24 de dezembro de 2016

Deputado quer banir bomba de fabricação brasileira

MATERIAL BÉLICO
RUBENS BUENO QUER BANIR BOMBAS BRASILEIRAS QUE ESTÃO 'MATANDO PELO MUNDO'
PARA DEPUTADO NÃO HÁ MOTIVO PARA PRODUÇÃO DE MATERIAL BÉLICO
O PPS quer banir a produção e comercialização em todo o território nacional as bombas cluster, armamento de guerra produzido no país e utilizado pelas Forças Armadas que tem vitimado milhares de civis nas últimas décadas em confrontos espalhados pelo mundo inteiro. O último caso registrado foi no dia 06 de dezembro, no Iêmem, quando de dois civis morrem e seis ficaram feridos, entre eles uma criança, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (23) pela Human Rights Watch. O armamento foi produzido por uma empresa brasileira.
Para banir a bomba, o líder do PPS, deputado federal Rubens Bueno (PR), apresentou na Câmara o projeto de lei (PL 3228/2012) que proíbe a produção, importação, exportação, utilização, armazenamento e comercialização das bombas em todo o território nacional. A proposta está em análise na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara.
Para Bueno, não há justificada para o Brasil continuar produzindo, utilizando e exportando o material bélico. “Esse tipo de armamento atinge indiscriminadamente alvos militares e civis, de modo totalmente desumano e cruel. Por esse motivo, o Tratado de Oslo visa proibir a produção, estocagem, venda e uso das bombas cluster. No entanto, infelizmente o Brasil ainda está entre os países que se negam a assinar esse importante instrumento de proscrição de um armamento contrário a qualquer noção básica de direitos humanos e de guerra que um país civilizado e pacifista como o nosso deveria obedecer. Nosso país insiste em produzir, armazenar e exportar esse tipo de armamento, ação absolutamente contrária à sua tradicional posição de defesa dos direitos humanos”, argumenta o líder do PPS.
Rubens Bueno lembra ainda que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), junto a outras entidades, vem reiterando o pedido para que todos os países participem das ações com vistas ao banimento das bombas cluster. “É lamentável que esse tipo de artefato continue a ser produzido e comercializado no Brasil, ao arrepio de sua vocação pacifista, sedimentada e respeitada em todo o mundo. O parlamento brasileiro não pode se omitir de sua tarefa de contribuir para o engrandecimento dos direitos humanos, sob todos os seus aspectos e sem limitações de argumentos de ordem estratégica ou financeira”, defende o líder do PPS.
O parlamentar ressalta também que mesmo o eventual desenvolvimento de nova tecnologia na área das bombas cluster não eliminará satisfatoriamente os efeitos perversos desse equipamento militar. “O Brasil tem o dever de liderar no hemisfério ocidental o movimento pela proscrição das bombas cluster, pois direitos humanos e defesa nacional não são, em definitivo, conceitos excludentes”, destaca Bueno.

Mortes pelo mundo
Também conhecida como “bomba-cacho”, as munições cluster são disparadas por terra ou ar e muitas delas não detonam após o impacto no solo, se transformando em minas terrestres. De acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), as bombas já minaram o solo de 20 países.
No conflito de Kosovo, que durou apenas 11 semanas, estima-se que entre 230 mil a 290 mil submunições das bombas cluster tenham sido lançadas, e que aproximadamente 30 mil continuem no solo sem terem sido detonadas, mesmo depois de terminado o conflito. Segundo dados da organização internacional, foram confirmadas 13.306 mortes e ferimentos causados pelas munições cluster.

Mais sobre a bomba cluster
Resultado de imagem para bomba clusterA bomba ou munição cluster – também conhecida como bomba-cacho – é um armamento que, disparado por terra ou ar, se abre espalhando dezenas ou até centenas de submunições explosivas sobre áreas extensas. Frequentemente, tais dispositivos são direcionados a alvos difusos: agrupamentos humanos, construções, instalações e veículos.
Irã, Iraque, Coreia do Norte, Paquistão e Brasil estão entre os países que se recusam a assinar o tratado para banir as bombas cluster. Noventa e cinco países já assinaram o Tratado de Oslo, na Noruega, que proíbe a produção, estocagem, venda e o uso dessas bombas. Mas o Brasil, que não sofre um ataque em seu território desde a Guerra do Paraguai, em 1865, preferiu ficar de fora.
As bombas cluster (palavra em inglês que pode ser traduzida por cacho) são uma espécie de caixa cheia de explosivos. Cada bomba contém centenas ou milhares de pequenos explosivos, que têm entre o tamanho de um saco de chá (100 gramas) e uma granada (1 quilo). Ao ser lançada por um avião, a bomba se abre antes de chegar ao solo e os explosivos se espalham por uma área de cerca de 28 mil metros quadrados, equivalente a quatro campos de futebol. A área-alvo é pulverizada, mas raramente todos os explosivos são detonados ao tocar o solo. Em média, 10% falham e passam a funcionar como minas terrestres, capazes de matar e mutilar civis.
DIÁRIO do PODER/montedo.com

4 comentários:

Anônimo disse...

Tinha que restringir o salário desse idiota... pra zero . Ainda assim um acéfalo desses custaria caro!A corrupção causada por esse congresso caríssimo mata muito mais brasileiros que essas bombas pelo mundo. É um retardado querendo se aparecer.

Marcelo Carvalho disse...

Santa ingenuidade, Deputado.

Anônimo disse...

Nunca comentei no blog, mas sempre acompanho. Por ter um pouco de conhecimento no assunto posso rebater algumas das falácias dessa reportagem.

1 - Além de Irã, Iraque, Coreia do Norte, Paquistão, podemos incluir nessa lista EUA, Reino Unido, França, Rússia e China (todo o Conselho de Segurança da ONU), além de Argentina, Coréia do Sul, Israel, Índia, Polônia e Turquia (http://www.stopclustermunitions.org/en-gb/the-treaty/treaty-status.aspx).

2 - Caso esse projeto fosse aprovado, o Sistema ASTROS passaria a ser apenas um sistema de obuseiro de longo alcance e pior precisão. Além disso, todo o efeito dissuasório desse sistema seria perdido.

3 - Foi citada a Guerra do Paraguai para justificar a não utilização desse tipo de munição. Por essa definição, não precisaríamos de Forças Armadas pois o Brasil não sofre um ataque desde 1865.

4 - A matéria utiliza uma figura de uma munição diferente da produzida no Brasil. Por que não foram perguntar para a Avibras como a munição funciona e qual é o índice de "tijolo quente".

5 - Por que antes de propor um projeto sem o menor conhecimento do assunto o ilustre deputado não perguntou ao Ministro da Defesa, que é do seu partido, qual é a função dessa munição no contexto das Forças Armadas.

6 - O deputado usa o mesmo argumento dos desarmamentistas: já que a Arábia Saudita está usando contra civis, o Brasil teria que parar sua produção. Por essa lógica, vamos parar de fabricar caminhões já que eles podem ser usados em atentados (Nice e Berlim) ou fechemos a fábrica da Tramontina já que facas são usadas em diversos tipos de crimes.

7 - "A área-alvo é pulverizada, mas raramente todos os explosivos são detonados ao tocar o solo. Em média, 10% falham e passam a funcionar como minas terrestres, capazes de matar e mutilar civis.". No caso do Sistema ASTROS esse número é inferior à 1% visto que as submunições possuem um sistema pirotécnico de auto-destruição. Gostaria de entender também como "raramente todos os explosivos são detonados" se apenas "10% falham".

Anônimo disse...

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