13 de março de 2017

História: primeira favela brasileira foi formada por soldados veteranos da Guerra de Canudos

Primeira favela brasileira surgiu há 120 anos
Em 1897, aproximadamente 10 mil soldados voltaram da Guerra de Canudos e se instalaram no atual Morro da Providência, no Rio. O local, que já era habitado por ex-escravos, se transformou na primeira favela brasileira
Há exatos 120 anos surgia a primeira favela brasileira, que ainda não era chamada desta forma. O pequeno assentamento, formado inicialmente por ex-escravos, ganhou a partir de 1897 uma grande quantidade de novos moradores, criando uma verdadeira comunidade. Localizada no atual Morro da Providência, no Rio de Janeiro, a ocupação inicialmente se restringia a algumas dezenas de casebres, que ao longo do ano receberam mais de 10 mil novos vizinhos, em especial ex-soldados que retornavam da Guerra de Canudos. Os primeiros moradores do assentamento no eram habitantes do antigo cortiço "Cabeça de Porco", que havia sido demolido tempos antes.
Ainda sem nome, a área ocupada logo ganhou um apelido dos ex-combatentes. O conglomerado de pequenas casas passou a ser chamado de Favela, numa referência ao nome do morro onde os soldados haviam montado acampamento durante a guerra. Favela é o nome popular da Cnidoscolus quercifolius, uma planta endêmica da região nordeste brasileira. Se no passado a palavra era um nome próprio, atualmente se transformou numa termologia para se referir a um assentamento urbano informal.
A justificativa para a ocupação há 120 anos é a mesma dos dias atuais, a falta de moradias. Os ex-soldados tinham a promessa que ao retornarem da batalha receberiam o soldo, mas o valor nunca foi pago. Sem dinheiro e local para morarem, eles invadiram um trecho do morro, onde ficava uma chácara abandonada. Naquele momento, nascia a primeira favela brasileira. Com os anos, outros assentamentos também passaram a serem chamados de favelas, numa referência a ocupação do Morro da Providência.
As primeiras casas foram erguidas no sopé do morro, seguindo o estilo das construções de Canudos. De alvenaria com paredes caiadas e telhados de madeira, as residências foram engolidas pelo emprego dos próprios moradores. A maioria dos habitantes da comunidade da Favela trabalhavam numa pedreira no morro, que consumiu, literalmente, o terreno onde viviam. A mina funcionou até 1968, quando ocorreu um desabamento que soterrou e matou 36 pessoas.
Reintegração de posse
Em novembro de 1904, a prefeitura do Rio de Janeiro decidiu desocupar o morro da Favela, que estava numa área invadida. O problema é que no mesmo período ocorreu a Revolta da Vacina e devido ao caos generalizado na cidade, a reintegração de posse foi suspensa. Focada em combater os distúrbios pelas ruas cariocas, a prefeitura pôs a desocupação da área em segundo plano. Outra preocupação da então administração pública era o fato de que muitos habitantes daquela comunidade haviam participado da Revolta e considerassem a reintegração como uma "punição" pelo ato.
Guia do Litoral (UOL)/montedo.com

10 comentários:

Anônimo disse...

http://www.defesa.gov.br/noticias/29082-ministro-jungmann-realiza-palestra-para-alunos-da-escola-de-comando-e-estado-maior-do-exercito-eceme

Anônimo disse...

O Brasil é imenso. Nessa época por que essas pessoas não habitaram as regiões interioranas dos estados. Na verdade queriam do bom sem ter que batalhar para isso...é só ver os imigrantes europeus...vieram para cá pobres e trabalharam, deram duro nas lavouras na industria e hoje seus descendentes em sua maioria vive bem.

keko marques disse...

Mais uma prova que não é de hoje que os militares brasileiros são passados para trás ...

Anônimo disse...

Ao amigo de 13 de março de 2017 14:50

A história não foi bem essa. As primeiras concessões de terras brasileiras foram feitas a homens de recursos, ou seja, economicamente poderosos, capazes de assumirem custos com grandes instalações e aquisição de escravos. A nova população de homens livres que chegava não tinha acesso às terras, que já possuíam donos. Tornavam-se, assim, dependentes dos grandes proprietários, trabalhando como artesãos, soldados ou eram aventureiros, o que permitia que o controle da terra fosse mantido. O pequeno plantador se transforma em morador e os sitiantes se tornavam empreiteiros para derrubadas ou agregados para tarefas auxiliares das empresas. Celso Furtado cita a doação de terras para cafezais no Espírito Santo a famílias (quase todas alemãs) que ficaram sob o controle dos comerciantes, que acabaram por monopolizar a terra.[1] Esse autor afirma que "a propriedade da terra foi utilizada pra formar e moldar um certo tipo de comunidade, que já nasce tutelada e a serviço dos objetivos da empresa agro-mercantil". O que explica por que a massa escrava liberta também se transformou em comunidades tuteladas, sem afetar muito os negócios da empresa agromercantil no país. Nesse sentido, se insere a afirmação de autores que qualificaram o latifúndio como um sistema de poder, pela manutenção do controle da terra. Na Primeira República (1889-1930), grandes áreas foram incorporadas ao processo produtivo e os imigrantes europeus e japoneses passaram a desempenhar um papel relevante. O número de propriedades e de proprietários aumentou, em relação às décadas anteriores, mas, em sua essência, a estrutura fundiária manteve-se inalterada. A revolução de 30, que derrubou a oligarquia cafeeira, deu um grande impulso ao processo de industrialização, reconheceu direitos legais aos trabalhadores urbanos e atribuiu ao Estado o papel principal no processo econômico, mas não interveio na ordem agrária. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o Brasil redemocratizou-se e prosseguiu seu processo de transformação com industrialização e urbanização aceleradas. A questão agrária começou, então, a ser discutida com ênfase e tida como um obstáculo ao desenvolvimento do país.

Anônimo disse...

Você não sabe nada de história, os imigrantes vieram com cotas de terras, incentivo e dinheiro para financiamento de seus projetos. Agora esses ex-combatentes, ex-escravos na sua visão limitada não passam de vagabundos?


Vamos estudar meu povo, só ver vídeos do Bolsonaro não dá futuro.

keko marques disse...

Excelente! Deu uma aula de história ao anônimo mortadela das 19:24 h. "brasil247" não agrega nada ...

Anônimo disse...

Sim mas nessa favela só tinha praça, pois os oficais jamais foram favelados.

Anônimo disse...

Ao anônimo de 13 de março de 2017 19:24

Não são minhas palavras são de Celso Furtado

Celso Monteiro Furtado GCSE (Pombal, 26 de julho de 1920 — Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2004) foi um economista brasileiro e um dos mais destacados intelectuais do país ao longo do século XX. Suas ideias sobre o desenvolvimento e o subdesenvolvimento enfatizavam o papel do Estado na economia, com a adoção de um modelo de desenvolvimento econômico de corte keynesiano.

Anônimo disse...

Ao anônimo do dia 13 de março de 2017 19:24, que diz o seguinte:

"os imigrantes vieram com cotas de terras, incentivo e dinheiro para financiamento de seus projetos"...

Mas estavam em um país estrangeiro e não falavam o idioma. O "incentivo", era somente um serrote e um facão, que servia para abrir picadas no meio do mato para então poder construir uma casa, uma lavoura para sua família. Literalmente é o mesmo que eu dizer a você - "pegue seu 8 filhos, mulher, sogros, entre num navio e viaje por 40 dias até uma terra distante, e chegando lá, você vai ganhar um facão e uma enxada, um pedaço de 20, 25 hectares de pura floresta, tendo que caminhar 30, 40 km até o local, e quando chegar lá, se vire".

Era isso o que tinham a maioria dos imigrantes. O dinheiro era somente para o custo da passagem (o governo tinha interesse em trazer gente laboriosa para povoar o interior), e sobreviver algum tempo até que pudessem se estabelecer, depois de um duro trabalho.

Rafael Martins disse...

Nao foram pagos. Eles estavam desesperados. Foi a primeira oportunidade q viram.

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