25 de janeiro de 2017

A incrível história do piloto que derrubou seu próprio avião

F11F Tiger
Tom Attridge não foi vítima de um ataque surpresa, ele simplesmente estava no lugar errado na hora errada
Santiago Oliver
Em 21 de setembro de 1956, o piloto de testes da Grumman Tom Attridge foi derrubado. Balas que atravessaram a fuselagem e o canopy do seu F11F Tiger obrigaram o piloto a fazer um pouso forçado. O forte impacto com o solo destruiu o avião e Attridge fraturou uma perna e três vértebras.
Inicialmente, as bocas dos quatro canhões de 20 mm do novo caça Gruman estavam próximas às entradas de ar, por isso as cápsulas vazias e as cintas das balas eram ejetadas arranhando a pintura e até amassando a fuselagem. Para eliminar esse problema os canhões foram recuados e, enquanto as cápsulas eram ejetadas para longe da aeronave, as cintas eram armazenadas.
Em uma missão para testar o novo sistema de armas do jato supersônico, Attridge disparou uma série de rajadas, aumentou seu ângulo de descida e disparou mais um pouco. Mas, quase um minuto depois de disparar a primeira rajada, ele foi atingido por projéteis – os seus.
Sabemos sem dúvida nenhuma que isso realmente aconteceu, por isso é inútil especular se um avião poderia realmente se derrubar. Mas, no espírito da investigação científica, é interessante analisar como tal fato – considerado como "um em um milhão" – aconteceu, é ciência pura.

Trajetória e trigonometria
Graças aos relatórios muito detalhados sobre o evento, sabemos exatamente o que aconteceu naquele dia. Sabemos que Attridge disparou suas balas a 13.000 pés (4.000 m) e foi atingido a 7.000 pés (2.100 m). Sabemos que seus projéteis saíram dos canhões a mais de 2.000 km/h e que o Tiger F11F ele estava pilotando estava em voo supersônico, a aproximadamente 1.300 km/h.
Você pode perceber que a velocidade das balas era muito superior à do avião, o que significa que não havia nenhuma maneira das trajetórias se cruzarem. Mas depois de alguns quilômetros, os projéteis diminuem significativamente sua velocidade (se você já assistiu “Caçadores de mitos” disparando balas na água, sabe o que quero dizer). Na verdade, pelo que sabemos, os projéteis que atingiram o avião deviam estar viajando à mesma velocidade (ou até mais devagar) que o avião no momento do impacto.
Pelos relatórios, também sabemos que antes de ser atingido, o avião voou em linha reta por cerca de 11 segundos, em um mergulho mais íngreme do que quando foram feitos os disparos. Se o avião estava mantendo 1.300 km/h, significa que Attridge cobriu uma distância de aproximadamente 4 km durante aqueles segundos. Então, basicamente, temos um triângulo perfeito, que nos permite desenterrar nosso velho amigo Pitágoras. Utilizando o famoso “teorema de...”, temos que Attridge cobriu uma distância horizontal de 4.000 m, durante um mergulho de 1.900 m.
Tudo o que temos que fazer agora é ver se as balas poderiam cobrir essa distância naquele tempo. Conhecendo todos os números do relatório, podemos “chutar” a trajetória das balas. Podemos supor que se os projéteis (que além do mais têm uma trajetória curva) diminuíram a velocidade até talvez 50% a 60% da velocidade do avião (a combinação entre resistência do ar e força da gravidade é coisa séria), elas poderiam ter percorrido entre 3.800 m a 4.200 m no tempo entre elas terem sido disparadas e atingindo o avião –, a mesma distância voada por Attridge. Em outras palavras: sim, um avião pode ser abatido por suas próprias balas.
Vamos conferir, o que o relatório oficial concluiu? Ele diz que as balas diminuíram a velocidade o suficiente para atingir Attridge durante seu mergulho a aproximadamente 4.000 m de distância, como nós calculamos. Ciência pura.
Quanto à natureza "uma em um milhão" deste evento, Attridge também reconheceu a física em jogo. Se você estiver voando e mergulhar na mesma trajetória em que você disparou, isso poderá acontecer novamente. Ele chegou a dizer: “Às velocidades a que estamos voando hoje (atirar em si mesmo) poderá ocorrer a qualquer momento”.
AeroMagazine (UOL)/montedo.com

2 comentários:

Anônimo disse...

Procurando novas oportunidades?

Mulheres criam agência de empregos só para trans e travestis

por Ancelmo Gois
25/01/2017 08:45

Agência de emprego trans
Quatro mulheres criaram, no Recife, a Monalisa, uma agência de empregos só para... trans e travestis.
É que muitas recorrem à prostituição para sobreviver por causa da dificuldade de entrar no mercado de trabalho. A agência também oferece capacitação para empresas que queiram ser mais inclusivas. O cadastro está aberto para todo o país.

SAUDAÇÕES TRICOLORES disse...

A atividade militar e suas curiosidades kkkkkkkkk
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Muito interessante o relato, mas ele não é único na história da aviação naval:
.
Numa história um pouco diferente, outro piloto de testes da Grumman conta como foi “abatido” por seu próprio míssil (um AIM-7E-2 de manejo !!!): link pro extrato da revista – http://www.ejectionsite.com/F-14%20SHOOTDOWN.pdf (em inglês)
Resumindo a história, em 30 de junho de 1973, Pete Purvis, partiu de Point Mugu em direção ao Pacific Missile Test Range, pilotando o protótipo nº 6 do indefectível F-14 Tomcat. Ele e seu RIO (radar intercept officer) Bill “Tank”Sherman, ambos veteranos da aviação naval no vietnã, iriam justamente testar separação de armas da fuselagem, que é a capacidade do míssil de deixar a posição de transporte no avião, em segurança, para iniciar o vôo em direção ao alvo. Ocorreu que os técnicos da Raytheon (fabricante do Sparrow) escolheram instalar uma carga propelente menor no míssil de manejo para evitar a destruição da fuselagem do míssil, que tinha uma espessura menor que os outros modelos.
No momento certo do teste, após disparar a arma, o piloto ouviu um barulho maior do que o esperado. Ao ver, de “rabo de olho” o míssil passar abaixo de sua fuselagem esquerda, pensou automaticamente: “aposto que deixou detritos no motor esquerdo...”, logo após, começou a ver, no painel do caça, as luzes de aviso se acendendo como uma máquina de pinball...
Em questão de segundos, as medidas de emergência falharam, uma a uma e o nariz do Tomcat virou repentinamente para cima, num movimento de 10G, forçando o piloto à posição fetal. Foi aí que ele percebeu que não estava mais no controle da situação. Seu RIO acionou os controles de ejeção. O que se seguiu foi o sanhaço clássico de uma ejeção por perda de controle da direção da aeronave.
Após uma hora entre a entrada na água, serem resgatados e voltarem à base, assim que tocaram o solo, foram tomados pela natural tremedeira, e extrema dificuldade em falar, de uma situação como essa, o que resolveram com quatro doses de Brandy.
Mas uma das amenidades dos aviadores navais é a capacidade de permanecer incólume aos sanhaços; “eu prefiro morrer a ficar mal na foto” é um dos princípios da doutrina não oficial dos aviadores navais americanos. Naquela mesma noite, Pete e Bill tinham um desafio de boliche agendado e pra manter as aparências, não poderiam faltar; conta-se que nenhum deles deixou a bola cair nos pés...

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