8 de agosto de 2016

De 'Severinos' a 'Posto Ipiranga' e 'Bombril': militares alertam para o 'multiuso' das Forças Armadas

Uso contínuo para ações "fora da normalidade" preocupa Forças Armadas
Estadão Conteúdo

Quando se fala de Exército, normalmente se pensa no combate a um elemento externo. No entanto, mais e mais as tropas federais vêm sendo chamadas para ações "fora da normalidade". Pior: a preocupação maior dos militares é que eles têm sido chamados para tudo, desde garantia da lei e da ordem, como durante a Rio-2016, passando pelo socorro à segurança no Rio Grande do Norte até a distribuição de água, comida, vacinas, atendimento cívico e social.
Na semana passada, em 48 horas, o Exército recebeu dois novos chamados de socorro. O primeiro, do Acre, a pedido do governador, diante da seca severa que atinge várias cidades. O segundo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pedido do governo do Rio de Janeiro, para que as Forças Armadas permaneçam nas ruas até novembro, depois das eleições.
Nos dois casos, como em todos os outros, as tropas vão se preparar para atender ao pedido e executar o que eles chamam de "missão".
Chamados desde o início do processo para coordenar o sistema de segurança da Olimpíada, que teve a abertura oficial na sexta-feira, os militares não estão satisfeitos com as multifunções que têm sido atribuídas, sem o devido reconhecimento.
A prática se acentuou durante os governos petistas e acabou levando as Forças Armadas, particularmente o Exército, a receber dois apelidos: "Bombril" -- pelas mil e uma utilidades -- e Posto Ipiranga -- um lugar completo, em qualquer lugar, onde é possível encontrar tudo o que se precisa.
Apesar das preocupações com os diversos braços de atuação em missões que não são as originalmente constitucionais, os militares reconhecem a necessidade de serem empregados em muitos casos e atendem, prontamente a todos os chamados. "O problema é que os chamados fora da destinação principal têm sido cada vez mais frequentes", comentou um general da ativa, que prefere o anonimato. A avaliação dessas autoridades é que "o Exército deve ser o último recurso, mas não é bom que o último recurso seja usado a toda hora".
Para este oficial-general "os governadores, em razão desta facilidade de chamar os militares para tudo, acabam negligenciando alguns pontos da questão de segurança". Segundo o militar, "é o caso do Rio de Janeiro, que está completamente desmontado, e tem usado o Exército em seguidas oportunidades para tentar garantir estabilidade e isso é um inferno, com potencial de encrencas e problemas incontáveis."

Problema olímpico
No caso da Olimpíada, de acordo com os militares, o uso de Forças Armadas para auxílio na segurança é até tradição, em todos os países. Mas o problema, comentam eles, é a forma e a falta de programação e previsão para a solicitação deste emprego.
Desde 2014, quando começaram as primeiras reuniões preparatórias para a Rio-2016, os militares advertiram sobre as dificuldades de se recrutar, reunir e gerenciar um grupo de 10 mil pessoas para executar a missão de revista pessoal, controle nas entradas das arenas, segurança e fiscalização interna nos 51 pontos de competições. Apesar das advertências reiteradas, apenas em junho deste ano o governo federal abriu a concorrência para a contratação de 5 mil pessoas para fazer estes serviços. "Obviamente, não conseguiram", comentou um militar. No momento, esta seria a principal brecha na segurança dos jogos.
Outro problema apontado pelos militares foi que o Ministério da Justiça não conseguiu reunir os 9,6 mil homens prometidos para integrar a Força Nacional, para executar missões de segurança nas vias do Rio e nos locais de competição. Menos de 5 mil chegaram ao Rio. Sem pessoal, no fim de maio, o governo do Rio pediu reforço das Forças Armadas.
Para os militares, esse emprego tem riscos. O principal é que o soldado não é treinado para enfrentamento ao crime. Ele é treinado para a guerra.
Outro problema nesta convocação de militares foi quando o governo decidiu conceder uma diária de R$ 550 para os PMs dos Estados que foram chamados. Um militar receberá R$ 30 de diária. Uma desproporção para trabalhos semelhantes. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)
UOL/montedo.com

15 comentários:

Anônimo disse...

Meu caro montedo, quando não nos chamam nossos comandantes se oferecem para pintar escolas, pintar praças e oferecem aos políticos os mais diversos serviços característicos de Bajulação. Usam como pretexto o adjetivo ACISO.

Anônimo disse...

Mas de que adianta o Coronel acima falar que o militar está recebendo R$ 30 e fazendo as mesmas Missões dos que ganham R$ 550 se o governo pública em DOU lei autorizando o pagamento de diárias e o exército não cumpre porque acham que o militar ganhando comida e uma cama para dormir não necessita de dinheiro para suprir suas necessidades na missão e no seu lar onde para sua esposa poder estudar e/ou trabalhar precisa pagar alguém para cuidar seus filhos,sendo que isso era ele que fazia quando encontrava-se em casa. Mas duvido que não tenha coronéis e generais ganhando diárias na missão. Taí Montedo uma bela reportagem para os próximos dias aguardo.

Anônimo disse...

Concordo com o colega: os comandantes vivem "se oferecendo" para políticos e "otoridades" civis com o intuito de se promoverem. E a tropa que se dane!

Anônimo disse...

Apenas executando as determinações do governo dos EUA em relação a transformação das nossas forças armadas em forças "policiais".

Nascimento disse...

O uso excessivo de militares, em ações para as quais não foram devidamente treinados é muito perigoso. Veja o caso do México, o uso de tropas nos combate as drogas, gerou um dos carteis de drogas dos mais violentos, conhecido como Los Zetas, e com os militares pode ocorrer a mesma coisa. Veja o caso das milicias do RJ, cabe lembrar que pessoas no caminho errado estão em qualquer local.

ALMANAKUT BRASIL disse...

MILITAR AVISA . . . SE ELA VOLTAR . . . . .


Rede Brasil NET - 07/06/2016


https://www.youtube.com/watch?v=KSjbewAwlII

Anônimo disse...

Ao anônimo de 8 de agosto de 2016 19:00,
É melhor ser aliado dos EUA e Israel do que Venezuela, Bolívia e Cuba.

Anônimo disse...

"Um outro trabalho, além do que fazer guerra pode recair sobre um exército sem prejudicar a sua eficiência, mas quando outro trabalho é o seu único trabalho, e é o único para o qual se está preparado, o chamado Exército torna-se apenas uma força policial. Preservar a paz não é se preparar para a guerra e se preparar para a guerra, em tempo de paz, deveria ser o esforço constante de um exército." (John Bigelow)

Anônimo disse...

O desvio de finalidade tornou-se regra nas FFAA.

Nao nos dão o valor devido por causa disso....vivemos como os severinos, faz tudo, mao de obra desqualificada, portanto nos julgam e nos fazem sentir como mao de obra barata.

Anônimo disse...

As Forças Armadas estão se transformando em auxiliares e as auxiliares se impondo como Forças Federais. Os Estados pagam os reajustes salariais, se endividam, depois negociam com o governo e a ciranda continua, sem choro.Os PM's vão ganhando mais e os militares das Forças Armadas, pagam o pato.VERGONHOSO.

Anônimo disse...

sair do quartel tem uma parte boa a população ve que as forças armadas tem alguma utilidade pior e ficar dentro da unidade aguentando piruação errada e rquero até o talo

Anônimo disse...

Tudo foi e está conforme a TRAMOIA dos políticos. Eles são expert e trabalham muito bem quando o assunto é fazer contratações excepcionais com dinheiro público.Pegam o dinheiro, não conseguem o contingente e chamam os militares das FFAA. Simples e rápido, sem reclamações, sem ameaças de greve ou protestos. Depois que tudo passar, mesmo que venha alguma fiscalização para condená-los, eles já pegaram a grana, fizeram a propaganda enganosa e os militares... sifu. Não acredito que os comandantes não percebam isso e não tenham uma atitude contra. Expor demasiado os militares e a imagem das FFAA em ações de PM? Militar é para chegar, meter o pé na porta, jogar a granada e passar para o próximo alvo.Não é ficar de estátua nas ruas, desfilando e servindo de alvo.

Anônimo disse...

Não adianta ficar com mi mi mi.Quem manda na região sul das Américas são os amerinos.Se não fosse assim, os russos já estariam tomando conta da Venezuela com seu petróleo. Somos dependentes deles, querendo ou não. Por questões políticas, fazem de conta que nós mandamos em nós mesmos. Tudo fictício.

Anônimo disse...

Com o uso indiscriminado das FFAA, estamos exatamente no lugar que o mundo sempre nos tratou: o pais das bananas, de terceiro mundo, com violência indiscriminada nas ruas comandadas por cartéis de traficantes e cheio de soldados pelas cidades.

Anônimo disse...

Nossos Comandantes vivem fazendo graça peruando essas missões, agora que viram que geral está insatisfeito eles vem dando de anjo do bem? Ah para com isso velhinho, compra um pijama e se aposenta.

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