31 de janeiro de 2017

No Vietnã, turistas entram em túneis da guerra e atiram com fuzis AK-47

Marcel Vincenti
A Guerra do Vietnã terminou em 1975, mas, no país asiático, turistas ainda podem interagir com os resquícios deste que foi um dos mais sangrentos conflitos do século 20.
A cerca de 50 quilômetros da Cidade de Ho Chi Minh (a antiga Saigon) se localizam os chamados Túneis de Cu Chi, um dos principais testemunhos da bem-sucedida guerrilha que combatentes vietnamitas empreenderam contra a presença dos Estados Unidos em seu solo nos anos 60 e 70.
Trata-se de uma rede com mais de 120 quilômetros de claustrofóbicos túneis e galerias construídos sob uma área de florestas no sul do Vietnã, na qual os vietcongues (guerrilheiros que defendiam o ideal socialista do Vietnã do Norte contra os americanos) estocavam armas, curavam seus feridos, se escondiam de bombardeios promovidos pela força aérea dos EUA e preparavam emboscadas mortais contra soldados ianques que estavam em terra.
Com a companhia de guias locais, os turistas podem entrar nestes buracos e caminhar entre suas opressivas e úmidas paredes de terra.
As vias subterrâneas ganharam alguma estrutura para receber os forasteiros (como uma parca iluminação elétrica e saídas de emergência, caso alguém passe mal lá dentro). Mesmo assim, é impossível não se surpreender com a constatação de que pessoas viveram como formigas dentro destes túneis por anos a fio, enquanto planejavam matar e tentavam não morrer.
"É um tour que vale a pena", diz a turista australiana Stephanie Lee, que visitou os túneis de Cu Chi em janeiro deste ano "Você realmente consegue ver como os vietnamitas lutaram durante a guerra, tentando sobreviver enquanto combatiam os soldados americanos. Use a lanterna do seu celular no caminho, que vai te ajudar a ver melhor e se mover mais rápido através do túnel".

Armadilhas e "ratos de túnel"
Toda a área que rodeia os túneis de Cu Chi foi palco de intensos combates durante a Guerra do Vietnã. Antes do passeio começar, os guias costumam mostrar um vídeo que explica a história do conflito e as táticas de guerrilha usadas pelos vietcongues contra os americanos.
Isso incluía ataques relâmpagos realizados a partir dos túneis (cujas portinholas de saída para a superfície sempre se encontravam camufladas na mata) e a montagem de armadilhas que mais lembram métodos para capturar animais selvagens na floresta: uma delas, que ainda pode ser vista pelos turistas, consiste em um buraco recheado de longas estacas de madeira, que atravessavam o corpo do soldado inimigo desavisado que caísse ali.
Os ataques que partiam dos túneis causaram tantas baixas entre os americanos que, durante a guerra, os Estados Unidos selecionaram militares corajosos para, armados apenas com facas, pistolas e lanternas, entrar nestes túneis, tentar matar vietnamitas que estivessem lá dentro e plantar explosivos para destruir estas estruturas subterrâneas. Estes homens ficaram conhecidos como "tunnel rats" ou "ratos de túnel".
Era uma empreitada de perfil quase suicida, que, não raro, acabava com a morte do soldado americano.
Nos dias de hoje, muitos dos vietnamitas chamam esta conflito de "Guerra de Resistência contra a América" e se orgulham de ter, no fim das contas, feito os americanos voltarem para casa sem atingir seu grande objetivo no confronto, que era impedir que o Vietnã do Sul (cujo governo era alinhado com os Estados Unidos) fosse dominado pelo Vietnã do Norte e seu regime socialista (o que aconteceu em 1975).
Alguns troféus desta vitória ainda são visíveis na superfície dos túneis de Cu Chi. Um dos mais famosos deles é um tanque de guerra usado pelos EUA completamente destruído, que hoje enferruja, melancolicamente, cercado pela selva vietnamita.

Por 20 dólares, sente o dedo no gatilho
A poucos minutos da região dos túneis subterrâneos, os turistas têm a chance de ter uma experiência que se aproxima ainda mais da realidade da guerra. Na área existe um tosco campo de tiros onde, por cerca de 20 dólares (R$ 63), o viajante pode sentar o dedo no gatilho de um rifle de assalto.
O preço dá direito a 10 tiros, que podem ser disparados com uma AK-47 (arma usada pelos vietcongues) ou com um M16 (rifle que carregavam tropas americanas na Guerra do Vietnã).
A estrutura do lugar é precária: as armas ficam acopladas a um muro de cimento dilapidado e mal é possível ver as superfícies atingidas pelas balas. Para completar, alguns instrutores oferecem mais projéteis para o turista em troca de uma pequena propina. Porém, a experiência diverte muita gente (veja mais no vídeo abaixo).
SERVIÇO
Maior metrópole do Vietnã, a Cidade de Ho Chi Minh é o melhor lugar de onde organizar o tour até os túneis de Cu Chi. Diversas agências turísticas que operam na cidade realizam o passeio, que geralmente inclui o transporte até os túneis, os serviços de um guia e o ingresso a este sítio histórico.
A Buffalo Tours e a Urban Adventures são duas das empresas mais famosas neste mercado.
Não há voos diretos entre o Brasil e o Vietnã: antes de chegar ao país asiático, é preciso fazer escala em aeroportos de locais como Alemanha ou Dubai. Brasileiros precisam de visto para entrar em território vietnamita. Para saber como consegui-lo, entre em contato com a representação diplomática do Vietnã no Brasil.
Embaixada da República Socialista do Vietnã
SHIS QI 05 Conjunto 14 Casa 21
71615-140 Brasília-DF
UOL/montedo.com

Um comentário:

Anônimo disse...

Os gringos sofreram, com toda a tecnologia, dinheirama, poder bélico e arrogância. Saíram com o rabo entre as pernas, vencidos pelos magrelos e persistentes vietnamitas.

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