14 de dezembro de 2016

Estação antártica brasileira começa a ser reconstruída

Casa nova no gelo
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MARCELO LEITE
LALO DE ALMEIDA
ENVIADOS ESPECIAIS À ANTÁRTIDA
Começou nesta terça (13) a obra da nova Estação Antártica Comandante Ferraz, que será construída pela empresa chinesa Ceiec (Corporação Chinesa de Importações e Exportações Eletrônicas). A base custará US$ 99,6 milhões.
O projeto arquitetônico é do Estúdio 41, escritório de Curitiba que venceu concurso para escolher a estrutura da nova estação. Ela substituirá a que pegou fogo em 2012 (causando a morte de dois militares da Marinha Brasileira) e os módulos antárticos emergenciais (MAE) que compõem a base atual de operações.
Uma equipe precursora chinesa de 12 pessoas -gerente, tradutor, dois engenheiros e oito técnicos e operadores- desembarcou na enseada Martel, ilha do Rei George, na tarde de segunda-feira (12). A ilha fica perto da ponta da península Antártica, a parte do continente gelado mais próximo da América do Sul.
Já na manhã seguinte o grupo da Ceiec deu início ao trabalho. O gerente Jiao Yang percorreu o terreno com o chefe da EACF, capitão de fragata Rodrigo Kristoschek, no comando desde novembro.

Toda a conversa teve a mediação do tradutor Wang Teng, que se apresenta em português como Tiago. O propósito da caminhada era escolher o local em que será erguido o alojamento chinês de 33 m por 18 m, que precisa ficar pronto até o dia 22.

Em paralelo, outro engenheiro orientava um operador de retroescavadeira a erguer um pequeno barranco na praia de seixos. Ali será fixado o píer para atracação dos botes e barcaças que serão usadas para descarregar do navio Yong Sheng partes da estação fabricadas na China.
Dois mergulhadores brasileiros fizeram as medições de profundidade pedidas pelos chineses, a poucos metros da linha de maré. Vestiam macacões estanques conhecidos como "sapões".
A estação atual não conta com um atracadouro. Todo o desembarque é feito ou com botes (pessoas e bagagens) ou com chatas -pequenas embarcações para transporte de combustível e maquinário.
A chegada do cargueiro Yong Sheng está prevista para quinta-feira (15). Nele virão outros 53 contratados da Ceiec, entre eles dois cozinheiros, e todo o material necessário para a construção.
Nesta primeira fase da obra, que prossegue até o final do verão antártico, em março, haverá finalização apenas das fundações. A montagem do corpo principal da estação, com 4.500 m2 e 17 laboratórios, ocorrerá no verão 2017/18, quando até 90 chineses trabalharão na obra.

TRATADO
Nenhum país possui jurisdição sobre a Antártida, que com 14 milhões de km2 é quase do tamanho da América do Sul. O Tratado Antártico, de 1959, pôs em suspenso todas as pretensões territoriais e destinou o continente à pesquisa científica e à preservação ambiental.
Membros consultivos (com direito a voto) do tratado têm a obrigação de realizar estudos de alto nível na região. As pesquisas têm de ser aprovadas por um comitê científico internacional e, no caso do Brasil, contam com logística fornecida pela Marinha.
A estação é guarnecida por um time permanente de militares, o chamado grupo-base, quase sempre composto por 15 pessoas. Eles permanecem na base o ano todo.
Durante o inverno o "GB" fica isolado, pela impossibilidade de aproximação de navios após o congelamento da baía do Almirantado, onde fica a enseada Martel. O abastecimento é feito por fardos lançados em paraquedas por aviões Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira.
Todo o entorno da estação possui áreas protegidas, como aquelas cobertas por musgo. Além dessas plantas simples, só outras duas espécies vegetais são encontradas na Antártida, e só na costa do continente, onde também vivem aves, como pinguins, e vários tipos de foca.
O espaço disponível para a estação, assim, é restrito. Isso cria dificuldades para a obra, pois não sobra muito espaço para mover os vários contêineres espalhados pelo terreno, todo ele coberto de pedras e pedrisco.
Uma das primeiras providências será a derrubada do chamado "garajão". Nesse grande depósito estão guardadas no momento mais de 400 "marfinites", as típicas caixas de plástico branco resistente em que a Marinha transporta boa parte dos suprimentos para a estação.
"Que onça", disse o chefe Kristoschek, usando o jargão da Marinha para situações complicadas.
Os jornalistas Marcelo Leite e Lalo de Almeida viajaram de Punta Arenas até a Antártida a convite da Marinha
Folha/montedo.com

2 comentários:

Anônimo disse...

Por Favor!!!! nessa crise, gastar verba com uma base Inutil!!!

Unknown disse...

Ja vi pq postou como anônimo. Não sane o que falar, então cala a boca.

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