral de medalhas.

Enfim, esses atletas foram incorporados nas Forças Armadas por terem um histórico de rendimento de altíssimo nível e visavam contribuir para evitar novo fracasso nos Jogos Militares do Rio em 2011. As Forças Armadas, se realmente valorizam o esporte, devem enorme gratidão ao projeto do Governo Lula e a esses atletas - militares fakes - que reverteram o histórico de fracassos do Brasil nos jogos militares.

Os atletas não estão fazendo sucesso por conta do apoio das forças armadas , é justamente o contrário: são as forças armadas estão fazendo sucesso graças a esses atletas.

Anônimo disse...

As forças armadas contribuírem com os atletas é coerente. Agora, fazer a gambiarra de pagar soldo e chamar de militar, vamos combinar, não faz sentido. Existe o ministério dos esportes para fomentar o esporte e criar e gerenciar programas na área. Programas que poderiam ter o ministério da defesa como colaborador. Programas que poderiam e deveriam contemplar o atleta e o técnico. Quanto a crítica do técnico Marcos Goto pode-se dizer apenas que foi ignorância e preconceito arraigado contra os militares, comum em nossa sociedade quando o assunto envolve militares. Aliás, parabéns aos militares, pois impediram o comunismo em 1964, e evitaram um golpe dos terroristas daquela época em 2016. Mass

Anônimo disse...

Agora que falou mer...quer dar uma jão sem braço!?Parece certos partidos/ideologias desse país, que sempre se fazem de desentendidos de seus atos e consequências.

Anônimo disse...

Me engana que eu gosto. Pelo jeito é mais um petistas que vai ter que engolir esse "sapo". Dizer que desconhecia, não cola.

Anônimo disse...

Terroristas em 64? Os generais?

Arquivo do blog

Compartilhar no WhatsApp
Real Time Web Analytics