1 de junho de 2016

Patriotismo? Sim! Ele existe.

Belém (PA) – Dos atuais 600 índios da Comunidade Indígena Tembé, localizada a 250 quilômetros do Quartel-General do Comando Militar do Norte (CMN), em Belém (PA), um realizou seu sonho de infância em 2016: ser soldado do Exército Brasileiro. Takamuy, o primeiro de sua comunidade a ser militar, fala com o mesmo orgulho da farda que veste e de suas raízes indígenas.
Descreve, com convicção, quando escolheu a carreira militar. Ele tinha apenas sete anos, sua comunidade tinha pouco acesso à energia elétrica e apenas uma televisão, e todas as noites, os moradores reuniam-se para acompanhar as notícias. Foi quando viu, pela primeira vez, a propaganda do Alistamento Militar e, naquele momento, decidiu ser soldado do Exército. Pediu orientação ao seu padrinho, que explicou como ter a oportunidade de vestir a farda camuflada. Em 2014, a vontade aumentou quando, na Operação Eleições, conheceu militares que faziam a segurança das eleições em municípios vizinhos. Fez, então, contato, conversou e conheceu mais da vida na caserna.
Para seus pais, foi uma grande surpresa ver que, desde pequeno, Takamuy tinha convicção da carreira que queria seguir – o primeiro de sua comunidade a vestir a farda verde-oliva. Desde então, o incentivaram e o ajudaram, pois sabiam que a base familiar seria fundamental para a realização desse sonho. Com alegria e dedicação de sua família, por dez anos, o então futuro soldado estudou e conheceu a área de selva, onde foi criado. Queriam seu filho como o primeiro militar da Comunidade Tembé.
Em 2015, ano em que completou 18 anos, Takamuy fez seu alistamento e, após ampla seleção, em 1º de março de 2016, incorporou às fileiras do Exército pela Base de Administração e Apoio do CMN. Fez seu estágio básico e, mesmo tudo sendo muito novo, não sentiu dificuldades no internato e absorveu rapidamente todas as orientações e instruções.
O momento mais difícil da formação de um soldado na área de selva foi o que Takamuy mais gostou: o Estágio Básico de Combatente de Selva (EBCS), onde viu que muitos dos ensinamentos já faziam parte do seu dia a dia, como preparação de armadilhas de animais, abrigos e obtenção de água e alimentos. Ao relatar sua experiência, ele destaca os ensinamentos deixados por seu avô, que o ensinou a viver do que a natureza oferecia, da sua forma mais pura: desde pequeno ele saía todos os dias para obter alimentos. Como resultado de sua vivência pessoal, foi o grande destaque entre seus irmãos de farda.
Presentes na vida do filho, os pais não escondem o orgulho e a admiração de ver o índio e soldado nas solenidades militares. Destacam sempre a alegria e a importância de ser a base da realização do sonho do filho. Durante a entrega da boina, no dia 12 de maio, eles fizeram questão de entregar o facão, que o filho recebera como destaque por seu desempenho no Estágio de Selva, prêmio que todos da família guardarão, junto com as lembranças de Takamuy, como indígena e como militar.
O Soldado Takamuy trabalha, atualmente, na reserva de armamento. Fala com entusiasmo e sorriso no rosto do que está vivendo dentro do Exército. Agora, o próximo passo é continuar os estudos e dedicar-se para ser militar de carreira. Irá fazer prova para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) e para a Escola de Sargento das Armas (EsSA). Pensa na saudade que irá sentir da família e de sua comunidade, mas sabe que deixará o legado para seu irmão mais novo, que, aos 16 anos, pretende seguir os passos do irmão militar.
Fotos: CMN
Noticiário do Exército/montedo.com

2 comentários:

Anônimo disse...

Sempre que vejo casos como esse, não posso deixar de expressar minha admiração pelos nossos índios. Ainda bem que em algumas fronteiras nós temos alguns nas fileiras das Forças Armadas. Não podemos deixar as comunidades que vivem mais afastadas, isoladas, nas mãos dos estrangeiros. Para esses, nos tornamos "inimigos", indesejáveis.

Anônimo disse...

Parabéns, exemplos como esse precisam ser divulgados.

Arquivo do blog

Compartilhar no WhatsApp
Real Time Web Analytics