20 de novembro de 2016

Desarmado e perigoso

Histórias de Quartel

Desarmado e perigoso



Ruben Barcellos
O sargento Barbosa chegou da marcha de 12 km e foi doar sangue.
No posto da Santa Casa, preencheu uma ficha de doador e olhou em volta, procurando a cadeira com o apoio do braço.
A enfermeira disse:
- Sente sargento, fique à vontade.
- Obrigado, moça, estou bem assim.
Tirou o revólver Smith Wesson .45 com 6 bala no tambor e 6 no cano e colocou encima da mesinha. Tirou a faca de trincheira que não cortava nem água e colocou do lado.
A enfermeira ainda insistiu, na hora do torniquete, antes de cravar a agulha:
- Não quer mesmo sentar?
Barbosa se sentia mais firme que palanque em banhado. Saiu a primeira golfada de sangue.
Barbosa começou a suar frio.
Tirou o gorro.
Afrouxou o cinto com a mão esquerda.
Passou a língua pelos lábios ressequidos e pediu água pelamordedeus .
Enfim sentou-se como Aquiles baleado no garrão.
Terminada a coleta, levantou e caminhou em direção a primeira porta que enxergou. Era a porta do armário de curativos que ele abriu como se fosse a porta do inferno. Pisou no fundo de vidro e caiu com armário e tudo.
Mais tarde, no quartel, disse que tropeçou nas calcinhas da mãe de quem tinha inventado toda esta história.
Cavalaria, nem melhores nem piores; apenas diferentes.

4 comentários:

Anônimo disse...

Numa visão superficial, apenas diferentes.

Anônimo disse...

Aê cavalaria heim ! Na infantaria não tem cabra fraco não kkkkk

Anônimo disse...

Certa vez Doris militares, um artilheiro e um cavalariano entraram no banheiro para urinar. O artilheiro, vendo que o cavalariano nao lavou a mao depois de urinar disse: na Artilharia eles ensinam a lavar a mao depois de urinar. O cavalariano, fechando a porta, sem olhar para tras, disse: na Cavalaria, eles ensinam a nao mijar na mao!

Anônimo disse...

As figuras folclóricas da vida militar são um santo remédio para o tédio.
1) Na minha época de 3S, século passado(kkk), havia uma senhora que tomava conta da cantina no destacamento. Ela era muito simples, divertida e, digamos, desconhecedora da língua portuguesa. Uma certa manhã, todos notaram que ela estava excessivamente feliz e perguntaram o motivo. Aí, ela disse que no dia anterior tinha sido o aniversário dela e que fico muito feliz quando recebeu um "boquete" de flores. Todos riram, mas a duvida era se um tal de Flores havia feito "aquilo" ou ela se referia a um buquê de flores. Mas de qualquer forma, ela estava feliz.
2) Essa mesma senhora, naquela época, aceitava os famosos cheques pré-datados, que os militares usavam para tudo. No final do mês ela ia ao banco pagar as contas da cantina com os cheques. Um certo dia ela voltou revoltada e disse para todos que não receberia mais cheques de 3S. Perguntaram o motivo e a resposta foi inusitada. Ela disse que foi pagar as contas dela no banco e lá disseram que não recebiam cheques de "terceiros". Ela ainda arrematou dizendo que só receberia cheques de segundo sargento para cima. velhos tempos, velhos dias e boas lembranças.

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