9 de junho de 2016

STM expulsa dois sargentos por esquema criminoso na Base Aérea de Brasília

STM agrava pena e expulsa militares condenados por esquema de fraude e corrupção na Base Aérea de Brasília
Imagem Ilustrativa/FAB
Em um dos mais longos julgamentos dos últimos anos - foram quase sete horas ininterruptas -, o Superior Tribunal Militar (STM) apreciou uma ação penal que reuniu trinta e um réus, todos militares da Aeronáutica. Três sargentos foram condenados e dois deles expulsos das Forças Armadas.
Eles foram acusados de montar um esquema de fraude e de corrupção no setor de pagamento da Base Aérea de Brasília, que causou aos cofres públicos prejuízos da ordem de R$ 122 mil.
De acordo com o Ministério Público Militar (MPM), constatou-se que as irregularidades nos pagamentos de militares da Base Aérea de Brasília vinham ocorrendo desde o ano de 2002 e as ações criminosas de três sargentos tinham o intuito de burlar a Administração Militar, obtendo vantagens pecuniárias ilícitas a fim de se beneficiar e, também, de beneficiar outros militares.
Em troca do recebimento dos valores indevidos, os beneficiados no esquema deveriam, na maioria dos casos, repassar parte do valor recebido aos articuladores, que fraudaram sete modalidades de pagamentos: ajuda de custo; auxílio-transporte; não suspensão do auxílio-transporte por ocasião de férias; pagamento indevido de 1/3 de férias, pagamento indevido de exercícios anteriores, pagamento indevido de compensação orgânica e pagamento indevido de compensação de Raio X.
Um dos cabeças do esquema era um segundo-sargento. Segundo a promotoria, ele era o coordenador de saque no setor de pagamento da unidade militar. Além de beneficiar indevidamente diversos militares, auferiu benefícios para si próprio, efetuando lançamentos de vantagens em sua própria folha de pagamento.
Em setembro de 2005, por exemplo, ele ofereceu ao seu amigo, um outro segundo-sargento, o pagamento de uma nova ajuda de custo, referente ao comissionamento que estava se encerrando naquele ano. Como o lançamento passou desapercebido pela Administração Militar, ele solicitou a um terceiro denunciado, também sargento, que verificasse junto a seus colegas aqueles que gostariam de participar da empreitada criminosa.
A fiscalização da Aeronáutica identificou cerca de R$ 13 mil reais pagos irregularmente ao sargento chefe do esquema.
Ele confessou que fez lançamentos indevidos a vários militares em 2007. Uma servidora civil, que tinha se afastado para uma licença maternidade e era do setor de pagamento da unidade militar, teve a sua senha "furtada" e usada no esquema. Em data posterior, ela foi morta, vítima de uma suposta bala perdida, em Taguatinga, no Distrito Federal.
Testemunhas indicadas pelas defesas de alguns dos acusados, no curso do Inquérito Policial Militar, afirmaram ter recebido ameaças veladas e também informaram sobre a morte da servidora civil.

Condenação
Os réus foram denunciados à Justiça Militar da União, na 1ª Auditoria de Brasília. No julgamento, entre 31 réus, 27 foram absolvidos pelo "fato não constituir infração penal", entre eles, diversos cabos e soldados, e um dos réus foi absolvido por falta de provas.
O Conselho Permanente de Justiça, no entanto, resolveu condenar os três sargentos, acusados de terem organizado o esquema criminoso, todos à pena final de dois anos, nove meses e 18 dias de reclusão, pelo crime de estelionato, previsto no artigo 251 do Código Penal Militar.

Pena agravada
A defesa dos militares e o Ministério Público Militar recorreram ao Superior Tribunal Militar, para tentar reverter as decisões do colegiado de 1ª instância.
No STM, durante o julgamento, os ministros da Corte, por maioria, resolveram agravar a pena do sargento chefe do esquema, para cinco anos de reclusão e aplicar a pena acessória de exclusão das Forças Armadas.
Outro sargento também teve a pena aumentada para dois anos, 11 meses e dezesseis dias de reclusão e também foi excluído das Forças Armadas.
O terceiro condenado, um segundo sargento, teve a pena diminuída para dois anos, dois meses e 20 dias de reclusão.
Em sua fundamentação, o relator da apelação, ministro Francisco Joseli Parente Camelo, disse que, no caso do sargento chefe do esquema criminoso, sua culpabilidade foi indiscutível e imputável.
Para o ministro, o líder do esquema tinha plena consciência da ilicitude de seu agir, exigindo-se dele, portanto, conduta diversa.
“Não apresenta antecedentes criminais e não há registro de nenhum fato que denigra sua conduta social. Todavia, aproveitou-se da função que exercia para auferir vantagens indevidas, quebrando a confiança a ele depositada pelos seus superiores e usou da precária situação financeira dos demais colegas para extorqui-los em até 50% dos ganhos auferidos fraudulentamente."
"E mais, se locupletou da senha da colega de serviço, a servidora civil, e passou a utilizá-la na execução do esquema, o que levantou suspeita sobre a idoneidade da citada servidora. Por último, o montante do desfalque de todo o esquema girou em torno de R$ 122.000,00, o que demonstra a intensidade do dano”, votou o ministro Joseli Camelo.

Demais réus
Os ministros do STM também resolveram reverter a decisão da primeira instância e condenar outros 15 réus, acusados de estelionato, crime previsto do artigo 251 do Código Penal Militar. No entanto, reconheceram a ocorrência da prescrição da pretensão punitiva dos réus - quando o Estado perde o direito de punir, por decurso de tempo.
Dez outros réus também tiveram extinta a punibilidade, antes da apreciação do mérito. Destes, oito deles tinham sido denunciados pelo crime de apropriação de coisa havida acidentalmente (artigo 249) e dois, pelo crime de estelionato.
Os demais três réus tiveram mantidas suas absolvições, proferidas na primeira instância da Justiça Militar, em Brasília.
STM/montedo.com

18 comentários:

Anônimo disse...

Interessante, os graduados não sofriam qualquer tipo de controle por parte de seus superiores.

Anônimo disse...

Pensei a mesma coisa.....sem apoio de um superior seria quase impossível fazer um esquema desses e durante tanto tempo....e enquanto isso o STF ainda esta embromando para julgar os processos da Lava jato

Anônimo disse...

Claro, imagina se não iria ser culpa dos oficiais. Afinal, não se pode confiar nos Sgt. Não é verdade companheiro das 08:16?

Anônimo disse...

Caraca na Aeronáutica parece que não existe de exame de pagamento de pessoal, que coisa heim, demorou tanto tempo pra descobrir isso.

Anônimo disse...

É meu broder, a situação é sério. Não sei se era o caso desses pracinhas, mas, vejo muitos praças cantando de galo que não possuem empréstimos no contracheque e que tem carro bom e casas de aluguel. E nada pega, pega nada! viva o SIAFI, viva o PIPA, vivam os bem conceituados pelos chefes.

Anônimo disse...

Em 14 anos roubaram 122.000? Estavam roubando o que?
Salário família.
Como esse pessoal ganha mal.

Anônimo disse...

Para que nao percebeu. Apenas uma semana apos o Gen Etchegoyen sair do EME, a portaria que instituia as atribuicoes do Adj Cmdo no RUE foi revogada...

Rogério da Silva Gomes - 1ª Sgt disse...

Colocar Praças no olho da Rua para servir de exemplo é mole. As Forças Armadas são instituições sérias, não admitem desvios de conduta. O Pracinha é o maior bode expiatório que nem tem direito a berrar. Se desviaram dinheiro, são bandidos, desculpem o termo, mas dói em mim. O que me deixa P. da vida é saber que no Instituto de Militar de Engenharia, Oficiais desviram quase 20 milhões de Reais e continuam no serviço ativo. Fiz várias denuncias da roubalheira dentro de um Hospital Militar no Rio de Janeiro, tendo inclusive funcionários fantasmas na folha de pagamento das empresas ali instaladas e nada foi feito pela Justiça Militar. Quando digo que a Justiça Militar foi feita para bater em Praças, falo com convicção.

Anônimo disse...

Será que eram só sargentos? Estranho esse caso hein?

Anônimo disse...

No Brasil nada é sério,nenhuma instituição,mas esse STM é uma aberração. Um desserviço a nação é caro ao erário.

Anônimo disse...

Esse cara pode se apresentar no diretório do PT e concorrer a vaga de tesoureiro do partido.

Anônimo disse...

.

acp

"...usou da precária situação financeira dos demais colegas para extorqui-los em até 50% dos ganhos auferidos fraudulentamente." Com efeito, com baixos salários e altas obrigações, este é um resultado. Ninguém deveria ter entrado no esquema, porém.

Brigadeiro Camelo... Passou os 12 anos de generalato com lula e dilma...

Foto exemplar...

http://img.estadao.com.br/thumbs/550/resources/jpg/0/1/1420665636110.jpg
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/05/1284986-dilma-invade-cabine-do-piloto-e-vira-corneteira-dos-voos-oficiais.shtml
http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/01/comandante-dos-avioes-de-lula-e-dilma-e-indicado-para-tribunal-militar.html
http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-escolhe-novos-comandantes-das-forcas-armadas,1616720

acp

.

Anônimo disse...

E o General Albuquerque,era do Conselho da Petrobrás Que comprou Pasadina! Que prejuízo para Nação! Moro ta sabendo?

Teixeira Teixeira disse...

Sem palavras
Com certeza tem mais gente graúda neste trem rsrs
E só colocar o mouro neste caso que ele descobri

Anônimo disse...

Vergonha o STM deveria ser extinto
Roberto só mais um cabide de emprego

Anônimo disse...

Neste país só ladrão de galinha vai pra cadeia
Enquanto isso no tribunal eleitoral os bandidos que causaram um prejuízo de bilhões de dólares estao sendo absorvidos

Teixeira Teixeira disse...

Parabéns pelo seu comentário
Eu assino em baixo

Anônimo disse...

Neste país só ladrão de galinha vai pra cadeia
Enquanto isso no tribunal eleitoral os bandidos que causaram um prejuízo de bilhões de dólares estao sendo absorvidos

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