9 de outubro de 2016

O Algoz Blindado

Tiger em ação
Otto Carius, conhecido como um dos maiores panzer Ace, responsável pela destruição de mais de 150 blindados, foi um oficial da wehrmacht (forças de defesa), que combateu do front oriental ao ocidental entre 1941 e 1945. Sua presença na frente de combate tonou-se sinônimo de medo e morte para soviéticos, americanos e ingleses.
Otto Carius nasceu em 27 de maio 1922 na cidade de Zweibrucken, no estado da Renânia no sudeste da Alemanha; ao concluir sua formação escolar, a guerra eclodiu. Neste momento Carius alistou-se, porem foi recusado duas vezes sob a justificativa de “não ser apto para o serviço”. Mas Otto insistiu e sua oportunidade chegou no ano seguinte quando ele foi aceito como voluntário no 104° batalhão de infantaria.
Ao concluir seu treinamento básico ele se voluntariou novamente; desta vez para o Panzer Corps onde se integrou ao 7ª batalhão panzer de reposição. Logo o 7ª batalhão foi integrado ao 21º regimento panzer, onde iniciou sua carreira como artilheiro em um Panzer 38(t) durante a operação Barbarossa, (a invasão da União Soviética) em junho de 1941. Nesta frente de combate Otto viria a sofrer ferimentos graves quando seu tanque foi atingido varias vezes tendo sua blindagem sido perfurada por alguns destes projéteis.
Em meados de 1942 Otto foi aceito em um curso de aspirantes a oficiais. Após a conclusão do mesmo ele foi designado para o 502º batalhão de tanques pesados em abril de 1943.
No 502º Otto assumiu a função de comandante do Tiger 217 na 2ª companhia; seu blindado era um monstro de 56 toneladas, com um canhão Pak 43/41 de 88 mm (que era uma variante do famoso Flak Kanone 88), e blindagem de 100 milímetros que se tornou tão lendário quanto o próprio Otto.
Era verão e sua companhia foi enviada para a frente de Leningrado no norte do front oriental; sua unidade esteve ativamente envolvida na batalha de Leningrado na Rússia e de Narva na Estônia. Durante uma de suas batalhas nesta frente Otto destruiu 4 tanques de assalto SU-85, retirando-se sem dificuldades.
Tiger capturado pelo exército dos Estados Unidos
Em novembro de 1943 Carius destruiu 10 tanques soviéticos T-34/76 em distancias inferiores a 50 metros, o que para um tanque como o Tiger era praticamente a queima roupa.
Em junho de 1944 Otto já estava em Dünaburg atual Daugavpils na Letônia, ou seja, já em processo de recuo perante as forças comunistas. Nesta batalha Otto com dois grupos de 4 Tigers cada; grupos denominados ZUGs destruiu 14 T-34/85 e um JS-1.
Panzer 38(t)
Em julho de 1944 o então primeiro tenente Otto Carius avançou com a 2ª companhia para a aldeia de Malinava na periferia norte de Dünaburg a fim de interromper a avanço soviético; esta foi provavelmente a batalha mais intensa no qual Otto tomou parte devido a sua ousadia e dificuldade. Segue-se um relato.
Em 22 de julho o primeiro tenente Otto Carius ao avançar com a 2ª companhia para Malinava decidiu fazer um reconhecimento prévio do local. Junto com o também primeiro tenente Albert Kerscher tomou um Kubelwagen (utilitário semelhante ao Jeep) e foi fazer o reconhecimento. Ao chegar descobriram que a aldeia já havia sido tomada pelos blindados soviéticos, porem Otto percebeu que a força principal ainda não chegara e que os blindados só avançariam quando estas também chegassem. Estava decidido, iriam retomar a aldeia antes que os reforços inimigos se posicionassem.Voltou e explicou o plano para sua companhia, atacariam a aldeia utilizando apenas 2 Tigers devido a existência de uma única estrada que conduzia a aldeia, o que tornaria o avanço de 8 Tigers extremamente perigoso , tendo os outros 6 permanecidos na reserva, partiram para o ataque!Otto e Albert avançaram com seus Tigers rapidamente, eles compreendiam que velocidade e surpresa eram essenciais para o sucesso.Prestes a entrar na aldeia o Tiger de Otto, o 217 avistou dois T34/85 movendo suas torres em sinal de vigilância, o Tiger 213 de Albert distante 150 metros de Otto disparou e se retirou, logo após Otto avistou outro tanque, o JS-1(possivelmente JS-2), um tanque pesado soviético com poder de fogo suficiente para destruir o Tiger. Otto o confundiu com o Tiger 2 cuja silhueta era semelhante, o que o fez hesitar no momento de ordenar o disparo, porem mesmo assim Otto ordenou o disparo, logo em seguida o tanque soviético explodiu em uma bola de chamas e aço. Após isto a batalha se seguiu por mais 20 minutos. Ao final Otto e Albert haviam destruído nada menos que 17 blindados soviéticos incluindo o pesado JS-1.
JS-1
A surpresa, a velocidade e principalmente a estratégia de Otto, mostraram o valor da Blitzgrieg, a guerra relâmpago.
Porem apenas dois dias depois, em 24 de julho Otto foi ferido novamente, desta vez com mais gravidade que a anterior. Ao liderar o avanço da 2ª companhia (já em processo de retirada da frente oriental), Otto foi à frente de motocicleta para se certificar que a aérea estava clara e segura, neste momento ele foi atingido, levou quatro tiros nas costas, um no pescoço, além de ter sido ferido nos braços e nas pernas. Neste mesmo dia ele foi promovido oficialmente a comandante da 2ª companhia, cargo que até então ele exercera de maneira não oficial.
T-34  85
Após a recuperação, Otto foi transferido para o recém-criado Panzerjäger Abteilung 512, (ou seja, batalhão de tanques caçadores 512) onde recebeu o comando da 2ª companhia equipada com os Jagdtigers dotados de canhões de 128 mm.
No dia oito de março no comando da 2ª companhia Otto recebeu ordens para se mover para o front ocidental próximo a Siegburg; o treinamento de sua companhia não estava concluído, porem a situação cada vez mais desesperadora de sua pátria tornava necessária este tipo de atitude.
Até meados de abril Otto participou da defesa do Rio Reno, a ultima linha de resistência importante alemã no leste; em 15 de abril de 1945 Otto se rendeu ao exercito norte-americano. A derrota era eminente!
Ao final da guerra Otto havia recebido três condecorações relevantes, são elas a cruz de ferro de 1º classe, a cruz de ferro de 2º classe e as folhas de carvalho nº 535.
Após a guerra Otto estudou farmácia e abriu uma em 1956 com o sugestivo nome de Tiger Apotheke, em português, farmácia Tiger.
Publicou um livro autobiográfico chamado Tigers in The Mud, (Tigres na lama).
Otto morreu em 24 de janeiro de 2015 em paz, em sua casa rodeada por seus entes queridos, ele tinha 92 anos.
Infelizmente o livro Tigers in The Mud só se encontra disponível em inglês.

8 comentários:

Anônimo disse...

Era uma época em que eles conheciam o verdadeiro inimigo... mas, hoje em dia, ele está entre nós e veste o mesmo uniforme e tem por nome de guerra "IVO"!!!

Anônimo disse...

Ao comentarista das 14:25.

Fico doente com os "IVO", pensei q era só uma piada. ledo engano.

Abs.

Anônimo disse...

Prezado anônimo de 9 de outubro de 2016 14:25, o nome de guerra não é "ivo", mas sim "NÓSivo", a autofagia está no DNA da nação. Cada um por sí e o último que sair apague a luz.

Anônimo disse...

Sou o comentarista das 14:25. Falei sério, mas com tom de ironia, assim como todo praça faz em questões polêmicas. Em relação ao "IVO" ou "NÓSIVO", são basicamente dois tipos de indivíduo: aquele que não quer nada com nada e, pra não ser plotado, tenta desviar o foco de si mesmo e procura aumentar os erros e as falhas alheias, engrossando o caldo; o outro é o carreirista (não todos) que, para se dar bem, vende a alma da própria mãe ao capeta pra ganhar uns pontos! Se faz de amigo, ouve as conversas dos st/sgt e o que ele considera grave, leva aos superiores e o resto todos sabem! Rotina, ócio, falta de guerra e incentivo ao mau caratismo só levam a isso!

Anônimo disse...

Caro Montedo não entendi essa matéria sobre um Nazista.
O Porque dessa propaganda?
Existem inúmeros militares de outras nações que fizeram história.
Ainda bem que não tem tradução desse livro em Português. Não vejo necessidade disso.

Anônimo disse...

Rapazinho das 12h32 de 10 de outubro: saiba que a guerra moderna é feita desta forma baseada em muito daquilo que os alemães aplicaram na 2ª Guerra Mundial. Se você ler um pouco de livros sérios (Revista Verde-Oliva e gibi da mônica não são livros!) saberá que russos, ingleses e americanos puseram em prática as táticas usadas pelos alemães e as usaram para vencê-los. O que o senhor esperava que fosse publicado? Uma matéria sobre o glorioso exército vermelho e o emprego dos comissários políticos ou do NKVD na formação do caráter ideológico do soldado soviético? Saiba que aprender com o inimigo não tem nada de errado e é isso que exércitos sérios fazem. Que Deus tenha pena de todos nós e não permita que um dia entremos em guerra, pois jamais gostaria de tê-lo ao meu lado!

Anônimo disse...

Amigo vejo q nao entende de militarismo. Ele era um militar mas nao significa que era nazista. Ele estava a servico de sua patria. Assim se os ptralhas te mandassem pra uma guerra vc teria que ir por dever de oficio, mas nao te tornaria um vermelho. O que poucos entendem é que a grande maioria dos alemaes que lutaram na guerra só o faziam por imposicao do dever. Abracos

Anônimo disse...

Excelente matéria, o Exército alemão um dos melhores do mundo, isso renderia um filme com certeza, uma pena não ter o livro em português.Parabéns Montedo...

Rosseau

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