4 de dezembro de 2016

Ministério Público Militar vai investigar grandes contratos do Exército, Marinha e Aeronáutica

Núcleo militar vai investigar corrupção nas Forças Armadas
Crimes envolveriam grandes contratos de Exército, Marinha e Aeronáutica
EVANDRO ÉBOLI
BRASÍLIA — O Ministério Público Militar criou um grupo para atuar no combate à corrupção nas Forças Armadas. O Núcleo de Combate à Corrupção investigará crimes cometidos por militares, que têm se sofisticado e deixou de ser algo isolado no Exército, Marinha ou Aeronáutica. O núcleo atuará em investigação financeira, combate a lavagem de dinheiro, corrupção e crime organizado.
— O crime cometido por militar hoje é mais sofisticado, mais complexo. A tecnologia ampliou as modalidades e formas de corrupção. E hoje envolve grandes contratos. Por isso é necessário criar ferramentas de apoio a essa investigação, principalmente nos casos de corrupção. E os crimes já não são mais localizados, se espalharam pelo país afora — disse o procurador-geral de Justiça Militar, Jaime de Cassio Miranda.

PAGAMENTO DE PROPINA A DESVIO DE VERBA
A portaria da Procuradoria-Geral da Justiça Militar que criou o núcleo diz que a corrupção que assola o país atinge várias esferas da administração pública, “inclusive a administração militar”, e que a investigação desses delitos requer complexidade. O procurador-geral de Justiça Militar, o civil Jaime de Cassio Miranda, explicou que o crime cometido pelos militares hoje está mais sofisticado e as investigações, a exemplo dos casos de corrupção no mundo civil, exigem cooperação e troca de informações com outros órgãos.
A capacidade das Forças Armadas de investigar crimes dessa natureza é insuficiente. Não conta com uma polícia judiciária especializada, como a Polícia Federal e a Policia Civil.
— Para se ter ideia, o próprio comandante de uma Força é o responsável pelo IPM (Inquérito Policial Militar). E o oficial encarregado para tocar a investigação, num hospital militar, por exemplo, pode ser um dentista. Ou seja, não seria o mais indicado para essa missão — diz.
Os crimes militares lembram muito as práticas dos civis. O Superior Tribunal Militar (STM) condenou quatro oficiais do Exército — três majores e um capitão — acusados de desvio de R$ 1,7 milhão do Centro de Pagamento do Exército, responsável pelo pagamentos da Força. O major, líder do esquema, cumprirá quase 10 anos de prisão, em regime fechado. O esquema envolvia 54 pensionistas laranjas em Brasília. A investigação revelou que muitos deles eram parentes de um dos oficiais. O crime ocorreu em 2002 e eles foram julgados somente em novembro de 2014. Em valor atual, o prejuízo foi de R$ 3,4 milhões.
Os hospitais militares são alvos constantes de corrupção. Quatro militares foram denunciados pela Justiça Militar de Recife por recebimento de propina de uma empresa que prestava serviço de quimioterapia para o Hospital Militar de Área. A empresa pagou R$ 334,8 mil de vantagem indevida para continuar a ser fornecedora do hospital. Entre 2008 e 2010, essa empresa privada recebeu do hospital R$ 3,8 milhões pelos serviços prestados. Todos foram denunciados por corrupção.
Em setembro, foram denunciadas sete pessoas — três militares e quatro civis — que participaram de um esquema de desvio de dinheiro num batalhão de Campina Grande (PB), que pagou R$ 156 mil por materiais de limpeza, descartáveis e de expediente que nunca foram entregues. A quantidade comprada era incompatível com necessidade do batalhão. Um dos sargentos denunciados recebeu R$ 87 mil de propina, outro sargento, R$ 31 mil e um major, R$ 30 mil. Eles respondem por corrupção ativa.
O Globo/montedo.com

26 comentários:

Anônimo disse...

Excelente !!!!

O ladrão acha que nunca vai ser pego, por isso arrisca.

Léo disse...

Sugestão: Algumas Polícias Civis criaram aplicativos de denúncias anônimas.As pessoas denunciantes Jamais terão os nomes revelados.Caso o Ministério Público Militar disponibilize um aplicativo semelhante para que Militates denunciem desvios dentro das OMs terá uma ferramenta excelente.

Anônimo disse...

Infelizmente não acredito na total lisura e imparcialidade do Ministério Público Militar. Talvez seja por uma experiência ruim que tive, onde esse órgão ignorou uma acusação contra um coronel que eu denunciei por cometer crime militar: além de ignorar, ainda concedeu, poucos dias depois, uma medalha para o referido coronel. Preferia que o MPF fizesse as investigações, e não o MPM.

PAULO R. HUBNER disse...

Muito bom, é preciso aperfeiçoar, temos um parcela de maus brasileiros em todos os setores, sem exceção, que na prática da corrupção, tanto dano causam ao país.























Anônimo disse...

Caro anônimo das 4 de dezembro de 2016 23:38, para isso existe o Conselho Nacional do Ministério Público.

Rogério da Silva Gomes - 1ª Sgt disse...

Concordo com o comentário de 04 de dezembro das 23:38. É tudo farinha do mesmo saco. Não vai dar em nada. O CNMP também nada fez. Os desvios são grandes e vão continuar.

Anônimo disse...

A corrupção existe em todos os lugares, mas essa iniciativa é apenas uma tentativa de dizer ao povo que os militares estão envolvidos da mesma forma que os políticos, o que, vamos combinar, não estão. Só mais uma tentativa de denegrir uma instituição séria, e, claro, 15 minutos de fama para mais um recalcado. Mass

Anônimo disse...

Uma pequena pergunta:

Se nas FFAA não existe ladrão, pq tudo tem cadeado?

Anônimo disse...

Viram esta noticia?

http://www.bocaonews.com.br/noticias/politica/politica/161286,projetos-no-congresso-podem-diminuir-poder-de-investigacao-da-receita-federal.html

Anônimo disse...

e esta nota, leiam.

http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/brasil/2016/12/05/presidente-da-alerj-preve-mais-impostos-critica-pezao-e-diz-que-cabral-e-melhor-do-pmdb.htm

Anônimo disse...

Ao companheiro de 5 de dezembro de 2016 09:33

Acho que você não sabe oque é química.

Aqui vai reportagem da revista sociedade militar para maiores eclarecimentos e por gentileza Montedo se puderes publicar:

http://www.sociedademilitar.com.br/wp/2016/12/forca-tarefa-para-cuidar-de-corrupcao-nas-forcas-armadas.html

Anônimo disse...

É modismos. As práticas se dão desde Caxias.

Anônimo disse...

Corrupção é crime não importa os valores. Apenas acho que os valores mostrados como exemplos chegam a beira do ridículo. A empresa desviou 156 mil reais em material de limpeza e um dos militares recebeu 30 mil reais de propina. O maior desviou, o do CPEx, não chegou a 2 milhões de reais. Se compararmos com os envolvidos na Lava Jato (que ainda não foram condenados e talvez nem o sejam) e os valores envolvidos, os exemplos apresentados são troco para a cachaça do Lula.
concordo que sejam investigados e punidos, sem sombra de dúvida, foi crime. Além de ser uma ótima justificativa para a existência da Justiça Militar, tão questionada ultimamente.

Jailton disse...

Os exemplos citados na reportagem são minoria no processo e não representam o perfil dos militares que trabalham nessa área administrativa.
Os que se aventurarem por esse caminho, é questão de tempo para serem identificados.
Com a criação das Seções de Conformidade dos Registros de Gestão, as Forças Armadas iniciou-se um processo de lisura internar nas Organizações Militares, identificando com oportunidade indícios que poderão gerar oportunidades aos infiltrados na Força, que apresentam desvios de caráter e na moral.

Jailton

Anônimo disse...

Xiiiiiiii! E agora "josé"? Como fica aquela cerca "virtual" que custou 2 milhões de reais? E a piscina que só existe no papel?

Anônimo disse...

Quero uma comissão destas para analisar a promoção para QAO.

Principalmente quanto a transparência, nem o próprio militar sabe quantos pontos tem ou como a comissão distribuiu os 49 pontos dela ou, ainda, por qual motivo ela precisa distribuir pontos, principalmente 49, que representam um acréscimo de algo em torno de 40% de pontos. Não é merecimento é escolha.

Anônimo disse...

Se as medidas que desfiguraram o "kit anticorrupção" passarem no Senado, todo funcionário público que enriquecer ilicitamente ,não estará cometendo crime. Deveriam investigar também ,as inúmeras obras (muitas, desnecessárias) e as "obras extras" que ocorrem nos quartéis e fora deles neste Brasil afora, além das licitações onde empresas de parentes de militares costumam estar presentes.

Anônimo disse...

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/mpf-denuncia-caseiro-da-casa-da-morte-da-ditadura-militar.ghtml

Anônimo disse...

Ao anônimo 5 Dez 17:01, amigo entre na justiça e peça ao juiz para trazer para os autos toda a documentação das promoções dos últimos 5 anos e havendo irregularidades entre com processo contra a comissão, contra o Cmt do EB que é responsável por verificar se a Administração Militar esta agindo dentro da legalidade, só assim para que o EB tome vergonha e comece agir dentro da legalidade. A partir do momento que todos os ST/Sgt fizerem isso o EB com certeza será outro e irá dar valor ao pessoal, mas infelizmente todos só reclamam e não fazem nada por medo de represálias, não se esqueçam que represálias é assedio moral e cabe processo contra o Cmt que fizer isso.

Marco Balbi disse...

Mensagem que enviei ao jornal!
Quer aparecer?
Há sempre alguém querendo sair do anonimato surfando na onda das instituições mais confiáveis do Brasil: as Forças Armadas! Desta feita o Procurador Geral da Justiça Militar divulga com pompa e circunstância a criação de um núcleo de combate à corrupção. Segundo ele, as instituições militares não possuem estrutura para apurar os eventuais crimes cometidos pelo seu pessoal. O interessante é que a própria reportagem desmente o ilustre membro do MPM, apontando várias punições recentemente proferidas na última instância da justiça militar. Ademais todos os gestores têm suas contas submetidas ao controle mensal e anual, inclusive pelo TCU onde técnicos militares são treinados para atuarem na fiscalização. Desvios ocorrem e são apurados e julgados. Fique na sua eminente procurador!

Anônimo disse...

Eu tive a oportunidade de participar das Operações Arcanjo (Complexos Alemão e Penha) e São Francisco (Maré). Em especial na Maré, quem deu segurança jurídica e respaldo para a tropa atuar foi a Justiça Militar e o MPM. Os demais órgãos do judiciário e ministério público, tanto estadual quanto federal, eram contra o emprego das FFAA e deixaram bem claro, em todas as oportunidades. Toda ação das FFAA estava errada e sem respaldo, na avaliação daquelas autoridades. A partir de IPM abertos em razão de ações contra a tropa que foi possível obter mandados, ocupar lajes de casas em ações pontuais e outras medidas em prol do emprego tático. Porém, tem muita gente que há muito tempo só enxerga o Exército do PO "atrás do birô", daí acha que não precisa justiça militar. Não existisse e hoje teríamos Cb/Sd, Sgt e Of presos e pagando até as cuecas para advogados por ações tomadas em serviço.

Anônimo disse...

Se existe justiça militar:
-a promoção ao QAO deveria ser investigada.
- transferência, este ano quem foi transferido para Brasilia foi revogado, se não existia PNR, porque foram transferidos este ano. Qual o critério para movimentação, concorremos como. No serviço publico federal todos sabem a pontuação para transferência feita as claras.
- PNR, fila fictícia, o cidadão chega e sai da guarnição sem ocupar PNR.
- FUSEx, várias guarnições no Brasil não possuem convenio algum ou e ficticio, finge que tem.
- curso, não sabemos porque fomos preteridos.

Em resumo o que mais falta e transparência, fazem escondido e não aceitar apontar os erros ou possíveis QI (quem indica). Pronto existe ate proverbio militar sobre o tema.

Anônimo disse...

Tem muita gente na reserva que vai tremer!!!

Anônimo disse...

As investigações perpetradas contra os "altos coturnos" não são levadas a cabo. Primeiro, porque são investigadas sem lisura e de modo a colher um mínimo de indícios de prova para não comprometer o chefe ou companheiro, por exemplo, os casos de corrupção ocorridos no IME e amplamente divulgado pela mídia à época em que nenhum ex-comandante do IME foi punido. Segundo, porque não há uma polícia profissional (investigadores, delegados, escrivães, peritos) nas Forças Armadas para investigar os crimes contra a administração, que ao meu ver deveriam ser investigados pela própria Polícia Federal para haver mais isenção e menos ingerência das autoridades militares nos casos que eles mesmas correriam risco de serem indiciadas.
Como imaginar que um General, por exemplo, vá conduzir um investigações contra outro General em detrimento da "imagem das Forças Armadas"? Isso não ocorre, pois eles preferem abafar os casos de corrupção de alto escalão e apontar os canhões somente para os casos de crimes cometidos pelos militares de baixa graduação/patente...

Anônimo disse...

Vixe, danou-se!

Anônimo disse...

Excelente, que o MPM comece pela Engenharia de Construção, onde a roubalheira corre solta, é todo tipo de improbidade, nem precisa ir muito longe, só de 10 anos para cá, processos licitatórios fraudulentos, empenhos de contrato continuado em licitações já vencidas e não aditivadas, pregões realizados exclusivamente para fazer crédito e assim por diante. Vamos mostrar a opinião publica que o militar não é o politicamente correto nesse país como todos pensam, chega de embuste.

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