25 de setembro de 2015

Forças Armadas: "Jamais seremos agentes de instabilidade", diz Comandante do Exército

Brasil corre risco de regredir 40 anos na Defesa, alerta comandante do Exército
"Temos compromisso com a legalidade e com a estabilidade, jamais seremos agentes de instabilidade. Nossa missão é clara e determinada pela Constituição." (General Villas Bôas)

Sergio Vieira
O comandante do Exército, o general Eduardo Villas Bôas, alertou hoje (24), em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), que todos os projetos da área da Defesa vem sofrendo com fortes atrasos por causa dos cortes orçamentários e que isso representa um “risco real” de uma grande regressão nessa área.
— Podemos retornar a uma situação de 30, 40 anos atrás, quando éramos a oitava maior indústria de Defesa do mundo, e tudo foi perdido. Mais dois anos nessa situação e todo o esforço pode se perder — alertou durante o debate, sugerido pelo senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES).
O comandante do Exército fez questão de defender o ministro da Defesa, Jaques Wagner, que, na opinião dele, tem se esforçado para reduzir o impacto desses cortes sobre a pasta. Villas Bôas garantiu que o ministro tem pleno conhecimento do quadro hoje existente.
Diante da gravidade dessa situação, o presidente da CRE, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), informou que vai buscar junto ao Ministério da Defesa e ao próprio Exército definir quais projetos são os prioritários, para que recebam as emendas da Comissão no Orçamento 2016.
Relator do Livro Branco da Defesa — documento público que expõe a visão do governo sobre o tema da defesa, a ser apresentado à comunidade nacional e internacional —, Ricardo Ferraço criticou Jaques Wagner por, segundo ele, estar hoje mais envolvido com a crise política do que com a crise que atinge a própria indústria de Defesa no país. O senador Informou que há vários dias vem tentando se reunir com o ministro, "mas sem sucesso".

Fronteiras
Um dos principais pontos abordados durante a reunião foi o atraso na implantação do Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras (Sisfron).
O programa começou a ser implantado em 2013, com prazo de conclusão de 10 anos, mas, segundo Ferraço, se for mantido o cronograma atual de repasses, esse projeto só estará finalizado daqui a 60 anos. O senador acredita que tudo que foi planejado e começou a ser realizado a partir da gestão de Nelson Jobim na pasta (2007-2011) está hoje "em colapso".
— O quadro hoje é de desemprego, atraso tecnológico e perda de mercados em virtude da orgia fiscal praticada pelo governo em outras áreas — lamentou Ferraço.
Villas Bôas confirmou que o atraso no Sisfron também é o que mais lhe preocupa. Ele revelou que apenas 7,2% dos investimentos previstos até agora foram feitos.
Para o general, a atuação dos cartéis internacionais ligados ao tráfico de drogas é hoje a maior ameaça à sociedade brasileira. O Sisfron será um elemento forte de dissuasão e combate à atuação desses grupos quando estiver em funcionamento. E para o general, hoje milhões de brasileiros sofrem a consequência direta do desguarnecimento das fronteiras, por onde entra a droga responsável por 80% da criminalidade urbana, segundo dados da Polícia Federal.
De acordo com o comandante do Exército, já foi detectada a atuação desses cartéis na região amazônica, inclusive com a plantação e cultivo de drogas na região fronteiriça.
— Isso é extremamente preocupante, pois são grupos muito violentos e com um grande poder de corrupção das instituições — informou, temendo que ocorra em nosso país fenômenos que já fazem parte do cotidiano de outra nações latinas.

Programas em atraso
Indagado pelos senadores, o general Eduardo Villas Bôas detalhou o atraso existente em outros programas.
A senadora Ana Amélia (PP-RS) mostrou sua preocupação com a grande vulnerabilidade existente no país na área de defesa cibernética. Ela citou especificamente o caso de espionagem feita pela Agência Nacional de Segurança dos EUA sobre a presidente Dilma Rousseff e outras autoridades.
O general concordou e classificou essa área hoje como “fundamental”. Apenas durante a Copa do Mundo, revelou o comandante do Exército, foram neutralizados 756 ataques contra o aparato cibernético utilizado na organização do evento. E disse que a maior utilidade de se preparar nessa área é o resguardo de sua infraestrutura industrial.
VIllas Bôas também destacou a grande ameaça que ronda hoje todos os programas relacionados ao desenvolvimento de mísseis, foguetes e blindados. O comandante reiterou que um país que é a oitava maior economia do mundo, relevante em nível mundial e com a presença de efetivos em diversas nações (Haiti, Líbano, Congo e outras), não pode ficar desguarnecido.
— São áreas geradoras de empregos altamente qualificados e grandes exportadoras — frisou.

Democracia
Os senadores pediram a opinião do general sobre a presença de manifestantes em protestos populares que pedem o "retorno do regime militar". Para ele, a sociedade brasileira amadureceu democraticamente e “não precisa ser tutelada”. Para ele, parte desses manifestantes na verdade clamam por gestões baseadas em valores, e que a classe militar seria percebida por eles como "portadores desses princípios".
— Temos compromisso com a legalidade e com a estabilidade, jamais seremos agentes de instabilidade. Nossa missão é clara e determinada pela Constituição — definiu Villas Bôas, recebendo elogios dos senadores Aloysio Nunes Ferreira, Ana Amélia, Tasso Jereissati (PSDB-CE), Edison Lobão (PMDB-MA) e José Agripino (DEM-RN).
Agência Senado/Edição: montedo.com

8 comentários:

Anônimo disse...

Será que ele pediu a votação da maldita MP do Mal (LRM), que depende do Senado para entrar na Pauta, ou seja, o problema é político.

Ele é um Cmt diferenciado e se preocupa com a situação financeira dos seus subordinados e quer livra-los das garras da POUPEx e das dezenas de entidades consignatarias conveniadas com o EB.

Ele já almoçou no cassino dos St/Sgt. Já sentou no chão lá na Bda PQDT !!!!!

Anônimo disse...

Álias, tá na hora do Adjunto de Cmdo começar a trabalhar.

Sgestão: Falar com o Cmt do EB, que precisamos de reajuste e da votação da MP do Mal ( LRM ).

Vamos trabalhar.

Anônimo disse...

Tà no BE 39 de hoje, o assunto nova identidade. Já acessou a SGEx ?

DECRETO Nº 8.518, DE 18 DE SETEMBRO DE 2015.
Dispõe sobre a carteira de identidade de militar das Forças Armadas, o documento de identificação de seus dependentes e pensionistas e o documento de
identificação dos integrantes da Marinha Mercante.

* Ver o BE 35/2014

Anônimo disse...

E a tropa que se exploda!!!!!
Bem feito pra nós....

Anônimo disse...

Importantíssima esta medida da identidade, tão ou maior que a mudança de cor das maricacas ou a mudança de lado delas." Venha im mim reserva!"

Anônimo disse...

Quando os militares falam, parecem que estão em outro pais, as coisas estão maravilhosamente bem e eles estão sendo muito bem tratados.Acho que isso é sonho e não realidade. Vão ficar esperando o governo petista se esfacelar, mas quando isso acontecer, que preço teremos que pagar?

Anônimo disse...

o nosso problema não são os de fora, pois estes tem o dever de f@$#er com a milicada, NOSSO PROBLEMA SÃO OS GENERAIS, tanto poder nas mãos (o das armas e da guarda das instituições) e são um bando de covardes.


bastava um discurso inflamado no congresso e as coisas mudariam...

tem vergonha de ser sgt do exército, tenho vergonha de ser brasileiro, não tenho vergonha do povo mas do sistema com um todo...

Anônimo disse...

O máximo que deixará de legado será alguém exclamando "esse general era gente boa". Nada além disso. Não precisamos de um "gente fina" . É politicamente correto demais para comandar. Pena. Quem sabe o próximo, ou o outro, ou o seguinte. Sei lá, quem sabe um dia apareça alguém a fim de encarar essa situação de frente, olho no olho, como deve ser.

Arquivo do blog

Compartilhar no WhatsApp
Real Time Web Analytics