17 de janeiro de 2017

Forças Armadas e democracia

Nunca na história brasileira os militares estiveram tão afastados da política partidária. E isso é bom para as Forças Armadas e para o Brasil
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Marco Antonio Villa
A República nasceu de um golpe militar. Desde então a participação castrense na cena política brasileira foi constante. Na República Velha tivemos rebeliões na Escola Militar, as revoltas tenentistas de 1922 e 1924, a Coluna Prestes, sem contar pequenos incidentes entre os militares e os governos civis. Veio a Revolução de 1930, onde, apesar da liderança civil (Getúlio Vargas), a ação dos militares foi determinante. A década de 30 foi recheada de choques armados em maior ou menor proporção: 1932, 1935, 1937 e 1938. Getúlio Vargas, que chegou ao poder pelas mãos dos militares, será por eles derrubado em 29 de outubro de 1945. Na década seguinte, as Forças Armadas se transformaram em verdadeiro partido político, com suas facções e seus líderes.
A queda de Vargas, em 1954, teve nos militares os principais agentes daquele processo. Em 1955, em novembro, em meio à turbulência castrense, o Brasil teve três presidentes da República: Café Filho, Carlos Luz e Nereu Ramos. No quinquênio juscelinista houve duas tentativas de golpe: Jacareacanga e Aragarças.
A década de 1960 transformou as Forças Armadas no principal ator político. Em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros, o País esteve à beira da guerra civil, até a posse de João Goulart. E a ação dos militares foi central. Três anos depois – e aí, pela primeira vez na nossa história – a intervenção na cena política não foi de curta duração. O que se imaginava como algo provisório – aguardando a eleição presidencial de outubro de 1965 – acabou se transformando em duas décadas de presença castrense no coração do governo republicano.
Durante o regime militar, cinco presidentes se revezaram (Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo), além de uma breve Junta Militar (setembro-outubro de 1969). Nunca tantos militares exerceram funções ministeriais. Suas atribuições constitucionais foram deixadas de lado. A política tomou conta das três Armas.
Com a redemocratização (1985), abandonaram a participação direta na política. E a Constituição de 1988 reservou às Forças Armadas (art. 142) o papel que numa democracia cabe a elas. Nunca na história brasileira – e lá se vão mais de trinta anos – os militares estiveram tão afastados da política partidária. E isso é bom para as Forças Armadas e para o Brasil.
Época/montedo.com

16 comentários:

Anônimo disse...

Na verdade as FAs sempre se acomunou com os poderosos em troca de boquinhas e jogou contra o povo e seus subordinados! Detalhe fechou os olhos para grandes roubalheiras, assim como está acontecendo agora!

Marcelo Carvalho disse...

Não é papel constitucional das FFAA fiscalizar roubalheira. O povo não sabe votar, é esse mesmo povo é que se acomuna com o governo em troca de boquinhas. Como sempre, o brasileiro quer terceirizar a culpa de seu analfabetismo político.

Anônimo disse...

E a inteligência respeito papel constitucional, garantias individuais, desde de quando? Cabresto isso sim, para garantir as mordomias da casta!

Anônimo disse...

Perfeito!

Anônimo disse...

http://revistapegn.globo.com/Negocios/noticia/2017/01/aeronautica-pretende-privatizar-gestao-de-rede-de-telecomunicacoes.html

Anônimo disse...

Com as Forças Armadas não existe democracia, existe demagogia, por parte do governo. isso só vai acabar quando os militares fizerem uma ameaça de rebeldia, como os policiais.

Anônimo disse...

http://epoca.globo.com/politica/expresso/noticia/2017/01/meirelles-recorre-jatinhos-da-fab-alegando-motivo-de-seguranca.html

Anônimo disse...

http://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2017/01/mototaxista-e-preso-apos-assaltar-cabo-do-exercito-na-zona-sul-de-teresina.html

Anônimo disse...

http://www.campograndenews.com.br/artigos/criptografia-de-arma-de-guerra-a-pilar-da-sociedade-moderna

Anônimo disse...

Os " Tenentes " sempre tiveram envolvidos com a política e a história brasileira, basta verificar a nossa história. Nossos oficiais eram intelectuais, via de regra, de famílias abastadas, tinham " berço ".

Hoje, sem comentários!

Mas, como chegamos a este ponto?

A Constituição de 1988 foi concebida para tornar o militar uma espécie de cidadão de 2ª classe e os nossos Generais se encarregaram do resto, com a política salarial e profissional ( Regulamentos e Portarias).

Quer acabar com uma classe? Tire o seu poder aquisitivo.

Os militares das FFAA não conseguem frequentar mais as "altas rodas" da sociedade, ter contato com a "nata da sociedade", pessoas de grande influência.

O soldo de um Coronel ou General lhes permitem frequentar apenas os Clubes Militares.

Um oficial das FFAA não tem capacidade financeira de frequentar locais onde outros servidores públicos frequentam ( PRF - AGU - TCU - MPF e outros), com isso perderam o contato com a alta sociedade, com o poder.

Isso tudo explica toda narrativa desta matéria: "Nunca na história brasileira os militares estiveram tão afastados da política partidária. E isso é bom para as Forças Armadas e para o Brasil"



Anônimo disse...

Não tenho o costume de reclamar, política pessoal, mas vou levantar umas questões.
Bom para as Forças? até que ponto? durante a transição até os dias atuais a tropa e seus familiares sofrem para sustentar a operação das Forças. Vivemos com migalhas. Se o soldo dos altos coturnos- Generais- ainda fossem vinculados a tropa estaríamos sofrendo com a falta de salários? Façam como as Policias Militares de diversos estados, grande parte não tem viaturas p rodar, mas ganham 3 vezes mais. Estou inteiramente desestimulado. Falo somente por mim. 1° Sgt Inf

Anônimo disse...

É o povo em armas, nem melhor, nem pior!

Anônimo disse...

Qualquer pmzinho de quinta categoria mete a mão na boca de of e sgt e fica por isso mesmo e ainda abrem proc adm para ferra o militar do eb, mas quando sabem de fofocas contra esses militares aí as s2 instalam câmeras para vigiar dia e noite! Ou seja bater em quem está de mãos atadas e muito fácil! Sistema maldito nem importam com seus mortos, por isso só afunda!

Anônimo disse...

mais um "historiador" que aparece...coluna prestes foi militar????

pelo amor de Deus.

Léo disse...

Parabéns ao amigo que escreveu o lúcido Texto dia 17, às 11:52 horas.Parabéns! Caso me permita, faço uma pequena observação.Os Generais-de-Exército ,todos, e alguns de Divisão,têm plenas condições financeiras,sim,de frequentar e frequentam as rodas da alta sociedade.A questão maior,com relação a eles, é outra.O amigo sabe,por exemplo, onde foi trabalhar o antigo comandante do Exército, Gen Albuquerque,logo que deixou o comando? Sabe? Quem está fudida é a tropa,amigo.Fudida e muito, mas muito e muito mal paga!!! O CMT do EB,só para o amigo ter idéia, todo mês,a cada mês,devolve dinheiro aos cofres públicos,pois a somatória dos seus minguados vencimentos,em junção com a gratificação de comando do exército, passa do teto.Entendeu,amigo?Quem não tem a menor condição sou eu,amigo.Eu!!!

Léo disse...

O repórter jamais vai entrevistar uma praça ou um oficial da reserva cujas convicções divergem,e muito, diametralmente,do que ele afirmou.Estamos à deriva...E até já esquecemos que o pilantra do Paulo Bernardo,ex-ministro do Luladrão,marido da senadora petralha,Gleisse Hoffmann ( que nome,hein?) Montou,segundo a Polícia Federal e o Ministério Público federal brasileiros uma organização criminosa para desviar( saquear) e desviaram a bagatela de R$ 100,100,100 milhões de reais da gente.Funcionários e servidores públicos federais fudidos e mal pagos que,a cada ano, recorrem aos empréstimos consignados dos bancos que são os verdadeiros agiotas legalizados.Foi bom para quem, Marco Antônio Villa ?

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