9 de outubro de 2016

Reestruturação da FAB inclui transformação de unidades, redução de militares de carreira e aumento de temporários

Mudanças no horizonte
Base aérea de Canoas terá mudanças com a reestruturação da FAB
Alterações foram concebidas com o objetivo de modernizar operações e reduzir custos com pessoal
Guilherme Mazui
A Força Aérea Brasileira (FAB) passará por mudanças. No Rio Grande do Sul, nova nomenclatura e atribuições, além da transferência de um esquadrão de Florianópolis para Canoas, integram a reestruturação concebida para modernizar as operações e reduzir gastos com pessoal.
Sediado em Canoas, o V Comando Aéreo Regional (V Comar) será desativado até 31 de dezembro. Em seu lugar, a FAB criará a Ala 5, que manterá os efetivos e a representação institucional no sul do país e terá foco nas operações, como atividades de defesa aérea, patrulha e transporte. Comandante do V Comar, o brigadeiro Jeferson Domingues ficará à frente da Ala 5. Ala é um termo utilizando mundialmente em forças aéreas.
As novidades ocorrem em todo o país, em um processo que mira o centenário da FAB, daqui a 25 anos. Na análise do comando da Aeronáutica, a atual estrutura tem aspectos que remetem ao nascimento da instituição, em 1941, durante a II Guerra Mundial.
A meta é garantir em 2041 uma força aérea enxuta, eficiente e com forte capacidade de dissuasão. Nessa linha, a FAB decidiu regionalizar o controle das operações. Atualmente, os esquadrões que ficam nas bases de Canoas e Santa Maria atuam segundo as orientações de comandos localizados em Brasília e no Rio de Janeiro.
Com a mudança, a execução das tarefas fica com a Ala 5, que também absorve a base de Canoas e responderá pelas de Santa Maria e Florianópolis. No caso catarinense, a base ficará sem um esquadrão fixo, mas será utilizada com frequência, modelo repetido em outros locais do Brasil. No mesmo projeto, a reformulação da FAB prevê a redução de 25% do efetivo, realocando recursos para as operações.
A FAB ainda pretende ampliar a contratação de temporários, que ficam por até oito anos. No momento, cerca de 9,5% do efetivo de 75 mil pessoas é temporário — o percentual exclui soldados que cumprem serviço militar obrigatório. A reestruturação diminui profissionais de carreira em áreas como medicina, engenharia, jornalismo e administração. A medida corta despesas, já que os temporários não demandam gastos de transferência, residência e aposentadoria.

Esquadrões
V Comar
- Localizado em Canoas, tem unidades subordinadas no interior do Estado, Santa Catarina e Paraná. Os esquadrões sediados na região respondem nas operações aos comandos que ficam em Brasília e Rio. Canoas tem modelos F-5EM e F-5FM. O V Comar será desativado até 31 de dezembro.

ALA 5
- A nova estrutura mantém a representação da Aeronáutica no sul do país. Além disso, todos os esquadrões do Estado responderão operacionalmente ao comando da ALA.
- Composto por aeronaves P-95, o Esquadrão Phoenix será transferido até dezembro de Florianópolis para Canoas. A ALA terá sete esquadrões, entre caças, aviões de patrulha e transporte, helicópteros e aeronaves remotamente pilotadas.
- As estruturas das bases de Canoas, Santa Maria e Florianópolis ficam na ALA 5.

"Queremos as aeronaves que planejamos ter", diz brigadeiro Rossato

Em entrevista a ZH, brigadeiro Nivaldo Rossato explica que, apesar das mudanças na Força Aérea Brasileira (FAB), não está previsto o fechamento de bases.
O que muda na FAB?
Fizemos um estudo sobre a necessidade de modernizar a Força Aérea tanto na administração quanto no uso do meio aéreo. O objetivo é a melhoria das operações e a redução de custos na atividade-meio, de forma com que a atividade-fim tenha mais recursos. Esse é o ponto fundamental.

Qual a diferença entre Comar e ALA?
O comandante do V Comar tinha mais tarefas de administração e representação. A representação permanece, com a operação. As questões administrativas ficam com grupos de apoio, que reúnem atividades como boletins, comida e rancho, garagem e compras. É responsabilidade do comandante a segurança de voo, se os aviões são mantidos de forma correta.

Por que transferir um esquadrão de Florianópolis para Canoas?
Envolve economia de recursos, vamos concentrar as unidades aéreas em um número menor de bases pelo país. Quando há mais um esquadrão em Canoas, o aumento de efetivo para dar apoio à nova unidade é pequeno. Quando você opera em Florianópolis sozinho, a estrutura de uma base não muda muito se tiver um, dois ou três esquadrões.

A base de Florianópolis pode fechar?
Não vamos fechar nenhuma base. Haverá redução gradual de efetivo. Florianópolis ficará com uma base pronta para o uso.

A FAB pretende ampliar o número de temporários. Por quê?
Há uma infinidade de atividades administrativas que podem ser realizadas por temporários. Temos médicos, advogados, jornalistas, contadores, administradores que ficam até oito anos. Uma banda de música, por exemplo, tem 50 militares. Posso ter 20 de carreira e 30 temporários. Acharemos músicos qualificados, selecionados por concursos.

Reportagem do jornal Estado de São Paulo aponta que 60% da frota da FAB está no chão. A redução de custos vai colocar mais aviões para voar?
Não é verdadeiro falar que os aviões estão no chão. Um avião civil, que o empresário paga US$ 50 milhões a US$ 100 milhões, tem de voar mil horas por ano. Na atividade militar, é normal que aeronave voe 200 a 300 horas por ano. Ter 50% de disponibilidade, ou seja, aeronaves prontas para voo, é normal em qualquer força aérea. Temos de ter reserva de contingência, que são os outros aviões.

No futuro, é possível adquirir mais aeronaves?
Queremos as aeronaves que planejamos ter. O fundamental é termos o Gripen (comprado da empresa suéca SAAB) e o KC-390 (projeto da Embraer). Uma força aérea precisa de um avião de transporte, como o KC-390, e um caça multiemprego, como o Gripen, que faz defesa aérea, ataque ao solo e tem força de dissuasão.

A PEC do teto de gastos pode prejudicar projetos estratégicos?
A sensibilidade do governo para cada projeto define a priorização. O KC-390 tem potencial de exportação anual de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões, com milhares de empregos na fase de desenvolvimento e de produção. É um investimento na capacitação tecnológica do país.

Em 2007, tivemos o caos aéreo. Qual o cenário hoje?
O tráfego aumentou demais de 2007 para hoje. Atualmente, a formação dos graduados é melhor, o nível da proficiência em inglês é melhor, os radares estão atualizados. No caso dos aeroportos concedidos, foram ampliados os pátios, o que ajuda muita. Temos uma estrutura mais consolidada.
Zero Hora/montedo.com

19 comentários:

Anônimo disse...

O Comandante não sabe que a profissão de advogado é incompatível com a de militar? Está me parecendo uma destas mudanças feitas pelo EB, tipo, mudar gravata, distintivos de cor, lado, insignias de postos e graduações enormes que brilham no escuro, guarda-chuvas e outras medidas capazes de fazerem o inimigo tremer, de rir.Sem falar nos 35 anos que o militar pode sim trabalhar, graças aos vampiros que vão pra reserva com 30 e no outro dia, sem nenhum tipo de processo seletivo, retornam as suas antigas funções (oficiais em sua maioria), só enchendo o saco em vez de estarem cuidando dos netos em casa.

Anônimo disse...

Comentário tão idiota que nem merece atenção.

Anônimo disse...

Você acha que o advogado é para quê? É para defender os interesses da instituição FAB, não é para militar nenhum, não! É para atuar contra os próprios militares quando correrem atrás de algum suposto direito.

Anônimo disse...

kkkk A vantagem de entrarem militares temporários é a possibilidade de colocar parentes, amigos e afins, nas forças armadas, não possui transparência e nem controle, vale o poder discricionário.
Quanto maior a hierarquia maior a indicação de alto escalão, isso é fato.

Este tipo de situação (apadrinhamento) acontece em qualquer orgão público que não precisa de controle tão grande quanto aos concursados.

Não vi um estudo com a participação da sociedade para certificar se existe realmente a necessidade de colocar militares temporários em excesso nas Forças Armadas. Quais os problemas que surgirão, de quanto seria a economia e a proteção destes militares com a possibilidade do reformarem e ficarem vinculados na força, sem falar na sobrecarga no sistema de saúde das respectivas forças, que o aumento dos novos miliares e dependentes.

Sem um estudo com a participação da sociedade é difícil prever que as ações que estão em estudo podem realmente surtir efeitos, a curto ou longo prazo.


milico velho disse...

Amigos, as FFAA, não possuem advogados, se alguem se diz adv das FFAA, não esta sendo correto.
Quem defende as FFAA, é a ADVOGACIA GERAL DA UNIÃO. AGU, o resto é resto.
Pensem, pensem, pensem.
As FFAA, há alguns anos, possuem bachares em ciencias juridicas, para assessoria, e fim, não são advogados das FFAA, e não podem atuar como adv.

Anônimo disse...

Tem tanta coisa errada nas FFAA, e esta de encher de temporarios, principalmente familiares é só mais uma coisa errada.
Se tiverem paciencia é so procurar nas net da vida. tem coisa.

Anônimo disse...

Senhores deem uma olhada:

http://mujahdincucaracha.blogspot.com.br/2016/10/o-novo-imbecil-coletivo.html

Anônimo disse...

Temporários vão diminuir o custo da previdência militar. Isso está correto. Agora, não vejo e Cmt sequer pensar em melhorar a carreira dos graduados que poderiam ir até o posto de capitão(no EB isso já acontece). É lamentável e desanimador.

Anônimo disse...

Que vantagens são essas em contratar temporários? Militar de carreira ganha 4 vencimentos ao passar para reserva, enquanto os temporários, que ficam 8 anos, ganham 7 vencimentos. Isso sem levar em conta a falta de comprometimento, a pouca competência e as bisonhices....

Anônimo disse...

Não amigo, vou explicar: ninguém que está nas FFAA, fardado ou não, pode se intitular advogado, a OAB não permite.
A dos netos foi boa, tem gente magoada, mas é a mais pura verdade.

Anônimo disse...

O objetivo de ter temporários é tentar diminuir o impacto na previdência mas o que vem ocorrendo é um acréscimo de dependentes no FUSEX. Uma Sgt STT ou uma Tenente OTT inclui logo de cara um companheiro ou esposo e uma penca de filhos.

Anônimo disse...

O comandante da FAB como os demais comandantes vivem em um país ou mundinho do faz de conta, onde acreditam em tudo que falam inclusive que as OMs são limpas e organizadas todos os dias da forma que quando estes vão visitar estão parecendo novas. Quanta demagogia, falta efetivo profissional nas FFAA, treinamento, capacitação, equipamento e coisas reais a serem feitas ao inves de ficar brincando de faz de conta.
Tem que acabar com os serviços militares obrigatorios, profissionalizar e acabar com promoções a revelia por tempo de serviço e sim ter por merecimento de forma a cada qual trabalhar para fazer jus a sua promoção...
Não é aumentando temporarios e diminuindo carreiristas que vão melhorar as FFAA. Sou of temporario e vejo isso desde o primeiro dia que pus o pé dentro das FFAA.

Anônimo disse...

Fala se tanto em formaturas que o mais importante das forças são o seus recursos humanos e na prática não é nada disso, no EB para se receber um direito pecuniário demora se uma eternidade para te descontarem não se passa de um segundo.Coloquem o discurso em pratica, demagogia não engana mais ninguém.

Anônimo disse...

Aumentar o quadro de temporários é algo que deve ser analisado. Os editais de convocação, que parecem que foram escritos por sd ev, não contém alguns dos critérios mais básicos de seleção que qualquer banca de concurso colocaria. Aí fica complicado.

Anônimo disse...

Anônimo 9 de outubro de 2016 16:17, O militar da ativa não pode tirar carteira da OAB, mas isto não significa que ele não use seus conhecimentos para enganar a tropa. Na FAB, já existe sim oficiais temporários formados em Direito fazendo esse tipo de trabalho para seus comandantes. Geralmente eles (temporários) estão sempre nas reuniões de comando, rebatendo argumentos de praças quando questionando algum direito que pretende recorrer à Justiça, ou seja, são usados contra os próprios militares mesmo.

Anônimo disse...

Parabéns a FAB, acho que o aumento no número de temporários é de extrema importância para desafogar a previdência, agora é importante reestruturar as carreiras, tem que valorizar mais o pessoal. Falta muito ainda, mas vamos reconhecer quando um passo faz sentido.

Anônimo disse...

Com ou sem efetivo: "O verdadeiro militar é aquele que é bem alimentado e bem remunerado."

Anônimo disse...

Tirando as entrelinhas, me digam honestamente, quem vai querer na atual situação entrar como militar temporário e quando chegar no oitavo ano, ter que sair? O temporário entra, sonhando em ganhar bem, vê a enrascada em que se meteu e, depois do tempo mínimo obrigatório, pede as contas. Acontece muito isso na área de saúde. Você começa a fazer a consulta com um e quando termina o tratamento está no terceiro ou quarto.Soube recentemente de um exemplo: O rapaz trabalhava na área portuária ganhando em torno de uns oito mil reais, com família, e devido a crise foi demitido. Pegou o dinheiro da indenização e comprou um apartamento ou deu como entrada para o financiamento em área excelente, perto de praia.Tinha um carro bom, TUCSON, e conseguiu ser aprovado para ser temporário na FAB. Como sabemos, salário de terceiro sargento é só fantasia. Não estava mais conseguindo manter as contas sob controle, trocou o carro para um popular, estava tendo dificuldades para pagar condomínio e já estava pensando em alternativas para o imóvel.Será que ele vai querer ficar até completar o tempo total? Lógico que não.Os comandantes dizem que a economia vai ser em transferências, que dependendo do "padrinho" eu acho que pode acontecer, e nas aposentadorias. Isso tudo sem contar as ações na Justiça para tentar adquirir estabilidade. Agora vão ter que trabalhar muito para manter ou melhorar a qualidade em áreas críticas.Agora vem a mudança na previdência militar que, certamente, vai tirar direitos.

Anônimo disse...

Eu trabalho com Of e Sgt Tmpr e digo com muita propriedade: TODOS eles permanecem os 8 anos e agradecem todos os dias pelo emprego e salário. Detalhe: estou em Brasília.

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