15 de janeiro de 2017

Medo da Rússia gera maior mobilização militar dos EUA na Europa desde o fim da Guerra Fria

Qual objetivo da Otan com a maior mobilização militar dos EUA na Europa desde o fim da Guerra Fria
BBC
Os moradores do local saíram às ruas para assistir o "espetáculo": um grande comboio militar americano passando, cruzando a fronteira alemã até a Polônia.
O comboio chegou nesta semana e é a primeira parte de uma operação da Otan que inclui mais de 3 mil soldados americanos, centenas de tanques e veículos blindados, além de armamento pesado, para fortalecer os países aliados na Europa Oriental.
A viagem do comboio começou em Fort Carson, no Estado americano do Colorado, e acabou em uma base de Zagan, na Polônia, onde os soldados foram recebidos pelos moradores da cidade neste sábado.
Os poloneses querem a presença dos americanos no país pois, de acordo com eles, vai enviar uma mensagem ao governo da Rússia.
"(A presença dos americanos) Indica que estamos prontos para qualquer coisa. É uma operação militar normal para defender nosso país, nossas famílias e para defender o mundo", disse à BBC Jaroslaw Mica, general de brigada do Exército polonês.
O contingente é parte da resposta do presidente americano, Barack Obama, aos aliados do país que fazem parte da Otan e estão preocupados com as recentes medidas tomadas pela Rússia.
A Rússia, por sua vez, não aprova a mobilização.
O porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitry Peskov, disse à BBC que a medida "ameaça nossos interesses e nossa segurança".
"É um terceiro país que está reforçando sua presença militar em nossas fronteiras na Europa. Nem sequer é um país europeu", afirmou.
O vice-chanceler russo, Alexei Mechkov, afirmou que esta mobilização é "um fator para desestabilizar a segurança europeia".

'Necessário'
Mas para a Polônia a chegada da Otan ao país era algo necessário, como afirmou o subsecretário de Estado para a Defesa Tomasz Szatkowski.
Para Szatkowski esta mobilização era necessária devido aos "enormes exercícios militares" da Rússia perto da fronteira polonesa e suas "ações agressivas em nossa vizinhança, ou seja, Ucrânia, e a anexação ilegal da Crimeia".
O plano é que as forças da Otan mudem de país a cada nove meses. Os outros países envolvidos nesta operação são Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Bulgária e Hungria.
Em abril um segundo contingente americano deve chegar e ficará no leste da Polônia.
O comboio que chegou à Polônia na quinta-feira deve ficar na base de Zagan até o fim de 2017 e o contingente que chegará depois será enviado para toda a região.
Estas tropas americanas devem realizar exercícios militares nos países Bálticos.

Dúvidas
Apesar de o Exército americano estar sendo recebido de braços abertos na Polônia, muitos duvidam que a missão realmente vai durar.
O presidente Obama está prestes a passar a presidência para Donald Trump, que deu sinais de que deseja melhorar sua relação com Moscou.
E, por isso, há dúvidas de que a postura militar dos Estados Unidos continuará sendo a mesma ou se os soldados que estão chegando agora à Polônia vão voltar logo para casa.
"Não esperamos isso. Estamos concentrados nesta missão aqui e agora, e estamos muito orgulhosos de estar aqui", disse à BBC o coronel do Exército americano Christopher Norrie.
"Os soldados estão muito orgulhosos de estar aqui, a formação é extraordinária, muito forte. (A operação) Está avançando muito bem e vamos seguir comprometidos com isto, porque é importante", explicou o militar.
E os americanos não são os únicos a reforçar a Otan no leste da Europa. A Grã-Bretanha já enviou aviões de combate para o Mar Negro e um batalhão de soldados, tanques e armamentos leves será enviado para a Estônia nos próximos meses, que contará com o apoio de soldados franceses e dinamarqueses.
A Alemanha também está planejando enviar tropas e tanques para a Lituânia.

Ações 'perigosas'
A Otan não acredita que possa ocorrer uma guerra com a Rússia, mas a organização está tomando estas medidas de reforço depois de uma série de ações consideradas "perigosas" na região.
A Rússia também está reforçando sua presença militar no leste europeu.
Na Polônia e outros países da região a cautela aumentou depois que o governo russo mobilizou há alguns meses seus mísseis Iskander de curto alcance em seu enclave em Kaliningrado, na fronteira entre a Polônia e a Lituânia.
Esta medida, segundo o Departamento de Estado americano, está "desestabilizando a segurança europeia".
É provável que nos próximos meses apareçam mais detalhes sobre a estratégia futura do governo dos Estados Unidos para a Otan.
Por enquanto, assim como disse o chanceler polonês, Witold Waszczykowski, se Donald Trump decidir chegar a algum acordo com Vladimir Putin, eles esperam que esta reconciliação "não aconteça às custas da Polônia".
UOL/montedo.com

3 comentários:

Anônimo disse...

Conversa fiada de "ameaça russa". O que os poloneses querem são os milhões de dólares que virão juntos com os soldados e bases americanos para território polonês.

E o que os burocratas - de farda e sem farda - da OTAN querem é manter suas boquinhas, invocando o novo "bicho-papão" do momento, o Putin.

A melhor coisa que Trump poderia fazer é, no seu primeiro dia, assinar uma ordem executiva determinando a saída de todo pessoal militar americano da Polônia e dos países bálticos. Mas duvido muito que ele tenha culhões o bastante para isso.

Anônimo disse...

Na iminência de ter recursos diminuídos, os russos são sempre uma boa opção como inimigos.

Anônimo disse...

De vez em quando é até bom um "pirracento", como o Trump, fazer e dizer umas loucuras.
A ONU está ineficiente, pelo menos é o que percebemos, e só tem autoridade para os fracos, sem armas atômicas. Quero ver agora como vai se comportar o baixinho louco da Coréia do Norte e as ameças do Irã e China.

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