21 de novembro de 2016

Haiti: auditoria expõe erros na gestão da Minustah

Controles falhos causaram perdas de milhões de dólares em missão no Haiti; em resposta à investigação, missão de Paz diz que 'diversas recomendações sugeridas já foram implementadas'
Jamil Chade, Correspondente / Genebra
GENEBRA - Uma auditoria realizada na missão de paz da ONU no Haiti revelou contratações irregulares, pagamentos por serviços não realizados e até funcionários que cometeram extorsões de candidatos a cargos públicos. Os investigadores, que deram até o final de 2016 para a missão cumprir as novas recomendações de gerenciamento, “não descartam” a possibilidade de fraudes envolvendo milhões de dólares em pagamentos.
Desde 2004, a crise no país levou a comunidade internacional a criar a Missão da ONU para a Estabilização no Haiti (Minustah, na sigla em francês), composta por soldados de diferentes países. Mas documentos obtidos pelo Estado apontam irregularidades no funcionamento da administração da Minustah sob a gestão de Sandra Honoré, de Trinidad e Tobago. Os problemas estariam na contratação de dezenas de funcionários. O estudo mostra ainda que, entre 2013 e 2015, a missão contratou 775 pessoas como consultores ou, em acordos individuais, de gerentes até o pessoal de limpeza. Apenas para esses contratos, foram gastos cerca de US$ 10 milhões.
Em auditoria concluída em abril, a ONU descobriu uma série de irregularidades e concluiu que os processos de controle eram “insatisfatórios”. “Houve um colapso dos controles internos sobre contratação e gerenciamento de contratos de consultores”, alertou a auditoria. Segundo o estudo, a Minustah “não cumpriu os procedimentos para contratação, expondo a organização a riscos significativos e resultando em gastos que poderiam ter sido evitados”. O levantamento mostra que não havia processo de concorrência pelos cargos, funcionários locais recebiam pagamentos como se estivessem viajando, o trabalho dos consultores não era controlado e extensões de prazos criaram gastos extras. Os auditores admitem que parte dos problemas se refere à “pressão de dirigentes de alto escalão”.
Do valor gasto para esses contratos, os auditores descobriram que nem sempre existia um plano de trabalho que justificasse a necessidade de contratação. E, muitas vezes, essas pessoas contratadas eram “subutilizadas pela Minustah”. Sem apresentar relatórios anuais sobre suas contratações, a Minustah ainda é acusada de contratar consultores externos para trabalhos que seus funcionários deveriam desempenhar.

Extorsão
Outra constatação é a de que não existia uma concorrência para os cargos oferecidos. “Exige-se que a Minustah documente suas justificativas quando um candidato é considerado para uma seleção”, explicou a auditoria. Mas, de 30 contratos avaliados, em 21 não houve uma seleção entre 3 finalistas e não houve uma avaliação técnica em 90% dos casos.
“Isso teve impacto na transparência e na justiça do processo de seleção”, concluiu a auditoria. “A ausência de controles adequados também resultou em casos em que foi provado que funcionários da Minustah cometeram extorsão de pessoas em troca de ofertas de trabalho.”
A variação nos salários também foi destacada como um alerta. A Minustah contratou oito pessoas por dois meses por um valor equivalente a US$ 4,7 mil por mês, apesar de ter antes contratados os mesmos indivíduos por um salário de US$ 1,2 mil para realizar o mesmo trabalho.
Em outro caso, um consultor que recebeu US$ 3,7 mil num mês foi, depois, contratado para o mesmo trabalho por US$ 6,8 mil. Em outros dois casos, funcionários locais receberam valores adicionais cada um de US$ 5 mil por mês para cobrir “custos de subsistência”, como se estivessem viajando. Esse valor era pago além do salário de US$ 7 mil que cada um deles recebia. “Isso resultou em um gasto inadmissível de US$ 150 mil durante o período auditado.”
Outra constatação indica que mais da metade dos contratos avaliados não continha metas a serem atingidas, nem prazos para a entrega de trabalhos. De 30 contratos avaliados com consultores, por exemplo, 19 foram estendidos “com um custo adicional de US$ 530 mil diante do fato de que o resultado desejado não tinha sido obtido dentro do período do contrato inicial”.
Os controles sobre quem ia trabalhar também eram falhos. Gerentes não assinaram 329 listas de presença dos funcionários, enquanto supervisões não certificaram 460 listas.

Resposta
Em resposta à auditoria, a administração da Minustah informou que diversas recomendações sugeridas já foram implementadas. A gestão também afirmou que “concorda” que a identificação dos encarregados pelas contratações e a fixação de responsabilidades são “apropriadas e necessárias”, mas alerta que será “difícil implementá-la diante da rotação da liderança de alto escalão e diante da amplitude da falta de controle registrado pela auditoria”.
“Dada a complexidade e extensão dos problemas, assim como medidas potenciais ou ações que possam ser solicitadas se a responsabilidade for claramente determinada, a Minustah é da opinião de que isso deva ser alvo de uma avaliação externa ou investigação.”
Já sobre outras cobranças da auditoria, a missão afirmou “aceitar” que contratos de consultores explicitem o resultado que a entidade espera dos trabalhos. Dois departamentos já estariam agindo dessa forma e foram lançadas licitações abertas para outros serviços.
A Minustah também aceitou a apresentação de relatórios bianuais sobre as contratações e o estabelecimento de um guia para garantir que novos funcionários repitam os trabalhos que seriam de responsabilidade de quem já está na missão. Na Sessão de Engenharia, a missão indicou que já reduziu o número de funcionários. Outra iniciativa foi interromper os pagamentos de benefícios de viagem aos funcionários locais.
Para ativistas ouvidos pelo ‘Estado’, a suspeita de fraude na ONU não surpreende. “A ajuda externa ao Haiti tem se transformado em uma grande operação de lavagem de dinheiro”, disse Dady Chery, autora do livro Ousamos ser livres. “Mais de US$ 13 bilhões desapareceram desde o terremoto de 2010 e isso volta a ocorrer agora com o furacão Matthew”, acusou Dady.
O Estado de S. Paulo/montedo.com

13 comentários:

Anônimo disse...

Olha esse !!! Semelhante a nossa LE.

http://blogs.correiobraziliense.com.br/cbpoder/tribunal-de-contas-do-df-gasta-r-13-milhao-com-licenca-premio-de-apenas-tres-servidores/

Anônimo disse...

http://www.campograndenews.com.br/cidades/interior/homem-encontrado-morto-esfaqueado-era-militar-da-reserva-da-marinha

Anônimo disse...

E o governo Temer cercado de pessoas com pouca ou nenhuma credibilidade investigados ou denunciados, quem diria, trocamos seis por meia duzia, sendo que essa meia duzia quer que o militar pague o pato por eles.
Quanto ao Haiti, nada de novo.

Anônimo disse...

Antes que os leões de alojamento se manifestem, a notícia não aborda o efetivo militar da MINUSTAH.

Anônimo disse...

Os caras roubam dentro dos quartéis, não iam aproveitar essa boquinha feupuda do Haiti.

Anônimo disse...

Um país dominado pela violência, cheio de miséria, com a economia destruída e, ainda, tem gente se fazendo de honesta e permitindo isso? Afinal, não é parecido com a situação brasileira? Não foram os brasileiros, certamente, mas isso mostra como o ser humano pode ser corrupto por causa de dinheiro e poder.

Anônimo disse...

Em se falando em pobreza e a corrupção para poder enriquecer a poucos, lembrei de uma estória:
Em uma viagem de férias em seu iate de grande porte, um bilionário avistou uma pequena ilha paradisíaca, um pequenino barco ancorado e resolveu dar uma olhadinha. Ao chegar na praia, avistou um senhor deitado confortavelmente em uma rede sob a sombra de uns coqueiros. Chegou, se apresentou e perguntou se ele vivia ha muito tempo ali. O morador disse que sim. então o bilionário perguntou:
- por que o senhor não investe em uma pousada aqui?
O morador: - para quê?
- Ora, investindo, você traria turistas, trocaria o seu barco para um melhor...
O morador: - para que^?
- Ora, iria melhorar sua condição, iria ganhar muito dinheiro!
O morador: - para quê?
- Ora, com o dinheiro ganho você iria melhorar de vida, garantir sua aposentadoria, para enfim, descansar e ter uma vida bem sossegada.
O morador: - e o que você acha que estou fazendo aqui?

A vida é simples, o que estraga são pessoas que só pensam em dinheiro e riquezas, para depois, gastar todo o dinheiro procurando ter saúde no final da vida.

Anônimo disse...

Na minha opinião tinha que terminar com estas missões. Caso continuar que façam igual a força nacional. Seleção nível Brasil. Escolher os melhores militares. De inicio uma prova física semelhante a do Guerra na Selva, de inicio um corridão fardado de 10 km, depois uma natação de 2h no Rio Negro e fardado (espinha de peixe). Depois uma prova intelectual com conhecimento militares e de idioma. Exames médicos rígidos. Após a seleção um estágio de 15 dias na selva com instrutores Comandos e Guerras. Testar o máximo o psicológico. Na minha opinião seria mais justo, todos teriam oportunidade. Conheço um Sgt QE que foi três vezes para o HAITI. Nada contra ele faz jus por ser um militar excelente.

Anônimo disse...

Amigo, tua canabis ta vencida!

Anônimo disse...

Amigo, o militar foi porque alguém lhe mandou, eu também iria, mas não mandaria.O militar para ir duas vezes deve ser muito bom, alguns são. Quanto o provas, eu concordo, para AMAN, QCO, CFS, CFC, até para pessoal de aprovisionamento e saúde, acontece é que a coisa começa errada e errada segue. Qualquer um que for, mesmo um espantalho de milharal cumpre a missão, todo o militar sabe disso.Agora, um militar que faz jus ao soldo em dolar e usar a bandeira brasileira no braço, são muito poucos. A título de lembrança, o Brasil coordena o braço militar da missão.

Léo disse...

Tem que ser do serviço de inteligencia e todos acharem que ele é uma ótima pessoa,bonzinho e educadinho.E ninguém desconfiar que o cara entrega todo mundo.Aí ele vai três,quatro e tantas vezes queira.Entendeu,amigo? O critério é esse.Entregar os outros!

Anônimo disse...

Nossa! E só vão os melhore, os mais qualificados. E esta assim! Imagine se eu estivesse lá, com meu conceitinho "C". JÁ tinha ido pro barro.

Anônimo disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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