30 de janeiro de 2017

Crise faz dobrar procura pelo serviço militar entre jovens em SP

Nos últimos dois anos, dos cerca de 350 mil rapazes que se apresentaram obrigatoriamente, 10% queriam entrar para Exército, Marinha ou Aeronáutica
Isabela Palhares
SÃO PAULO - Grupo mais afetado pelo aumento do desemprego no País, muitos jovens deixaram de ver o alistamento militar como uma obrigação e passaram a enxergar nele uma opção diante da crise. No Estado de São Paulo, nos últimos dois anos, dos cerca de 350 mil rapazes que fazem anualmente o alistamento, 10%, ou 35 mil, queriam entrar para o serviço militar, em vez de serem dispensados. Até 2014, apenas 5% diziam querer ser convocados, segundo informações do Comando Militar do Sudeste.
Para o tenente-coronel Lúcio Ferreira de Medeiros, da 4.ª Circunscrição Militar de São Paulo, o aumento da procura está relacionado ao momento econômico. No terceiro trimestre do ano passado, o desemprego entre os jovens de 14 a 24 anos chegou a 27,7%, enquanto a taxa total foi de 11,8%, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
“É um aumento significativo para o Exército e, infelizmente, não temos condições de absorver muitos desses jovens”, disse Medeiros. Os incorporados têm 11 meses de estabilidade e recebem um soldo inicial de R$ 769. Em São Paulo, são 8,1 mil vagas para as três forças (Exército, Marinha e Aeronáutica) – considerando apenas os que querem entrar para o serviço militar, são quatro vezes mais interessados do que vagas.
Por causa da concorrência, Kauê Neves dos Santos, de 18 anos, iniciou há algumas semanas um treinamento para se destacar dos demais candidatos nos exames físico e médico. Ele fez o alistamento obrigatório no ano passado e enfrentará a primeira seleção para o serviço militar.
Santos fez curso técnico de Edificações na rede pública, mas ao se formar teve dificuldade para encontrar emprego. No último ano, só conseguiu “bicos” como segurança. Por isso, viu o serviço militar como opção de emprego e estabilidade. “O mercado de trabalho está muito difícil. Achava que a área de engenharia iria me assegurar um bom emprego, mas não encontrei nada. Então, pesquisei e conversei com muita gente que dizia que o Exército poderia me dar mais oportunidades.” Santos espera conseguir trabalhar na área de engenharia da carreira militar.
Segundo Medeiros, a maioria dos convocados após um ano tem interesse em continuar no Exército, mas há ainda menos vagas – cerca de 10% a 20% para cada organização militar. “Nós lamentamos porque dispensamos muitos jovens bons, com vontade de aprender mais. Mas sempre dizemos que os aprendizados do Exército servem e são valorizados em qualquer emprego ou carreira que seguirem.”
Natan Laudino, de 19 anos, conclui em fevereiro o primeiro ano de serviço militar na Aeronáutica. Ele disse que gostaria de continuar na carreira, mas, se não for selecionado, pensa em retomar o curso técnico de fotografia que parou quando foi incorporado. “Foi um aprendizado muito bom, vou levar para toda vida. Aprendi sobre respeito, trabalho em equipe e a mexer em armamento, sobreviver na selva. Experiências que todo menino gostaria.”

Tendência
Segundo Peterson Silva, professor de Relações Internacionais da Faculdade Rio Branco que foi pesquisador associado do Centro de Estudos Estratégicos do Exército em 2016, em outros países o serviço militar também atrai jovens em momentos de crise. “Estados Unidos e Reino Unido também registram variações que acompanham a economia. A carreira militar atrai pela estabilidade e pelo salário, como um concurso público. Para jovens de classe média e baixa, o serviço militar aparece como opção.”
Silva disse que muitos adolescentes também são atraídos por uma visão “romantizada”. “Muitos têm referências do que viram em filmes, querem mexer em armamento, fazer o treinamento físico. Outra benesse é que o Brasil não tem histórico recente de participação em conflitos, então não há o mesmo medo de ser militar como nos Estados Unidos.”
Amarílio Ferreira Júnior, pesquisador de políticas educacionais da ditadura militar pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), afirma que o aumento da procura também está relacionado a uma retomada do prestígio do Exército. “Esses jovens não viveram a ditadura, quando os militares eram temidos. Hoje, o Exército recuperou sua confiança com a sociedade. Os militares são vistos positivamente e, consequentemente, muitos querem fazer parte.”
Estadão/montedo.com

16 comentários:

Anônimo disse...

Realmente o exercito te dá uma oportunidade, entretanto depois de sete anos te dá um PNR (pé no rabo) e você sai com uma mão na frente e outra atraz.

3º Sgt/2013

Anônimo disse...

Também só continua existindo candidato nos concursos militares porque no Brasil não tem muita opções. Mesmo o tempo de serviço indo para 40 anos continuará tendo candidatos.

Daniel Camilo disse...

Para esse pessoal que quer entrar nas Forças Armadas só com propósitos financeiros, fica a dica: A vida é dura por lá. Meu primo trabalhava com o pai dele mas fez questão de servir ao Exército; só que é um rapaz folgado e não aceita conselhos de ninguém; muito menos dos Pais. No Exército, junto a maus amigos começou a aprontar. Já no 1º mês de recruta foi barrado por pilotar moto sem documento e sem estar habilitado: O pai dele foi chamado para conversar. No 2º agrediu um Sgt: Ficou detido. No 3º estava com fome e entrou na marra no rancho: Ficou preso e no 4º mês foi convidado a dar baixa. Agora, revoltado, quer se vingar do Exército matando qualquer um que aparecer fardado. Conclusão: Estragou sua vida.

Anônimo disse...

Participei de uma Seleção Complementar. 99,9% dos jovens voluntários ao serviço militar são de famílias humildes. Os que possuem um pouco mais de recursos não querem servir a Pátria. O forte hoje é o Ensino Superior na área de saúde e engenharia de alimentos. Na amazônia um enfermeiro com nível superior recebe R$ 14.000,00. No concurso da ESA do ano passado somente três do meu quartel realizaram a prova (um cozinheiro e dois pedreiros do P.O, nenhum foi aprovado). Comentam que a minoria de Cadetes são filhos de Oficiais de AMAN. A maior parte são filhos de praças e qao. Porque será?

Anônimo disse...

Os oficiais, independe de terem feito um concurso que exige 2° grau incompleto e ficarem 5 anos lá, que chegaram na tropa junto comigo são majores, ganharam 4 promoções, e eu "JÁ" sou 2° Sgt. Que baita valorização o EB nos dá a cada 8 anos. Sou tão grato. (Lembrando que aumentou 300 reais no pau da goiaba, pois subi a faixa de imposto, subiram os descontos de FUSEX, pensão militar e afins). Ainda perguntam o porquê da evasão e dos modernos chegarem de "costas" na tropa, papirando para "N" concursos, até para ganhar menos (se for possível).

Anônimo disse...

Não concordo com o 3º Sgt/2013. O camarada fica 7 anos e sai com 6 vencimentos brutos da graduação em que conseguir chegar. Isso definitivamente não é mão na frente e mão atrás.

3º Sgt/1988

Anônimo disse...

Quem serve em SP sabe que poucos recrutas tem interesse em realizar os concursos da EsSA e EsPCEx. É só conferir a origem dos aprovados nesses concursos onde raramente se vê algum paulista. A EsPCEx fica em Campinas e é muito desconhecida da sociedade paulista em geral. A galera de SP tem maior interesse em ingressar na USP e se for seguir a carreira militar, tentar ingressar na Academia de PM do Barro Branco, que lhe proporcionará um bom salário após a formação.

Anônimo disse...

Enfermeiro com curso superior ganhando R$14.000,00?? Tenho parente formado e a luta para ter um bom salário é árdua, além de muitos se recusarem ou ficarem enrolando para assinar a carteira de trabalho. Para conseguir chegar perto disso, só virando zumbi de tanto plantão. O jovem que tem condições na família de fazer uma faculdade particular, que hoje algumas são mais baratas que colégios de segundo grau, não querem servir ou fazer concursos militares na ilusão de que vão acabar a faculdade e logo ter um bom emprego ou passar em concurso concorrido com ótimo salário. Uma grande maioria se formam com nível péssimo e não conseguem emprego nem em nível médio. Conheço alguns que costumam fazer concursos até para nível básico. Dependendo do que ele fizer na área militar, logo que terminar o curso, vai ter um curso técnico, um salário razoável e pode se preparar para um futuro melhor com mais tranquilidade. É bom lembrar que alguns cursos técnicos militares já são considerados superiores pelo MEC. Consultem na pagina oficial do MEC.

Anônimo disse...

Ao Sr comentarista de 30 de janeiro de 2017 20:25. Isto é real. Recebem até mais do que o valor citado acima. Claro que no interior do Amazonas e Pará. Eles trabalham muito e arriscam a vida.

Anônimo disse...

Não é 14 mil é muito mais.
Veja a tabela de salários.
http://www.douradosagora.com.br/noticias/ciencia-e-saude/profissionais-de-saude-que-trabalham-com-indios-receberao-salarios-diferenciados

Anônimo disse...

A maior crise nesse caso é a crise de informação. Se soubessem o tamanho da perda do seu precioso tempo da juventude, entregue em troca de nada, não entrariam nessa furada.

Anônimo disse...

As exceções realmente existem: médico e enfermeiros com salário acima de dez mil. Também existem profissões em órgãos públicos com salários maiores, no entanto, isso custa muitos anos de estudos, incluindo uma faculdade,pós e /ou doutorado. Para o jovem de classe menos abastada, obrigado a servir, ainda vale ter um salário razoável e ter condições de pagar uma faculdade ou cursinho. Claro que depende de cada um, e, muitos só querem se divertir, gastar o tempo e dinheiro, sem nenhuma responsabilidade.depois ficam jogados na vida sem emprego ou "escravos" do salário mínimo, nas jornadas exaustivas do comércio.

Anônimo disse...

Ninguém quer ser militar, fato. Se entrar é porque só enxerga essa possibilidade, caso contrário vai ser PM, Bombeiro, trabalhar na prefeitura ou qualquer outra coisa.

Anônimo disse...

Para quem precisa de dinheiro e só encontra o serviço militar oferecendo dinheiro é obrigatório prestar o serviço militar.

Anônimo disse...

Por dinheiro, pois pagar uma escola particular é muito caro, então a solução é entrar no ensino público.

Anônimo disse...

Ninguém quer, todos vão pelo dinheiro, mas se alguém diz que não se importa com o dinheiro, então esse deveria trabalhar sem receber dinheiro.

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