3 de janeiro de 2017

Documento revela que Exército temeu terrorismo no país em 1991

Na avaliação dos militares, Guerra do Golfo poderia motivar ações no Brasil

Trecho de documento do Ministério do Exército demonstra preocupação com atentados terroristas
Foto: Reprodução
FRANCISCO LEALI
BRASÍLIA - Cinco anos após aprovação da Lei de Acesso à Informação, o Comando do Exército, que responde pelo maior volume de documentos classificados no Poder Executivo e vinha impondo restrições à liberação do acervo mais antigo, já admite revelar parte dos seus segredos. Desde a edição da lei, pelo menos 30 registros ultrassecretos tornaram-se públicos. Protegidos por 25 anos, boa parte dos documentos contém informações burocráticas. Mas há algumas pérolas. Uma delas tem só três páginas e resume diretriz emitida pelo então Ministério do Exército em 1991. Havia eclodido a Guerra no Golfo e pairava o receio de que ações terroristas pipocassem mundo afora, inclusive no Brasil.
Liberado pelo Exército a partir de pedido via Lei de Acesso, o documento foi tarjado em alguns trechos, incluindo o nome da autoridade que o assina. Mas ali está expressa a preocupação clara dos militares que, por determinação do então presidente da República, Fernando Collor, queriam se preparar para prevenir ou até mesmo reagir a ataques terroristas. Segundo o texto, a diretriz ministerial tinha o objetivo de “prevenir, neutralizar ou minimizar os efeitos de virtuais ações terroristas contra edificações e pessoas, nacionais ou estrangeiras, no território brasileiro ou contra missões diplomáticas do Brasil, em face do conflito no Golfo Pérsico”. (Leia a íntegra do documento sobre o alerta sobre terrorismo)
Há um item cujo título é “reflexos do conflito para o Brasil”. O texto de apenas uma linha, no entanto, foi tarjado, como também o que lista os órgãos envolvidos com o tema no Brasil. Logo abaixo, a missão definida pelo comando do Exército está exposta: “manter um efetivo especializado em condições de atuar face eventuais necessidades de emprego nos trabalhos de proteção física aos alvos dos atentados; planejar e executar, mediante ordem, medidas de resposta armada às ações perpetradas, se for o caso de desdobramento da situação de segurança pública para segurança da nação”. A diretriz incumbiu o Comando de Operações Terrestres do Exército (Coter) de manter um efetivo em condições de atuar e reagir a atentados terroristas.
No meio dos documentos ultrassecretos, liberados após vencimento do prazo de proteção, há ainda um minucioso plano de deslocamento de 385 militares, todos armados, em 122 viaturas do Batalhão Barão de Capanema no Rio de Janeiro até Porto Alegre. Com 49 páginas, o documento de agosto de 1988 mostra como o Exército prepara-se para enviar uma tropa a um exercício de “concentração estratégica”.
Na época, a operação era organizada pelo Comando Militar do Sul. Em 1992, o mesmo batalhão foi acionado para atuar na proteção da reunião de cúpula sobre meio ambiente no Rio; há dois anos atuou na segurança da Copa do Mundo.

SIGILO RENOVADO ATÉ 2038
O plano divide o trajeto até Porto Alegre em cinco etapas e indica os pontos de parada. Foi dada orientação expressa para que oficiais, subtenentes e sargentos viajassem com armas carregadas em todo o percurso.
Os documentos divulgados pelo Exército são uma parte do acervo de ultrassecretos — o mais alto grau de sigilo previsto na legislação brasileira — que poderiam estar abertos ao público. Em 2014, quando foi enviado ao comando o primeiro pedido de informação, via Lei de Acesso, sobre quantos eram os registros ultrassecretos que, passados 25 anos, já tinham sido desclassificados, alegou-se, na primeira resposta, que o pedido era genérico. Essa justificativa costuma ser um dos argumentos para rejeitar pedido de informação.
O processo tramitou por mais de um ano, até que, após entendimentos com a Controladoria Geral da União (CGU), o Exército informou que havia desclassificado um total de 78 documentos. Ao receber o pedido para liberar acesso aos papéis, o Comando considerou que era necessário reavaliar a decisão de desclassificação de parte da papelada. Assim 36 documentos tiveram o sigilo renovado automaticamente pelo próprio Exército por mais 25 anos. A Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI) concordou com o Exército, reconhecendo que os documentos produzidos entre 1988 e 1990 ainda precisavam ser preservados. Assim, os papéis só serão conhecidos a partir de 2038.
O Globo/montedo.com

9 comentários:

Anônimo disse...

Se a imprensa souber quais documentos são gerados pelos sistemas de inteligência, quantas violações aos direitos individuais! Sujiro a todos companheiros entrarem com ações para verificar todos os informes a seu respeito, verás que existe um grande circo armado contra se, sem te darem o direito de resposta, ou seja atos criminosos contra a pessoa humana! A maioria contra praças que pensam diferente que o cmdo e ainda têm companheiros que ajudam o cmdo na execução desses crimes contra as garantias individuais!

Anônimo disse...

como assim caarada das 3 de janeiro de 2017 09:30?

não entendi.

Garivaldino Ferraz disse...

O "cumpanhêru" das 09:30 ainda é daqueles que não se deram conta que o eventual acompanhamento de supostos procedimentos de militares que contrariem as regras é atribuição da "seção de pessoal" - S1, E1, SG-1. As atividades de Inteligência até podem ser utilizadas para confirmação do que for detectado pela Seção de Pessoal, mas dificilmente vão desgastar-se fazendo "circo armado". Informe-se melhor sobre as atividades da Seção de Inteligência de sua OM, parceiro!

Anônimo disse...

Como tem melancias na nossa Instituição. Geralmente são os que dão golpe na escala, em formaturas, missões e vivem reclamando no alojamento. São os que não papiram nos cursos e depois se dizem vítimas dá Instituição. Infelizmente nossa Força tá cheia desses melancias comedores de pão com mortadela.
Dê minha falta

Anônimo disse...

É ilusão que o Exercito vai fornecer mediante requerimento uma informação que irá complicá-lo.

Há casos de militares que foram contra-indicados para promoção a QAO, quando descobriu que existia uma informação não verifica em sua ficha. Muitos acham que não são promovidos por não terem "mérito", mas não é verídico e ficam anos esperando promoção que não vem, tem Subtenente da turma de 1987 aguardando promoção e já serão promovidos militares da turma de 1992.

Outro fato interessante é que a solução de reconsideração de ato é genérica e muitas vezes não respondem aos questionamentos feitos pelo interessado, somente reproduzem aquilo que lhes interessam e desconsidera o restante, de forma de quem lê entende que o interessado está criando caso desnecessariamente, forçando o interessado a entrar com ação judicial.


Como não possui transferência na administração pública o jeito é se adaptar a ela, vai ficar do jeito que está por um milhares de ano. Salve-se quem puder.

Anônimo disse...

http://m.cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/hora-de-expediente/2017/01/02/MILITAR-E-ELEITA-A-PIOR-PROFISSAO-DE-2017.htm

Anônimo disse...

https://www.conversaafiada.com.br/brasil/kakay-deposita-os-mortos-de-manaus-no-stf

Marcelo Carvalho disse...

São os "advogados" que cursaram a faculdade pagando SV e depois ficam azucrinando a vida dos superiores, revoltados por não terem a coragem moral de pedir baixa.

Anônimo disse...

Quartel, fábrica de produzir documentos, muita informação e pouca ação. Mesmo na era da informática. Já passei por setor administrativo e ficava "P" da vida quando cobravam, de novo, estatísticas, relatórios, etc, que eles já tinham e faziam questão de receberem nos prazos estipulados. Geralmente essas cobranças vinham logo após alguma reunião de altas autoridades, nas sedes regionais e, aos 49 minutos do segundo tempo na sexta feira.Eles tinham tudo lá, em alguma gaveta de algum chefe, porém, era mais cômodo cobrar de alguém. Aí, ficava depois do expediente correndo para um lado e outro para mandar via internet os pedidos. E não adiantava dizer que eles já tinham lá. Tinha sido enviado via malote e internet. Os caras queriam receber no PC deles.Uma semana depois, o comando central no Rio, cobrava a mesma coisa. Mistérios da "Força"!

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