22 de março de 2017

Fraudes atingiram licitações do Exército no MS

Fraudes atingiram licitações no Exército, IFMS e superintendências
Num dos casos, o ágio foi de 600% sobre o valor unitário dos produtos adquiridos
Aline dos Santos
Campo Grande (MS)  - As fraudes investigadas na operação Licitante Fantasma, realizada nesta terça-feira (21) pela PF (Polícia Federal) em Campo Grande, atingiram licitações do Exército, IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul ), Superintendência de Administração do Ministério da Fazenda e Superintendência Federal de Agricultura. Os órgãos foram divulgados em nota da CGU (Controladoria-Geral da União).
A operação investiga organização criminosa que fraudava o sistema ComprasNet (pregão eletrônico para compras do governo federal) e licitações presenciais. Não foi divulgado que tipo de compra foi fraudada. Num dos casos, o ágio foi de 600% sobre o valor unitário dos produtos adquiridos.
A investigação, com três anos de duração, identificou um grupo empresários organizado para fraudar, de forma sistemática, as compras. Eles faziam acertos de preço e fraudes nos lances efetuados nas licitações.
São cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Campo Grande. A ação tem 20 policiais federais e servidores da CGU (Controladoria-Geral da União).
O nome da operação faz alusão às empresas que formalmente participavam dos processos licitatórios atuando como concorrentes, mas que na verdade eram fictícias e pertenciam ao mesmo dono.

Uma das empresas alvo da operação está apta, no papel, a oferecer 28 serviços, que vão de obra pública a alinhamento e balanceamento de carro.
“Tive o trabalho de contar ontem. Teve uma empresa habilitada a fornecer 28 tipos de serviço. Desde construção de obras públicas a alinhamento e balanceamento de carro. No cadastro social dela, pode fornecer uma gama imensa de serviços”, afirma o chefe da Controladoria Regional da União no Estado, José Paulo Barbiere.
As empresas suspeitas das fraudes atuam em vários segmentos, como terceirização de mão de obra, reforma, filmagem de eventos de órgãos públicos, manutenção de ar-condicionado. “Basicamente, elas ganham a licitação fraudada e subcontratam para outra empresa participante do conluio ou não”, diz Barbiere.
Desta forma, o produto era entregue e a participação de várias empresas dava impressão de que havia competição no sistema ComprasNet (pregão eletrônico para compras do governo federal). As ofertas nas licitações eram feitas de um mesmo computador e com diferença miníma de tempo.
Ainda de acordo com a investigação, são cerca de 15 empresas relacionada a dois empresários, alvos da ação nesta terça-feira. Porém, eles não aparecem como proprietários , abrindo uma linha de investigação se havia laranjas conscientes. Ou seja, se as pessoas estavam cientes do uso do nome nas empresas ou não.
“Os proprietários no papel, no contrato social, não são quem manipulavam essas empresas, eram os dois. Os donos das empresas são terceiros que serão investigados”, afirma o delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Cleo Mazzotti.
Os nomes das pessoas e das empresas não foram divulgados sob justificativa de que o procedimento está sob sigilo na Justiça Federal. A PF e CGU negam que haja envolvimento de funcionário público federal no esquema.
Na avaliação de contratos de R$ 60 milhões, o prejuízo chega a R$ 25 milhões. As licitações são do Exército, IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul ), Superintendência de Administração do Ministério da Fazenda e Superintendência Federal de Agricultura.

E o dinheiro?
De acordo com a CGU, os próximos passos para evitar fraudes no sistema de compra é a adoção de filtros para identificar quando as propostas partirem de um mesmo computador, a exemplo do que aconteceu na fraude investigada.
Conforme Barbiere, devem ser instaladas processos de tomada de contas especial para reaver os recursos junto às empresas. A União também pode entrar com ações pedindo ressarcimento. Os empresários vão responder por fraude à licitação, estelionato qualificado, formação de quadrilha e posse de irregular de arma de fogo. O flagrante das armas resultou na prisão de ambos.
Campo Grande News/montedo.com

13 comentários:

Anônimo disse...

Eta Brasil das falcatruas. Só mesmo educando as crianças, o povinho que temos aí, com raras exceções, maquina o tempo todo fraudar e extorquir, sem se importar com o dano causado. É carne de má qualidade, é material hospitalar descartável reutilizado, é quadrilha organizada em licitações, é corrupção de quem deveria dar o exemplo, e segue a lista.

Anônimo disse...

E a bandidagem continua roubando dinheiro público dentro dos Quartéis. Se não temos condições de acabarmos com a corrupção dentro das instalações militares, como acham os pseudo-patriotas que vamos acabar com a corrupção brasileira. A diferença é que na época da ditadura tudo era feito dentro maior segredo e quem descobrisse ia para a vala com a boca cheia de formiga, hoje as ferramentas de combate a corrupção e o acesso a informação são acessíveis, até mesmo para as Forças Armadas.

Anônimo disse...

Havia conivência de alguém(s) de dentro, pois sempre se faz uma pesquisa de mercado para o Valor de Referência do ítem a ser licitado.

Anônimo disse...

CADEIA NELES...

Anônimo disse...

Ao anônimo de 22 de março de 2017 09:08
Caso você não tenha percebido, a investigação não pós sob suspeita o Exército ou OMs do Exército ou qualquer órgão público, mas sim empresários(bandidos???) que fraudaram o sistema ComprasNet usando de subterfúgios, para enganar o dito sistema.
Antes de criticar, faça uma boa interpretação do texto...
Att
Praça de 93

Anônimo disse...

O bravo das 11:30, tambem acredita em papai noel, zorro, saci e outras coisas.

Unknown disse...

Nesse caso a quadrilha era do lado de fora dos quartéis, não dentro. Sempre há quem generaliza. Impressionante!

Anônimo disse...

Militar de carreira ou que nunca viu corrupção dentro dos Quartéis ou é muito bizonho, desligado ou até mesmo apagado. Como o amigo das 10:07 frisou que sempre é feita uma pesquisa de preços. Não estamos no Natal para achar que há crianças no EB e ficar esperando papai noel. Excelente comentário do companheiro das 13:43.

Anônimo disse...

Com certeza há crimes dos dois lados. 600% no preço unitário é, no mínimo, um grande erro na pesquisa de mercado e conluios entre fornecedores enfraquece ou inviabiliza a competitividade. Mais uma coisa que é certa: a grande maioria dos que bradam contra a "salc", morrem de medo se tornar pregoeiros ou membros de comissão de licitação.

Anônimo disse...

Nesse caso especificamente não há nenhuma implicação de órgãos públicos nas licitações. Não existe nenhuma legislação específica da receita federal que a empresa possa ser tanto prestadora de serviços como comércio a varejo, muito pelo contrário, existe hoje muitos empresários que são proprietários de várias empresas. Uma coisa é ter descoberto um sistema que pode ser fraudulento, outra coisa é provar na justiça que é fraudulento. É importante frisar que nos últimos três anos com a crise econômica caiu o número de empresas participando de licitações, por não conseguirem pagar os impostos em dia é com isso não obter certidões. No pregao não tem a necessidade de ter apenas uma empresa participando do certame.

Anônimo disse...

Aos anônimos de: 22 de março de 2017 13:439; 22 de março de 2017 18:34
Em momento algum defendi quem quer que seja, somente frisei que nem o EB ou qualquer agente publico do EB foi citado como envolvido no caso explicitamente.
Quanto as pesquisas de preços, sim elas obrigatórias, mas algum de vocês já ouviu falar em Banco de Preços? Caso não saibam o que é, pesquisem, mas eu posso dizer que, vendo o que existe lá, podemos ter uma ideia dos preços praticados em licitações, com algumas coisas realmente assombrosas.
Aos sabichões acima citados por mim, pesquisem e depois comentem...
Att
Praça de 1993 de saco cheio de tanto mimimimimi

Anônimo disse...

Leia a matéria, as instituições lesadas não sabem que as empresas são fantasmas. O site comorasnet é do governo mané. O exército só compra, não sabe que a empresa que ganhou não tem condições.

Anônimo disse...

Quem já serviu em unidades de Engenharia (BEC), de Suprimentos (D Sup, B Log e B Sup) sabe muito bem como as coisas são feitas nessas tais licitações - e, especialmente, quem sempre ganha. A PF e o MPF teriam muito trabalho se focassem nesses tipos de unidades. No entanto, eles somente entrariam em campo se recebessem denúncias.

Arquivo do blog

Compartilhar no WhatsApp
Real Time Web Analytics